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dezembro 21, 2007
Promessa é dívida: as fotos, as fotos
Como na época do aniversário de 5 anos desse blog não havia condições de preparar uma comemoração, adiei-a sine die. Até que o die chegou: sempre me cobraram fotos da Austrália, então a festa vai ser feita a partir da primeira grande viagem que fiz, pelo estado de Western Australia. Saudações!

A primeira parada foi para ver Elephant Hill, um conjutno montanhoso vagamnte parecido com um elefante deitado. Empolgação de começo de viagem é fogo.

Para reabastecer o carro e o motorista (café grátis para quem está dirigindo), nada melhor que as roadhouses, que também oferecem repouso e comida invariavelmente ruim. A importância delas se dá na medida em que se dirige uns 150 quilômetros só para chegar numa dessas roadhouses, onde se completa o tanque apenas para dirigir os 200 quilômetros que faltavam até o vilarejo mais próximo...

Cuidado com animais na pista nos próximos CENTO E TRINTA QUILÔMETROS.

Em boa parte do tempo, é isso aí o que se vê ao redor: vegetação de cerrado, seca, baixa e feia. À medida que se sobe para o noroeste australiano, a vida vegetal vai diminuindo e se retorcendo, adaptação natural para sobreviver a até 60 graus no verão e espantar os animais herbívoros.

Monkey Mia é uma das jóias da coroa. O que fazer com um punhado de golfinhos que amistosa e pontualmente visitava uma praia? Primeiro, estabelecer uma estação de estudo; segundo, criar um resort ao redor para financiar a estação. Esse povo aí em cima está esperando ansiosamente a chegada infalível da meia dúzia de golfinhos que nos visitou naquela manhã.

Embora não seja permitido tocá-los, os turistas podem chegar beeem perto a ponto de, se derem sorte, alimentar os golfinhos com peixes fornecidos pelos monitores, além de tirar fotos. Os golfihos, já escolados pelas décadas de convívio com esses amáveis seres que lhes fornecem o café da manhã, não temem a proximidade.

Uns três grupos de golfinhos visitam rapidamente, entre a manhã e o começo da tarde. Nos intervalos, pode-se visitar o centro de estudos ou divertir-se com os pelicanos, que ao menos não podem nadar para longe quando estão de saco (e papo) cheio.

Quase perdida na paisagem fica uma praia sui generis, Shell beach, porque ao invés de areia tem conchas minúsculas diante do mar. Um belo visual, bem pouco amigável ao caminhar descalço. Talvez por isso seja pouco popular como destino de banho.

Shell beach se estende por léguas, até onde a vista alcança. A imensidão e a desolação são marcas das paisagens de WA.

Essa foto dá uma bela idéia de como se vê Shell beach a partir da estrada.

Primeiro prêmio no quesito nome de logradouro ridículo. Fiz questão de fotografar.

A próxima parada foi a estação de telégrafo de Hamelin, de onde caminha-se para visitar os estromatólitos. No caminho, fica esse repositório de conchas de tal sorte solidificados pelo tempo que os pioneiros usaram-nas para construção, como se fossem pedras. Hoje, é preservado.

Vendo de perto, as escavações tem um quê de primitivo que me fizeram pensar nas pedras das pirâmides do Egito. Imagino que as pedreiras de lá tivessem forma parecida.

No detalhe acima, pode-se ver como as conchas admitiam o corte bastante regular e preciso.

E nesse, como as rochas são formadas mesmo por conchas.

Finda a diversão com as conchas, segue-se em direção à praia dos estromatólitos, que se constituem na forma mais primitiva de vida animal sobre a terra, pouco mais do que plantas no final das contas. Construíram uma passarela para que se possa chegar mais perto desses organismos sem o risco de pisar nelas. Os estromatólitos são essas pedras amarronzadas.

Detlahe dos estromatólitos. Dizem que se você prestar bastante atenção, vai ver diminutas bolhas saindo dessas pedras em formato de cocô, único sinal visível de sua atividade vital. Eu não vi.

Nem são bonitos, nem excitantes. Mas até que dariam um interessante papel de fundo para o seu computador.

