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junho 01, 2007

Restaurante da Mira, Recife, PE

Há mais de 10 anos fiz uma das refeições mais memoráveis de minha vida em Recife, no Restaurante da Mira. Ir no carro alugado da Boa Viagem até a Casa Amarela, em busca do estabelecimento, corresponde a ir de Copacabana à Ilha do Governador. Mais estranho foi termos errado só uma entrada. O restaurante não tinha cardápio impresso; quem fazia as ordens da casa era o Edmílson, misto de garçom, mestre de cerimônias e figuraça. Como o restaurante ocupava os cômodos de uma casa convertida, o Edmílson foi nos apresentando cada cômodo num linguajar que lembrava o do partideiro-alto portelense Manacéia: banheiro era parque aquático e as plantas eram exposição botânica; nunca esqueci dos acompanhamentos: ACM, mandioca fluente e fruta cítrica -- respectivamente pimenta, farinha e limão. Tinha um quarto escurecido e com ventilador para quem tivesse exagerado, a UTI. Na saída, ainda ganhei um boné do estabelecimento. Se você for lá, vai ver que as paredes são decoradas com fotos dos clientes, como Chico Science e Marco Maciel. Meu companheiro de mesa há dez anos voltou lá há pouco e me escreveu o sucedido:

Estive semana passada em Recife e tive a oportunidade de voltar ao Restaurante da Mira, lembra-se? O ambiente continua o mesmo, e os pratos leves como antes: dobradinha, buchada, língua, galinha cabidela, cabrito, sarapatel e mocotó. Isso sem contar com a recepção à base de frasqueira de café cheia de sururu e doses "pediátricas" de cachaça.

O lendário Edmilson "cardápio oral" continua em plena forma. Além da UTI, aquele quartinho com beliches para quem comer/beber até ficar derrubado, o cara agora inventou o "blecaute conjugal": um quarto discreto onde os clientes podem almoçar com suas amantes fora da vista dos outros fregueses. Um figuraça, esse cara. Você acredita que ele lembrou vagamente da gente, devido à nossa foto na "galeria" do restaurante?

E agora ainda tem novidade na Mira: sobremesas. Foi-me oferecida, segundo a descrição do Edmilson, uma "simbiose glicosada não-ortodoxa na horizontal". Na verdade um queijo coalho com doce de banana e mel. Coisa leve e digestiva, após uma refeição ligeira.

Ah sim, a frasqueira: a primeira coisa que o cliente recebe ao sentar na mesa é uma garrafa térmica do tipo que os ambulantes usam para vender café aos copinhos. Só que o líquido negro em seu interior é caldo de sururu.

Escrito por Rafael | junho 1, 2007 04:27 AM

Comentário

CARO RAFAEL,

CONCORDO COM VOCÊ PLENAMENTE, ATÉ HOJE EM TODOS OS RESTAURANTES QUE JÁ FREQUENTEI E FREQUENTO, NENHUM MESMO, TEM UM "EDMILSON", ELE REALMENTE É INCLONÁVEL. ADORO ELE.

Escrito por: MARIA CRISTINA TORRES | julho 10, 2007 11:38 AM

sou rosana i tenho a familia en recife.alguem me poderia explicar onde esta este restaurante. gostaria conhecer-lo quando for a brasil.
agora vivo a españa i fais 5 anos que no vo la.muito obrigado a todos.

Escrito por: rosana | agosto 18, 2007 04:20 AM

vocês são bandidos a sério?

Escrito por: cândida | outubro 23, 2007 11:08 AM

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