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agosto 13, 2007
Um green card para John Lennon
25 anos depois da morte, John Lennon continua sendo assunto: dessa vez, foi o documentário U.S. vs John Lennon, explorando o lado politizado do músico. O grande barato é que Lennon não se fez de vítima em momento algum, mesmo quando, hoje os agentes aposentados admitem, foi alvo de um plano para ser expulso dos E.U.A. -- um plano bem mal articulado, diga-se de passagem, ao impôr obstáculos para a cessão do visto de permanência baseados num processo que ele sofrera anos antes, em Londres, quando encontraram maconha em seu apartamento. Segundo Lennon, no começo da década de 1960 havia um agente na polícia londrina cuja tarefa era dar flagrantes em músicos, se necessário plantando provas para tal -- não haveria maconha em sua casa quando o agente esteve lá. "Não na época", acrescenta o beatle. Depois do bed in em Amsterdam, Lennon e Yoko se mudam para Nova Iorque e a primeira providência é virarem amigos de infância de Abbie Hofman e Jerry Rubin, os maiores agitadores de massa da época. O terceiro elemento do trio era o Pantera Negra Bobby Seale, que presta depoimento, assim como Angela Davis, G. Gordon Liddy, George McGovern e várias outras figuras do período. O melhor comentário é o de Tariq Ali, que gargalha diante da hipótese que o maior complexo militar do mundo estaria sacudindo diante dos protestos de um músico, para logo em seguida afirmar que os fatos davam toda a impressão de que era isso mesmo o que estava acontecendo. Nunca é demais lembrar uma das providências do governo Nixon na guerra contra as drogas foi encontrar um símbolo limpo em quem a juventude se mirasse para fugir das drogas -- e convidar Elvis Presley para ser esse símbolo. Não, o melhor é maneira galhofeira como Lennon se recusava a posar de vítima e respondia aos jornalistas. Por que o senhor acha que estão querendo lhe expulsar dessa país? Por causa da minha cara. Eles não gostam dela. Puro humor à Spike Miligan. Depois de cinco anos de volteios burocráticos, com Nixon já caído e a guerra do Vietnã praticamente encerrada, enfim dão-lhe o green card . Questionado se aquele tempo todo de espera tinha valido a pena, sai-se com uma frase matadora: time wounds every heal.
Escrito por Rafael | agosto 13, 2007 07:21 AM
Comentário
Encontrei este Tariq Ali em Berkeley. É um idiota aproveitador. Entre mil exageros, e duas mil mentiras, diz algumas verdades. Talvez valha por elas... Mas infelizmente, não quer jamais viver ou se envolver com as coisas que defende. Exatamente como os havaneros de Ipanema.
Escrito por: Ram | agosto 14, 2007 08:09 AM
Lennon era bastante ingênuo, politicamente. Como quase todo mundo é. Mas foi legal frisar que ele não choramingava, o que já é muito, em se tratando de artista famoso. Lennon era "durão" e tinha uma língua afiada. Na última fase dos Beatles, estava se tornando um letrista poderoso. Relaxou, a partir da união com Yoko. É irônico que tenha se tornado, post-mortem, uma espécie de pomba da paz. O cara incomodou gregos e troianos ao longo de toda sua carreira.
Escrito por: Guga Schultze | agosto 27, 2007 10:40 PM