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julho 02, 2008
Mongol!
Mongol e o filme que Alexander deveria ter sido e nao foi. Ao inves de Alexandre o Grande, Ghengis Khan. Esse sim, unificador de um imperio que ocupou dois tercos do mundo.
Nascido Temudgin em um dos inumeros clans que viviam como nomades no territorio da Mongolia, o filme, russo, narra com economia de cenas -- sempre optando mais pelo intimista do que pelo grandioso -- os eventos que levaram a transformacao de um orfao (seu pai, entao "Khan:, chefe do clan, morre acidentalmente envenenado) num lider implacavel, ainda que reconhecido pela justeza: e seguido por dois guerreiros desertores de outro clan ja na sua primeira tentativa de se tornar um Khan. Crianca, ve as posses de sua familia serem pilhadas apos a morte do pai; adulto, distribui igualmente os despojos de guerra, inclusive entre as familias de guerreiros mortos na guerra -- enquanto os outros Khans assumiam posse de rigorosamente tudo.
O filme nao se abstem de seu lado sensacionalista ao trazer cenas de batalha espetaculares e muito duelo de espada espirrando sangue feito por computador na tela, assim como nao deixaram de fora os relacionamentos homossexuais de Alexandre, apesar da principal cena de sexo naquele filme ser com a Rosario Dawson. Nesses termos, enquanto Alexandre foi criado (e educado por Aristoteles) desde pequeno para ser o que foi, em muitos sentidos pode-se dizer que Ghengis Khan fez-se por si mesmo, encontrando a liberdade apos ser feito escravo e encontrando a sabedoria nas oracoes para um deus com pele de lobo. Gengis Khan alinha-se com o arquetipo do homem que superou adversidades para se tornar um lider guerreiro, saindo dos grilhoes, como Espartaco, e jurando vinganca contra cada inimigo, mas apenas contra cada inimigo que o humilhara, como o chines que o expos para execracao publica numa cela como o mongol que queria destruir o imperio Tangut, entao controlando a Mongolia.
Mongol tem outros elementos comuns a conhecidas historias do Ocidente: um cerco militar como os 300 de Esparta nas Termopilas, batalhas epicas como as de Roma contra Cartago. O que faz de sua historia diferente e o elemento que transforma Temudgin de um chefe comum no comandante de dois tercos do mundo: a percepcao de que as crencas que mantinham a identidade de seu povo coesa -- dai o titulo do filme -- nao eram suficientes para unificar os clans, possibilitando o surgimento de uma organizacao social mais complexa. Ao criar um sistema de leis e ao usar a forca para impor essas leis, Temudgin empurra os mongois para formar uma nacao, cruzando a ponte entre da organizacao biologica para a social (que Robert Pirsig menciona em Layla, Uma Investigacao sobre a Moral) e estabelecendo a base para o maior imperio do mundo.
Marco Polo, de Veneza, foi para la e conferiu.
Em outro nivel, o filme pode ser entendido somente como mais um dos indicios da invasao cultural chinesa nos meios de entretenimento de massa. Depois da surpresa inicial de Ang Lee ou Jackie Chan, nao e mais raro encontrar filmes hollywoodianos se baseando em historias chinesas, haja vista o desenho animado Kung Fu Panda. As Olimpiadas vem ai e o mundo que se prepare para sua cota de China.
Escrito por Rafael | julho 2, 2008 02:10 AM