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janeiro 26, 2006
Ozzie-ozzie-ozziiieee
Ontem foi Australia Day, o 7 de setembro deles, o dia da patriotada, de comemorar tradições australianas como o torneio de tosquear bezerro ou a disputa para ver quem serra tronco gordo mais rápido, como anunciava o centro de entretenimento The Shed. Brasileiros deslumbrados com o orgulho patriótico australiano se confessavam decepcionados por não encontrarem nada semelhante no Brasil; em geral quem faz esses comentários são os mesmos que ficam revoltadinhos quando a Austrália invade outro país, como se fosse possível separar os dois patriotismos. Um chegou a me dizer que aquele ardor -- todo mundo usando roupas com a estampa da bandeira, ou as cores da bandeira ou amarelo e verde, as cores da seleção de cricket e de futebol. Quem não estava usando era estrangeiro -- só existia porque a Austrália era um país jovem, como se houvesse alguma diferença entre os 500 anos de Brasil e os 200 deles para fins históricos... A queima de fogos, sintomaticamente, foi mais espetacular e mais duradoura do que a do ano novo, estendendo-se por intermináveis 25 minutos de patriotic pride, assistidos por espectadores impassíveis e bem comportados, que não fizeram zoeira e voltaram organizadamente para casa. Fiquei num BBQ entre compatriotas expatriados, que esperaram os nativos livrarem a churrasqueira para usá-la, apesar do convite entusiasmado: "it's fucking ozzie, man! Let's share it".
Escrito por Rafael | janeiro 26, 2006 08:34 PM
Comentário
"Brasileiros deslumbrados com o orgulho patriótico australiano se confessavam decepcionados por não encontrarem nada semelhante no Brasil; em geral quem faz esses comentários são os mesmos que ficam revoltadinhos quando a Austrália invade outro país, como se fosse possível separar os dois patriotismos."
Ora essa! E por acaso o Brasil é um país pacifico? Você já leu alguma coisa sobre as guerras da bacia do Prata? Você já leu alguma a guerra do Paraguai? E os massacres de Canudos e do Contestado?
Curiosamente, o Brasil até deixou de ser oficialmente violento depois da segunda grande guerra, quando o mundo começou a ser bem violento por sua vez. Oficialmente, porque a violência não oficial é bem grande. Mas foi depois da segunda grande guerra que o Brasil passou a dar mais valor ao patriotismo. Antes, a pátria era uma piada e o povo não se alistava para votar com medo do recrutamento. Leia Monteiro Lobato, que conta estas histórias em "Cidade Mortas". Monteiro Lobato, o pai da Petrobras.
Escrito por: Jorge Nobre | janeiro 27, 2006 11:24 AM
Jorge, meu objetivo não era discutir se o Brasil era um país pacífico ou não. Era apenas criticar a miopia de brasileiros que só vêem qualidades no patriotismo alheio durante esses eventos festivos, e não pensam nas consequências -- que podem ir desde uma política externa agressiva até fechamento de mercados em nome da defesa dos "interesses da nação". Enquanto é bandeirinha, é muito bonitinho. Acontece que nunca fica só na banderinha.
Escrito por: Rafael Lima | janeiro 29, 2006 09:39 PM