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junho 30, 2005

Até que enfim!

Aleluia! Alguém teve o mesmo ponto de vista que eu do Batman Begins: Daniel Piza. Aspas para ele.

"Fui ver Batman Begins, de Christopher Nolan, e saí impressionado. Impressionado com a qualidade da produção, cheia de efeitos marcantes, coadjuvantes talentosos e ritmo impecável? Não. Fiquei mais impressionado com a incapacidade dos críticos de cinema que não perceberam que, assim como Homem Aranha 2, o tema desse filme é o 11 de setembro. Lá está o fanático que quer derrubar a torre, a água fazendo a metáfora do petróleo, a cidade que representa orgulho e decadência... Batman diz não querer ser um 'justiceiro' e, com conceitos de auto-ajuda pseudo-oriental como 'Caímos porque é preciso levantar', planeja ser um símbolo, um ideal de justiça, em que 'compaixão não é fraqueza'. Mas não caia nessa idéia de que é outro super-herói 'vulnerável'. Ele liquida o mal como todos os heróis de HQ têm feito desde que existem."

Único comentário: fizeram de Batman nesse filme algo que ele nunca foi, o super-herói do governo, o restaurador da ordem pública. Quem faz isso é o Super-Homem.

Escrito por Rafael | 11:58 AM | Comentários (8)

A dieta do Jaguar

[Ele já tinha dado umas dicas no livro Confesso que Bebi, mas deve ter sido o saco cheio com atitude regulamentadora, invadindo até na comida, que levou o cartunista Jaguar a criar a Dieta jaguar. Fonte: jornal O Dia]

Atkins. South Beach. São as da vez. Há quem só mastigue alimentos vegetais. Vacas também e quanto mais comem mais engordam. Idem para as baleias, que só comem frutos do mar, liberados por todos os endocrinologistas. Tem métodos de emagrecer para todos os gostos, melhor dizendo, todos os desgostos. Conheço gente que só vai à mesa com uma calculadora, para somar as calorias, que tristeza. Passam a vida ora diminuindo ora aumentando de volume, que nem fole. Passe numa livraria na seção de livros de dieta. Poucos mostram fotos dos prósperos autores. No máximo um retratinho 3 x 4, nunca de corpo inteiro. Quem me garante que esses caras que prometem transformar obesas em sílfides não são uns Jôs Soares, que se empanturram enquanto faturam em cima das incautas e famélicas leitoras? Nunca fiz dieta. Minto, sempre fiz – inconscientemente – a dieta Jaguar. Há mais de 40 anos mantenho o mesmo peso: 70 quilos. Ideal para minha altura: 1,72m ( é verdade que perdi em massa muscular o que ganhei em barriga). Se você quer emagrecer, siga a dieta Bangladesh: passe fome até chegar ao peso desejado. Depois, para mantê-lo, siga a dieta Jaguar, que revelo sem fins lucrativos: 8h : 1 xícara de café e 1 fatia de pão com manteiga; 10h30: 1 cachorro-quente e 1 lata de cerveja; 13h: 1 steinhager, 4 chopes e 1 coxinha de galinha no bar da esquina; 15h: em outro bar, o PF do dia. Pode ser bife rolê com arroz, feijão e macarrão (pra arrepiar os bigodes do Zé Hugo Celidônio), 4 ou 5 chopes. Se você estiver na cidade numa quarta-feira, é dia de angu do Gomes no Galeto 183, na Rua Santana, 183, é claro. Feito por Dona Ana, que herdou o segredo do legendário quitute. Para arrematar , cafezinho e chá de urubu (Underberg); 19h: sopa. Sugiro a de ervilha do Bar Redentor (esquina de Pirajá com Redfern) e meia dúzia de chopes. Daí pra frente, só destilados e cerveja. Não como: couvert, doces, frutas e saladas.
Pouco sal. Água, só um copo ao acordar. Bom proveito.

Escrito por Rafael | 08:57 AM | Comentários (4)

junho 29, 2005

Laertón

Não dá para ler essas tiras do mesmo jeito depois de saber disso.

Escrito por Rafael | 02:21 PM | Comentários (9)

Isto É uma enrolação

Após o papelão da Veja ("o papel da grande imprensa é o papelão", O Pasquim), a Isto É também resolveu fazer sua reportagem sobre blogs, sem no entanto dar chamada na capa ou dedicar 6 páginas. Acertaram em diversos pontos, por exemplo ao optar por um contorno -- "esses sites pessoais que no início eram usados como diários" -- ao invés de definir os blogs, ou ao ressaltar seu ponto principal, a "possibilidade inédita e democrática de publicar artigos sem controle algum". Inédita? Talvez o ineditismo não esteja na possibilidade de publicação, mas na capacidade de atingir um contingente de leitores superior ao de fanzines, jornais alternativos, estações de radio amadoras.

Apesar disso, a revista escorrega e cai ao apoiar-se no fato que celebridades e gente famosa estão cada vez mais aderindo aos blogs. O erro ocorre em dois níveis. Primeiro, ao achar que é preciso a chancela de pessoas famosas para respaldar a qualidade de um produto, ainda mais quando se trata de tecnologia. Erram porque não é blog que se fortalece ao ser utilizado por aquelas pessoas, são elas que fortalecem seu marketing pessoal com essa ferramenta -- não fossem todas, no fundo, de segundo escalão: Fernanda Lima, Samara Felippo, Thalma de Freitas e, sobretudo, não fosse a beleza dos blogs exatamente terem dado voz a quem não era famoso, incorporando a impessoalidade e registrando as tendências: a palavra é zeitgeist. O segundo nível está em colocar atenção demais nesse aspecto de divulgação do blog, e esquecer de listar os aspectos jornalísticos, confessionais, informativos, enfim, toda a gama de opções que faz do blog um negócio mais complexo do que um diário de adolescentes turbinado. Nesse segundo nível, justiça seja feita, a bobeada não é tão grande, já que citam os blogs do Noblat (que comparece com uma bela declaração, “Os números [de visitantes no dia do depoimento do Roberto Jefferson] desmoralizam a idéia de que as pessoas não se interessam em ler sobre o que já viram na televisão. Elas querem ver, escutar e ser ouvidas. Querem opinar”) e do Marcelo Tas e, no finalzinho, sinalizam sobre as oportunidades de ganhar dinheiro que um blog permite.

Por fim, a reportagem cai no mesmo atoleiro da Veja ao não dar aspas aos bloguistas brasileiros. Seria muito fácil exercitar a ironia dizendo que a Isto É, descontados os blogs de "gente famosa", citou o dobro de brasileiros que a Veja, ou seja, citou dois: um certo “viciado carioca”, cocainômano que mantém um diário na rede, e o nosso conhecido ALLLex Castro, citado entretanto como "criador do guia de páginas brasileiras SobreSites", não como autor do L3. Em suma, continuam valendo os questionamentos postos anteriormente.

Só mais uma coisinha: a reportagem não se contentou em buscar em celebridades o apoio para o novo fenômeno -- como de costume, foi na academia colher os termos gozados como "universo do outro" ou "revolução anarquicultural", cunhados pelos indefectíveis "psicólogo paulista" e pela "especialista em lingüística da Unicamp"...

