« Restaurante da Mira, Recife, PE | Principal | O irmão do presidente e a academia »

junho 04, 2007

Cada macaco no seu galho

Peter Carey em 30 dias em Sidney, da coleção um escritor, uma cidade, em tradução de Bernardo Carvalho:

Não espero ser capaz de transmitir a nenhum leitor a minha própria idéia da beleza da baía de Sydney, escreveu Anthony Trollope. Nada vi parecido entre todas as angras e enseadas, nada que se compare. A baía de Dublin, a baía de Spezia, New York e a enseada de Cork são todas belas e pitorescas. A baía de Bantry, com seus braços de mar correndo até Glengarrif, é adorável. Mas nada se iguala a Sydney em forma, cor ou variedade. Não conheço Nápoles, nem o Rio de Janeiro, nem Lisboa, mas pelas descrições e imagens sou levado a crer que nenhuma delas pode possuir tamanho encanto como o das águas contidas pelas Sydney Heads.

(...)

Dez minutos depois de ter sido resgatado, estava andando pelas areias firmes de Bondi Beach. Qual praia metropolitana em todo mundo pode se igualar a esta? O Rio? Nunca estive lá. Veneza? Santa Monica? Não me faça rir.

Ruy Castro, no livro Carnaval no Fogo, parte da mesma coleção, onde um escritor é convidado a escrever sobre uma determinada cidade:

Um anúncio sobre o Rio publicado há tempos dizia: "Venha morar na cidade onde você gostaria de passar as férias." Na foto, em página dupla nos jornais e revistas, uma visão acachapante das praias ao nascer do sol. Mas tente explicar nas poucas linhas de um anúncio a relação do carioca com a praia. Não é como a dos americanos na costa da Califórnia, nem como a dos franceses na Côte d'Azur -- lugares que, para ser desfrutados, exigem um longo planejamento, seis meses de economias e um carro levando mulher, filhos, cachorro e uma enorme quantidade de bagagem, tudo isso para duas semanas de férias. Nesses lugares, as pessoas vão para a praia, como se estivessem indo para um hotel nas montanhas ou para outro país. No Rio, vai-se à praia, como se vai ao cinema, às compras ou ao banco -- porque ela está ali 24 horas por dia, o ano inteiro, e com uma cidade inteira ao redor, com todos os serviços disponíveis.

Aqui, a praia não se resume a uma tolaha para ficar esticado ao sol. É toda uma cultura. Vai-se à praia ler jornal, encontrar os amigos, jogar futevôlei, conhecer gente, saber das últimas e, às vezes, até para falar de negócios. É um espaço tão natural quanto a praça, o restaurante ou o escritório.

(...)

E que bom que, desde cedo, os portugueses tivessem a consciência de que as praias deviam ser públicas -- não divididas em curraizinhos particulares, como em quase toda a Europa.

Parece que um estava escrevendo para o outro ler...

Escrito por Rafael | junho 4, 2007 04:08 AM

Comentário

Ai, Rafa!
A saudade que tenho do Rio, dói!
Quando é que vc volta afinal?
beijos, Ana!

Escrito por: ana | junho 4, 2007 10:12 PM

Deixe seu comentário




Lembre-se de mim ?

(permitidas tags de estilo)