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março 20, 2006

50 anos de Geração Beatnik

No suplemento de sábado retrasado do West Autralian avisaram: faz 50 anos da notória reunião de escritores para uma leitura de seus textos na Six Gallery, em San Francisco, o evento que marca o nascimento literário da Geração Beat. Foi ali que Lawrence Ferlinghetti fez o famoso convite a Allen Ginsberg, o convite que se converteria numa dor de cabeça pois o livro Howl seria acusado de obscenidade e levado aos tribunais, assim como Naked Lunch, de William Burroughs. Norman Mailer depôs como testemunha de defesa. Um jovem Hunter Thompson esteve presente à essa leitura, bebendo cerveja e rolando as latas vazias pelo chão, Jack Kerouac viraria celebridade vítima de si próprio e a literatura marginal nunca mais seria a mesma.

Em meados da década de 1950, Norman Mailer escrevera um ensaio em que antevia muito do que seria dito na década seguinte, The White Negro, inclusive o desabrochar dos beats, não o literário, o existencial. Em 1959, ele e Truman Capote, que agora está na moda, compareceram ao programa de televisão do Johnny Carson onde foram convidados a debater o valor literário dos beatniks. Naturalmente, Mailer defendeu-os como pôde, mas simplesmente não foi capaz de evitar que Truman ganhasse a discussão com uma frase tão antológica sobre o estilo de Kerouac que apagou da posteridade a réplica de seu oponente: That's not writing, that's typing ("Isso não é escrever, isso é digitar"). Norman Mailer não deve ter se aguentado dentro das calças, mas o fato é que bem pouco tempo depois disso, executou um corajoso exercício que repetiria pelo menos mais uma vez em Canibais e Cristãos: alinhar um a um todos os principais escritores de sua geração, comentando os estilos, defeitos e potencialidades de cada. Esse artigo foi parar no livro Advertisements for Myself. É de lá o excerto que vem sendo usado no material de divulgação do filme, no qual Mailer diz textualmente que Capote é o escritor mais perfeito de sua geração. Mais interessante que Mailer tenha acertado na previsão de que Truman ainda estaria para escrever sua grande obra (ele só não sabia que seria In Cold Blood), e na perfeita crítica às limitações literárias de Kerouac. Anos depois, diria algo semelhante de Burroughs, citando-o como talvez o mais importante escritor dos EUA à época. O legado está aí, para quem quiser conferir.

Recomendo, dentre o que há disponível em português, a edição definitiva de Almoço Nu, na tradução de Daniel Pellizzari.

Escrito por Rafael | março 20, 2006 09:33 PM

Comentário

voce por acaso saberia onde eu encontro esse video do programa do johnny carson?? estou fazendo um trabalho sobre a gerção beat e qualquer informação que voce tiver eu agradeço!1
beijo larissa

Escrito por: larissa zaidan | agosto 13, 2007 09:34 PM

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