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agosto 29, 2005
Jingobéu
"Eu também faço filosofia de banheiro, mas ao menos me limpo depois" --Ram Rajagopal
Escrito por Rafael | 08:50 AM | Comentários (1)
agosto 26, 2005
Batman, Novo Testamento
Na coluna do SoBReCarGa dessa semana, meus comentários da "edição definitiva" da Panini para Batman: Ano Um.
Escrito por Rafael | 02:19 PM | Comentários (0)
agosto 25, 2005
Primeira Igreja do Monstro de Espaguete Voador

Escrito por Rafael | 06:12 PM | Comentários (43)
Confie em mim
Tinha um professor meu que adorava destacar o fato de que a cadeira de Ética Profissional era eletiva -- fazia quem tivesse a fim.
Diogo Mainardi poderia ser o professor de Ética Jornalística.
Escrito por Rafael | 06:08 PM | Comentários (1)
The whole point of going to the cinema
A couple in front of me, standing backs to the stage, chatted away as if they were just standing in the street. The hall hummed with background chatter. Around me, those that weren't talking were texting.
No doubt many of you are already saying, so what? What does he expect from attending such low-culture events? It is true that the book on etiquette at rock concerts has yet to be written, and when it is, it will be short. However, take it from me, whatever else they did, punk crowds at least paid attention when I first started going out.
The modern audience is a disgrace. Hecklers attack comedians on the Fringe, which on reflection is probably a good thing, but even in the posh theatre, people have to be reminded to turn off their phones and stop talking. [...] It does take some dedication to chat to your mates when you are all stood next to a huge bank of speakers.
It is also virtually impossible to attend the cinema in peace any more. The multiplex is pretty much a no-go area for film lovers, although it's great if you are looking for somewhere to let your kids run riot for a few hours, or if you want to sit in a group talking while loudly crunching crisps, nachos and popcorn.
Even the art house is not immune. On one recent trip to the Glasgow Film Theatre I sat next to a woman whose mobile went off. She frantically scrabbled in her bag and produced the phone.
[...]
Most people these days appear to have no idea about how you are supposed to behave in a public space. People attending the cinema seem to view it as an extension of their front room. Used to sitting there watching films on television or DVD, and commenting on the action as they go along, they find it impossible not to continue this trait when in the cinema as well. The rock gig, meanwhile, has just become an extension of the pub. You stand in a noisy crowded bar and talk to your mates. You pay £15 to go into a gig and stand and shout at your mates in a bigger bar that is just a bit noisier because some blokes are thrashing guitars on stage.
But it is more than just bad manners. The modern audience's lack of respect for what is placed before them demonstrates that many people have no understanding of what art is for, even the supposedly low-brow arts of popular music and cinema that, while often more subtle than high-brows allow, usually do have some instant appeal.
The whole point of going to the cinema is to gawp in awed silence at the 40ft-tall projected visions before you, to lose yourself in the wraparound images of the silver screen. The whole point of being in a concert hall, whether listening to Mogwai or Mozart, is to let the soundwaves wash over you and transport you to a different place.
All the chatterers and the texters and the mobile phoners want to do is anchor themselves in the here and now, the everyday, the ordinary. They don't want to go elsewhere with the artist. They want to stick with their mates. Of course, part of the point of going to any event, a concert or a film, is to be able to say: "I was there." There is just no need to say it while you still are.
[...]
It is hard to know what to do. People pay their money, and then inflict their choice to talk on others [...]
Pelo visto, a Carta Aberta aos Cinemas de São Paulo também poderia ter sido direcionada para a Inglaterra. Aliás: alguém sabe de algum onde não? Topa ir pra lá?
Escrito por Rafael | 06:03 PM | Comentários (0)
agosto 24, 2005
3 anos e 1 semana
Com um pouquinho de atraso, registram-se os 3 anos de existência desse blog. Para comemorar, resgato uma das melhores coisas que escrevi em parceria, na verdade um diálogo que travei nnuma seção de comentários de uma página da internet (ô dificuldade para definir um gênero literário). Simplesmente fomos deixando que o assunto se desenrolasse de forma espontânea, eu diria até natural. É exatamente isso o que filisteus chamam de open source, copyleft, criação cooperativa -- o que não significa que qualquer um vá "agregar valor" ao meter seu bedelho: por exemplo, nós interrompemos o papo quando uma terceira parte entrou. O contexto foi o seguinte: alguém disparou uma observação sobre a maneira como os chineses haviam sido definidos em festas de final de ano:
Enquanto é irresistível, para um ocidental, sucumbir à euforia, ao impulso da horda, à ansiedade da contagem regressiva - enquanto até o mais frio de nós, submetido à combinação de música, fogos de artifício, contornos de calcinhas aparecendo sob vestidos brancos, champanhe e dezenas de outros fatores, às quinze para a meia-noite começa a abrir a guarda e, quando percebe, já está abraçando todo mundo e terminando de cantar o verso "muito dinheiro no bolso" -, os chineses não estão nem aí: apenas continuam fazendo seu trabalho, calmamente, como toda noite.
