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janeiro 22, 2009
Lula e a percepção das HQs
Outro dia, a título de exemplificar a diminuta pujança intelectual do presidente Lula, o Pedro Sette citou um trecho de uma entrevista antiga na qual o então sindicalista conta que não tinha paciência para livros, mas gostava de gibis. Pujança intelectual à parte, gentilmente escrevi-lhe (ao Pedro, não ao Lula) para mostrar que as histórias em quadrinhos ainda são vistas genericamente como produto cultural sem valor, e como esse tipo de comentário genérico propaga essa idéia.
Tanto quanto em qualquer outra arte de larga produtividade, há poucos pontos de excelência e muita bucha de canhão. Entretanto, nenhum dos motivos normalmente atribuídos pela ausência de respeito tem efeito. A arte é muito moderna, não teve tempo para estabelecer um cânon? O cinema também não. Produz-se mais porcaria do que grandes obras? A literatura também. No fundo, o que houve foi uma extraordinária campanha moralista na esteira da guerra fria, que teve como principal vítima colateral as histórias em quadrinhos, bodes expiatórios da delinquência juvenil: na música popular, no cinema e na literatura, o modernismo foi assimilado & incorporado. Some-se a isso a falta de escrúpulos em brigas de inimigos de imprensa: Orlando Dantas colocando seu jornal para atacar a "corrupção da juventude" promovida por seu rival Roberto Marinho, Carlos Lacerda detonando geral, e em duas gerações a opinião pública terá rotulado como irrelevante o que, décadas antes, consumia avidamente.
Escrito por Rafael | janeiro 22, 2009 12:54 PM