Escrito por Rafael | 02:09 PM | Comentários (3)

NY, 1978, 2h17 da madruga

Nova Iorque, segunda metade da década de 1970. Enquanto o Filho de Sam aproveitava um blecaute para barbarizar as ruas, Andy Wharol aderia definitivamente às celebridades (como retratista e como uma), bandas punks mostravam seus alfinetes e tachinhas, grafiteiros como Basquiat e Keith Haring espalhavam rabiscos no metrô e uma campanha tentava resgatar o afeto dos moradores pela cidade -- a das camisetas I <coração> NY --, um monte de gente no desespero típico de fim de século se esbaldava ao som da disco music nos salões do Studio 54 ou do Plato's Retreat. Você viu o filme, leu a respeito, mas nunca acreditava que as coisas fossem daquele jeito (uma dica da Patricia).

Escrito por Rafael | 02:04 PM | Comentários (1)

junho 28, 2005

Traduzindo o financiamento eleitoral

[Encontrei isso n'O Globo e achei supimpa:]

O presidente da Comissão Especial de Reforma Política, Alexandre Cardoso, fez um levantamento sobre as doações nas eleições gerais de 2002. A partir dos dados tirou as seguintes conclusões:

1. As empresas que mais contribuem para financiar campanhas são as que dependem de regulamentação governamental ou de contratos com o governo;

2. Os setores financeiro e da indústria pesada são os que mais doam para candidatos a presidente. O presidente decide sobre marco regulatório, concessão de subsídios e questões macroeconômicas, que são do interesse dos grandes grupos econômicos;

3. As empreiteiras são as que mais ajudam os candidatos a governador. Os governos estaduais realizam mais obras que o federal;

4. Os bancos costumam dar mais dinheiro para as campanhas de senadores. O Senado supervisiona o Banco Central e autoriza empréstimos para entidades do setor público.

Para Cardoso, este modelo é a fonte da corrupção, que seria secada com o financiamento público.

[...Conforme queríamos demonstrar.]

Escrito por Rafael | 02:01 PM | Comentários (4)

Pondo o sal na roda

Outro dia a Daniela Sandler estava aos muxoxos de que não sabia blogar, não conseguia fazer um blog que crescesse risonho e saudável, mas foi só ela parar com a coluna quinzenal e pedir o sal para ninguém mais poder reclamar que a leitura na tela é insossa -- nem um mês de vida e já bolou um questionário de alto coeficiente informativo-infeccioso, o qual respondo agora:

Volume total de arquivos de receitas no seu computador: Para não dizer que é zero, tenho uma receita de Financier num arquivo de Notepad de 60k.

Não podendo sair da escala Celsius, que temperatura quererias ser? Rio 40 graus.

Já alguma vez ficaste perturbado por um brinquedo infantil? Um monte. Praticamente todos os bichos de pelúcia gigantes, sobretudo um urso vermelho.

Quantas peças de roupa cor-de-abóbora você possui? Zero. Agora, laranja, tenho uma ;)

Volume total de mementos inúteis em sua casa: Tirando as duas estantes de livros e quadrinhos, não tem grandes coisas. Uma ou duas gavetas.

Cinco épocas e respectivos lugares que levaria para uma ilha deserta: San Francisco pós-corrida do ouro, a Veneza dos Doges, a Florença dos Médicis, a Roma de Calígula e o Rio de Janeiro circa 1962.

Se você pudesse escolher, que doce gostaria de ser? Tiramisu. Ou um sorvete qualquer.

Qual foi a última coisa em que você pensou antes de ir dormir ontem? No personagem Hugo, do Laerte.

Pessoas para quem vou passar esta corrente: [Repito a resposta dela] Esta é uma corrente democrática. Se você quiser passar, passe. Se quiser responder aqui nos comentários, responda. Se preferir, copie e cole no seu blog e ponha suas respostas lá. Se quiser, esqueça e deixe a corrente afundar no limbo. Senão, divulgue. Ou não.

Escrito por Rafael | 01:56 PM | Comentários (9)

junho 27, 2005

Academia do Cordel

cordel

Só existe uma maneira de identificar o cordel legítimo: é através da análise da ideologia que ele reflete. O poeta popular nordestino é conservador, por excelência. Há que examinar detidamente cada conteúdo dos folhetos, através da linguagem e das idéias que ali transparecem com espontaneidade.
Em geral, o poeta popular nordestino é católico ortodoxo. É amigo do vigário, defendendo-o em todo o sentido. Por sua vez, os padres prestigiam a tarefa dos poetas populares, quando não a exploram. O poeta popular é sempre a favor do governo.

Para quem tem dúvidas: Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Escrito por Rafael | 12:37 PM | Comentários (2)

junho 24, 2005

O PT Genoíno

Cobram-me que eu escreva sobre política, ao invés de ler o Nova Corja e o Martelada.

* * *

Uma pessoa me chamou a atenção, desde que Maurício Marinho apareceu abiscoitando o bolinho de 3 mil reais em horário nobre: José Genoíno. Segundo Roberto Jefferson, ele teria acertado o repasse de 20 milhões de reais para financiamento de campanhas de candidatos do PTB nos estados, dos quais apenas 4 acabaram sendo, efetivamente, transferidos. Genoíno foi acusado ainda de estar "ciente e de acordo" com o esquema do Mensalão, no qual deputados de partidos outros receberiam um estipêndio mensal para votar segundo os interesses do governo. Do José Dirceu pode-se esperar qualquer coisa, tendo ele a vida que teve, mas Genoíno era a própria imagem do político respeitado por aliados e adversários; mais de uma vez vi críticos e humoristas dobrarem a língua na hora de criticarem-no. E agora o Genoíno aparece na televisão como um capo, negando denúncias de corrupção qual mulher de César, a quem não basta ser honesta, precisa parecer honesta.

Jefferson não apresentou provas e elas não surgiram até agora, mas a mera hipótese de que ele esteja dizendo a verdade -- e o clima de caos que se instaura no PT, e o efeito dominó das denúncias nos depoimentos de secretárias, funcionários públicos, deputados -- gabarita Genoíno para disputar a final queima-filme do ano, troféu que vai ser difícil de retirar do Dalai Lama, que ao sugerir um alinhamento político com a China, mandou para o saco uns 40 anos de militância e a simpatia de alguns milhões mundo a fora. José Genoíno queima uns 20 anos de história política pública, incluindo a construção de um partido, e a esperança de algumas dezenas de milhões de brasileiros, o que pode ser pouco para conquistar o troféu -- mas é suficiente para acabar com a imagem ética do PT.

* * *

Para mais informações, entrevista do Gabeira para a Veja.

* * *

Solução? Gisele para presidente!

Escrito por Rafael | 09:06 AM | Comentários (4)

Terrorismo no SoBReCarGa

No SoBReCarGa desta semana, explico um dos motivos, o principal, por que não caí de amores pelo Batman Begins (o outro seria ter feito do Comissário Gordon um banana medroso).
Lá ainda, uma galeria de modelos de Batmóvel.
E o Motoqueiro Fantasma de Nicolas Cage.

Escrito por Rafael | 09:01 AM | Comentários (1)

Copa Dobrábil

É impressão minha ou os queixumes tricolores são os mesmos dos flamenguistas no ano passado, quando foram desautorizados exatamente por esses mesmos tricolores?

