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abril 29, 2005
dialogando
Galera, se soar chato é tua única preocupação, relaxa, que isso é problema mais dos seus leitores do que seu. Não saber distinguir o que é sério do que é ironia, sim, é preocupante: quando ninguém mais sabe mais o que é o que. Millôr Fernandes disse, de maneira bem séria, que ainda será preciso inventar um ponto de ironia, a sinalizar frases dúbias, para que o leitor não tenha dúvidas de que se trata de uma ironia, sem perceber que mesmo toda a seriedade não impedia uma leitura irônica da frase (considerando que os leitores nunca chegariam num nível de interpretação tão baixo). Veríssimo tem uma tira da Família Brasil que ilustra perfeitamente tua desolação: o pai sugere ao filho Caco e suas Fonias para batizar a banda de rock dele, ao que é aceito prontamente. De noite, na cama, comenta com a mãe: "outra coisa que não funciona mais é a ironia" ("o Rafael é o único cara que eu conheço que cita história em quadrinhos", Jean Boechat). Minha sugestão? Dispor a informação da maneira mais clara e bem estruturada possível, para minimizar a margem de interpretação. Técnicas jornalísticas podem ajudar nisso.
Eu: E você, gostou da minha foto com a Natalia? A gente não faz um lindo casal?
Anna: Lindo, lindo. Deviam pensar seriamente em formar família, seria uma prole encantadora!
Mereci.
Escrito por Rafael | abril 29, 2005 08:37 AM
Comentário
Belo texto do Galera.
Ah, o emotional icon, essa colaboração imortal da geração internet para denotar ironia.
Escrito por: Arnaldo | abril 29, 2005 02:20 PM
Ah, e eu vivo citando quadrinhos também. Inclusive vou citar um cartum meu. Legenda: MOBRALF - Movimento Brasileiro de Alfabetização Funcional. Desenho: uma sala de aula, com um aluno sussurrando pra outro: "me dá cola na prova de ironia?"
Escrito por: Arnaldo | abril 29, 2005 02:40 PM