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junho 25, 2007

Aceitação

É impressão minha ou os melhores quadrinhos sendo publicados nos últimos tempos, todos, têm por tema a aceitação; aceitação de si mesmo, aceitação da própria personalidade, aceitação da sua identidade?


american born chinese

American Born Chinese é a história de um filho de imigrantes chineses nascido na Califórnia e seus problemas em se adaptar à nova escola da cidade para onde seus pais se mudam, onde a presença asiática é presumivelmente menor. Em paralelo, o autor narra a tradicional fábula chinesa do Macaco Rei, deidade da montanha dos macacos que é barrado numa festa para os deuses no céu porque, bem, porque é um macaco. Revoltado, resolve aprender e dominar as disciplinas do kung fu para provar aos outros deuses que era um igual a eles, ao mesmo tempo em que o chinês-americano se vira para se integrar com os demais alunos e mandar uma letra para cima da loirinha da sala. Tem ainda uma terceira história contada em ritmo de sitcom, a visita de Chin-Kee, um esterótipo de oriental que parece saído dos gibis da II guerra, a seu primo americano Danny. A solução encontrada para amarrar as trêns narrativas é magistral.

Persépolis

Persépolis é a história de como a revolução islâmica, comandada pelo aiatolá Khomeini, interferiu na vida de uma menina iraniana então entrada na adolescência. O primeiro capítulo dá conta de como o golpe se instaurou. O
segundo, como a vida das famílias foi paulatinamente sendo transformada pela radicalização xiita. Mas é no terceiro que está o grande golpe, quando a menina é enviada pelos pais para um exílio de estudos em Genebra, isolada da família, período que coincide exatamente com a ebulição dos hormônios e suas tentativas de socialização entre os jovens europeus. No afã de reunir-se com o grupo de amigos, Marjane adota um penteado e maquiagem punk (estávamos em 1986), começa a consumir as drogas recreativas deles e acaba descendo numa espiral de auto-destruição que só se encerra quando da visita iminente da mãe. É a senha para ela recolocar o véu que começara a usar forçada por causa da revolução e recupera sua identidade cultural perdida.

Black Hole

Black Hole é a história de como uma praga sexualmente transmissível que deforma fisicamente os contaminados se alastra entre uma comunidade de adolescentes norte-americanos na década de 1970. Black Hole já foi comparada á
uma metáfora sobre AIDS, a um estudo sobre a absorção da contra-cultura, a uma análise sobre a alienação entre as escolas, mas o grande tema que atravessa as páginas não é nada disso: é simplesmente o amadurecimento em sociedade, como cada adolescente reage ao rito de passagem para a idade adulta, as dores e consequências para quem atravessa e para quem não consegue.

Aceitação entre estrangeiros, aceitação na sociedade, aceitação da própria identidade e personalidade. Conformismo? O que teria aconteciado ao potencial confrontador da arte? Respostas à parte, é difícil imaginar onde esses temas estejam sendo ficcionalmente tratados de maneira igualmente complexa.

Persépolis foi publicada em 4 partes no Brasil pela Cia das Letras, que há rumores irá lançar American Born Chinese em 2008. Os mesmos rumores dizem que Black Hole será publicada pela Conrad.

Escrito por Rafael | junho 25, 2007 03:03 AM

Comentário

Rapaz... Genebra e' a capital mundial dos drogados. Nego e' rico, filho de gente importante, mimado, adolescente e nao tem NADA para fazer. O que sobra? E' uma Brasilia piorada.

Escrito por: Hiro Kozaka | junho 27, 2007 09:41 AM

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