« A Copa, do ponto de vista australiano | Principal | Ásia »
junho 16, 2006
Justificando o título
Seu Noronha matou no peito com categoria e passou a bola para mim, no que deve ser o meme mais bem, opa!, bolado de 2006: escalar uma seleção para a copa da literatura. Como eu li muuuuuuuito menos ficção do que ele, vou reduzir meu espaço de drible só para o elenco nacional (e ainda assim foi difícil fechar os onze), mas chega de reclamação que a bola está rolando.
Goleiro tem que ser uma referência, alguém em quem o resto do time confie, então escolhi a maior unanimidade dos últimos anos, Machado de Assis. Zagueiro ruim mas eficiente no meu tempo era chamado beque de roça, e ninguém melhor para fechar a zaga brasileira do que Monteiro Lobato e Guimarães Rosa, dois que sabiam tudo de capiau. Para a lateral esquerda, um que entendia tudo de futebol e mais um tanto de escrever sobre futebol: João Saldanha, cujo contraponto pela direita só pode ser Nélson Rodrigues. No ataque, é preciso ofensividade, então vamos de Paulo Francis e Lima Barreto, enquanto a tão falada criatividade no meio de campo fica a cargo de Rubem Braga, capaz de extrair uma crônica do nada, e Otto Maria Carpeaux, esse uma enciclopédia de mandar Nilton Santos pro banco. E para fazer a ligação, dois craques em mais de um gênero literário, capazes de ir do clássico ao popular, da crítica de jazz à piada de botequim, da tradução erudita á gíria de esquina: Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Porto. O técnico, evidentemente, só pode ser Aurélio Buarque de Holanda.
Quem quiser pode entrar na linha de passe, mas eu levanto a bola pro Mozart, pro Renato Parada e pro Rafael Azevedo.
Escrito por Rafael | junho 16, 2006 02:58 AM
Comentário
João Cabral e Graciliano tinham que entrar na cabeça de área, o estilo econômico e de resultados...
Escrito por: Arnaldo | junho 16, 2006 12:50 PM