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outubro 16, 2006

Volta ao mundo em 72 horas

Na sexta-feira completei um time de futebol de salão que joga com um escrete diferente a cada semana, dessa vez a presença de um francês (de origem asiática), um alemão (grosso como só eles conseguem ser, "eu me irritei quando começamos a levar gol e decidi que tinha que fazer uma falta em alguém"), um inglês e dois brasileiros não impediu a goleada de 7 a 2 para um time de chineses, que se não eram chineses pareciam chineses, alguns dos quais vindos de Macau -- daí o português fluente que um deles falava, até com leve sotaque paulistano, além das camisas cor de vinho com os nomes de Deco e Figo.

Depois foi esticar no VIC, um dos muitos bares bacaninhas de Subiaco, bairro onde se encontra exatamente aquilo que os jornais brasileiros chamam de gente bonita, nomeado segundo a região da caverna onde São Benedito se escondeu. Parênteses: um grupo de monges beneditinos espanhóis fundou uma cidade na Austrália há mais de cem anos, New Norcia, a servir-lhes de monastério e escola de noviços. Norcia é a cidade natal de São Benedito e mais uma das muitas ocorrências de nomes italianos em Perth.

No Subiaco Hotel, que na verdade é um bar, desvencilhei-me do franco-asiático apenas para ir a banheiro e reencontrá-lo de papo com duas quenianas, que ficaram pelo caminho na direção do Sapphyre Bar (mesmo caminho onde esbarramos com duas canadenses, uma loira e uma morena, o que explica o tamanho das mini-saias que estavam usando naquele vento frio de 12 graus), esse não um bar, mas uma boate, escolhida para encerrar os trabalhos da semana.

No sábado cumpri a prometida incursão noturna com um colega de Kuala Lumpur. Na primeira parada, encontrei um irlandês com quem tinha trabalhado no Brasil há 3 anos e que vim a reencontrar muitas voltas do mundo depois. Comentei com ele que tinha assistido o último Ken Loach, The Wind that Shakes the Barlow e ele respondeu que crescera ouvindo sua avó contar aquelas histórias; depois nos apresentou um inglês com quem, por sua vez, tinha trabalhado em Aberdeen (Escócia). Dali fomos para um lugar onde só tocava a chamada música negra, rythm and blues e hip hop, entretanto curiosamente frequentado em quase totalidade por asiáticos: da China, Coréia, Japão, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia. E assim terminou mais uma noite em mais um típico final de semana na australiana cidade de Perth.

Escrito por Rafael | outubro 16, 2006 05:38 AM

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