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dezembro 17, 2008

Indícios de uma conspiração

Quando a realidade acaba e começa a ficção? Até que ponto a força criativa da imaginação, aliada ao talento narrativo, pode transformar a realidade? Alan Moore propôs essas questões no cerne da saga de Promethea, uma história em quadrinhos sobre uma super-heroína criada exclusivamente à base da ficção.

Luis Eduardo Matta costuma gastar pelo menos um par de anos na criação de seus livros. São romances policiais, com trama complexa, ambientados em pelo menos três diferentes locações (uma das quais, eu diria invariavelmente, é o Rio de Janeiro). Mais do que o trabalho de criar a trama, desenvolver os personagens e finalmente escrever, revisar e reescrever, LEM gasta grande pare de seu tempo pesquisando informações factuais sobre cidades, ruas, logradouros e prédios onde possa construir suas cenas, não raro viajando até o local para ter uma idéia mais próxima. Ainda assim, o realismo que transparece em sua narrativa às vezes supera a própria realidade, marca esta da grande ficção: fazer ver com olhos novos; melhorar a percepção.

Seu último romance policial, 120 Horas, arrebatou leitores Brasil a fora com uma trama que circulava do Aterro do Flamengo a Beirute. Em uma crônica, Ruy Castro afirmou certa vez que gostava de viajar para conhecer os lugares onde seus ídolos escritores tinham vivido (ou alegado viver) as estripulias que colocaram nos livros, tipo o mictório onde Hemingway vomitou e coisas assim. Eu ia concluir dizendo que Matta escreve ficção, portanto não deveria ser usado como os guias que Castro propõe, mas a verdade imita, às vezes até bem demais, a ficção. Quem tem medo de Evelyn Wakim?

Escrito por Rafael | dezembro 17, 2008 02:17 AM

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