Identificá-los não é fácil, mesmo durante o réveillon - eles parecem invisíveis, eles trouxeram consigo, intacta, a discrição do Extremo Oriente. [...] O verdadeiro chinês é o que não dá a mínima - ou acha uma bobagem, uma perfeita infantilidade que aquela gente toda se emocione com uma simples virada convencional no conta-giros do Ocidente. Ele nem consulta o relógio para saber se já é mais de meia-noite. Quando está sozinho, na ronda policial ou na portaria do prédio, mas o barulho dos fogos de artifício é alto demais para ser ignorado, ele vê tudo aquilo com o sentimento de superioridade característico dos iniciados, conhecedores exclusivos dos verdadeiros marcos da passagem do tempo.
Daí para diante foi a troca de bola que se segue, identificada somente por Lá e Cá, para não perder a atenção na tabelinha:
Cá
Você falou dos "chineses", "os que não estão nem aí", e dos que "odeiam estar ali naquela noite e prefeririam participar da festa". Mas quem me impressiona mesmo são aqueles que mesmo vestidos de branco, embebedados e no meio da euforia, ainda estão à parte do que acontece ao redor. É mole de ver: são aqueles que, numa foto, saem apenas com um sorrisinho malandro -- ao invés do esgar de felicidade geral.
Lá
Não tenho certeza, mas essas pessoas devem ser dayaks de Bornéu, ou qualquer coisa assim. Nas ocasiões em que posar para fotos é quase inevitável, como numa festa, elas se escondem por trás daqueles sorrisos irônicos, como se dissessem "ei, este aqui não sou eu, não", para evitar que suas verdadeiras almas sejam roubadas pela máquina fotográfica. Aliás, minha aversão à idéia de ser fotografado é tão grande que estou tentando ingressar nessa tribo. O único problema é que a disciplina necessária é muito rígida e não admite distrações nem mesmo na euforia de um réveillon.
Cá
Que disciplina que nada! Os dayaks reagem instintivamente às câmeras com o sorriso "eu não estou aqui". Eles só ficam arredios quando são fotografados à revelia, porque convidados a posar, até se oferecem para a fila da frente. Ao invés de dayaks, talvez sejam algum tipo de caçadores de papparazzi, não sei. Recomendo que o teste dos sapos para ver o que dá.
Lá
Sejam quem for os caçadores de papparazzi, existe uma tribo dissidente (dayaks de Bornéu do B?) que me impressiona mais ainda: aqueles sujeitos que, além do sorriso irônico, ainda posam fazendo chifrinho na pessoa que estiver do lado. Suspeito que são criaturas ainda mais primitivas, como os almas da Mongólia ou os nguoi rung do Vietnã, disfarçadas e infiltradas entre nós - sei lá para quê. Se você tiver alguma foto dessas pessoas, entre em contato imediatamente com um especialista: pode ser a chave para a descoberta do elo perdido. Do Chaka procurado há tantos anos.
Cá
Pois eu sempre achei que os almas da Mongólia na verdade tinham e' alma de mongolóide para ficar fazendo chifrinho nos outros. Chifres estes que podem muito bem ser reinterpretados como uma tendência oculta para o licantropismo, o que só reforça a tese do elo perdido. Elo este que um certo anão, ou elfo, dizem, vive correndo atrás. Alias, segundo a lenda o tal elo estava mais para chocalho do que para elo, por isso o nome, Chaka Chaka Nabutchaka, ou, para os iniciados & íntimos, Cha-Cha-Cha.
Lá
Pára de misturar os assuntos! Isto aqui é uma discussão séria! Todo mundo sabe que o chocalho perdido na verdade é o twist, e não o cha-cha-cha. Sempre que vejo aquelas fotos, tenho a certeza de que o pé-grande (o sujeito que aparece fazendo chifrinho) sai para dançar twist, mambo e calipso toda sexta-feira à noite ("meu apelido era pé-de-valsa", ele adora contar). Aliás, parece que foi ele quem popularizou no Ocidente, ou pelo menos em São Paulo, o videokê - um segredo milenar das sociedades esotéricas da Mongólia. Os iniciados se reuniam uma vez por ano (a senha era exatamente um chifre) para disputar o Grande Torneio de Videokê e ouvir, com profunda reverência, os últimos lançamentos Seta Chantecler (em LP e K7). Até o dia em que resolveram tomar o poder mundial.
