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maio 31, 2005
Brizola tinha razão
Escrito por Rafael | 09:21 AM | Comentários (2)
Sobre blogs e homens
Fui convidado a escrever sobre blogs para um especial, mas desanimei depois de descobrir que pelo menos metade do que o editor sabe sobre blogs, aprendeu comigo, e depois de ler o que a Daniela Sandler escreveu, o que muito me envaideceu, sendo ela a escritora que é. Acho que eu não teria muito a acrescentar. Melhor bater papo com o artista mais verdadeiro da nossa geração.
Escrito por Rafael | 09:09 AM | Comentários (2)
Não era o Tigre
Essa é nova. No tempo em que a propaganda era risonha e franca, e muito mais bem redigida, notorizou-se um reclame nos bondes que dizia assim:
Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado. No entretanto, acredite, quase morreu de bronquite salvou-o o Rhum Creosotado
Notorizou-se apesar daquele no entretanto, grafado algumas vezes como no entanto, mais corretamente. Qualquer conhecedor mínimo dos usos cariocas diria sem pestanejar o autor desses versos: Bastos Tigre. Agora veio a Maria Lúcia Dahl querer corrigir o que ela diz ser um equívoco histórico, alegando que a autoria é de seu avô.
Escrito por Rafael | 08:59 AM | Comentários (2)
A piada
A piada que mais se ouviu nos escritórios cariocas ontem de manhã foi dirigida a todo mundo que se atrasou para chegar:
-- O que foi, perdeu a ponte-aérea? Tava boa a festa, hein?
Chegou a ser chato de tão repetido.
Escrito por Rafael | 08:52 AM | Comentários (1)
maio 25, 2005
A Ariano o que é de Suassuna

Em 1838, João Ferreira liderou um movimento de cores sebastianistas na Serra do Catolé, em São José do Belmonte (sertão de Pernambuco, fronteira com a Paraíba), próximo à formação rochosa conhecida como Pedra do Reino. Era uma revolta popular que predizia a volta de Dom Sebastião, rei português desaparecido em batalha contra os árabes, nomeado segundo o mártir cristão flechado. Concluiu como Canudos, ou seja, com muita gente morta em sacrifício e abafada pelas forças do governo.
O episódio real inspirou Ariano Suassuna a incluí-lo no livro Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, mais comumento conhecido como A Pedra do Reino, lançado pela editora José Olympio em 1971 e reeditado com revisão de texto somente no ano passado, 2004, pela mesma José Olympio. Ariano mistura elementos reais com personagens fictícios e desenvolve enormemente a história, dando-a continuidade.
Em 1992, um grupo de pessoas associou-se para promover uma cavalgada até a Pedra do Reino, inspirada pela que ocorre nos primeiros folhetos do livro. O evento, que dura uma semana inteira, compreendendo encenações, números musicais, cavalhadas e, no domingo, uma missa com bênção aos cavaleiros, terá início esse ano nesta quinta-feira, amanhã, 26 de maio de 2005.
É um caso raríssimo de influência circular: um escritor baseia-se num acontecimento real para criar sua ficção que, por sua vez, gera com base nela uma festividade.
Quantos escritores brasileiros conseguiram escrever uma obra aclamada por crítica e academia (Ariano Suassuna é imortal, não custa lembrar) e, ao mesmo tempo, gerando profunda influência popular, originando cavalgadas, virando enredo de escola de samba ou sendo transformado em músicas populares -- vide último disco de Antonio Nóbrega, Lunário Perpétuo?
* * *
Faixa extra: entrevista de Ariano com Geneton de Morais.
Escrito por Rafael | 09:27 AM | Comentários (1)
Ctrl+S, que nada
Só Del salva.
Escrito por Rafael | 09:21 AM | Comentários (1)
Roy Crane: "Buzz" Sawyer


O referencial para o perfeito meio termo entre o realismo e o cartum nos quadrinhos. Nem Al Capp chegou tão perto. Nem Jaime Hernandez se equilibrou tão bem. Nem os gibis da Archie. Nem Will Eisner. Roy Crane.
Escrito por Rafael | 08:44 AM | Comentários (1)
maio 24, 2005
O mito da genialidade brasileira
Arnaldo Branco foi o primeiro a gritar: Pede pro cara explicar Cartola.
Depois veio: "A genialidade não é uma questão de educação, mas certamente passa pela influência do meio, do ambiente em que o sujeito vive e do grupo com o qual se relaciona."
