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fevereiro 08, 2006

From Hipsters to Gonzo

Terminei de ler From Hipsters to Gonzo. Não tem detalhes tão picantes quanto Easy Riders, Raging Bulls, mas mesmo assim traz umas curiosidades bem interessantes, por exemplo: Ralph Steadman foi escolhido para ilustrar os artigos de Hunter Thompson porque era o único sem compromisso na época; a primeira escolha teria sido ninguém menos do que Road Dahl. Tom Wolfe não estava encontrando o meio de por no papel as aventuras de Ken Kesey e os Merry Pranksters, e só conseguiu depois de tomar LSD -- isso após passar meses entre os pranksters sem encostar nas pílulas e, segundo Ken Babs, sem sair do terno de 3 peças: "nós nunca o vimos nem em mangas de camisa". Norman Mailer estava muito reticente em aceitar o convite para a marcha ao congresso que descreveu em Armies of the Night.

O livro recria detalhes de cada grande reportagem que forjou o estilo conhecido como New Journalism e catapultou para a fama seu autor, ainda que não acompanhe no detalhe a carreira que se seguiu, quando houve uma. Estão lá Hunter Thompson no meio dos hells angels e em Las Vegas, John Sacks no Vietnã, Tom Wolfe nas festas de Bernstein, Gay Talese perambulando por Manhattan, além de gente igualmente importante, porém menos falada, como Joan Didion (Slouching Towards Bethlem) ou Jimy Breslin. Quase todo mundo tem um capítulo próprio, Tom Wolfe atravessa quase todo o livro e ainda há reconstituição do contexto que formou a Esquire e a New York, suplemento literário do Tribune que posteriormente se converteu em revista de variedades, os dois maiores veículos para o new journalism. Nesse sentido, é louvável que se resgate a importância de editores como Harold Hayes e Clay Felker, que deram muito suporte aos repórteres, além de Jan Wenner. A se lamentar, apenas, o curto espaço dedicado a Gay Talese, que só aparece no final do capítulo sobre a Esquire e a ausência de George Plympton, que não era exatamente desse estilo. Em compensação, há uma brilhante análise das raízes do jornalismo investigativo com cunho literário, passando por John Hersey, George Orwell, Truman Capote e Jack London, e da causa mortis que enterraram aquele estilo: falta de rigor na apuração dos fatos, queda para o sensacionalismo, enfim, o mal uso das liberdades de redação.

Dá uma vontade danada de ler ou, no meu caso, reler um monte de artigos citados no livro. Felizmente minha mudança já chegou e, com ela, Advertisements for Myself e Unto the Sons. Mas o que estou na pilha mesmo de ver são os bastidores de uma obra-prima.

Escrito por Rafael | fevereiro 8, 2006 09:32 PM

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