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julho 23, 2008
Toma essa, LEM!
Vontade de ir ao Melbourne Writer's Festival so para ver de perto a Tara Moss. Nuca falei da Tara Moss aqui, uma baita injustica, visto que se perde no tempo quando eu notei pela primeira vez as fotos daquela loira na capa de uns romances policiais.
Aqui vai um adendo: todas as livrarias australianas tem uma significativa secao so de crime, dividida ao meio entre os livros de nao-ficcao (em geral reportagens longas sobre assassinos seriais, gangues de motociclistas, criminosos notorios ou mafia) e ficcao. Na ultima estao sempre alguns dos titulos mais vendidos no pais, mas nao se confunda: Aghata Christie, Chandler ou Maigret voce encontra na secao dos autores por ordem alfabetica. Crime fiction e para a turma do Stephen King, escritores que prendem a atencao do leitor e escrevem a metro. Rubem Fonseca seria desprezado aqui.
De modo que eu simplesmente achava apenas mais um artificio de mercado, como qualquer outro, estampar as fotos daquela atraente loira na capa de alguns titulos. O que me estranhava e que sempre aparecia a mesma loira, e nao uma daquelas modelos genericas -- e parecia haver alguma identidade visual ali. Fui descobrir que se chamava Tara Moss, ex-modelo que se convertera em autora de novelas policiais de sucesso.
No Brasil, onde ainda se discute merito literario das investidas de um Tony Belotto, ela seria uma piada pronta. Eu me pergunto quem levaria a serio.
Nao que no mundo anglo-saxao de onde ela vem -- nasceu no Canada e hoje tem dupla cidadania, tabem australiana --, onde a igualdade entre os generos e um dado, seja muito melhor. Vejam o paternalismo como ela e tratada pelo World Literature Today:
"Tara Moss is much more than a pretty face. She's an international best–selling author, ambassador, television host, and reptile–wrangler...she may well become one of the world's best–sellers."
Embora nada supere o que a Vanity Fair publicou:
"No–one really believed she could have written four hugely successful detective novels, and each unaided. Is it possible that such a stunner can actually write? Absolutely..."
O fato da propria editora usar essas linhas como apresentacao da autora mostra que nao houve vergonha em assumir esse gancho bonita-e-escritora do ponto de vista publicitario. Me pergunto se tentaram algo similar com aquela escritora gaucha de nome impronunciavel cujo livro virou mini-serie, porque com a Bruna Lombardi tentaram, assim como tentam com a Maite Proenca, agora.
O que deve ser prontamente ignorado em funcao dos meritos dela, ou delas, como escritoras. A porca torce o rabo quando voce descobre, logo na biografia oficial, que ela ganhou o Scarlet Stiletto Young Writers Award, que soa assim como se o Luis Eduardo Matta ganhasse o Vulcabras 457 dos Escritores Policiais. Ou quando ve os escritores recomendados.
Eu nunca li livro nenhum e ainda nao consegui superar esse elo muito forte entre a exploracao da imagem dela na propria publicidade, e me pergunto quantos leitores nao foram atraidos para a literatura dela por causa de suas fotos, e se isso se constitui num problema. nao deveria, no fundo. Assim como nao deveria chamar a atencao o termo reptile wrangler depois que voce ve isso.
Mas que e estranho imaginar o Alexandre Soares Silva na capa da Health and Fitness ou o LEM pelado se enroscando numa cobra, ah e.
Escrito por Rafael | julho 23, 2008 11:31 PM