A Scientific American está nas bancas com uma coleção chamada Gênios da Ciência, o número atual é o de Richard Feynman. Eu quero saber qual meio, qual ambiente, qual grupo relacional cria um Feynman. Não tem. Ou bem se atribui à genética, à probabilidade, ou esquece: não vai se criar um Feynman assim.
Só que isso não é argumento para esquecer a educação, o meio. Minha nota original não era sobre genialidade, era tão somente sobre talento criativo, excelência; sobre a importância de um meio que disponha os recursos corretos tem na geração de talentos. E quando eu falo em geração, é geração em massa. Isso se pode garantir.
Mas aqui no Brasil, gênio é só Cartola, Noel Rosa, sobreviventes, artistas, intuitivos, nunca é um cara que estudou, pesquisou e trabalhou. Ninguém lembra de um César Lattes quando se fala em gênio. E as autoridades, seguindo essa linha intelectual -- propositalmente ou não -- nunca investem em fornecer os meios mínimos de sobrevivência, sempre apostam na geração espontânea e improvável de Ronaldinhos.
O resultado é conhecido: não aparece um Cartola por geração e ainda se criam centenas de meliantes no processo. Moral da história: vamos parar de esperar os Cartolas aparecerem -- porque "gênio não se explica" -- e tentar criar 3 Paulinhos da Viola por geração, o que é possível, e é muito melhor do que cem meliantes.
Ah, o Arnaldo. Não precisa bronquear, que eu dialoguei com ele e chegamos aos termos acima expostos.
Escrito por Rafael | 12:39 PM | Comentários (4)
Separados no nascimento: faz tempo que eu não tinha uma sacada
Kim-Jong-Il, o ditador coreano, é o próprio Chico César branco (ou melhor, amarelo). E de óculos.
Escrito por Rafael | 12:37 PM | Comentários (2)
maio 23, 2005
Kelly Slater comemora troféu no Taiti

Escrito por Rafael | 04:50 PM | Comentários (1)
Deu na Trip: Mojo e Cardoso na DBA
Na Trip de maio, duas entrevistas: Felipe Hirsch, que adaptou graphic novels de Will Eisner para o teatro posa de enfant terrible da vez e sugere um caminho para levar espectadores de volta para os teatros; enquanto o cotogenário Millôr Fernandes solta o verbo numa conversa filosófica, daquelas em que se pergunta até o que é felicidade, negando a fama de machista duas perguntas antes de chamar Itamar Franco de [sic] bichinha louca.
Mas a melhor coisa da revista foi ler uma nota plantada pelo Eduf avisando o lançamento dos livros Dedo Negro com Unha, de Daniel Pellizzari e o do Cardoso (Cavernas e Concubinas) pela DBA -- mais um pouquinho e teria dado tempo de lançar na Bienal. Aguardo ansioso o primeiro, que não lança desde 2002 e dessa vez não vem de contos, e talvez eu até dê uma conferida no segundo.
Escrito por Rafael | 04:30 PM | Comentários (1)
As últimas, para encerrar o papo de Bienal:
De maneira geral, os jovens são os únicos que lêem livres. As crianças têm seus livros escolhidos pelos adultos. E os “adultos” lêem livros técnicos (auto-ajuda, administração, culinária ou religião) ou reconfortantes, que os façam esquecer a vida.
---Rogério de Campos, editor e sócio da Conrad
E dos escritores gaúchos mais novos, o que você conhece? Benvenutti, Pelizzari, Galera?
Conheço pouco, o Galera eu conheço. Mas tem um movimento extraordinário que são os blogs brasileiros. Eu sou um leitor assíduo desses blogs [...]
Você conhece os livros desses blogueiros?
Não, não. A única coisa que conheço é universo blogueiro deles. Os Wunderblogs, por exemplo, escrevem muito bem, o que pode talvez compensar uma falha mais no caminho ideológico. O Alexandre Soares Silva também escreve muito bem. É uma variedade grande, tem de tudo. Acho muito bons mesmo.
---escritor português Francisco José Viegas, em entrevista
Aqui o pessoal está em outra, em busca de cultura. Ninguém veio pra olha menininha. Isso é coisa de feira de automóvel.
---promotoras do Café Literário da Bienal, nem me dei ao trabalho de anotar os nomes.
Estou numa relação nova com os livros. Hoje, já gosto de ler. Comecei a ler para me exercitar, porque sei que ler é importante. Estou numa relação mais tranqüila com os livros.