Escrito por Rafael | 08:57 AM | Comentários (2)

junho 23, 2005

Bah que lugar trimmassa

Histórico
Nos últimos tempos, acompanhei pelo menos duas invasões gaúchas: a primeira, há 15 anos, da turma da DumDum -- Jaca, Fabio Zimbres, Adão, Gilmar etc. --; a segunda, há cinco anos, da patota do CardosOnline, ainda relativamente coesa e próxima. Se somarmos gente como Otto Guerra e Jorge Furtado, desde sempre envolvidos com audio-visual, e mais meia-dúzia de escritores conhecidos nacionalmente, a impressão rápida que se forma é a de que sempre tem um gaúcho por perto, batendo ponto. O que há naquela terra para gerar talentos continuamente, sobretudo exportáveis, a despeito do conhecido caráter insular? Por que não aproveitar a visita a um velho amigo que, há longa data, mudara-se para lá, para investigar respostas?

In loco
Desembarquei no último feriadão preparado para pegar entre 15 e 20 graus C, mas os recepcionistas encasacados em lã, couro e náilon me deixaram na dúvida se eu tinha subestimado o frio -- ou se todo mundo ali era desesperado, mesmo. Acabei descobrindo que a segunda opção era a mais correta; duas semanas antes, baixara uma frente fria na região que, supostamente, inaugurara o inverno, mesmo que ainda fosse o meio termo doo outono. E ninguém mais esperou aviso nenhum. Gatos escaldados e encasacados.

Primeiras impressões do ponto de vista carioca
As distâncias são menores, anda-se meia dúzia de quadras no centro da cidade para o lado e já se trocou de bairro. Quase me perguntei se não valeria ena juntar uns 3 sob um nome só, mas não insisti na idéia de jerico. Qualquer um que leu sobre conflitos entre etnias e reinos medievais sabe o quanto significa, para os descendentes, afirmar aquela bandeira, aquele pedaço de terra, como seu torrão. Não seria diferente no Rio Grande do Sul, com sua história de Farrapos e separatismo.

Aliás
Não é difícil entender esse espírito separtista, uma vez que se colocam os pés lá. Uma terra razoavelmente distante dos grandes centros, com formação étnica particular -- atenção: pouco miscigenada, ao contrário do mito brasileiro -- um dos poucos pedaços do Brasil onde os recursos naturais incomodam (apesar das margens do Guaíba serem um espaço lógico e convidativo para a ocupação), tudo isso soma-se para construir uma identidade de orgulho e isolamento muito pessoais, aqui e ali com rasgos de radicalidade, expressos, por exemplo, nos altos índices de mortes em decorrência de discussões no trânsito.
Ainda sobre esse negócio de raça, não se encontram muitos mulatos nas ruas da cidade, apesar de sempre se esbarrar num negro. Não deveria ser surpesa; tentei enumerar os negros gaúchos notórios e não consegui encher mais do que a mão esquerda do Lula: Alceu Collares, Lupicínio Rodrigues, Ronaldinho Gaúcho, Daiane dos Santos -- se tirarmos os atletas, fica ainda pior. Não, não adianta dizer que, no resto do Brasil, também há poucos negros famosos; são muitos.

Aliás II
O Guaíba não é um rio propriamente dito, é um estuário. Esse é um dos muitos mal-entendidos da cidade. Outro: não existe Rua da Praia, e não adianta procurar; placa, você só vai encontrar uma, perto do seu comecinho, onde tudo fica explicado: Rua dos Andradas, antiga Rua da Praia (os Andradas em questão sendo aqueles mesmo, José Bonifácio e o outro).
Descobri isso por mera curiosidade, folheando um livro que, se não tivesse título tão pitoresco, eu provavelmente não teria aberto: Nós, os Gaúchos, na livraria do Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS), onde tinha um texto de cada escritor gaúcho conhecido e mais um de um monte que eu nunca tinha ouvido falar. Corri os olhos pelo do Veríssimo, onde ele se dedicava a desfazer esses mal entendidos, e escapei de pagar mico perguntando na rua, ou pior, rodando pela cidade que nem barata tonta. Bem que eu não tinha encontrado no mapa que me deram a tal Rua da Praia...

Documento! Identidade!
Por mais pitoresco que seja encontrar um livro com aquele título -- você não encontra um Nós os Amazoninos em Manaus, nem um Nós os Alagoanos em Maceió, muito menos um Nós os Paulistanos na Augusta -- raramente o orgulho bairrista gaúcho sai do tom. Uma delas se deu quando encontrei, numa seção intitulada "O Som Daqui" em uma loja de discos, um CD da Elis Regina. É mais ou menos como encontrar o último disco do Sérgio Mendes na prateleira do samba carioca das Lojas Americanas. Menos, turma, menos. Talvez o mais interessante seja notar como esse orgulho não tem vergonha de dizer o próprio nome. Parágrafo novo para explicar.
Encontram-se pela cidade (no Parque da Redenção, aliás Parque Farroupilha: olha mais um mal-entendido) estátuas, todas elas muito similares, sempre do mesmo sujeito: poncho, calças largas, botas com esporas, bigodão nietzschiano, semblante de Dunga partindo para a dividida -- não adianta procurar saber quem é. Na placa que porventura lhe identifique, estará escrito apenas "O Gaúcho", numa evidente prova de anti-personalismo, de fé na identidade coletiva, na força de uma... etnia. O mais bacana é constatar como se preserva essa identidade entusiasmadamente, mesmo que isso implique em tomar chimarrão quente debaixo de sol, domingo de manhã, enquanto se passeia no Brique da Redenção (a feira hippie dominical de lá -- paulistanos, leiam: feira da Benedito Calixto), em geral em casais: ela leva a cuia com erva; ele, um garrafão térmico com água quente. E se ri de quem vai de frango com farofa para a praia!

Símiles
Embora a comparação com a feira hippie de Ipanema tenha sido automática, há que se ter cuidado em estabelecer analogias do Rio com Porto Alegre. Para começo de conversa, a distinção entre cidade "de mar" e cidade "de rio". Os símiles mais corretos vão se encontrar em Buenos Aires e São Paulo; da primeira, um ar meio europeu em certos prédios e ruas, incluindo a baixa densidade populacional e os tipos que ali circulam, além do desenho urbano arborizado, convidativo para passear; da segunda, um certo jeito cosmopolita, a seriedade profissional, a busca de uma sofisticação em padrões importados que recai, sem fazer força, no ridículo. Por exemplo, é muito mais correto dizer que o bairro de Moinhos de Vento lembra a Recoleta do que o Leblon, ou que determinada rua comercial é "a Oscar Freire daqui" a compará-la com, bem, sei lá o que é a Oscar Freire do Rio. Não tem uma.
Reconfortantemente, Porto Alegre parece dispensar o que há de pior em cada uma delas: a desumanização das massas sem rosto e o atroz encanto de ser argentino.

Tem mais
Outros motivos por que a vida cotidiana lá atrai? É difícil, praticamente impossível, identificar onde está o centro da cidade. Não tem Bolsa de Valores, não tem um centro financeiro, o fórum e órgãos de justiça ficam espalhados a caminho da zona sul -- tudo isso contribui para evitar o adensamento de pessoas num só lugar, diminuindo as pressões por transporte público de massa e engarrafamentos humanos. Na maior parte dos bairros residenciais, não existe o paredão de prédios que tampa a vista do céu: respeita-se um gabarito que garante um vão entre duas construções, preservando o espaço para a vista descansar. Claro que isso só é possível graças à ausência de pressões demográficas, representadas por crescimento e taxa de imigração quase nulos; fica mais fácil projetar e prover quando se sabe para quantos vai ser. Com menos prédios e menos gente, o trânsito tem menos engarrafamentos e flui melhor -- não lembro de demorar mais de 10 minutos para ir de um canto para outro qualquer na cidade, incluindo aeroporto e estádios de futebol -- os shoppings ficam menos muvucados e privilegia-se o convívio humano, ilustrado em inesperados traços de gentileza e bom humor, a despeito da grossura que atribui-se aos gaúchos. E se lhe falta o mar, não falta um horizonte de água que alivie a impressão de selva de concreto, inevitável em qualquer cidade moderna. Somando tudo, Proto Alegre pareceu-me, para usar um termo ora em voga, "blindada" contra boa parte do stress que já se incorporou ao modo de vida de urbes caóticas. E quando se a visita é que se percebe que não, não precisava ter incorporado assim.