Cá
Curioso, eu não sempre achei que o videokê tinha se disseminado em São Paulo por uma influência direta do Oriente, por isso a imensa quantidade de orientais que lá se encontram, especialmente no bairro da Liberdade... Falando nisso, será que você conseguiria me explicar a diferença entre um coreano, um japonês e um chinês? Durante aquele período de maior carga lá no Afeganistão me disseram que era a mesma que existia entre um palestino, um árabe e um muçulmano. Mas, voltando ao assunto, que isso aqui é uma discussão séria, eu reconheço que tinha me confundido. E' lógico que o pé grande adorava dançar mambo, e não cha-cha-cha. Inclusive de vez em quando ele enchia o saco da banda para tocar um pouco, e a única maneira dos músicos se livrarem dele era acertando um chute nas partes. Agora você já sabe qual a origem daqueles "Uh!" ao fim de cada estrofe de qualquer mambo...
Lá
A diferença é étnica: os coreanos são originários do Bom Retiro, os japoneses, da Liberdade, e os chineses, sei lá (como se deduz do artigo, os chineses são muito misteriosos). Sobre a origem do "Uh!", há apenas um detalhe a corrigir, em nome da exatidão científica: o chute não era nas "partes", e sim nas "pudendas". E foi por causa disso que o Abominável passou a ter medo de gente e foi se esconder em lugares inóspitos - como, por exemplo, o Butantã, onde até hoje é possível encontrar várias gerações de pés-grandes vivendo num conjunto habitacional conhecido como "USP".
Cá
Agora sim. Acho que os chineses ainda são nômades, e fundam tribos por onde quer que passem, se alimentando nos restaurantes à quilo orientais e vendendo aquelas canetinhas com laser, o que de imediato os alinha aos almas da Mongólia na capacidade de chatear os outros. Acho ainda que os músicos de mambo do Bailão da saudade poderiam ter sido mais tolerantes com o Pé Grande, assim evitariam sua disseminação pelo Butantã, aí em Sampa, ou em Santa Teresa, aqui no Rio -- e a consequente ruína dos chineses vendedores de tesourinhas de unha e de cabelo. Opa! É uma tese que se anuncia: o medo de gente que o Abominável passou a ter foi a causa do regresso dos chineses ao nomadismo. Por essa nem o Hobsbawn esperava!
Ali
Depois que os "pé-grande" se espalharam por centros urbanos como Rio e São Paulo, envergonhados de andarem descalços, começaram a comprar sapatos. Foi aí que surgiu o que chamamos de "sapatão". Como vocês podem notar, o lesbianismo não passa de uma invenção dos Dayaks de Bornéu do B.
Lá
Entrou japonês no samba...
Lá
Ou chinês na rumba, ou tailandês no mambo, ou nepalês no twist, ou indonésio na chorinho, agora eu não sei mais nada...
Cá
Pô! Esses caras nem bem acenam de lado, entram logo de cara na roda de capoeira... Quantas vezes eu vou ter que repetir: o samba não se aprende na escola. Por essas e por outras que nêgo metia o pé no Pé Grande.
Lá
Você expôs seu raciocínio com perfeita clareza, mas acho que ainda falta alguma coisa, que eu ainda não sei bem o que é, na conexão tesourinhas-Abominável-nomadismo-Hobsbawn-capoeira. Saio, pois, outra vez em busca do elo perdido. Onde estará?
Cá
Como você teve a gentileza de me explicar a diferença étnica entre coreanos, japoneses e chineses, eu retribuo aqui com o elo perdido do raciocínio: assustados com os maus tratos impostos pelos músicos de mambo, os Pé-Grandes se disseminaram por lugares tão estranhos como Butantã e Santa Teresa. Por serem criaturas pouco afeitas à prática diária do banho e peludas, não compravam aquelas tesourinhas dobráveis - principal fonte de renda dos chineses (junto das canetinhas laser), o que quase os levou à ruína. Para escapar da falência econômica, os chineses se tornaram, então, nômades mascates, procurando atingir um público consumidor maior. Ou seja, os hábitos anti-sociais dos Abomináveis foram, em última análise, os causadores do nomadismo chinês. Q.E.D.
Ali
Não é justo culpar apenas os Pé-Grandes pelo nomadismo chinês, embora certamente eles sejam os únicos responsáveis pela proliferação de taxidermistas caolhos no Turcomenistão. A verdade é que os Pi-Grandes, os terríveis homens-número que são uma constante em nossas cidades, ao repudiarem o uso de calculadoras da Casio, contribuíram mais do que os Pé-Grandes para a falência financeira e o consequente vôo do povo chinês. Mais difícil de explicar seriam as causas do normandismo chinês e sua influência no dia D. Deixo pra depois.
