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novembro 12, 2007

A canção do enforcado

Norman Mailer morreu. Há mais de 20 anos perdera a linha e não produzia um livro digno de nota, pelo menos digno da relação custo-benefício de se encarar o catatau de páginas; esgotou sua concisão em A Luta. Gosto de Armies of the Night, Advertisements for Myself e Canibais e Cristãos; não li sua melhor ficção, Os Nus e os Mortos e A Canção do Carrasco. Mas achava reconfortante a idéia daquele velhinho metido a brigão ainda estar alive, embora bem pouco kicking: um exemplo de produtividade, além da permanente possibilidade de dar seu depoimento de luxo num documentário como Quando Éramos Reis. Será uma injustiça que fique mais marcado pela vida do que pelos, a se frisar, poucos, bons livros, como é o caso do descedente literário Hunter Thompson, mesmo tendo em vista o denso povoamento de sua biografia com causos notáveis, do apunhalamento da esposa à candidatura à prefeitura de Nova Iorque em chapa com outro jornalista, Jimmy Breslin. Mailer era interessante, tinha talento e boas idéias, o que foi suficiente para fazê-lo relevante nos EUA do século XX, mas não conseguiu escapar do fosso da superficialidade, não redigiu o Grande Romance Americano e apesar da fama de bom de briga e valentão, teve que aturar de bico calado quando o tampinha Truman Capote afirmou, numa rodinha com John Updike, que dos 3 só ele tinha escrito uma obra-prima.

mailer em campanha

Finalmente saberemos quão séria era aquela piada do filme de Woody Allen: Norman Mailer, quando morrer, vai ser enterrado em dois caixões. Um só para seu ego.

Escrito por Rafael | novembro 12, 2007 10:23 PM

Comentário

Fala australiano,

Justo "Nus" e "Carrasco" foi o que eu li fora "A Luta".

Vens em dezembro?

Voltas de vez quando? Ou nunca^?

Ou emprenharas uma cangurona à lá Lauren Jackson???

Volta não, cara. Isto aqui está uma fossa desgraçada.

Escrito por: Joao Marcelo F. de Mattos | novembro 15, 2007 12:23 AM

Segundo Paulo Francis (que quase sempre errava quando informava, o que só é notado por gente de má vontade), Trumam Capote disse isso de Normam Mailer, Gore Vidal e William Styron. Nunca tinha ouvido falar de Updike nessa história.

Updike escreveu o livro que tranduziram aqui para "Pai Nosso Computador", que é bom. Escreveu Brazil, que é uma merda. Seus contos são ótimos. E mais dele não li.

Escrito por: Jorge Nobre | novembro 19, 2007 11:35 AM

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