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julho 19, 2005
A Pedra e o Polígono
Finda a leitura de A Pedra do Reino, resta uma ressaca de mais de 600 páginas ultrapassando completamente qualquer capacidade de resenhar & resumir, onde podem-se encontrar, entre muitas outras coisas, descrições detalhadas de uma caçada a patos, uma cavalhada, um circo sertanejo, um ataque de cangaceiros, os argumentos de dois intelectuais que resumem o panorama político brasileiro da década de 1930 (um integralista e um comunista), versos de cordel, canções do domínio público, histórias do arco-da-velha, alguma blasfêmia, lições de heráldica e astrologia, algum folclore e muito, muito!, humor, no que verdadeiramente ultrapassa definições, rótulos, esquemas, resumos. Ou seja, nada que esteja a par de ser criticamente apresentado em qualquer suplemento literário de jornal ou revista atuais. Homenagem, sim; tem uma na edição atual da EntreLivros.
Uma das pulgas que ficou zanzando pela minha orelha enquanto vencia as páginas foi saber se o livro de Ariano Suassuna caía dentro da crítica que Diogo Mainardi fez ao romance regionalista em Polígono das Secas, porque, de fato, é difícil enquadrar o primeiro na mera categoria regionalista -- não é um romance moderno, aparenta-se mais a uma epopéia picaresca-medieval do que às narrativas de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos ou Jorge Amado. Entretanto, a crítica de Mainardi é de tal forma ampla que fica difícil tirar qualquer livro de temática sertaneja debaixo daquele guarda-chuva -- e ainda há uma menção explícita a João Grilo no Polígono. Ariano foge da apresentação típica do sertanejo sofrido ao revestí-la de poesia e mágica, transformando seus significados; Diogo, ao contrário, despe-a de qualquer tipo de significado e sentido -- eis o ponto de atrito entre ambos. No entanto, se é possível enxergá-los em lados opostos, há que se notar também sua área de interseção, que reside na recusa aos totens modernos, o que Ariano chama da "tirania do gosto médio" e Mainardi ataca quando afirma estarem "inflingindo suas banalidades sobre o restante da literatura mundial".
Escrito por Rafael | julho 19, 2005 02:59 PM
Comentário
sei nao, acho que o romance da pedra está léguas adiante desses todos, nao sei se entra nas criticas do mainardi. mas a gente pode perguntar pra ele.
Escrito por: alex castro | julho 19, 2005 07:25 PM
Acho que o grande problema da "Pedra do Reino" (além do final, que era pra ser uma trilogia e não foi), é que a proposta do Ariano de mesclar cultura popular e cultura erudita, fazendo sobressair daí uma cultura maior, com mais elementos para serem apreciados, apenas introduz a idéia, trabalhando-a de modo limitado. Por exemplo, os cordéis são obras à parte dentro da obra. Ariano, portanto, aponta o caminho que deve-se seguir mas, quando leio qualquer literatura do nordeste pós-Ariano, ainda parece ser a mesma literatura que o Mainardi critica, nada mudou. Cordéis continuam sendo "cordéis nordestinos", não "cordéis brasileiros". Ele afirma que lançará o tão aguardado livro que vem escrevendo desde a década de 80, onde esses elementos serão realmente explorados à exaustão. Se realmente for assim, acredito que será uma obra-prima ainda superior à "Pedra do Reino".
Escrito por: Leandro Oliveira | julho 20, 2005 03:41 PM
entao eu precisava saber um pouco bastante sobre a obra do ariano uma mulher vestida de sol sera que alguem poderia me ajudar eu nao consigo achar nada
Escrito por: henrique | março 14, 2006 01:30 AM