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julho 18, 2007
Reclames televisivos
A publicidade televisiva aqui é meio estranha. A maioria das peças é ruim, mas uma ou outra surpreende pela originalidade. Isso se você aguentar a enorme quantidade de anúncios governamentais te convidando a viajar para o Northern Territory, colocar as crianças para fazerem atividade ao ar livre, se alimentar direito, doar sangue, se prevenir contra o câncer de mama e de pele e ficar consciente dos direitos aborígenes.
A peça de que eu mais gostei até agora compunha-se de várias pessoas tirando objetos pequenos do bolso, com narrativa em off, que sempre começava assim: eu tenho algo no meu bolso. Eu tenho algo no meu bolso que me leva aos lugares (e tirava uma bússola). Eu tenho algo no meu bolso que me lembra das datas (e tira uma aliança). Eu tenho algo no meu bolso que toma notas (tira um lápis). A propaganda vai num ritmo sutil, puxando a identificação do espectador com as situações descritas -- não é mostrado o rosto de nenhum personagem, somente braços e torso -- e com texto bem construído o suficiente para manter a curiosidade até o final, magistral: tira-se o bolso um celular Motorola, sob a seguinte locução: eu tenho algo no meu bolso. Mas não é uma coisa só. Na legenda, vão aparecendo progressivamente: telefone, GPS, câmera, computador. É quando a ficha cai, o Motorola é capaz de ser tudo e qualquer uma das coisas anteriormente mostradas.
Outra peça curtinha, mais interessante pela originalidade, mostra uma família terminando o jantar: os pratos de todos estão bagunçados, com seus guardanapos amassados ao lado, exceto o garotinho, com os talheres bem dispostos e o guardanapo dobrado. Texto: é difícil ser um dobrador numa família de amassadores. Na cena seguinte, ele aparece indo para o banheiro e pegando um rolo do papel higiênico anunciado. Texto: não importa se você dobra o amassa, esse é o papel higiênico para você.
Já a pior que eu vi, até agora não consegui identificar exatamente o que anunciava. Na primeira cena, uma morena bonita aparece de tailleur andando no centro da cidade e comentando algo sobre seu trabalho. Na cena seguinte, a mesma morena no trabalho: ela é uma stripper e um freguês desiste de colocar uma nota na calcinha dela. Na terceira cena ela mostra o raio do Nando's patch gum, que até agora não sei o que é, e há uma repetição da segunda cena, dessa vez com o freguês colocando um nando's patch gum na calcinha, ao invés de dinheiro. Na quarta cena, a mesma morena está à mesa com os filhos, fartamente servida com diversos pratos de frango frito da rede de fast food Nando's, especializada em galeto assado. Do frango frito, quase não se falou. O que uma rede de fast food tem a ver com strip tease? Até mesmo com mulher pelada conseguiram estragar a propaganda.
Escrito por Rafael | julho 18, 2007 01:10 AM