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junho 28, 2005

Traduzindo o financiamento eleitoral

[Encontrei isso n'O Globo e achei supimpa:]

O presidente da Comissão Especial de Reforma Política, Alexandre Cardoso, fez um levantamento sobre as doações nas eleições gerais de 2002. A partir dos dados tirou as seguintes conclusões:

1. As empresas que mais contribuem para financiar campanhas são as que dependem de regulamentação governamental ou de contratos com o governo;

2. Os setores financeiro e da indústria pesada são os que mais doam para candidatos a presidente. O presidente decide sobre marco regulatório, concessão de subsídios e questões macroeconômicas, que são do interesse dos grandes grupos econômicos;

3. As empreiteiras são as que mais ajudam os candidatos a governador. Os governos estaduais realizam mais obras que o federal;

4. Os bancos costumam dar mais dinheiro para as campanhas de senadores. O Senado supervisiona o Banco Central e autoriza empréstimos para entidades do setor público.

Para Cardoso, este modelo é a fonte da corrupção, que seria secada com o financiamento público.

[...Conforme queríamos demonstrar.]

Escrito por Rafael | junho 28, 2005 02:01 PM

Comentário

Bom, mas aí há uma série de pressuposições que precisam de algo mais para confirmar que isto seja a "fonte" da corrupção. Do contrário, está-se afirmando então que doação legal "consequentemente" gera corrupção, o que é um exagero evidente.

Sem contar que financiamento público não elimina o caixa 2 (aliás, acredito que até o incentive), verdadeira fonte da corrupção.

E no final das contas, o que sobra é mais uma conta pro povão pagar, mais estrutura burocrática (e consequentemente, novos caminhos para a corrupção se instalar) para gerir novo tentáculo estatal e, mais importante, limitaria a representatividade eleitoral, já que todo mundo estará contribuindo também para candidatos que jamais iria votar.

E se permite o palpite, a corrupção sempre terá o tamanho que o Estado tiver. Quanto maior ele, maior ela. E vice-versa. Se o Estado regulasse menos e contratasse menos, não haveria porque tanta gente querer "financiar" campanhas.

Um abraço.

Escrito por: Chico | junho 28, 2005 06:31 PM

A fonte da corrupcao esta e na beleza e charme das mulheres brasileiras... Iremos todos acabar no marmore do inferno.

Quanto a Brasilia, duvido mesmo que financiamento de campanha seja fonte de corrupcao. E sim, impunidade, abuso de poder, e a absoluta ausencia de pessoas com calibre intelectual para serem bons politicos. O resto e tudo desculpa. Aposto que mesmo com financiamento publico, iriam arrumar outros jeitos de corromper...

Escrito por: Ram | junho 29, 2005 10:58 AM

Chico, concordo em tudo. Trouxe o artigo pra cá porque gostei das correlações estabelecidas, mais do que da conclusão, que achei por bem deixar para não mutilar o texto, apesar de não ser o ponto onde eu queria chegar.
Ter deixado aquele comentário CQD no final também não ajudou muito...

Escrito por: Rafael Lima | junho 30, 2005 08:51 AM

Financiamento público deveria ser proibido. Dinheiro de imposto, de contribuição indo para santinhos, outdoores e produtora de tevê em campanha? No way. Enquanto houver financiamento público, haverá uma Itaipu de corrupção aberta, mas, o que é pior, uma fonte de gasto errado do dinheiro do povo (às vezes tenho a impressão qualquer calouro de Harvard concordaria).

Sobra-nos o financiamento privado, que tem todos os problemas apontados pelo Alexandre. Não concordo com o Chico, acho que a ocasião faz o ladrão enquanto houver malandros no Congresso (sejamos realistas, mais pratico e util agora), deve-se eliminar ao menos essa porta de "ambiguidades" que fazem mil ocasiões em decisoes de licitacoes e mercado. Talvez controlar o financiamento privado. Tipo: só pode fazer doações quem não participa de licitação pública ou algo do gênero. Claro, diminuiria pra cacete a propaganda, mas quem precisa de tanta? Nao é a representatividade que manda? E já nao tem o horario politico?

O problema é que a iniciativa privada vai ter sempre mais portas. Quem pode impedir a empresa de armas botar anúncios pró-Bob Jeff por conta própria? Quem vai impedir ela de pagar alguém pra fazer isso? Quem vai impedir ela de comprar uma mansao para o Bob Jeff nos Alpes Suicos?

Ainda mais embaixo, saindo da questão da campanha: como saberemos quando um deputado vota em tal questão por decisão própria ou por lobby de grupos privados? Aqui entre o Ram, é abuso, é falta de calibre.

Talvez sigilo aberto permanente para os politicos e todas as movimentacoes acima de R$ 1.000,00 devem ser justificadas publicamente (e proibida a abertura de contas no exterior). Vale a pena votar em alguem mais honesto e com mais preparo intelectual? Sim, claro. Mas do jeito que estão isso nao vai acontecer.

Escrito por: nando | junho 30, 2005 11:37 AM

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