CCs
Quem se sente meio culpado porque no Rio qualquer sobrado reformado vira centro cultural, vai encucar menos quando visitar Porto Alegre. Caminhando pela 7 de Setembro, enfileram-se, além do MARGS, o Memorial do Rio Grande do Sul, a Casa de Cultura Mário Quintana (uma das referências literárias inescapáveis da cidade, ora completando 100 anos de nascimento. A outra é Érico Veríssimo), o Santander Cultural -- esse é o próprio Centro Cultural do Banco do Brasil, sem tirar nem pôr (uma das poucas analogias que funciona). Uma velha agência bancária em lindo prédio, totalmente reformado para abrigar exposições de artes plásticas, um pequeno cinema e um teatro de bolso. A descrição serve perfeitamente para os dois -- e no finalzinho da linha, já de frente para o mar, quer dizer, para o "horizonte de água", a Usina do Gasômetro. Sem falar em lugares menores, como o Museu do Trabalho, ou mais específicos, como o Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS.
Apenas me pergunto se existe atividade cultural e público tanto para preencher quanto para consumir essas atrações, ou se é sempre a mesma turminha que, um bocado à base de incentivos fiscais e dinheiro público, mimetiza a vida desses lugares, tal e qual numa certa cidadezinha que eu conheço bem.

Tragos
No sábado, Mojo -- mais do que tatuagens ou ludismo capilar, o que o distingue é que ele se refere assim a si mesmo, pelo nickname, o que denuncia, no mínimo, suas horas gastas de internet --, Fabíola e Cardoso -- sim!, ele existe e ao vivo não é um sujeito superativo ou ansioso, como eu imaginava a partir dos textos. O resto, a barba ruiva, altura de vara-pau, é igual nas fotos -- gentilmente me levaram para um bar da Cidade Baixa (para cariocas: Santa Teresa, para paulistas: Vila Madalena), aproveitando para celebrar o aniversário do Cardoso. Acabamos praticando bar crawl, encontrando Sabrina e uma amiga em outro lugar, com direito a GBRL, Mojo, um sujeito cujo nome não sei até agora, dono de um dos e o dono de um dos apelidos mais contrangedores que já vi, cujo nome até agora ignoro, Suruba ("Tem uma suruba querendo falar com você", dizia minha mãe às gargalhadas com o telefone, me contou Fabíola), e Elvis tentaram a toda força me convencer a torcer pelo Grêmio.
O histórico não ajudava muito; eu nutria uma simpatia pelo Internacional desde 87, quando perdeu o título para o Flamengo, e por ter revelado craques como Falcão e Carpegiani. Já o Grêmio, para cada Renato e Ronaldinho gaúchos revelados, trouxe dez Emersons, vinte Anderson Polgas, mil Felipões. Todos eles campeões da Libertadores, do Mundo, o que complicava a escolha: um time que se orgulha do futebol força, futebol de resultados (antológica primeira frase de Eduardo "Peninha" Bueno para o livro sobre o Grêmio: "Futebol arte, todo mundo sabe, é coisa de viado"), campeão do mundo e rebaixado à segunda divisão.
Acabei, mineiramente, não tomando partido, ou antes, deixando para tomar em situação mais apropriada. Pellizzari (eu me sinto mais confortável chamando-o assim) não engoliu minha admiração pelo Zico, mas como eu também não entendi sua -- dele, não do Zico -- afirmação de não compreender o que levava alguém a ir à praia. Empatamos em incompreensão. Fiquei com a impressão que as festas desse pessoal devem ser bem animadas, o que estranhamente vai contra a fama de gente ali em não sair muito de casa. Mulher bonita não deve faltar, para animá-las. Falando nelas:

Mamãe eu quero
Em Porto Alegre realizei um antigo sonho de estar num lugar que só tinha mulher bonita. Sem exagero. O que teve o indesejado efeito colateral da angústia em imaginar se eu não tinha nascido no lugar errado, se toda minha vida até aquele momento não fora um grande, irreversível e redondo erro. Um terrível engano.
Desencanei ao ver que até o pessoal da terra se espanta com isso. A mim, supreendeu a profusão de narizes bündchenianos, provando irrefutavelmente minha velha tese de que uma mulher nariguda também pode ser bonita. E no desespero buscar defesas para recompor o equilíbrio psíquico, só consegui lembrar de uma citação de Roberto Drummond sobre as paulistanas, totalmente aplicável às gaúchas, vai de memória: "é verdade que elas são mais elegantes e bem vestidas do que as cariocas, mas esse é o problema: elas estão vestidas".

Em suma
Não é uma cidade bonita como o Rio, mas como é bem freqüentada...

Escrito por Rafael | 08:53 AM | Comentários (3)

junho 21, 2005

No outono, o céu do Rio fica de um azul assim:

outono rio/2005.jpeg


outono/2005

Fotos: O Globo

Escrito por Rafael | 10:39 AM | Comentários (4)

1º E ÚNICO SALÃO DE HUMOR ENGRAÇADO

[Arnaldo, Leonardo e Allan mandam avisar: abertas as inscrições para o primeiro e único salão do humor engraçado. Divulgo abaixo.]

HUMOR ENGRAÇADO: PLEONASMO OU CONTRADIÇÃO EM TERMOS?

Salões de Humor geralmente premiam lindos desenhos em aquarela que mostram não uma piada, mas um "conceito". Exemplo, o cara decide fazer um cartum sobre a crise mundial de abastecimento de água. Aí, desenha o planeta terra em tom de marrom, completamente seco, sem o azul que denota o oceano. E desenha uma última gota, no lugar onde ficaria o "olho do mundo" se houvesse um rosto desenhado na sua superfície redonda - para representar uma lágrima. Lindo, edificante, denunciador, 10 mil reais em prêmios. Mas que porra?!

Por isso a F. está lançando o I Salão de Humor Engraçado. O que parece um pleonasmo é uma declaração de princípios: aqui não vai ter frescura (tanto que o prêmio será em cerveja Itaipava). Nenhum tema é proibido (pedofilia, câncer, Chico Caruso), nenhum tipo de técnica será recusada (petróleo sobre tela, cuspe sobre acrílico, porra sobre peitos), nenhum estilo de desenho será desclassificatório (bonequinho de pau, figuras geométricas falantes). O negócio é ser engraçado.

Teve a história daquele moleque que viu a abóbada da Capela Sistina e achou engraçadíssimo, porque captou a referência a E.T.. Aqui não vai ter essa: ninguém vai rir na hora errada. Mandem ver.

OBJETIVO:
Rir de algumas piadas REALMENTE engraçadas, mesmo que elas tenham sido desenhadas num guardanapo ou papel higiênico.

