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setembro 17, 2008
Enquanto isso
Varias semanas ausente, ainda processando tudo o que vi; do que aconteceu, o mais complicado foi digerir as sucessivas mortes de Dercy Goncalves, Dorival Caymmi e Fausto Wolff: cada um, a sua maneira, parecia destinado a nunca morrer. A primeira, por mera longevidade parecia ter deixado a morte para tras; o segundo, de tao tranquilo -- quao bonito era seu apelido, Algodao! -- dava a impressao que iria ser esquecido pela Ceifadora por estar tirando um cochilo no canto, evidentemente numa rede; o terceiro, era daquela estirpe que dava a impressao de nao so ter derrotado a morte num jogo de cartas, como ainda roubou-lhe as fichas que sobravam e virou a mesa. Dercy e Dorival morreram em paz, reconciliados entre o que eram e o que o mundo fez deles. Fausto Wolff nao teve essa sorte; permaneceu em guerra consigo mesmo ate o fim, nao se poupando momentos de rancor que manchavam extraordinaria biografia. A certo tempo, foi dos mais importantes reporteres do Brasil, capaz de juntar a agressividade necessaria para cavar uma fonte com a sensibilidade e a cultura indispensaveis para redigir o texto. Largou tudo para se agarrar a uma ideia, uma causa, mesmo que nem ele mesmo soubesse direito o que era e preferiu culpar o mundo a si mesmo. Ninguem se chama Fausto a toa.
P.S. Minha historia predileta? Quando ele, por intimidade com o dono do restaurante chique, teve acesso ao banheiro feminino do estabelecimento num dia de folga e grafitou num dos reservados: "Fausto Wolff e bom de cama". Nem dez Nizan Guanaes dariam tanto resultado...
Escrito por Rafael | setembro 17, 2008 05:36 AM