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janeiro 11, 2006

Planeta Solitário

Entrevista na Trip com o fundador do Lonely Planet, uma das companhias de turismo de maior sucesso no mundo todo. Para quem não sabe, a Austrália é mestre nesse negócio; além da Lonely Planet tem a Flight Centre em quase cada esquina -- e em toda esquina tem uma agência de viagens.

O entrevistador deve ter comprado o livro de memórias recém-lançado pelo casal, pelo menos todas as fotos foram tiradas de lá. Algumas respostas foram interessantes, inclusive porque ele não se sai tão bem quando posto na berlinda:

Como os viajantes podem contribuir para os países que visitam? Com o dinheiro que gastam e a atividade econômica que alimentam, mas também simplesmente por estarem ali e terem contato com pessoas que você só conhece em viagens.

Como você se sente quando coloca nos seus guias lugares que são considerados “paraísos secretos”, tamanha a beleza natural, sabendo que poderão ser invadidos por um turismo desenfreado que pode simplesmente destruir aquele lugar?
Acho que autores de guias não devem, de forma alguma, manter segredo e contar só para os amigos. Mas se um lugar é de difícil acesso, independentemente de quão interessante, não terá muitos visitantes por lá. Não é porque dizemos que determinada praia é bonita que de repente todo mundo vai visitar. Talvez seja porque fizeram um aeroporto, construíram hotéis na praia... Há muitos lugares em que isso aconteceu, eram tranqüilos e ficaram mais cheios. Às vezes o turismo é apenas um ingrediente dessa transformação, mas deve-se levar em conta outros fatores também.

Quando fiz minha primeira viagem longa, todo mundo gritou: compra o Lonely Planet, nem procura alternativa. Foi um investimento de primeira, ao qual fiquei fiel pelos 6 anos seguintes, e ainda sou. Na última, lembro que o comentário de uma companheira fora que "a cultura do meu guia da Folha foi tragada em um dia pelo Lonely Planet do Rafael" -- e olha que eu estava com uma edição ultrapassada de Praga, que eu só comprara por causa de um golpe de sorte ao tê-lo encontrado dois dias antes da viagem num sebo.

Talvez seja o melhor argumento contra aquele papo do Millôr Fernandes que "turismo é prostituição".

Escrito por Rafael | janeiro 11, 2006 09:19 PM

Comentário

O calendário de parede do Lonely Planet é show. Eu tive por uns 3 anos seguidos, e agora acho que vou retomar a prática.

http://www.amazon.com/gp/product/076113722X/104-0605954-2725540?v=glance&n=283155

Escrito por: Anna | janeiro 13, 2006 09:19 AM

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