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abril 28, 2005
ladrão rouba ladrão
Tem um aspecto interessante nas novas propagandas que o guaraná Kuat está fazendo nas estações de metrô do Rio. Ao invés dos outdoors convencionais, colaram silhuetas de figuras em proporção humana nos espaços vagos da parede. Para quem só corre os olhos, a ilusão de ótica faz parecer que tem alguém ali.
O grande lance é o seguinte: trata-se de uma grande corporação usando uma forma de expressão marginal -- a arte urbana, street art -- para anunciar seus produtos. Adesivar paredes com figuras humanas é uma das típicas expressões de artistas que escolheram ruas, paredes públicas, sucata, ou chão para decorarem com grafites, stencil, esculturas, cartazes, como expõe largamente o Wooster Collective.
Tem inclusive uma ironia aqui. Como se pode ver nos arquivos do Wooster, um dos tipos mais interessantes de street art consiste em fazer interferências gráficas em outdoors, de forma a subverter a mensagem original do anunciante, mormente grandes corporações. É o que se chama de culture jamming e tem sido muito mostrado no Adbusters. Em suma, um tipo de arte com forte coeficiente ativista de sabotagem das grandes corporações. Agora é a vingança da Coca-Cola: depois dos artistas de rua invadirem as propagandas, é a vez de uma grande corporação se apropriar da forma de arte marginal deles -- para fazer propaganda.
Escrito por Rafael | abril 28, 2005 11:16 AM