Cá
Não dá para acompanhar seu papo, não. Você fala umas coisas muito difíceis. Muito complicadas.
Escrito por Rafael | 08:33 AM | Comentários (0)
agosto 22, 2005
O pente de todas as torcidas!

Escrito por Rafael | 08:54 AM | Comentários (1)
agosto 21, 2005
FCLG
Funk Como Le Gusta é a exata tradução do que Claudio Reston entende por um belo chacundum.
Escrito por Rafael | 05:55 PM | Comentários (0)
agosto 19, 2005
Só o Pateta

Escrito por Rafael | 02:34 PM | Comentários (2)
Te cuida, Beiçola
Ninguém vai falar na maldição do parente coadjuvante da Grande Família? Primeiro, Rogério Cardoso, e agora, o Francisco Milani. Algum ator ainda se habilita a encarar um papel de apoio?
Escrito por Rafael | 01:31 PM | Comentários (1)
agosto 18, 2005
O último Eisner
A última obra que Will Eisner publicou em vida foi editada no Brasil pela Cia das Letras e se chama Fagin, o Judeu. É sua versão para a vida desse personagem coadjuvante de Oliver Twist, de Charles Dickens, e tema da minha coluna dessa semana no SoBReCarGa.
(Postumamente, Eisner teve The Plot publicada)
Escrito por Rafael | 12:18 PM | Comentários (0)
agosto 17, 2005
Castro Maya
Raymundo Ottoni Castro Maya é daqueles homens públicos que de vez em quando aparecem no Brasil e só não ficam mais desconhecidos porque até para esquecer sua memória os governantes são incompetentes. E quando falo em homem público, ressalte-se que o único cargo público ocupado por ele foi a convite do prefeito do Rio de Janeiro, Henrique
Dodsworth, para remodelagem da Floresta da Tijuca, com salário simbólico. Faz sentido.
Herdeiro rico nascido em Paris, industrial bem sucedido, Maya ocupou sua solteirice fazendo edições numeradas de clássicos brasileiros ilustradas por artistas do modernismo, colecionando obras de arte, difundindo o gosto pela gravura, fundando o Museu de Arte Moderna e a Fundação Castro Maya, administradora dos museus em que foram convertidas suas propriedades após sua morte.
Visitei o Museu da Chácara do Céu, aliás sua antiga residência, num dos últimos finais de semana, com minha mãe. Num ponto privilegiado de Santa Teresa, que por si só já era um bairro privilegiado (desde a bela época, escolhido pela nobreza para construir seus refúgios; o de Laurinda Santos Lobo ficava ali perto), Castro Maya ergueu uma casa de 3 andares em arquitetura modernista com direito a elevador interno e jardim com laguinho, para desfrutar a vista da cidade. Hoje, nem o acúmulo de fiações elétricas ou barracos de alvenaria consegue conspurcar a paisagem; há 40 anos, a vista da janela do quarto de hóspedes devia ser algo próximo de Quaresmeiras Roxas.
Nos aposentos internos, misturam-se, atenção!, com harmonia, porcelanas da Cia das Índias com monogramas, tapetes persas, candelabros franceses, gravuras de Portinari, Debret e Seurat, óleos de Picasso, Dali, Taunay, Di Cavalcanti, Guignard e Pancetti, entre outros, encadernações de couro de edições originais de Machado de Assis a Oscar Wilde, esculturas de Mestre Vitalino, móveis de jacarandá e a brisa amena de Santa Teresa. Antes de chegar no terceiro andar, a pergunta que paira é: de onde esse homem saiu?, porque precisamos mais deles. Tem mais, sim, no Museu do Açude, que fica dentro da Floresta da Tijuca.
Então já sabe: próximo amigo meu de fora do Rio que estiver por aqui vai ganhar um passeio até o Museu da Chácara do Céu. Os daqui eu nem falo nada, porque conhecer um lugar desses já é obrigação.
Escrito por Rafael | 04:28 PM | Comentários (1)
3 rápidas
1. Apesar da palidez dos resultados -- foi preciso um escândalo político para começarem a ler o Jorge Bastos Moreno. E para ele começar a escrever periodicamente, aliás -- O GlobOnLine decidiu inaugurar mais um blog para gente da equipe interna, chamado Front do Rio. Chamou minha atenção porque o Rio sempre foi assunto por aqui, de certa forma estão fazendo o que eu gostaria. Vamos ver se Arnaldo Bloch (ótimo texto) e Tartaglia fazem de lá o painel que a cidade merece.
Atualização: descobri que tem também um blog sobre quadrinhos, Gibizada. Eu não tenho nada a ver com isso.