Antes de se despedir dos etromatólitos, uma passadinha na antiga estação telegráfica de Hamelin. Antiga para padrão australiano; menos de cem anos.

O que se vê pela janela do carro se parece com isso, nas proximidades de Shark bay: algumas elevações, vegetação rasteira, raros animais perdidos. Bem vindo ao outback. Não fazem tanto barulho em torno do sertão brasileiro.

Em certos momentos, você se sente no meio da paisagem do desenho animado do Bip-bip.

Falando em Bip-bip, o efeito que uma camiseta dobrada no painel dá... as palmeiras na paisagem denunciam a proximidade de Carnavon; estamos chegando na latitude do Rio de Janeiro.

Wooramel Roadhouse, o espírito da Western Australia.

Carnavon é de onde vêm boa parte das bananas do estado, além de tomates e outras frutas. Uma longa ponte permitia o escoamento marítimo da produção há cem anos. Hoje, é mais uma ruína do empreendendorismo.

Ainda assim bonita de se caminhar num fim de tarde.

Point Quobba é provavelmente o lugar mais ermo que visitei nessa viagem. Lugar de surfistas e pescadores, a maioria ainda silencioso o suficiente para não espalhar um dos lugares preservados da presença humana massificada. As ondas escavaram os rochedos, criando furos por onde jorram esguichos (blownholes). Mais de um pescador ou observador deslumbrado já morreu por ter chegado perto demais para observar o espetáculo, daí o alerta da placa.

Um punhado de minutos por ali permite testemunhar um punhado de esguichos assim. Talvez o som seja ainda mais impressionante.

E com um pouco de sorte, pode-se capturar até um arco-íris formado pelos esguichos.

Se você simplesmente quer viajar pela costa oeste da Austrália, um carro comum dará conta; nem um 4 x 4 é preciso para a maioria dos locais. Mas se você quer ser bacana, tem que alugar uma das wicked vans, pixadas com dizeres e imagens criativas. Essa daí veio numa missão especial...

Coral Bay é provavelmente a praia mais perfeita do oeste australiano. Sol o ano inteiro, areia branca e macia, leve brisa e, como se não bastasse, extraordinários corais a menos de 10 metros da praia, a disposição do seu snorkel. Ainda assim me espanta que uma estação de férias se sustente ao redor de uma única praia.

Paradisíaca.

Não dá para chamara Coral Bay de cidade nem de vilarejo; não passa de um arrazoado de casas e acampamentos para caravanas de turistas com pouca infraestrutura. O posto de gasolina foi decorado de maneira típica, mas da idéia da precariedade local.

Lembra Arraial do Cabo?

Somente duas pessoas viajando e carro foi entulhado assim. Não conte com conforto nem com infraestrutura turística ao viajara pelo sertão australiano. Pelo contrário, leve tudo o que precisar.

Parte do Parque Nacional François Perón é visitável de carro. Perón foi um explorador francês pioneiro no estudo da região. Sem um 4x4 não dá para chegar perto dos animais, porém dá para ver imagens assim.

Assim.

Ou assim.

Exmouth está mais ou menos na mesma latitude do Rio de Janeiro, é um destino preferido por mochileiros e além disso ainda é ponto focal da pesca de camarões. Kailis Bros, a maior empresa da região, ergueu essa estátua aí em frente à sua fábrica para não deixar dúvida. A bem da verdade, é hábito australiano erguer essas estátuas gigantescas na beira da estrada: tem o abacaxi gigante, a banana gigante -- e um calendário colecionando essas fotos todas.

Por conta de visuais assim Exmouth atrai um fluxo constante de mochileiros e viajantes, a despeito de seu isolamento e da pouco infraestrutura. Por outro lado, Exmouth é o ponto principal para quem quer mergulhar no recife Ningaloo, uma formação de corais tão rica e extensa quanto a Grande Barreira.

As praias ainda são selvagens e praticamente imaculadas. Leve sua água, lanche, barraca, protetor -- que não vai ter ninguém para te vender isso por lá...

Uma visita inesperada bem de manhã cedo no acampamento. Ou isso ou a cerveja Emu Bitter está ficando ousada demais nas suas técnicas de marketing de guerrilha.

