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março 06, 2006
Fremantle Beer Fest
Hoje, feriadão de dia do trabalho, é o último dia de dar um pulo na Fremantle Beer Fest, mais uma das inúmeras tentativas de agitar o turismo na região com qualquer pretexto -- por que uma cidade que organiza uma Festa da Sardinha não poderia organizar uma festa da cerveja? Então o negócio é fechar o estádio de futebol local e fazer a sua própria Oktoberfest local. Como somos australianos e não alemães, de preferência em local aberto, com bastante sol, bandas ao vivo, muito merchandising. E até cerveja.
Pintei lá no domingo. Foi mais um dia daqueles de calor insalubre que só acontece nesse país onde parece não haver camada de ozônio. Qualquer meia horinha debaixo do sol aberto frita a tua pele com a intensidade do sol nordestino e a agressividade do sol de serra, só que é muito pior. Uma em cada duas pessoas têm câncer de pele na Austrália; haja filtro solar. Eu já até um filtro japonês FPS 130, para se ter uma idéia. Em suma, a temperatura perfeita para se ir correr atrás de cerveja. Ao menos o estádio era coberto de grama bem tratada; só faltava ser aquela grama seca para soltar poeira que ia ficar o dia perfeito.
Acontece que, talvez a título de estimular o público a provar a maior quantidade de cervejas possível, até porque ali era a festa do que eles chamam "boutique beers", ou seja: principalmente cervejs belgas, alemãs e de pequena extração local. Distribuíram junto com o ingresso uma cartelinha contendo 10 amostras grátis de qualquer cerveja, sem limite: tu podia trocar tudo por amostras de uma cerveja só. Dez amostras de mais ou menos 50ml cada, no final das contas tu beberia um pouco mais de meio litro, ou seja, um pouco mais de um pint, que é a medida do chopp local. Pouco, se olhado assim. Mas bastante, se considerar que a graduação alcoólica média das cervejas de boutique é muito maior do que as padrão australianas e que o calor as fez subir muito mais rápido.
Das que eu não conhecia, provei a belga Satan Gold e Hoegaarden Grand Cru; das conhecidas, Leffe Blonde e Brune, Hofbrau -- aliás quando eu entrei no estádio, comecei a rodar pelas barracas e vi aquela bandeira quadriculada azul e branca da bavária tremulando com as letras H e B correu um arrepio na espinha e deu um tremor nas pernas que nem te digo -- Guinness e Kilkenny, algumas em dose dupla. Te dizer que a primeira Leffe Blonde, depois da fila para comprar ingresso e para pegar a amostra desceu muito bem.
O problema era exatamente esse: as filas em relação às amostras, muito grandes para beber muito pouco. Tinha um pavilhão grande onde se podia comprar a garrafa inteira, mas a fila nesse era ainda maior e os preços não eram diferentes do que se encontra no mercado, então qual o motivo? Notei que apesar disso os australianos pareciam se divertir às pampas, obedecendo as filas e fazendo piadinhas enquanto esperavam. Por acaso, fui com um boné da Brahma que chamou a atenção de um deles; expliquei que era uma cerveja brasileira que, para minha supresa, começou a ser exportada recentemente para cá -- já vi gente bebendo no Subiaco Hotel. Daí ele me perguntou como se pedia uma Brahma em português -- em português, acho que os australianos são os viajantes mais bem informados do mundo, os únicos que sabem que se fala português no Brasil. Bom humor à parte, as filas continuavam meio lentas, exceto na barraca de uma importadora que colocou umas 7 pessoas atendendo, o que ajudou a escoar os pedidos, ao contrário da estupidez do Belgium Beer Café, com apenas duas torneirinhas para atender à multidão.
Dentro desse quadro de sol esturricante, filas e amostras milimétricas, decidi ficar apenas nas que meu ingresso dava direito e caí fora em seguida. Tava muito alegre, a sensação de ter o gostinho de Munique de volta na boca foi excelente, como se diz aí pelas colunas sociais do Brasil: estava cheio de "gente bonita", mas não souberam ajeitar o principal, ou seja, fazer a cerveja chegar em seu público à vontade. Esses australianos são muito peculiares mesmo. Depois de inventarem a praia para quem não gosta de areia, inventaram a Oktoberfest para quem não quer ficar de porre.
Escrito por Rafael | março 6, 2006 01:14 AM
Comentário
Hofbrahaus!!!!!! Aquele HB é mais bonito que o símbolo do Batman!
Não tinha Schneider Weisse???
Essa semana vou tomar duas Grimbergen que eu comprei no Natal!
Abraços,
Prunzel.
Escrito por: Prunzel | março 13, 2006 10:13 AM