CATEGORIAS:
- Cartum
- Charge
- Tiras
- Quadrinhos (até 3 páginas)
- Texto (até duas laudas)

REGRAS:
- Qualquer pessoa pode se inscrever mandando seu trabalho até 30
de setembro de 2005 para o e-mail humor.engracado@gmail.com.
- Não há limites de desenhos ou textos por participante.
- Cada arquivo deve pesar no máximo 300 Kb.
- Tem que ser engraçado.

SELEÇÃO
- Serão selecionados os 3 melhores de cada categoria e reproduzidos a partir do dia 10 de outubro no site da revista F.

PREMIAÇÃO
- O primeiro colocado de cada categoria ganhará uma assinatura vitalícia da revista F + duas caixas de cerveja + troféu + desenho publicado na F..
- O segundo colocado de cada categoria ganhará uma caixa de cerveja + desenho publicado na F.
- O terceiro colocado de cada categoria terá seu desenho publicado na F.
- Os troféus serão entregues na festa de encerramento do 1º e Único Salão de Humor Engraçado, em data e local a serem divulgados.

JÚRI
- O júri é composto pelos editores, donos, chefes, etc da revista F: os renomados cartunistas Arnaldo Branco, Leonardo Rodrigues e Allan Sieber.
- A decisão do júri é irrevogável.

[Comentário único: as viúvas do Mau Humor agora podem se regozijar com as atualizações que o Arnaldo Branco está mandando para o blog da F., atenção: mais notícias do que cartuns. E adivinhem quem eles entrevistaram para o número 3? Diogo Mainardi, agora de verdade, não uma das EntRevistas em Quadrinhos.]

Escrito por Rafael | 10:27 AM | Comentários (2)

Condessa se revirou

A decadência do Jornal do Brasil (comparando-se com o que esse diário foi entre as décadas de 60 e 80) é clara há quase uma década, mas nos últimos anos -- leia-se, desde que Nelson Tanure assumiu a empresa --nem se esconde mais. Agora, a histórica proprietária Condessa Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro cansou de revirar no túmulo e convocou antigos colaboradores para contar o que está acontecendo: Dr. Brito, João Saldanha, Carlos Castello Branco. Entre outras revelações, o motivo da tomada de Constantinopla do Caderno B pela turma do Ziraldo.

Escrito por Rafael | 10:19 AM | Comentários (0)

junho 19, 2005

30

E uma estranha e agradável sensação chegar lá.

De presente de aniversário eu quero aprender a voar com a Intrépida Trupe e inventar música com o Uakti.

Escrito por Rafael | 06:03 PM | Comentários (12)

junho 16, 2005

Bloomsday no Odisséia

Molly Bloom e Stephen Dedalus na área: hoje é dia de Bloomsday no Odisséia Literária.
E também é dia de lançamento da nova tradução de Ulisses, no Travessão. E eu aqui, que ainda nem cheguei no meio de Dublinenses, haha...

Escrito por Rafael | 09:04 AM | Comentários (2)

Dândis

Última edição da revista Argumento, publicação bimensal da livraria homônima -- que alguma boa alma teve a fineza de me enviar, seja-lhe o destino generoso -- parece editada de bandeja para os Wunderblogs. Por que? Ora, porque é uma edição temática sobre dândis, com direito a Antônio Callado na capa, que para Nelson Rodrigues era o único britânico nascido no Brasil (ou coisa assim). Tem mais: Ruy Castro escrevendo sobre lugares onde se pode flanar, Sergio Augusto recordando o lado gourmet de Cole Porter num inesquecível jantar, Heloísa Seixas contando o melhor encontro com Bobby Short que nunca houve, João do Rio protestando contra impostos, excerto de Baudelaire definindo o que seria um dândide em Sobre a Modernidade, Aubrey Beardsley respondendo a críticos, trecho de Oscar Wilde em A Alma do Homem sob o Socialismo, palhinha de de Barbey d'Aurevilly em As Diabólicas, Roberto Marinho de Azevedo perfilando o Beau Brummel, François Simon descrevendo o Hôtel de Crillon -- e ainda: Sílio Boccanera conversando com Richard Dawkins, ilustrações de Eduardo Felipe, cartuns de Jaguar e poesia de Mário de Sá-Carneiro, enfim, uma delícia de se ler. Acho que só dá para conseguir pedindo para a própria livraria; eu prometo que empresto o meu.
(Dêem uma olhada também nas sugestões...)

Escrito por Rafael | 08:56 AM | Comentários (1)

A Sabedoria ancestral das modelos

Olha, eu nunca senti preconceito. Se me chamaram de burra, eu nunca ouvi. Agora, de linda é o tempo todo. (Ana Beatriz Barros)

Escrito por Rafael | 08:53 AM | Comentários (0)

junho 15, 2005

Esses gaúchos são uns neuróticos!

Teve um momento, no final de 2002, em que a melhor coisa que saía em blogs não era um blog, era a caixa de comentários do Mario AV. Ele chegou a parar de adicionar entradas numa semana, só para ficar dando corda nos comentários. Eu não acho que eles sejam a melhor coisa de um blog, mas reconheço que só a criação colaborativa consegue gerar o que se vê lá no Hermano.

Por exemplo, em DA INGRATIDÃO, resenha sobre o filme Monster, Hermano refere-se a Christina Ricci assim: "tem outra lindinha, famosa por ter feito Wednesday Adams...", desencadeando o seguinte:

Eu não entendo isso de achar a Quarta-feira bonita. Não entendo.
Rafael Lima em 14.06.2005 às 10:43

Testão desde piá. E agora PEITÃO.
Hermano em 14.06.2005 às 12:03

eu comeria
Luzia em 14.06.2005 às 13:20

É que tu gosta de PRAIA e CRÔNICA, Rafael. E do ZICO.

Christina Ricci vive no topo do meu altar.
Mojo em 14.06.2005 às 13:54

asahagdhasgdhsgh
Hermano em 14.06.2005 às 14:26

Sim, Rafael sou eu mesmo, Mojo é o Mojo e, em GÊNIO, MAIS UMA VEZ, daniel galera é o Galera. Contexto: Hermano comenta um recorte de texto do Alexandre Soares Silva dizendo que "poderia ter sido escrito por mim, se eu escrevesse. O fato é que ele tem uns 15 ou 20 anos mais que eu e isso é reconfortante."

11.
Mojo em 13.06.2005 às 17:24

Preciso correr então.
Hermano em 13.06.2005 às 17:55

Engraçado. Quando li o post do ASS, achei algumas coisas meio parecidas com certos trechos do livro que eu tou escrevendo. O livro se chama provisoriamente "Hermano" porque uma vez eu brinquei que seria uma biografia tua e acabei mantendo o título só pela piada. Agora tu me diz que o post do ASS podia ser escrito por ti.

Hm.

Será que eu estou DE FATO ESCREVENDO A BIOGRAFIA DE HERMANO BRANDES DE FREITAS?
daniel galera em 13.06.2005 às 21:14

Acho que precisamos conversar, Daniel. Royalties, essas coisas. :)
Hermano em 13.06.2005 às 21:22

Royalties nada. Totalmente aleatório. Se a tua vida for igual ao meu livro FICCIONAL, azar o teu :)
daniel galera em 13.06.2005 às 22:03

Olha que te processo. ;)
Hermano em 13.06.2005 às 22:30

Na sua lista tem alguém cujo nome comece com C?
La Carmencita em 14.06.2005 às 00:28

Não entendi.
Hermano em 14.06.2005 às 00:31

Ah, entendi. Na verdade, eu tinha mesmo uma namoradinha chamada Carmen. Foi a primeira. Mas eu tinha vergonha porque ela era GORDA. E ela não ajudava muito, porque me batia.
Hermano em 14.06.2005 às 02:19

Esses gaúchos são uns neuróticos.