---Luana Piovani, modelo, atriz e formadora de opinião.
Escrito por Rafael | 04:25 PM | Comentários (5)
maio 20, 2005
Milton Caniff

Escrito por Rafael | 10:11 AM | Comentários (1)
Citações sobre quadrinhos
"Estou sinceramente convencido de que a arte dos quadrinhos é uma forma de arte autónoma. Reflecte a sua época e a vida em geral com maior realismo, e, graças à sua natureza essencialmente criativa, é artisticamente mais válida do que a mera ilustração. O ilustrador trabalha com máquina fotográfica e modelos; o artista dos quadradrinhos começa com uma folha de papel em branco e inventa sozinho uma história inteira - é escritor, director de cinema, editor e desenhista ao mesmo tempo" -- Alex Raymond
Outras citações de autores sobre histórias em quadrinhos aqui.
Escrito por Rafael | 10:06 AM | Comentários (0)
maio 17, 2005
50 anos da II Guerra: pôsteres de Will Eisner


Em 1942 Will Eisner foi recrutado pelo Exército dos E.U.A. e teve que abandonar seu trabalho como cartunista de The Spirit. Rapidinho alguém nas forças armadas sacou que poderia usar o talento dele para transmitir instruções e mensagens aos soldados; naquela época mal havia o conceito de manutenção preventiva e os manuais de Eisner serviram para conscientizar os bucha de canhão. Os pôsteres instrutivos do personagem Joe Dope talvez sejam a arte de guerra mais conhecida de Will Eisner.
Escrito por Rafael | 10:53 AM | Comentários (1)
Livros na infância
Daniel Piza afirmou que Paulinho da Viola só tinha se tornado o compositor que foi por causa do ambiente cordial e musicalmente sofisticado em que foi criado, após ver um documentário sobre a vida dele. Educação, a influência do meio.
Quem se fascina com os desenhos, a diagramação, o senso de design, as fotos, as cores e as formas da Mariana Newlands agora pode saber o que ela lia na infância.
O que me espantou ali não foi nem encontrar best-sellers como O Gênio do Crime ou A Bolsa Amarela, mas saber que existiam edições em português do Pequeno Nicolau (de Goscinny e Sempé) e de Juca e Chico, traduzida por Olavo Bilac!, um dos precursores da linguagem dos quadrinhos. Curiosamente, eu também li Grimble, mas o segundo livro: Grimble, família e companhia. Lembro que lá pelas tantas ele prepara uma refeição com os restos de comida da geladeira que ficou uma tremenda duma porcariada.
Escrito por Rafael | 10:35 AM | Comentários (3)
Comigo, não
E olha só isso: Ivan Lessa não gosta de jornalismo de imersão.
Escrito por Rafael | 10:33 AM | Comentários (0)
Gibis para todos!
Dois blogs de histórias em quadrinhos clássicas: Mania dos quadradinhos (português) e I love comix.
Faixa extra: galeria com todos os vilões do Dick Tracy.
Escrito por Rafael | 10:31 AM | Comentários (1)
maio 13, 2005
Livros & barcos
[Uma nota dedicada ao Alexandre, e inspirada no estilo dele.]
Final de semana passado fui numa feira náutica. Tinha de iates de 60 pés a diminutos equipamentos de pesca, mas a grande atração eram as lanchas a motor. Instalada numa marina, a feira estava bastante cheia no final da tarde de sábado; cheia de gente que gosta de mar, que tem, teve ou quer ter sua embarcação. É tocante ver o afeto com que se relacionam com barcos: tiram fotos em frente a lanchas velozes, fazem test-drives em modelos novos, comentam baixinho com suas esposas, excitados, algo sobre sua performance técnica; crianças são presenteadas com máscaras de mergulho ou iscas artificiais em forma de camarões, acostumando-se desde cedo com aquele mundo azulado e verde. Formosas damas escassamente vestidas distribuem panfletos e conduzem potenciais compradores, ou apenas fãs mais atirados, em visitas aos modelos mais luxuosos. Senhores de idade abonados sobem escadinhas para avaliar um veleiro, com olhar clínico e enamorado; estão em seu meio. Gente menos afortunada contenta-se em levar amostras grátis de revistas especializadas, ou um chaveirinho imitando uma âncora, ou o capacete de um escafandro; resignam-se diante dos preços como uma criança numa feira de filhotes, ao saber que não poderá levar a tartaruguinha para casa. O importante é estar ali, perto de seu objeto de culto e paixão.