2. Já tomou cerveja em latinha? Já te encheram o saco dizendo que tinha micróbio na borda? Leia essa reportagem sobre a bancada de deputados que quer transformar o lacre de papel alumínio em lei. Quando quer, No Mínimo faz.
3. "Não fique chateado com teu filho, mostre a ele meu exemplo. Eu mesmo já larguei várias vezes." (Maradona, para Pelé)
Escrito por Rafael | 04:17 PM | Comentários (0)
Eisner e Miller
Eu tinha certeza que Eisner/Miller seria uma leitura e tanto, mas ainda assim estou me surpreendente. Ver os dois cobras falando de gente que ajudou a fundar o meio dos quadrinhos, como Bob Kane ou Bill Krigstein é encantador, sobretudo pelos detalhes que aparecem. Neal Adams, por quem eu já tinha admiração artística, emerge como bastião na defesa dos direitos dos desenhistas, bandeira encampada e conquistada pela geração de Frank Miller. Jack Kirby, apesar de toda bravura e talento, aparece com tintas de covardia por ter demorado a sair do esquema Marvel-DC e fazer valer seus direitos, morreu sem ter escrito o livro em que reivindicava ser tão criador quanto Stan Lee (Excelsior, My Ass). Mas é ao lê-los falando sobre a sensualidade do pincel e os segredos da técnica aguada que o livro se justifica. Ou quando Will Eisner confessa que Jerry Siegel e Joe Shuster um dia apareceram no estúdio dele, tentando vender duas criações, as quais ele recusou alegando que geria um estúdio de quadrinhos, não era um editor de histórias prontas.
Uma delas chamava-se Spy. A outra, Superman.
Escrito por Rafael | 04:05 PM | Comentários (0)
agosto 16, 2005
M473M471C0
4S V3235 3U 4C0RD0 M310 M473M471C0.
D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0
3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05,
C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.
540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...
QU1N23 PR45 0NZ3...
7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...
M45 L060 C410 N4 R34L
3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505
H1NDU-4R481C05
Aviso: não fui eu quem bolou os versos acima, não. Só recebi e publiquei.
Escrito por Rafael | 02:39 PM | Comentários (4)
agosto 12, 2005
Saci albino e Cia, de Daniel Pellizzari

Escrito por Rafael | 05:20 PM | Comentários (0)
Editores em guerra

Na minha coluna do SoBReCarGa dessa semana, algumas observações acerca do livro A Guerra dos Gibis, de Gonçalo Junior -- a melhor reportagem histórica sobre histórias em quadrinhos já feita no Brasil.
Não posso deixar de aproveitar a deixa para falar sobre a melancolia do estado atual da EBAL, em São Cristóvão. O que mais doí não é vê-la abandonada, mas esquecida. Poucos são os que conhecem ou sabem do trabalho pioneiro e insistente de Adolfo Aizen, muitas vezes mais cuidadoso do que as matrizes estrangeiras: instituiu o uso do dicionário Aurélio nas traduções e usou letras de máquina nas legendas e balões, em tentativas de melhorar a "respeitabilidade" das revistas em quadrinhos que publicava.
Visitei a sede da editora em 1991, já fechada e meio empoeriada, ainda ostentando originais de aguadas das Edições Maravilhosas, diplomas e cartas, além de uma ampliação da primeira tira de Flash Gordon ocupando toda uma parede. Na saída, um sonho de criança: um supermercado completo -- caixas registradoras, prateleiras, araras -- só de gibis. O clima de decadência definitivamente não combinava com o local. Em algum lugar lá em casa guardo a edição especial comemorativa em que o Príncipe Valente aparecia com o rosto de Aizen. Não haveria homenagem melhor.
Escrito por Rafael | 02:48 PM | Comentários (3)
Das páginas para a tela
Nelson, respondo sua pergunta com um silogismo:
1. Eu não gosto dos quadrinhos de Sin City. 2. O filme é extremamente fiel aos quadrinhos. 3. Logo, eu não curti o filme.
Meu problema com Sin City (a história em quadrinhos) é que ela é, em termos de narrativa, menos bem resolvida do que outros trabalhos de Frank Miller, particularmente o que ele fez para o Demolidor e o Cavaleiro das Trevas. Nesses dois, o uso de elementos do policial, do roman noir, foram empregados de forma inovadora e flexível (nos quadrinhos): voz narrativa em off, personagens durões, humor negro, diálogos cortantes e, do ponto de vista gráfico, vastas áreas em preto. Miller juntou a isso planos cinematográficos e um talento especial para diagramar a página, e voilá, um novo e revigorante estilo de fazer quadrinhos surgiu nos anos 80.