Escrito por Rafael | 11:53 AM | Comentários (1)

Fique uma camiseta mais rico!

o que tem no logotipo do insanus?

Gabriel Pillar pergunta: que desenho é esse no logotipo do Insanus? A resposta mais criativa enviada para eutambemquerouma@insanus.org leva uma camiseta.

Escrito por Rafael | 11:48 AM | Comentários (0)

Casa dos Pilões e Aqueduto da Levada

Na comemoração de quase 200 anos -- faltam três -- do Jardim Botânico, duas construções antigas foram restauradas. A Casa dos Pilões, onde a água do rio que desce por ali era utilizada para movimentar rodas que acionavam pilões, que por sua vez esmagavam e misturavam a pólvora usada para conter as revoltas populares, nem estava tão degradada assim, mas do Aqueduto da Levada eu não tinha ouvido falar. É uma ótima oportunidade para apreciar o agradável contraste entre as retas e curvas da arquitetura clássica em meio à mais exuberante natureza, contraste que também pode ser conferido no aqueduto da Ilha Grande. E uma prova que o Jardim Botânico é muito mais do que as palmeiras imperiais e vitórias-régias presentes em todas as reportagens preguiçosas para a tv.

Escrito por Rafael | 11:45 AM | Comentários (0)

junho 14, 2005

Uns avisos

Hoje é dia internacional dos bloguistas.
Mais importante é lembrar dos 50 anos do Auto da Compadecida, e da republicação de A Pedra do Reino -- já cheguei na metade. Ariano promete livro novo ainda esse ano.

Escrito por Rafael | 12:25 PM | Comentários (1)

Lugares que morrem e que abrem

Já tem vários meses, e ninguém mencionou o fechamento do Ballroom. Vai ver que o que dizem é verdade; blogueiro não sai, e quando sai, só se encontra em lugares onde dê para tirar foto com a câmera digital.

Todo mundo falava mal do Ballroom -- da acústica, do espaço, da decoração --, todo mundo assistiu pelo menos um show marcante por lá. De minha parte, contabilizo: Mestre Ambrósio, Masters of Groove, Tom Zé, Ratos de Porão, Karnak, Orquestra Imperial, Celebrare, Lia de Itamaracá e Dona Selma do Côco. Entre outros. Ballroom era forró nas quartas (ou nas quintas?), Orquestra Imperial nas segundas, Celebrare no sábado (ou era sexta? Não, era sábado), rock algumas terças e, domingo, o dia mais vazio. Relativamente perto do que a imprensa rapidamente batizou de Baixo Humaitá (imprensa não vive sem um baixo...): o mata-fome da Fornalha, os bares ao ar livre da Cobal, a locadora Cavídeo etc. E claro, o cachorro-quente da corrocinha que aparecia em 10 de cada 9 reportagens sobre roubo da rede elétrica nos telejornais, o "gato" mais famoso da cidade.

Me peguei pensando no Ballroom, em lugares que morrem e que abrem. Antes, o que ocupava aquele logradouro era uma casa singelamente chamada Sambão e Sinhá, restaurante típico com show de música e mulatas, de propriedade do Sargentelli (ou era do Ivon Cury?). Ninguém imaginava que desse para alguma coisa quando começaram a colocar música no Ballroom. Mas deu, e eu sei de pelo menos duas pessoas que conheceram suas talvez -- não arrisco nessas coisas -- futuras esposas por lá. Will Eisner fez o comentário definitivo sobre prédios que morrem em O Edifício, mesmo que se derrubem as estruturas, não é possível remover os destroços psíquicos de quem uma vez ocupou o local. Conta-se que Eisner marcava seus encontros em NY em esquinas onde, em alguma época de sua juventude, havia prédios que serviam como referência. Ele ficava procurando no nada suas lembranças de concreto.

Andei lembrando -- faz muito tempo que me dei conta -- nessas coisas quando soube que um antigo cinema pornô que existia na praia de Botafogo foi comprado e reformado e transformado num Unibanco Arteplex. O nome não me era estranho: onde o piercing encontra o bigode, foi o que se disse quando o, o que?, complexo?, abriu em São Paulo (no Rio, clubber sai da rave cedo para não perder a praia no dia seguinte; esse tipo de distinção não serve). Em suma, mais um curral com pipoca, este com os agravantes da pretensão artística e de outra, o que?, coleção de salas de cinema duas quadras para o lado e uns dez andares para cima, no que o vulgo apropriadamente apelidou de Botafogo Escada Shopping. Cumpre lembrar que as 3 salas do Espaço Unibanco também foram erguidas sobre um cinema pornô desativado, ao que parece existiam em profusão naquele bairro.

Esses movimentos de demolição e reconstrução urbanas são naturais, sobretudo em lugares onde a atividade econômica é mais viva; bairros esvaziados por causa da violência são revitalizados, décadas depois; Eisner conta isso com maestria em Dropsie Avenue. Mas dói perceber que cada vez mais a cidade vai ficando parecida com um hipermercado, onde enfileram-se prateleiras para se procurar o que se quer.

Escrito por Rafael | 12:18 PM | Comentários (4)

junho 13, 2005

Para não dizerem que não falei do Dia dos Namorados...

flower thrower, de bansky
Lançador de flores, stencil de Banksy (aquele street-artist que deu uma banana para a posteridade e pendurou, ele mesmo, seus quadros num museu)

Escrito por Rafael | 02:27 PM | Comentários (1)

O amor, o algo mais e a alegria

Ingrediente indispensável na minha receita de felicidade eterna consiste em assistir, uma vez por ano, a um show de Jorge Benjor. Se possível, em multidão. Sábado passado, na praia de Copacabana, cumpri minha cota de 2005. Salve simpatia.

Escrito por Rafael | 02:25 PM | Comentários (2)

Quem disse essa frase?

Sempre invejei os surfistas de ondas grandes, se existe uma elite na face da terra devem ser esses caras.

a) Kelly Slater
b) Evandro Mesquita
c) Allan Sieber
d) Millôr Fernandes
e) Léo Jaime

Para descobrir a resposta, veja no dia 23 de maio daqui.

Escrito por Rafael | 09:13 AM | Comentários (2)

Tudo blue no SoBReCarGa

No SoBReCarGa desde sexta-feira passada, resenha de Aquablue, a investida européia da Ediouro no mercado de quadrinhos.
É a primeira resenha que faço para o SoBReCarGa de um quadrinho que não me tocou sensivelmente, ruim isso de escrever sobre o que não se curte, e ao mesmo tempo um dos exercícios de redação dos mais interessantes.
Crítica da crítica. Agora essa.

Escrito por Rafael | 09:07 AM | Comentários (0)

junho 10, 2005

Pin-ups de Manara, ou: pretexto para exibir desenho de mulher nua

pin ups de Milo Manara

Brincadeira que eu não faço há tempos por aqui: adivinhar quem são as figuras da foto ou desenho. No caso em questão, trata-se duma homenagem do desenhista italiano Milo Manara à famosas tetéias dos quadrinhos. Não vou prometer prêmio para o vencedor até porque só identifiquei 3 das 5. Alguém ajuda?