Fiquei pensando como seria se as pessoas se comportassem assim com livros.
Uma imensa feira num enorme pavilhão de exposições, cheia de novidades, edições luxuosas com lombadas folheadas a ouro e capa de couro, os grandes escritores atraindo enormes filas de autógrafos como flautistas de Hamelin literários. As principais editoras usariam lindas promotoras de eventos, uniformizadas em cores seguindo o projeto gráfico da última coleção lançada, para atrair leitores para seus stands -- mas não seria necessário, porque a paixão pelos livros faria cada uma daquelas pessoas se deslocar por uma hora, apenas para ficar perto de livros, pela a cálida sensação de estar rodeado por livros. Senhoras de óculos atacariam com avidez novas edições, comentariam a espirituosidade e a precisão de traduções recentes; crianças receberiam livros com letras grandes e ilustrações divertidas; jovens colecionariam clássicos e seriam premiados ao encontrar aquelas raridades que só se revelam para os mais tenazes. Todo mundo leria; todo velho, todo adulto e toda criança sairia de lá com seu embrulho, nem que fosse uma edição de bolso, um reles paperback em papel jornal, uma mera (essa eu não vou deixar) revista em quadrinhos. Na completa impossibilidade de comprar qualquer livro, se contentariam em ir para casa com um marcador de páginas; um postal de propaganda -- porque todos sabiam que o importante era estar ali, participar daquele frisson.
Já começou a Bienal do Livro 2005 para, ao invés de imaginar, conferirmos se é assim mesmo.

Escrito por Rafael | 09:02 AM | Comentários (3)
Malandragem dá um tempo
Agora responda rápido: quem é mais ixpérta, Luciana Gimenez ou Daniela Cicarelli?
Escrito por Rafael | 08:25 AM | Comentários (2)
maio 11, 2005
LEM: Ira Implacável
Luís Eduardo Matta (LEM) manda avisar: a tiragem inicial de Ira Implacável está nos estertores, mas ainda há tempo de pedir. Para quem não sabe, Ira Implacável é o segundo livro dele (o primeiro, Conexão Beirute-Teerã, foi escrito aos 18 anos e serve mais como balão de ensaio), um thriller de espionagem passado entre o Rio de Janeiro, Paris e Beirute. Há tintas de terrorismo (apesar de ter sido concluído antes do 11 de setembro, em cuja onda surfou), intriga internacional, suspense e alguma ação; certamente, não é um daqueles romances que depois vira filme com o personagem principal interpretado pelo Harrison Ford, mas também não é cerebral e despido de movimento como um policial europeu de Agatha Christie, embora esteja mais para o último do que o primeiro.
LEM é escritor e militante do que batizou como LPB, Literatura Popular Brasileira, a tal vertente literária que não tem medo de se dizer entretenimento, procurar uma fatia maior de mercado, ampliar o público leitor, sem origatoriamente mandar para o saco a qualidade literária ou ofender a inteligência do leitor. Ira Implacável é a chance que nos deu em ver se ele está se saindo bem nessa empreitada, além de ser um dos pouquíssimos livros da nova geração de escritores (LEM não possui nem nunca possuiu blogue, não o confundam; mantém uma coluna semanal de nã-ficção) que é um romance digno desse nome, com mais de 200 páginas, narrativa linear e concatenada (abusando das mudanças de plano), vocabulário rico e descrições geográficas detalhadas -- quantos novos talentos se deram ao trabalho de fazer um livro assim?
E vem mais por aí: Luis Eduardo Matta avisa que seu próximo livro, 120 horas, já está pronto. Dessa vez, o pano de fundo para a rede de intrigas é o cintilante mundo da haute-couture.

Escrito por Rafael | 10:50 AM | Comentários (4)
maio 10, 2005
do Contra

Escrito por Rafael | 09:17 AM | Comentários (1)
A Cartilha
Joaquim Ferreira dos Santos joga luz sobre a verdadeira ameaça que se abate sobre a língua nacional -- nada a ver com termos ofensivos à minorias oprimidas ou importados:
Lula começou a entrevista coletiva de dias atrás falando da "principalidade" de sua pauta governamental. A palavra teria a ver com um suposto verbo "principializar", uma dessas excrescências terminadas em "lizar" (confidencializar, potencializar) que acometem a língua a partir do cruzamento do telemarketing com livros mal traduzidos de administração e a falta de cultura que grassa. [...] Se me fosse dado o poder de uma cartilha de bom-tom, eu proibiria, para principializar, o tal.
