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janeiro 30, 2006

Aspas para Ram, grifos meus:

Muita gente boa por aí acha que “exposição internacional” é meramente viajar de férias para a França ou para Nova Iorque. Pode até ser um primeiro passo. Mas a verdadeira exposição só acontece quando nos envolvemos com a vida local. Quando você tem a oportunidade de trabalhar na França, ou de fazer um projeto no Peru, ou de colaborar com uma universidade norte-americana.

Isto é exposição internacional. O resto é meramente uma disneylândia mental, feita por prazer - óbvio - e que tem em seu maior mérito promover o relaxamento mental e físico. Algumas vezes até inspira algumas pessoas. Mas é raro. Para se inspirar tem que se sorver. E só se sorve vivendo, trocando idéias, observando as diferenças no pensamento entre o próprio e a cultura local, e aprendendo com o melhor que cada indivíduo de cada país pode lhe oferecer.

Lhes digo, se puderem enviem seus filhos a um intercâmbio ou um curso no exterior, façam um curso no exterior, de qualquer coisa, em qualquer lugar, da Argentina aos States, na França, na Inglaterra, anywhere. É uma experiência sem preço, e que também dismistifica um pouco tudo que vem de fora. Ao mesmo tempo, passamos a dar valor as idéias realmente boas dos lugares aonde fomos. E quem sabe não trazemos uma pitada daquilo para a nossa própria vida no Brasil.

Talvez ele estivesse pensando em mim quando escreveu isso. Minha única ressalva ao texto é que ele deveria ter deixado ainda mais claro como deve ser o envolvimento local. Canso de encontrar brasileiros, jovens em idade universitária que tomam emprestados 6 meses, 8 meses da faculdade ou que abrem um parênteses no mercado de trabalho para vir aqui "estudar inglês". No fim das contas, fazem um curso tranquilo (não vi ninguém se queixar de carga de estudo até agora), saem arranhando um inglês razoável, sem dúvida melhor do que a nulidade que tinham quando chegaram -- para os que já conheciam o idioma minimamente, tratam-se de pouco mais do que umas férias estendidas. Intercâmbio? O que esse povo vai saber sobre a cultura australiana? Quantos museus vistou, quantos livros leu? A influência é mínima, até porque continuam convivendo entre brasileiros, falando português e sentindo saudade do feijão. Os bicos de meio-período lavando pratos ou recolhendo copos não podem ser qualificados como "um trabalho" ou "desenvolver um projeto"; é a mão de obra mais barata e vazia que se pode conceber, feita exclusivamente para manter o sistema funcionando. Saem como entraram, mais a grana de algumas semanas de aluguel. Viaja-se 40 mil quilômetros, muda-se de hemisfério. Mas a cabeça ainda está em Araraquara.

Escrito por Rafael | janeiro 30, 2006 09:58 PM

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