O esforço todo é compensado quando se chega nessa praia: Turquoise Beach, cuja coloração da água faz juz ao nome. Na foto não saem as inacreditáveis formações de coral que se vê no fundo do mar. Nem precisa muito: entra-se no mar, nada-se uns 20 metros e deixa-se boiar; uma firme correnteza vai te arrastar por dezenas de metros de praia e infitintas variedades de corais. Só tem que prestar atenção para sair no banco de areia, ou corre-se o risco de ser dragado para o oceano.

Outra coisa que não saiu na foto foi o vento, deveras incômodo naquele dia, soprando areia no corpo todo e ainda levando embora um dos sacos em que eu pusera meu material.

Exmouth não é só praia, para quem gosta, tem um cânion aqui e ali com passeios de belo visual.

Vi mais de 10 espécies diferentes de animais cruzarem a pista, mas esse foi o único caso de uma família inteira de emas ter passado pelo carro. Coelhos, vacas, uma ecdina, raposas selvagens, cães selvagens, cangurus, um lagarto, bodes, cavalos, teve de tudo.

Essa é uma das imagens que eu escolheria para ilustrar a expressão feriado australiano.

Apesar da seca dominar a paisagem de Pilbara (noroeste da Austrália, interior) e Kimberley (noroeste, litoral), não é impossível cruzar aqui e ali com um riacho, mesmo na estação seca.

Você sabe que está chegando no noroeste quando os morros começama ficar avermelhados assim: é o minério de Ferro, tal qual nas montanhas de Minas Gerais, colorindo a paisagem. A maior mina de ferro do mundo fica nessa área, perto da cidade chamada Newman.

Assim como os Kailis devotaram uma escultura aos camarões, as mineradoras fizeram a sua em homenagem ao minério de ferro.

Port Hedland e Karratha-Dampier podem ser um alívio em termos de facilidades urbanas, depois de dias acampando, mas como portos de exportação de ferro ou plataformas de logística para as instalações offshore, pouco geram em termos de imagens bonitinhas, por isso pulo direto para Cossak, uma cidade fantasma que de principal porto no século XIX foi abandonada à míngua e hoje, com população fixa de menos de 50 habitantes, sobrevive como curiosidade. Esse aí é o principal prédio público que sobreviveu ao êxodo.










Escrito por Rafael | dezembro 21, 2007 12:25 PM
Comentário
Rafael, adorei as fotos e os comentários. É quase um diário de viagem, muuuuuito legal!
Só um porémzinho de nada... não acredito que você não pegou a referência da Wicked Van! "We're on a mission from God!" é um dos one-liners mais famosos e citados do filme "Blues Brothers". Os irmãos fazem todo tipo de sacanagem e a justificativa deles é que "we're on a mission from God!"
Escrito por: Mau Sadicoff | janeiro 1, 2008 02:00 AM
Já havia tempo que não visitava o seu blog, Rafael. Linda reportagem, gostei muito de ler/ver.
Eu sonhava visitar a Austrália mas hoje duvido que alguma vez o faça. A viagem para a Tailândia é muito mais curta e os meus pés chegaram inchadíssimos, na Austrália explodiam com certeza :-P
Sério, viagens longas em aviões sobrelotados são demasiado sacrifício. Um dia quando eu viajar em primeira classe, talvez.
Escrito por: Gi | janeiro 1, 2008 02:57 PM
Rafael,
Parabéns pelas imagens. Eu estou desenvolvendo trabalhos sobre os estromatólitos existentes na Lagoa Salgada, aqui em São João da Barra - RJ e vi que a Austrália dá muito valor a preservação de sítios geopaleontoogicos como estes. Na América Latina, o único lugar que tem estromatólitos carbonáticos é aqui. Se tiver mais fotos de estromatólitos peço que me envie e me autorize a publicação em meu blog www.andreambiental.blogspot.com
Obs. gostei das fotos do sítio com a placa de preservação e também da ponte sobre os estromatólitos. Eu poderia publicá-las em meu blog com sua autorização? Caso positivo, colocarei os créditos da mesma em seu nome, ok?
Grande abraço
Andre Pinto
São João da Barra - RJ
Escrito por: Andre Pinto | outubro 26, 2009 01:56 PM