« Ozzie-ozzie-ozziiieee | Principal | Aspas para Ram, grifos meus: »
janeiro 29, 2006
Australianas
Final de semana cheio de programas típicos da Costa Oeste australiana. No sábado de manhã me mandei para Fremantle na vã ilusão de visitar o veleiro Brasil 1, participante da Volvo Ocean Race ora em curso, e quem sabe engrossar a torcida pela tripulação. O barco tinha quebrado o mastro principal na última perna da regata e decidiram parar num estaleiro daquele porto para desmonte, onde chegaram na tarde de quinta-feira. Como dia 26 de janeiro é um daqueles feriados de fechar o país, desisti e acabei só encontrando tempo no sábado, mas a essa altura o veleiro já estava a caminho de Melbourne, por terra. Acabei aproveitando para visitar os mercados de Fremantle, uma mistura, por incrível que pareça harmonioso, de vendinha de frutas e verduras, especiarias e produtos artesanais (chás, temperos, ervas, mel, bolos), badulaques esotéricos, souvenirs australianos autênticos como chapéus de couro e outros made in China e guloseimas para consumo imediato, como o bratwurst hotdog que tracei enquanto corria os olhos por uma estante de chás digestivos.
No domingo, caí na primeira armadilha para turistas desde que cheguei aqui: SciTech, uma espécie de playgroung de experimentos científicos "para crianças e adultos". Armadilha porque podia ser mais do que apenas o playground; tem uma ala semelhante dentro do Deutsches Museum quase do mesmo tamanho, onde nenhum dos experimentos está quebrado, ao contrário do SciTech, e a impressão que fica é que certos experimentos não são divertidos nem para crianças, sem a supervisão de um adulto, nem para adultos que não tenham um conhecimento ou gosto para a física básica. De qualquer maneira, foi divertido ver as ondas de som se formando no tubo com as bolinhas de isopor.
De noite, encarei o Burswood outdoor cinema, um telão exposto num dos muitos gramados do parque Burswood, à esquerda do cassino e do hotel. Inocentemente, achei que ia encontrar várias cadeirinhas dobráveis, do tipo que eles levam para fazer piquenique. Ledo engano, o povo aqui é profissa nesses lances de vida ao ar livre: estendem na grama um cobertor, por cima vai um edredom daqueles bons de se enroscar, almofadões e pufes para encostar a cabeça e os mais especializados levam até um farnel para forrar o estômago durante o filme. Eu me contentei com um chocolate quente e um saquinho de macadâmias adquirido no mercado. O filme? Rise, um documentário de David LaChapelle sobre um tipo novo de street dance que se desenvolveu nos bairros pobres de Los Angeles, cheio de movimentos desconexos e de cunho sexual. Tipo de coisa que até me chamaria a atenção se eu não tivesse ouvido falar em baile funk há mais de 5 anos e dança da boquinha da garrafa, há mais de dez.
Escrito por Rafael | janeiro 29, 2006 11:25 PM