Beabá, cambada. Beabá.
Escrito por Rafael | 09:11 AM | Comentários (0)
maio 09, 2005
Paralelos n'O Globo
No site especial da Bienal do Livro 2005 d'O Globo, os editores do projeto Paralelos, Augusto Sales e Jaime Gonçalves Filho ganharam um blog. Entrada de Jaime:
Nos próximos dias você vai ler e/ou ouvir, com pequenas variações, os seguintes números relativos à Bienal do Rio 2005: 230 autores nacionais; 24 estrangeiros; 16 franceses; 100 sessões literárias; entre 550 mil e 600 mil visitantes; 200 mil estudantes; 944 expositores numa área de 55 mil metros quadrados; um custo de R$ 18 milhões; faturamento previsto de R$ 40 milhões; mais de 1000 títulos a serem lançados; cerca de 100 mil títulos disponíveis no evento; e, aproximadamente, 2 milhões de livros disponíveis no primeiro dia do evento. Nada disso, no entanto, está necessariamente vinculado à literatura.
O grifo é meu.
Escrito por Rafael | 03:40 PM | Comentários (3)
Diogo Mainardi e Millôr Fernandes
[Millôr Fernandes é extremamente cioso de seus direitos autorais. Exceto, ao que parece, quando os cede para seus amigos pessoais. Diogo Mainardi valeu-se de uma conversa com ele para preencher uma de suas colunas na Veja -- onde Millôr tem uma página. Cora Rónai reproduziu-a, jogando na rede para quem quisesse. Eu estava passando por ali, não no exato momento, por isso é que só reproduzo agora. O título da coluna foi Oposicionistas de poltrona:]
Quero derrubar o governo. Só não sei como. Vim pedir instruções a um notório golpista -- Millôr Fernandes. Ele já derrubou um governo. O dos militares. Agora pode me explicar como derrubar o dos petistas.
Millôr -- Eu não derrubei governo nenhum.
A prova de que ele derrubou o governo é a revista Pif Paf, que acaba de ser republicada pela editora Argumento. Millôr a lançou imediatamente depois do golpe, em maio de 1964, decretando que "Todo homem tem o direito sagrado de torcer pelo Vasco na arquibancada do Flamengo". Pela minha reconstrução, Pif Paf não apenas derrubou o governo militar, como o derrubou sozinha.
Millôr -- Não é verdade.
O último número da Pif Paf é de agosto de 1964. Está lá, na contracapa: "Se o governo continuar deixando que circule esta revista, dentro em breve estaremos caindo numa democracia". O que fez o governo? Não percebeu a cilada e fechou a revista. Pif Paf tirou a ditadura do armário. Com a ditadura fora do armário, ficou mais fácil enfrentá-la.
Millôr -- A ditadura ainda durou muito tempo.
A TV do estúdio de Millôr está ligada, sem volume, num filme sobre alpinistas no Himalaia. Ele fala de sua admiração por aventureiros. Relembro que em "Aventureiros de poltrona", na Pif Paf número 4, ele sonha ser esquiador, balonista, caçador de leões, automobilista e presidente da República, mas, no fim, se contenta em não fazer nada, indo apenas "de casa pro trabalho, do trabalho pra casa". Sentados em seu estúdio, somos dois oposicionistas de poltrona, que sonham em derrubar o governo.
Millôr -- Lula visitou a Catedral de Assis. O que ele sabe sobre Giotto, Cimabue, Beato Angélico? A ignorância dele já ficou estabelecida, mas não é pelo ridículo que ele vai cair.

Meu mestre é um conspirador dispersivo. De Giotto, Cimabue e Beato Angelico, ele desvia sua atenção para João Paulo II. Abre a Enciclopédia dos Espiões e me mostra o trajeto de Ali Agca da Turquia à Itália, onde cometeu o atentado contra o papa. Peço para ver em primeira mão seu último trabalho, uma colagem da figura de João Paulo II sobre o quadro O Grito, de Edvard Munch [ver reprodução ao lado]. Elogio seu extraordinário talento artístico. Ele aproveita para comentar a biografia de Saul Steinberg, e faz uma pausa para atender o técnico do computador. Quando volta à poltrona, o assunto é Veneza, e de Veneza vai direto para Goldoni, e de Goldoni para Molière, que ele traduziu. Tento retomar o tema do nosso encontro. Depois de duas horas de conversa, ainda não sei como derrubar o governo.
