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maio 22, 2006

Todos contra

Olhando de fora, o clima é de todos contra o Brasil nessa copa do mundo.

Ronaldo Fenômeno, que surpreendentemente manteve o bom nível nas declarações para a imprensa nos primeiros 5 anos de sua carreira e depois começou a soltar abobrinhas -- o que aumenta sua semelhança com Pelé, ironicamente -- na santa inocência de sua espontaneidade foi responder a um repórter que só conhecia um jogador da seleção australiana, "um que jogava no Ossassuna". Nem joga mais. Pronto: o insulto de Ronaldo aos socceroos (australês para boleiros: socceroos, assim como kangaroos, sacaram?), capa de revista esportiva. Não que a população tenha ficado muito abalada; revista especializada se encontra até de paraquedismo e, a despeito das campanhas de mobilização, está todo mundo contente demais por voltar a uma copa depois de mais de 30 anos para pensar realisticamente. Um programa de televisão coletou musiquinhas ao redor do país para eleger o hino de incentivo à seleção e nos pubs os pobres diabos andam a dizer, otimisticamente, que vão derrotar o Brasil, o que só dá dimensão do quanto estão perdidos em termos de futebol -- nem os noruegueses ousavam afirmar isso em 1998.

Nas outras revistas esportivas, as manchetes são variações do tema Porque o Brasil vai ser campeão e, em letras miúdas, e como a Austrália pode derrotá-lo. Beckham e seus comparsas prometem o mesmo na capa da 4-4-2 britânica. Franceses descartam maiores chances de seu time nacional e reconhecem que existe um sentimento anti-germânico na Europa (o que atrapalharia impediria a formação de uma corrente para frente européia pró-Alemanha). Escoceses têm 2 times: Escócia e quem quer que jogue contra a Inglaterra (recusam-se a reconhecer o poderio inglês). Todos reconhecem o favoritismo de um time que ganhou tudo o que disputou entre 2002 e 2005 e esperam ver um bom espetáculo, torcendo para que os grandes astros tenham grande desempenho e lamentando ausências célebres e contusões de última hora.

É, entrei em clima de copa do mundo exatamente após sentir um calorzinho bom na barriga com a partida dos jogadores para a Suíça. Mas nada há de se igualar a 1994, ao Romário dizendo como se fosse a coisa mais normal do mundo, após terminado o sequestro de seu pai, que o povo estava muito insatisfeito e que o Brasil iria ganhar a copa para todo mundo ficar feliz. Três meses depois, levantava a taça.

Escrito por Rafael | maio 22, 2006 06:12 AM

Comentário

Cara, Legal que visitou meu blog. Fico feliz. Abraços, continuo acompanhando aqui!

Escrito por: Eduardo Carvalho | maio 22, 2006 07:48 PM

...tá faltando mesmo um Romário da vez pra matar o favoritismo no peito.
Abços

Escrito por: Chauffeur | maio 23, 2006 10:19 PM

legal seu site

Escrito por: carol | maio 31, 2006 07:53 PM

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