Escrito por Rafael | 02:58 PM | Comentários (6)

junho 09, 2005

Meeeeeeeeeeeeestre!

Quando eu estou mal humorado, penso nas folias dele no carnaval de Recife e passa, rapidinho.

Escrito por Rafael | 11:01 AM | Comentários (1)

9 de junho: boas novas

Hoje é aniversário de seu Noronha e Elesbão. Parabéns aos dois! Constatei pelo Orkut: como tem geminiano fazendo blogue!

Boas novas: Bruno Garschagen manda avisar que tem artigo dele na EntreLivros que está ora nas bancas e Daniela Sandler pede o sal.

Escrito por Rafael | 10:55 AM | Comentários (2)

junho 07, 2005

Blog é coisa séria. Já a Veja...

Atrasado mais de uma semana, não vou perder a chance de comentar a reportagem -- com direito a chamada na capa, pois não -- da Veja sobre blogues. Há dois erros de ponto de vista fundamentais na abordagem adotada. Primeiro, acreditar que os blogues ganharam relevância apenas ao encarnarem o papel de "arma dos dissidentes políticos" e fonte de informação "estratégica" para as empresas. Segundo, por ter se valido apenas de exemplos estadunidenses no levantamento dos fatos; os únicos brasileiros citados foram o Alexandre Soares Silva, além de dois colunistas políticos de um jornal carioca, péssimos exemplos aliás, porque sua relevância jornalística não foi nem depreciada, nem melhorada por causa dos blogues -- e desses três, apenas o endereço do primeiro foi dado.

O primeiro erro é conseqüência daquela miopia que só vê valor no que consegue medir: quando blogueiros começaram a cobrir a reeleição de Bush ("apoiaram candidaturas, trouxeram à luz notícias quentes"), interferindo, talvez, na opinião pública, ficou fácil perceber onde essa ferramentinha poderia influir no mundo dos negócios -- só que isso acontecia desde antes, desde que as correntes de diálogo se estabeleceram entre os escritores de blogues, comentando qualidades de serviços e produtos, de maneira quase imperceptível, mas clara o suficiente para que Hernani Dimantas ficasse insistindo com aquele papo de "escovar os mercados".

O segundo erro é crasso quando se descobre que a blogosfera brasileira já tem história e relevo o suficiente para gerar uma reportagem própria: por que não falar da denúncia de plágio a Ruy Barbosa Afonso Arinos (valeu, Inagaki!)no discurso de renúncia de ACM, denunciada pelo Catarro Verde; pelos processos movidos contra o Cocadaboa (pela Coca-Cola) e Amarula com Sucrilhos (pelo licor de marula); da chegada dos Wunderblogs ao livro, pela Barracuda, ao invés de ficar tagarelando que "profissionais como o americano Steve Rubel monitoram a internet para saber o que os blogueiros estão dizendo sobre seus clientes" ou que "a General Motors mantém páginas do gênero para estreitar o relacionamento com os clientes", como se os exemplos estrangeiros fossem mais maduros do que os brasileiros? Por que não focar a experiência brasileira, que fez uma brilhante transposição do Blogger, lembrando que o Blogger Brasil quando foi lançado era, na verdade, um upgrade do Blogger, ou notar que existe um sistema nacional que mede a popularidade das informações em blogs, o Toplinks, a exemplo dos citados Technorati e o Memeorandum, e do esquecido Blogdex? Por que não entrevistar gente que conhece o meio há mais tempo e por dentro, como o próprio Hernani, o Hiro ou o Bernardo? Mas como se sabe, o Brasil fica muito, muito longe.

A reportagem em si nem é mal escrita nem mal estruturada, mas escorrega fatalmente aqui e ali -- a primeira vez é logo na abertura, ao usar o aposto "diários da internet" atrelado a blogues. Tendo uma chance de explicar de maneira mais inteligente o que é a ferramenta -- por que até agora ninguém fez analogia com a seção Tempo Real ou Último Segundo dos jornais on-line? -- escolhe por recair no famigerado lugar comum dos diários, uma comparação tão limitada quando a que vê na tela do monitor uma versão virtual da mesa de trabalho (desktop). Que eu saiba, estuda-se McLuhan na faculdade de jornalismo exatamente para entender a diferença entre os meios de comunicação, e não para achar que a internet é uma versão turbinada de jornais, rádios e televisões. Não é, por causa dos hyperlinks e da interatividade; o mais espantoso é que esses dois são citados no texto, mas sua importância não parece ter sido notada. E além de escorregar, entrega-se a platitudes que não chegam a lugar nenhum, como "desde que surgiu, a internet foi saudada como a ferramenta ideal para que qualquer um pudesse divulgar suas idéias", "'Blog é, antes de tudo, atitude' [sic] ", resume o executivo Marcello Póvoa" ou a simplificações incorretas, como atribuir a invenção dos blogues a Evan Williams e Jason Shellen, que apenas criaram uma ferramenta de atualização instantânea de páginas na internet absurdamente popular, o Blogger, mas não inventaram o conceito de forma alguma -- É como dizer que Sílvio Santos inventou a televisão no Brasil -- ou assumir que "cada texto postado num blogue vem acompanhado de uma janela para que os leitores façam comentários", esquecendo que muitos dos melhores blogues em atividade não tinham ou não tem janela de comentários. Mesmo a afirmação de que um traço comum "entre os blogueiros que se destacam é a ânsia em falar e ser ouvido" é questionável, tem muita gente que se contenta em falar sozinho na maioria do tempo, ou para meia dúzia de amigos próximos.

Mesmo que vez por outra o jornalista consiga dar uma bola dentro, como na distinção entre linkers e thinkers (ainda que esqueça de dizer que não, não são complementares), o tom geral é de último-a-saber-das-coisas, que só presta atenção quando elas invadem o mundo corporativo, normalmente já assimiladas, típico da Veja -- que falta faz a crítica semanal no Mario AV nessas horas. Ao menos, o autor reconhece uma área onde os blogues estão fazendo a diferença: fiscalização da imprensa. A reportagem da Veja está aqui, e você aprende como acessá-la aqui.

Escrito por Rafael | 03:14 PM | Comentários (12)

Paris em fotos

Duas exposições trazendo Paris para mais perto do Rio: na Casa França-Brasil, Paris em foco traz dezenas de fotos sobre a cidade, desde a invenção da fotografia no raiar do século XX até protestos de rua no século XXI. Tem Brassaï, Klein, Doisneau e tem Cartier-Bresson, mas se você curte Cartier-Bresson mesmo, a exposição a ser vista fica ali do lado, no Centro Cultural dos Correios -- retrospectiva com mais de 150 imagens de Henri Cartir-Bresson dos quatro cantos do mundo, incluindo o manjado pulinho sobre a poça e uma série de outras que fazem parte vocabulário visual do século XX. Desconfio que o Nemo viu exatamente essa em Porto Alegre.

Escrito por Rafael | 10:00 AM | Comentários (0)

junho 06, 2005

ENFIM, CHEGOU!!!

eisner & miller

Mal acredito que esperei um ano por ele, meio tempo no qual a primeira metade veio a falecer. 350 páginas de papo entre Will Eisner e Frank Miller, entremeadas por reproduções de originais. Sai da frente. Amostrinha para dar água na boca.

Escrito por Rafael | 11:06 AM | Comentários (1)

Pulga atrás da orelha

Você sabe diferenciar um programador de computadores de um assassino serial? Não vá tomar o Filho de Sam pelo inventor do COBOL...