Millôr -- É simples. É só investigar a origem do dinheiro.
O dinheiro do partido?
Millôr -- Desconfio sempre de todo idealista que lucra com seu ideal.
A essa altura, estamos num restaurante. Ele conta que é feliz. Eu conto que sou feliz. Dá empate em matéria de felicidade. Volto para casa. Antes de dormir, penso em Pif Paf, Cimabue, fundos de pensão e CPI do Banco Santos.
[Quem quiser conferir, a editora Argumento acabou de lançar uma coleção com as edições facsimilares de todos os números do Pif-Paf]
Escrito por Rafael | 03:25 PM | Comentários (1)
A sabedoria ancestral dos barbeiros velha-guarda
-- Entrada nada, meu filho, isso é saída. Não é por aí que os cabelos saem?
Escrito por Rafael | 09:27 AM | Comentários (0)
quebra-queixo
Desde sexta-feira no SoBReCarGa, minhas ruminações acerca do segundo álbum do Quebra Queixo, o herói open-source de Marcelo Campos.
Escrito por Rafael | 09:25 AM | Comentários (0)
maio 06, 2005
Jaguar estabelece o paradigma para cartuns sobre feriado
Escrito por Rafael | 11:53 AM | Comentários (0)
Papa
O gibi predileto do cardeal Ratzinger papa Bento XVI.
Escrito por Rafael | 11:51 AM | Comentários (0)
Agora é pra valer: Tom Wolfe no Rio
Amigo meu certa vez confessou que gostaria de "fazer por São Paulo o que Tom Wolfe fez", o que Tom Wolfe fez significando aqui o registro detalhado e atento das mais idiossincráticas tribos e manias urbanas, de um ponto de vista aristocrático, erudito e bem humorado, onde o humor advém sobretudo da descrição exata do que se vê. Como o mundo é injusto, nem ele realizou seu intento, apesar de ter batido na trave, nem Sampa ganhou seu Tom Wolfe (?), e como se isso fosse pouco, é capaz dele acabar escrevendo sobre outra cidade. Pelo menos é o que O Globo indica:
O escritor e jornalista Tom Wolfe, que chega ao Rio quarta-feira para participar da Bienal Internacional do Livro, pediu para ser apresentado à música brasileira. Seu editor, Paulo Rocco, já organiza um tour pelas casas de samba na Lapa. Wolfe dá palestra dia 12, às 18h30m, e fica no Rio até domingo. Aproveita para lançar “Eu sou Charlotte Simmons”, que narra em 700 páginas a vida num campus universitário, a ficcional Universidade Dupont, na Pensilvânia — um mundo hedonista de muita bebida e sexo casual.
Escrito por Rafael | 11:48 AM | Comentários (0)
maio 04, 2005
Ficção, só em quadrinhos.
Alexandre fez um lançamento de 40 metros, é minha vez de matar no peito e sair do zagueiro:
1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Essa é fácil: Modelo, de Michael Gross.
2- Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado por uma personagem de ficção?
Já. O último foi aquele moleque do filme Rushmore. Passei metade do filme torcendo por ele, e a outra metade torcendo para que ele se estrepasse. Também fiquei bem incomodado pelo Arzach, do Moebius.

3- O último livro que compraste?
Pela internet: Queda Livre, de Otavio Frias Filho. Em sebo, The Best of Henny Youngman.
4- Os últimos livros que leste?
Cem quilos de ouro, de Fernando Morais e Queda Livre, de Otavio Frias Filho. Também andei relendo quase tudo o Millôr Fernandes publicou em livro, para uma pesquisa.
5- Que livros estás a ler?
A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna.
6- Que livros que levarias para uma ilha deserta?
Os três volumes de Marvel Visionaries: Daredevil, com tudo que o Frank Miller fez para o Demolidor. Os 19 álbuns de Love & Rockets, todos os do Astérix e todos os do Tintin. From Hell, do Alan Moore. Encadernações colecionando tudo que o Dave Sim fez para Cerebus, tudo que o Hugo Pratt fez com Corto Maltese e tudo que o Eddie Campbell fez para o Bacchus. Uma coleção de histórias mudas do Moebius.