Quando vieram os anos 90, foi como se ele tivesse destilado as impurezas e ficado apenas com as novidades, porém com uma diferença essencial: o ritmo narrativo evoluiu para incluir inflências do mangá e européias, e o resultado foi a perda de fluência (em troca de belíssimos painéis, ocupando maior espaço). Colocando de maneira bem
simples, é como se fosse um mangá em ritmo de policial com desenho europeu, feito por um norte-americano.
No filme, isso funciona da seguinte maneira: extensa narrativa em off num fio de roteiro para costurar violência e diálogos cortantes -- se o espectador não prestar atenção, nem vai notar um subtexto de honra em todas as histórias, por baixo das manchas de sangue branco e preto. Aliás, esta estilização acabou sendo o que mais me atraiu no filme: não há outro que faça algo nesse nível; os irmãos Coen e Tim Burton usam a caricatura, humor e elementos grotescos, mas são realistas perto do claro-escuro de Sin City. Definiram, cada um, sua estética. Warren Beatty teve uma experiência interessante em Dick Tracy, reduzindo todas as cores a um único tom, como se estivéssemos lendo uma página de jornal impressa, e despiu carros e garrafas de rótulos, mas o resultado ficou artificial. Sin City não; deixa o espectador familiarizado com aquele estranho universo universo onde todos os homens são toscos, e todas as mulheres são damas.
Escrito por Rafael | 02:09 PM | Comentários (0)
agosto 10, 2005
Mario Sérgio Conti
Talvez possa parecer, pelas críticas sistemáticas à imprensa, que eu não acredito que haja nada mais interessante na mídia escrita atualmente. Mentira. Existem meios e jornalistas que não deixo de ler, e existe até aqueles que leio independente do assunto, apenas pelo prazer que o próprio texto bem construído traz. Nesse quesito, ninguém supera a coluna semanal de Mario Sergio Conti em No Mínimo, a qual já perdi as contas desde quando acompanho.
Não recordo também quando registrei em definitivo seu nome. Se foi por conta do lançamento de Notícias do Planalto, quando da troca de correspondências aberta com Ivan Lessa ou na época em que foi guindado a editor do JotaBê, cargo que abandonou para tornar-se correspondente em Paris.
O que lembro, isso sim, foi a ansiedade com que aguardei sua reportagem sobre a recente estadia de Lula em Paris, menos ácida do que esperava, mas quem na imprensa, hoje, constrói um parágrafo assim:
Os presidentes finalmente aparecem. Falam lá as coisas deles. Duas baianas, Lucicleide e Rosemary, em trajes típicos, são chamadas ao palco. Amarram fitinhas do Senhor do Bonfim nos pulsos presidenciais. As imagens dos noticiários da televisão e as fotos dos jornais do dia estão garantidas.
Depois ele emendou a mais contundente análise da crise política por que o Brasil passa e, como se fosse pouco, escreveu uma crônica comovente sobre sua filha para marcar a despedida francesa.
Enquanto eu ainda me perguntava como seu humor reagiria na volta, eis que ele pinta um assustador retrato de São Paulo, comentado pelo Daniel Galera -- praticamente só salva as lojas de sucos da cidade. Que vai ser sua casamata daqui pra frente, nesse momento tão delicado.
Ainda na série: textos tão bem escritos que dão vontade de ler, independente do assunto.
Escrito por Rafael | 09:00 AM | Comentários (4)
agosto 09, 2005
Conversando com o coelhinho
-- Qual é o frequentador indispensável para o sucesso de uma casa noturna?
R: A noite é uma química, uma mistura. Você tem que ter o boêmio, o habitué, o que frequenta no dia-a-dia. Tem que ter a mulher bonita, para encher os olhos e dar a fantasia. Tem que ter a pessoa de sucesso, o artista, o cantor, a filha do governador -- para dar o ti-ti-ti global. Depois, sim, vem o empresário, para pagar um pouco toda essa festa. Alguém tem que tomar um Dom Perignon!, para justificar duas mesas que estão tomando M. Chandon! (risos) É preciso também a chamada inteligentsia, o pessoal do bom papo, para homogeneizar essa coisa toda dentro de uma mesma conversa. Político também tem que ter, e quando eu digo político quero dizer do governo; traz sempre a segurança de estarmos oficializados na fantasia noturna. É claro que as doses dessa mistura variam de noite para noite. Mas mulher bonita tem que ter, atrás dela vem tudo. Se não tiver mulher bonita, doutor, esquece.
Ricardo Amaral em entrevista para a Playboy, 1983. Uma declaração histórica, evidentemente; não há mais noite requintada, por fútil que fosse, para comportar a tal casa noturna. Talvez não haja, no Rio de Janeiro de hoje, nenhum lugar onde se barra um frequentador por estar de tênis ou sem paletó -- e isso é mais sintoma de uma esculhambação generalizada do que da vitória da informalidade tropical sobre o dressing code. Mas não era sobre a noite que eu queria falar.
