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maio 11, 2006

O Caseiro

The Caretaker, de Harold Pinter, é o tipo de peça que eu gosto: eminentemente falada, muito duelo verbal, ambiente fechado ou restrito, poucos personagens, algumas repetições em cima do mesmo tema. Datada de 1960, foi um dos trabalhos que revelou o talento de Pinter, ganhador do prêmio Nobel de literatura recentemente. Como muitos textos clássicos, The Caretaker parte de uma premissa muito simples: rapaz leva um vagabundo para morar em sua casa. O tempo todo o clima é de angústia, sufoco, claustrofobia, até insanidade; a base de tudo é a incapacidade dos 3 personagens de se comunicar: não há diálogos, ninguém ouve, de fato, o que o outro fala e não raro cada um se contradiz, até numa mesma cena, aparentemente com o propósito único de não deixar a discussão sossegar. Encontrei referências pela internet comparando The Caretaker a Esperando Godot pela falta de perspectiva e orientação dos personagens. A montagem que assisti foi a do curso de artes cênicas da Curtin University, numa sala histórica da cidade, o Rechabites Hall, com ar meio entre o decadente e o alternativo. Correta, bem interpretada, sem invencionices, muito boa.

Nessa semana ainda estarão em cartaz Tsotsi, ganhador do Oscar 2006 de melhor filme estrangeiro; Caché, de Michael Haneke, vencedor de Cannes 2005; o novo documentário do Jonathan Demme sobre um espetáculo de Neil Young e o novo filme do Atom Egoyam, além de Missão Impossível III. E amanhã, para que curte, tem show do Ben Harper no Supreme Court Gardens. Haha, e eu que achava que minha vida cultural no Rio de Janeiro era rica...

Escrito por Rafael | maio 11, 2006 11:11 PM

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