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maio 24, 2005
O mito da genialidade brasileira
Arnaldo Branco foi o primeiro a gritar: Pede pro cara explicar Cartola.
Depois veio: "A genialidade não é uma questão de educação, mas certamente passa pela influência do meio, do ambiente em que o sujeito vive e do grupo com o qual se relaciona."
A Scientific American está nas bancas com uma coleção chamada Gênios da Ciência, o número atual é o de Richard Feynman. Eu quero saber qual meio, qual ambiente, qual grupo relacional cria um Feynman. Não tem. Ou bem se atribui à genética, à probabilidade, ou esquece: não vai se criar um Feynman assim.
Só que isso não é argumento para esquecer a educação, o meio. Minha nota original não era sobre genialidade, era tão somente sobre talento criativo, excelência; sobre a importância de um meio que disponha os recursos corretos tem na geração de talentos. E quando eu falo em geração, é geração em massa. Isso se pode garantir.
Mas aqui no Brasil, gênio é só Cartola, Noel Rosa, sobreviventes, artistas, intuitivos, nunca é um cara que estudou, pesquisou e trabalhou. Ninguém lembra de um César Lattes quando se fala em gênio. E as autoridades, seguindo essa linha intelectual -- propositalmente ou não -- nunca investem em fornecer os meios mínimos de sobrevivência, sempre apostam na geração espontânea e improvável de Ronaldinhos.
O resultado é conhecido: não aparece um Cartola por geração e ainda se criam centenas de meliantes no processo. Moral da história: vamos parar de esperar os Cartolas aparecerem -- porque "gênio não se explica" -- e tentar criar 3 Paulinhos da Viola por geração, o que é possível, e é muito melhor do que cem meliantes.
Ah, o Arnaldo. Não precisa bronquear, que eu dialoguei com ele e chegamos aos termos acima expostos.
Escrito por Rafael | maio 24, 2005 12:39 PM
Comentário
A genialidade brasileira passa perto e ninguém vê. Sampaio é lido por pouquíssimos e entendido por quase ninguém. Leonardo Boff, que segundo Sampaio, não o entendeu, diz que que ele alcança níveis de formulação e formalização nunca atingidos em nossa história intelectual. Afirma também que nosso país já atingiu tanta maturidade e complexidade, que foi capaz de produzir um pensador desse jaez.
Fiz uma pergunta ao Sérgio Paulo Rouanet sobre o Sampaio (afinal ele assina a contra capa de um dos seus livros)e ele saiu batido, dizendo que não podia me ajudar, mas que o livro era muito difícil.
Pobres genios brasileiros!
Escrito por: pedro | maio 25, 2005 11:34 AM
Ah, e nem o Cartola era assim tão gênio intuitivo / espontâneo. Lia muita poesia, Raimundo Correia era seu favorito.
Mas ainda digo, "Poderosa Afrodite" é a melhor piada com essa história de background = crânio.
Escrito por: Arnaldo | maio 25, 2005 11:35 AM
Explicou muito do que tento dizer há muitos anos... Nosso país não liga para o processo de gerar talentos... Só liga para aquele já formado, os finalmentes, quando o cara vai colher os louros da vitória.
Quantos jovens muito inteligentes não tem uma boa orientação, e deixam suas abilidades desaparecerem... Em áreas técnicas é comum ver isso. E olha que eu e você ainda fomos a uma UFRJ. Imagina quem nem consegue acesso a uma universidade assim... É lamentável. E digo mais, se houvesse tradição de ter teatro, música e motivação para alunos talentosos em cada área nas nossas escolas, a situação iria melhorar ... Pode até ser que Cartola não saia dela, mas quem vai ouvir e promover Cartolas com certeza saem.
Escrito por: Ram | maio 27, 2005 03:33 PM
Porra nenhuma... Acho baboseira e viadagem, besteira, enxeção de saco, coisa de picuinísta mesmo, o que você disse. Por completo.
Vá para algum lugar do mundo e perguntem se alguém conhece um gênio da própria pátria - que não tenha tido marketing histórico, ou marketing por si só.
Vai lá e pergunta... ;;)
De qualquer forma, esses 'gênios' ficam mesmo. Ficam porque venceram sem nem terem como se perpetuarem. O Cartola, meu caro, foi gravar capengando 10 anos antes da morte. Doi assim que ele se perpetuou, quase sem nenhuma gravação. Foi o bastante pra virar gênio. O Noel, largou a medicina... Pode ser porque era vagabundo. Mas a matemática dele é genial.
O Duke Ellington, lá com o tio Sam. Po, putzgrilla... Isso nem se fala.
Os Mutantes aqui.... blá blá blá
A única coisa que eu diria a seu favor é que considero ridículo o tratamento que a ciência leva do governo - como por exemplo não pagarmos à IUPAC pelos membros cativos, ficando longe das convenções de química.
Bom, é isso.
Escrito por: Lucas | novembro 30, 2006 06:12 PM