Era sobre a entrevista em si: tem uma edição especial aí pelas bancas com "as melhores entrevistas de 30 anos" da versão nacional Playboy, onde ela merecia entrar. Pelo menos no lugar da Patrícia Pillar ou da Maitê Proença, que destilam pós-feminismo poucas páginas depois de Nelson Rodrigues dizer que Betty Friedan deveria ser posta para puxar carroça. Além dele, tem uma impublicável e insuperável com Tim Maia, feita por Ruy Castro, que também comparece na de Tom Jobim e Paulo César Caju, essa quase um arquétipo das perguntas que se faz a jogador-de-futebol-que-venceu-na-vida -- e das respostas que se quer dele. Tem uma tradição dessas entrevistas, a melhor das últimas sendo a do Vampeta. Muhammad Ali e João Saldanha são ótimos opinadores, mas aparecem em momentos muito específicos, no auge do discurso separatista e à luz da Copa de 78, respectivamente. Henfil e uma mesa redonda com Jaguar, Ziraldo e Ivan Lessa retraçam perfeitamente a história do Pasquim, e ainda tem as boçalidades do Tarantino, Marlon Brando, Henry Miller, FHC candidato, Lula operário, etc.
Tudo isso para perguntar o seguinte: ninguém me arruma um convite para uma dessas comemorações dos 30 anos de Playboy no Brasil? Com um pouquinho de força eu posso entrar na turma do "pessoal do bom papo" de quem o Ricardo Amaral falou...
Escrito por Rafael | 12:45 PM | Comentários (5)
Esclarecimentos
Millôr Fernandes tem uma foto ao lado de Mário Lago,os dois conversando, de pé, numa biblioteca, hilariantemente legendada: "em rara chance de prestar esclarecimentos políticos a Mário Lago", haja vista a folha de serviços prestados pelo decano e notório comuna.
Lembrei dessa legenda (mais do que da foto) ao ver que ninguém registrou uma conversa que eu tive com o Alllex na despedida dele. O assunto é o que menos importa; eu a legendaria, facilmente, assim: "rara chance de prestar esclarecimentos sexuais a Alex Castro".
Dá até uma série: "rara chance de prestar esclarecimentos literários a Alexandre Soares Silva" (os dois num bar, tulipa de chopp, eu sem camisa, cabelo molhado de quem veio da praia). "Rara chance de prestar esclarecimentos humorísticos a Fabio Danesi Rossi". E assim por diante. Hohoho.
Menos, Rafael. Menos.
Escrito por Rafael | 12:27 PM | Comentários (2)
agosto 04, 2005
Paitrocínio
Se é que eu entendi direito, uma empresa de telefonia escolheu para garoto-propaganda da campanha do dia dos pais um músico que já foi detido por apologia às drogas, muito premiado por seu último CD, no qual canta em dupla com o próprio filho a música dedicada a ele. O mote da campanha é "pais, conversem mais com seus filhos, nem que seja pelo celular".
O que leva uma das maiores empresas do mercado, patrocinadora de vários eventos musicais na cidade, a associar sua marca assim? Será que o melhor exemplo atual de boa relação entre pais e filhos, que possa servir de parâmetro, é o do Marcelo D2? Ou isso é apenas uma prova da completa confusão de valores? Ao invés de se buscar o amadurecimento dos filhos, tornando-os mais parecidos com os pais, parece que se está procurando fazer os pais mais parecidos com os filhos.
Quando a rebeldia contra o que é antigo e estabelecido deixa de ser mal vista e passa a ser promovida na televisão, premiada em concurso e até patrocinada pelo governo, é sinal de que não deve ser mais tão rebelde assim. Neste painel, não é de se estranhar que os jovens de hoje sintam saudade das borrachadas -- que nunca levaram, frise-se.
Atualização: segundo a coluna "gente" do JotaBê de 05/08, o empresário Mário Cohen, que decide os patrocínios culturais da TIM, esclareceu os motivos de a empresa telefônica ter escolhido D2 como novo garoto-propaganda: "A TIM decidiu apoiar D2, porque, hoje em dia, as pessoas não procuram mais celebridades, mas heróis. E o que é o herói? Não é aquele que é o mais poderoso, mas sim o que tem atitude, verdade. D2 tem tudo para ser um herói contemporâneo".
Escrito por Rafael | 08:34 AM | Comentários (10)
Duas
A página da UCMcomics relembra a história da Kripta, "a melhor revista de terror publicada no Brasil", em duas partes. E uma imagem do melhor stencil da cidade.