Aaaah, você queria saber de livros, daqueles sem figuras. Entendi. Como sobraria pouco espaço na bagagem, eu me resumiria a qualquer um do Gay Talese (provavelmente The Kingdom and the Power, A Mulher do Próximo ou Fame and Obscurity), qualquer um de contos do J.D. Salinger (provavelmente Carpinteiros, levantem alto a cumeeira e Seymour, uma introdução), O Melhor de Stanislaw Ponte Preta, uma seleta de crônicas do Rubem Braga e Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas.
E para fazer lastro e manter a fogueira acesa: o Mahabarata, As Mil e uma Noites, Chatô, A New Kind of Science e a biografia do Roberto Campos.
7 – Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Ia passar para o Arnaldo, mas ele fechou as portas antes. Vai para Lisandro, porque ele precisa de motes externos para escrever (bem) ; Patricia, porque ela lê muito e gostaria de responder esse questionário; Marcelo Träsel, porque o leio há longa data e ele não decepciona, e para Smart Shade of Blue parar de ficar resmungando no canto e ir para o meio da roda. Avisem-nos.
Escrito por Rafael | 01:43 PM | Comentários (6)
Arnaldo abotoou o blog
Tristeza não tem fim
Mau Humor, sim.
Escrito por Rafael | 01:41 PM | Comentários (1)
Peru de dentro não se manifesta
When turkey inside is flatulent, chain saw near a big fan of over fairy. Miranda, the friend of Miranda and meditates with satellite defined by fairy. Most midwives believe that bowling ball from fall in love with gonad of cream puff.
Escrito por Rafael | 01:39 PM | Comentários (0)
maio 03, 2005
Então era assim que o John Byrne desenhava o Coisa

Escrito por Rafael | 09:26 AM | Comentários (1)
Sou brasileiro e não desisto nunca
Mas o Ziraldo não desiste! Depois de dar com os burros n'água com a revista Bundas (1999-2001) e com o jornal Pasquim 21 (2002-2004), agora desembarcou seu exército Brancaleone no Caderno B do moribundo Jornal do Brasil, como se fosse possível repetir a reforma de, o que, quarenta anos atrás? Já tem cinquenta?, pela qual aquele caderno passou. Nomes manjadíssimo redigindo em modo default: Fausto Wolff (Como na peça de Ionesco, tornamo-nos uma nação de rinocerontes exatamente porque não temos coragem de nos reconhecermos rinocerontes), Marina Colassanti (Quando adentrei no B, quem mais se alegrou foi José Ramos Tinhorão, [...] redator. Cabia a ele, até então, por falta de mulher na redação, fazer as matérias femininas), interessante articulista há vinte anos; Aldir Blanc (Uma estréia é uma estréia é uma estréia, como dizia a Gertrude antes de ir dar uns Tokles na Alice B), melhor cronista do que comentarista; Nani; Natanael Jebão, que vai onde Fausto Wolff for; Reynaldo Jardim, aliás, um dos responsáveis pela famosa reestruturação do B (e do JotaBê), e outros sobrenomes conhecidos. Sinceramente? Palmas para esse pessoal todo, que abriu os caminhos quando a mata estava fechada. Agora chega de querer salvar o mundo e abram alas para quem vem de trás.
Escrito por Rafael | 09:16 AM | Comentários (3)
Unidos dos quadrinhos
Conheci muito poucos leitores de quadrinhos que curtissem carnaval, e menos ainda os que gostavam de pular em bailes ou assistir desfiles. Ontem li uma notinha n'O Globo que parece a redenção final desses caras:
A Unidos da Tijuca será uma das poucas escolas de samba que não vai ter um enredo patrocinado no ano que vem. É de 90% a probabilidade de o carnavalesco Paulo Barros falar sobre o mundo dos quadrinhos na Sapucaí.
Escrito por Rafael | 09:12 AM | Comentários (3)
maio 02, 2005
Do It Yourself
Não recomendado para fãs de rock progressivo, sinfonias e música erudita.
Escrito por Rafael | 11:26 AM | Comentários (0)
Idéia não pode ser paparicada
Idéia não pode ser paparicada, estragada, só porque foi tida. Idéia tem que ser jogada ao relento, com dez reais no bolso, para se virar sozinha. (Nelson, o almirante)
Escrito por Rafael | 11:25 AM | Comentários (0)
de que vale o céu azul
40 anos de Jovem Guarda? Não, obrigado.
Escrito por Rafael | 11:23 AM | Comentários (0)