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julho 28, 2005

HQ Mix 2005

Saiu o resultado do HQ Mix 2005, o mais badalado prêmio nacional da indústria(?) dos quadrinhos. Comento alguns resultados a seguir:

Desenhista Nacional - Fábio Moon & Gabriel Bá (Dez Pãezinhos - Crítica)
:: Os gêmeos estão diluindo as referência a Frank Miller e Mike Mignola que eram evidentes nas primeiras histórias, procurando elementos novos e encontrando seus estilos. Acho que foi merecido premiar, por evidenciar essa evolução.

Roteirista Nacional - Lourenço Mutarelli (Mundo Pet)
:: Gonçalo Júnior observou em texto recente que, mais do que a concorrência externa e as instabilidades econômicas, contribuiu para atrasar a implantação de uma indústria de quadrinhos no Brasil a ausência de roteiristas. É um prêmio ao qual deveria se dar maior atenção. Lourenço já deve ter sido premiado antes nessa categoria, porque é um dos poucos que se dá ao trabalho de construir suas histórias. Ainda não tem a perfeição de um Marcatti no timming, nos ganchos, no encadeamento, mas que a tem?

Cartunista - Laerte (Folha de S.Paulo)
Tira Nacional - Piratas do Tietê / Striptiras, de Laerte
:: Laerte já é patrimônio, deveriam fazer um busto dele como modelo do troféu porque ele ganhou em todas as edições. As categorias evidenciam duas coisas: sua estabilização como cartunista, mais do que quadrinhista, e a ausência de tiras inspiradas. Será possível que não haja ninguém na internet fazendo algo que supere? Preto no Branco? Mundinho Animal? Malvados? Será que tira da internet não vale?

Ilustrador - Samuel Casal
:: Barbada, mais uma vez. É costume um desenhista revelação levar o troféu de melhor ilustrador, anos depois. Vi uma exposição dele no Museu do Trabalho (RS), caricaturas de animais, muito impressionante.

Publicação de Clássico - Todo Pererê 3 (Salamandra)
Álbum Infantil - Todo Pererê 3, de Ziraldo (Salamandra)
:: Mais uma indicação da magreza do mercado editorial, pela falta de concorrentes. Folheei o Todo Pererê 1 e só reclamo que esses álbuns não sejam mais facilmente encontráveis. Resgatam uma experiência única num período tremendamente particular da história recente (Pererê foi a única revista em quadrinhos totalmente feita no Brasil editada pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand)

Publicação Mix - Mosh! (independente)
Publicação Independente - Mosh!, de Fábio Lyra, Vinícius Mitchell e outros artistas
:: Fiz campanha pela Mosh! ano passado, então tenho mais que comemorar esse ano. O fato de uma publicação independente ter levado o prêmio de melhor Mix indica que nenhuma editora grande ou média está querendo arriscar. Parabéns ao Lobo, Renato, Fábio, Heitor, Vinícius, toda a cambada.

Revista de Aventura - Marvel MAX (Panini)
:: Muita gente já me falou muito bem dessa revista. Mas eu não leio mas super-heróis de maneira seriada. Acho que o pulo-do-gato da Marvel foi ter parado de escrever histórias para adolescentes e passado a escrever para jovens adultos, público já formado e acostumado aos personagens.

Publicação de Tiras - Níquel Náusea - Vá Pentear Macacos, de Fernando Gonsales (Devir)
:: Deveria ter ido para Hugo, Modo de usar, do Laerte.

Edição Especial Nacional - 10 Pãezinhos: Crítica, de Fábio Moon & Gabriel Bá (Devir)
:: Prêmio para a Devir e para a insistência dos gêmeos em insistirem na produção, buscando uma linha autoral.