Escrito por Rafael | 08:32 AM | Comentários (0)
agosto 02, 2005
Agosto
Ô ZÉ DIRCEU
CADÊ VOCÊ
EU VIM AQUI
SÓ-PRA-TE-VER
Atualização: ainda estou esperando...
Escrito por Rafael | 10:45 AM | Comentários (1)
O tempo passa de maneira diferente para os fãs
O ano era 1995 e eu era leitor e eventual colaborador da revista Panacea -- na verdade, um fanzine transformado em revista, com capa em couché a quatro cores, e miolo em preto-e-branco. Eu conhecia bem os editores, Gabriela e o Kazi, quando ele me "jogou na fogueira", pedindo para entrevistar o Bill Sienkiewicz, que estaria na cidade para uma pequena convenção de histórias em quadrinhos, no Castelinho do Flamengo.
Resolvi encarar, apesar da falta de um gravador e a minha então inabilidade com a língua britânica. Durante o final de semana em que esteve na cidade, Bill S., já era um desenhista plenamente consagrado por Elektra Assassina, Stray Toasters, Novos Mutantes, além de uma adaptação de Moby Dick e dos conjuntos de cards Friendly Dictators e Big Budget Circus, além do fiasco de Big Numbers. Rolava entre os quadrinhófilos um sério boato de que ele era bicha, não sei, absolutamente, por qual motivo. Talvez suas estranhas roupas, que misturavam uma espécie de roupão jedi com botinhas de vaqueiro, talvez o cabelo desalinhado num anacrônico mullet, talvez a confissão de ser vegetariano, talvez a resposta que deu quando perguntaram quantos anos ele tinha: "tenho idade suficiente para comprar bebida alcoólica sozinho, ter carteira de motorista e fazer sexo seguro consensual". Na sessão de autógrafos, pedi-lhe que fizesse um desenho original para ilustrar a matéria, "alguma coisa ecológica", sugeri, baseado no aborrecido discurso que repetiu ao longo de 3 dias. Ele desenhou uma cabeça de javali com a esferográfica -- nunca vi ninguém desenhar uma cabeça de javali tão bem, tão rápido -- e escreveu embaixo: "Don't be a Pig! Recycle!". Anos Bill Clinton, celembra?, a era da correção política.
Mais do que fofocas sobre uma suposta briga com Alan Moore (finalmente esclarecidas por Eddie Campbell em How to be an Artist, inclusive as suspeitas infundadas dos leitores) ou detalhes da parceria com Frank Miller, o que mais cativou os que não desgrudaram dele foram umas páginas xerox de seu último trabalho, ainda não publicado, uma biografia em quadrinhos de Jimi Hendrix. Deslumbrante até em preto e branco, o álbum traria ainda um CD encartado. Nos meses e anos que se passaram, a entrevista (até hoje não sei bem como foi traduzida; o som é perturbado por altos rúídos de gente conversando ao fundo, como se pode comprovar no cassete, até hoje) ganhou capa, e tive poucas chances de reencontrar o álbum em livrarias, sempre embalado à prova de uma folheada básica. Também não vi muito barulho na imprensa sobre o lançamento; concorreu a um Harvey Awards de melhor álbum, mas perdeu para Stuck Rubber Baby.


Mais de 10 anos se passaram, e depois de mais de 10 semanas de envio do Bud Plant, uma cópia de Jimi Hendrix: Voodoo Child me aguarda dentro de uma caixa lacrada. Mal posso esperar para abri-la.

Atualização: além do álbum, mandaram de brinde um livrinho de pin-ups de Dan de Carlo, um dos principais ilustradores da Archie Comics e influência definitiva em gente do quilate de Jaime Hernandez e Bruce Timm. Do tipo que a Patricia curte.
Escrito por Rafael | 10:33 AM | Comentários (3)
agosto 01, 2005
Carioquinha 2005
Vanessa B. manda avisar: Começa no dia 30 de julho e vai até 29 de agosto a temporada 2005 do projeto Carioquinha, agora em sua sétima edição. A grande surpresa deste ano é a quantidade de parceiros que aderiram ao Carioquinha - são 78 na capital e 22 no interior e litoral do Estado, incluindo cidades como Niterói, Petrópolis, Paraty, Angra dos Reis, Arraial do Cabo e Búzios.
A mecânica de funcionamento do Carioquinha é muito simples. Basta apresentação nas bilheterias dos pontos turísticos e atrações cadastradas um comprovante de residência e carteira de identidade para usufruir o desconto. A promoção é válida para TODOS que NASCERAM ou MORAM na cidade do Rio ou Grande Rio.
Imperdível, e olha que é para quem mora aqui.
Escrito por Rafael | 02:39 PM | Comentários (0)