Escrito por Rafael | 11:03 AM | Comentários (0)

Me dá um dinheiro aí

É muito bom quando eu encontro por aí alguém que tenha escrito exatamente o que eu pretendia. Sobre isso aqui, foi o Mercuccio.

Aproveitando a wunder-carona, cito mozart:
Se você der o azar de cair num blog político ou informativo, foge. Reseta na hora. Aperta o botão cinco vezes, que nem elevador, pra não ficar nada na memória, pra não se contaminar.

Escrito por Rafael | 11:00 AM | Comentários (0)

junho 03, 2005

As incríveis aventuras de Rafael no País da Intolerância, parte 386

Ela: Olha, eu trouxe esse mapa aqui para te mostrar, andar por Paris é muito fácil.
Eu: Sem um mapa, não é tão fácil assim.
Ela: Você tem que andar, você vai adorar andar pela cidade!
Eu: Mas aproveita para usar o metrô, porque tem estação para todo lado.
Ela: Tudo lá é pertinho, dá para fazer tudo a pé!
Eu: Ei, nem tudo é tão pertinho assim.
Ela: É sim! Eu cansei de andar de casa até o curso, eu ia daqui até aqui [mostrando no mapa].
Eu: Mas isso é muito! É como ir da Glória até Copacabana à pé!
Namorado dela, atravessando: Eu perdi quatro quilos na viagem, de tanto que a gente andou.
Ela: Não é! Você vai se deslumbrar e vai querer fazer tudo à pé!
Eu: Mas tem certas coisas que não dá para fazer à pé! Por exemplo, você não vai querer subir a escadaria da Sacre-Coeur à pé!
Ela: Não, isso não! Mas o melhor que tem para fazer lá é andar a pé. Você só vai pegar o metrô para ir do aeroporto para a cidade. [Explicando sobre o mapa] Olha só, você tem que pegar esse trem azul aqui para chegar na cidade, depois você faz uma baldeação nessa estação de cá e pega essa linha até esse ponto. Mas atenção, viu, porque tem que ser nessa direção!, se não você vai para o outro lado.
Eu: Peraí, mas isso não precisa explicar. É que nem aqui no Rio, ou você vai para zona norte ou para zona sul. Tem que ser muito mané para errar.
Ela: Dá licença, tá?! Eu errei, da primeira vez.
Eu: POR ISSO é que andava tanto à pé!!!!!!!!!!

Escrito por Rafael | 11:23 AM | Comentários (5)

Reforma universitária

Ram comentou as mudanças na proposta da reforma universitária, e é sintomático que ele tenha comemorado o afundamento de todas as alterações antes sugeridas: a reserva de 50% das vagas para alunos da rede pública, que deveria começar a partir do ano que vem, ganhou prazo de 10 anos ("provavelmente não vai dar em nada"); fim da aprovação de projetos de Física Quântica pelos conselhos comunitários, que passam a assumir "caráter consultivo, seja lá o que isso quer dizer"; mesmo a oferta de um terço dos cursos em período noturno pelas universidades públicas, por mais que ele a tenha recebido bem, reconhece que dependerá de fatores outros como a contratação de professores em tempo parcial e a pacificação do campus -- assunto particularmente delicado se tomarmos como exemplo a Ilha do Fundão, onde ficam, entre outros, os cursos de Física, Medicina, Engenharia, Biologia, Química, Arquitetura, Informática e Letras da UFRJ: há 15 anos, o principal incômodo eram os cadáveres desovados no perímetro da Ilha, vizinha da Vila do João; hoje em dia, é moeda corrente que universitários têm desistido de estudar lá por causa dos tiroteios que acontecem periodicamente nas vias expressas Amarela e Vermelha. Como atrair alunos para um curso de 20h às 22h, três vezes por semana, num lugar assim?

Assim, a reforma universitária vai perdendo fôlego e sentido. Se foi baseada nos princípios corretos de inclusão e universalização do ensino, funcionando como fator de ascenção social -- ainda é possível encontrar alunos lá na UFRJ com nível educacional superior ao de seus pais -- teve a aplicação totalmente comprometida pela perda de foco, que é a excelência na pesquisa e no ensino. Não há sentido em prover educação a todos se o que se transmite não diferencia o diplomado do analfabeto. Esse erro já acontece em nível primário e secundário, onde reduções de exigência aprovam analfabetos funcionais no fim do ano, aumentando artificialmente os indicadores de educação. Que isso não se repita no nível universitário; se a geração que hoje conta mais de 40 anos e pôde optar pelo estudo particular foi a última que se beneficiou da educação pública em nível básico de qualidade, a que se forma no raiar do século XXI corre o sério risco de ser a última a gozar da universidade pública de qualidade.

Escrito por Rafael | 11:11 AM | Comentários (3)

junho 02, 2005

Zenith no SoBReCarGa

Zenith, de Grant Morrison, no SoBReCarGa dessa semana. Uma coluna que era para ter entrado há 3 semanas e, por diversos motivos, furou.

Escrito por Rafael | 01:21 PM | Comentários (1)

Publicações das .GOV

Uma das ofertas de quem se dispôs a ir na Bienal foram os catálogos da da Biblioteca do Exército, do IBGE, do Centro de Documentação da Marinha e da editora do Senado -- aquilo que a turma de 20 e poucos chama genericamente de "as ponto gov". Ao contrário do que possa parecer numa olhada rápida, as publicações não se restringem a tecnicidades enfadonhas ou utilidades específicas demais para atingirem o leitor. Pelo menos alguém no Jornal do Brasil sacou que isso daria uma boa matéria.

Uma listinha do que se pode achar só na editora do Senado: Minha Formação, de Joaquim Nabuco; Um paraíso perdido - ensaios amazônicos, de Euclides da Cunha; De Profecia e Inquisição, do Padre Antônio Vieira (será que é nesse que ele diz que os índios não têm alma?); Por que construí Brasília, de Juscelino Kubitschek; O Rio de Janeiro do meu tempo, de Luís Edmundo; Segunda viagem a São Paulo, de Saint-Hillaire; Viagem do Rio de Janeiro a morro velho, de Richard Burton; As Aventuras de Nhõ-Quim e Zé Caipora, Os primeiros quadrinhos brasileiros, de Ângelo Agostini. Sem dúvida um destino bem mais interessante para as verbas do que os cutos de gabinete do Sarney (que, a propósito, tem um livro publicado por essa editora...)

Os endereços virtuais estão na reportagem do JotaBê; a editora do Senado fica aqui.

Escrito por Rafael | 12:52 PM | Comentários (0)

junho 01, 2005

70 anos de Penguin

Para comemorar o aniversário, a editora lançou uma coleção inédita de 70 edições com a marca do pingüim.

Escrito por Rafael | 01:41 PM | Comentários (1)

Esse cara não é um Garganta

It would be terrible. This would completely undermine the reputation that you might have as a loyal, logical employee of the FBI. It just wouldn't fit at all.

That's not my view at all. It would be contrary to my responsibility as a loyal employee of the FBI to leak information.

Enfim revelado, em artigo da Vanity Fair: "I'm the guy they used to call Deep Throat."
Os repórteres do Washington Post, Woodward & Bernstein, confirmaram a informação, e o jornal preparou uma edição completa.

Bônus: relato de como Bob Woodward conheceu Deep Throat.

Escrito por Rafael | 01:34 PM | Comentários (0)