Edição Especial Estrangeira - À Sombra das Torres Ausentes, de Art Spiegelman (Cia. das Letras)
Projeto Gráfico - À Sombra das Torres Ausentes, de Art Spiegelman (Cia. das Letras)
:: Barbada. A Cia das Letras reproduziu minunciosamente o projeto gráfico de Spiegelman no Brasil, em papel cartão, refazendo as letras com as mesmas tipografias. Mandaram imprimir na Itália. Ficou tão parecido com a edição original que até a lombada quebra, quando você abre. Seu principal concorrente foi a encadernação de Sandman: Prelúdios e Noturnos, da Conrad, que tinha ganho ano passado com Sandman: Noites em Fim.

Minissérie - 1602, de Neil Gaiman e Andy Kubert (Panini)
:: Mais uma que me deixa pensando seriamente se não havia nada melhor para premiar. Gostei bastante do desfecho, mas achei a mini-série monótona ao longo de mais da metade.

Publicação de Cartuns - Quino: Bem, Obrigado. E Você?, Quinoterapia e Quanta Bondade! (Martins Fontes)
:: Merecido. Quino é hors-concours na categoria cartum, e esses álbuns são matadores, idéias e mais idéias visuais, humor sutil e contundente.

Livro Teórico - A Guerra dos Gibis, de Gonçalo Junior (Cia. das Letras)
:: Curiosamente, a quantidade de livros teóricos cresceu nos últimos anos. A extensa pesquisa durou mais de 15 anos e resultou num livro brilhante, a melhor reportagem histórica sobre o mercado de quadrinhos já feita no Brasil. Indispensável para entender como se implanta uma indústria cultural e por que os quadrinhos são historicamente mal vistos. E ainda entrega posturas tortas de uma penca das chamadas personalidades brasileiras do meio cultural, haha.

Projeto Editorial - O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks (Abril)
:: Ótima escolha, mas vou continuar fazendo campanha para os álbuns sobre cidades da Casa21.

Exposição - São Paulo por Paulo Caruso - Um Olhar Bem-Humorado Sobre Esta Cidade
:: Vi durante o XV Salão Carioca de Humor. Quando Paulo Caruso tem tempo e espaço o suficientes para fazer suas aquarelas, o resultado nunca é menos do que deslumbrante. Quando não tem, como no calor do momento, no programa Roda-Viva, ainda consegue arrancar humor das situações.

Site de Quadrinhos - Nona Arte
:: Mérito do André Diniz, que sobressai em meio à cacofonia da internet, mas parece que é o único dedicado a quadrinhos no Brasil. É?

Site sobre Quadrinhos - Universo HQ
:: Desse eu me abstenho de comentar, porque competi contra ele, pelo SoBReCarGa ;-)

Blog / Flog de artista gráfico - Fábio Moon & Gabriel Bá
:: Reler o que escrevi para a Nona Arte.

Editora do Ano - Devir
:: Merecido, a importadora tem investido bastante na criação de uma linha de álbuns. Espero que Cia. das Letras acirre a disputa no próximo ano.

Grande Mestre - Luiz Gê
Pesquisa - A Escrita Plástica, Desenho, Pensamento e Conhecimento, de Luiz Gê
:: Alguém ainda tem dúvidas que Luiz Gê é o melhor quadrinhista brasileiro vivo? Hoje em dia ele me lembra um pouco o Ivan Lessa, que não precisa publicar livro para provar que é o melhor cronista brasileiro e um dos que melhor escreve.

Escrito por Rafael | julho 28, 2005 12:00 PM

Comentário

Obrigado pela lembrança, mas SUPERAR o Laerte é impossível.

Escrito por: Arnaldo | julho 28, 2005 03:05 PM

Simplesmente não consigo levar esse prêmio a sério.
Manifestei isso em público uma vez, mas quando me perguntaram o temível "por quê?", não sabia.

Mas qudno eu leio o nome de eternos indicados e eternos vencedores na maioria das categorias, vejo o amadorismo de uma premiaçãoinócua que não dá prestígio, apenas orgulho para o vencedor.

Sem falar no cheirinho de mamata...

Escrito por: Fabio Negro | julho 28, 2005 09:41 PM

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