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dezembro 30, 2005
Ano de Copa
Agora só em 2006, cambada. Fiquem bem até lá!
Escrito por Rafael | 12:40 AM | Comentários (2)
Aula de comportamento
Eu pensava muito vagamente em fazer uma retrospectiva do ano, a começar dizendo que eu dirigi carros automáticos e de marcha dentro e fora do Brasil, na mão inglesa e fora dela. Mas desisti completamente diante da última coluna do Arnaldo Bloch, verdadeira aula de comportamento para os tempos em que se vive. Essa merece nada menos que reprodução na íntegra.
Nos últimos anos, uma meia dúzia de expressões irritantes caiu no gosto de uma certa sociedade carioca pretensamente moderna e alternativa, principalmente dos que se querem fashion e dos que se gabam de ter aquela coisa vaga que se convencionou chamar de “atitude”, e que é vendida como biscoito nos guias de comportamento e anúncios de publicidade. São expressões de uma pobreza absurda se a gente considerar o estupendo leque de gírias e modos do falar coloquial brasileiro, e são usadas como bordões da falta de inteligência que se apoderou das cabeças mais variadas.
“Ninguém merece”, “fala sério”, “vamos combinar”, “básico” — e a campeã de todas, a quase-fascista “menos” —, são expressões reducionistas e opressivas que, na essência, têm a mesma função: excluir de uma discussão (ou da convivência entre pessoas e grupos) tudo que apareça como desmedido, “estranho”, não adequado a um certo senso comum que nunca se estabelece claramente (pois, no fundo, é puramente arbitrário).
O incrível é que estas expressões são usadas principalmente por gente “livre” que, por lidar muito mal com a própria liberdade, anseia por um “equilíbrio elegante” no elástico das relações. São anarquistas enrustidos, performáticos ponderados, loucos customizados, vanguardistas formatados, pansexuais homofóbicos. Para livrar-se da inconveniência do que sentem, essas pessoas procuram (e encontram) no vizinho o excesso, o ridículo, o absurdo, para se encaixarem em algum figurino que as impeça de meter o pé na jaca que tanto lhes atrai.
Assim, o sujeito que, por falta de conhecimento, coragem ou espírito argumentativo, não quiser aprofundar um assunto, dirá:
— Vamos combinar que isso não tem nada a ver. Vamos combinar que fulano é uma mala. Vamos combinar que gostar disso é muito cabeça. Vamos combinar. Vamos combinar.
Na verdade ninguém combinou nada, mas a maioria concordará, estampando sorrisos inexpressivos ou tolos, pois assim é mais fácil beber a sua champanhota sem aporrinhação, “está tudo combinado até prova em contrário, imagina se eu estou aqui pra contrariar”.
Os poucos que discordarem não terão forças para reagir, ou buscarão abrigo numa roda mais viva, se a encontrarem no deserto de vida inteligente que domina os salões.
O “fala sério” e o “ninguém merece” têm mais um efeito de criar cumplicidades redentoras entre espíritos frívolos, crônica ou temporariamente incapazes de conviver com a diversidade de personalidades e de discursos que os cercam. É como fazer uma listinha de “melhores ou piores pessoas e atitudes”, em vez de pensar sobre o que se diz ou procurar entender melhor o mundo e as idéias.
Mas não há nada pior e mais violento que o “menos, fulano, menos” — em geral acompanhado de um gesto de mão pedindo moderação. O “menos” aplica-se a tudo. Se o Zezé resolver contar um detalhe um pouco mais picante de uma história pessoal ou de sua própria intimidade e o Bebeto julgá-lo inconveniente, o Bebeto, serelepe, vai logo dizer:
— Menos, Zezé, menos...
Notem que o Bebeto provavelmente é o cara mais fofoqueiro da paróquia, veste-se com umas roupas espalhafatosas, mas sua “atitude” tem alta aceitação. Diante dele, o Zezé, se não for peitudo, vai calar a boca, sorrir amarelo, quando o mais sensato a fazer seria mandar o Bebeto à merda junto com sua atitude.
Se a Maria der uma gargalhada escandalosa, de opereta (porque essa é a gargalhada de Maria quando ela está feliz!), a Luiza, que é uma perua de dar dó mas tem a personalidade mais forte que a da Maria (e usa umas grifes feias consideradas in), vai intervir:
— Menos, Maria, menos — e a Maria vai engolir a gargalhada e pensar duas vezes antes de rir desse jeito. Depois, vai ter úlcera aguda por não ser mais ela mesma.
Outro dia, numa festa, levei um “menos” na cara que me deixou desconcertado. Estava dançando com umas amigas quando um velho chapa se aproximou e pôs a mão no meu ombro e dançamos juntos, celebrando a alegria do encontro. Então eu, que estava num leve pileque (e ele completamente bêbado), entrei numa de ensaiar um can can debochado, uns passos só, ia ser engraçado, uma esculhambação básica (aaargh!). Então o meu amigo, logo ele, um dos sujeitos mais pirados e barulhentos e alternativos e vanguardeiros e bizarros e palhacentos e porristas e inconvenientes e cheios de atitude que conheço, resolveu me censurar.
— Menos, Arnaldo, menos...
Mandei-o amolar o bode, pois não engulo essa bobagem entre amigos. Ainda se fosse alguma coisa séria, uma inconfidência covarde, uma traição, um gesto agressivo, um ato de humilhação, normalmente tão bem aceitos...
Menos é a vovozinha. Eu quero mais. Quem não quiser escutar que vá embora. Ou, se quiser ficar, que responda, diga alguma coisa útil, desenvolva. Às favas com a etiqueta castradora dos modernos, disfarçada em “atitude”. Pro quinto dos diabos os maledicentes que posam de equilibrados quando têm os piores vícios do espírito, a espuma do ódio a escorrer pelos cantos dos lábios.
Eu ia terminar a crônica dizendo que o “menos” é a síntese do tempo em que vivemos. Um tempo em que tudo que resvala no complexo ou no inesperado é excesso. Um tempo em que qualquer elaboração é papo-cabeça, e papo-cabeça é escória. Um tempo em que só o simples vive. Tempo em que só o resumo vale, o saber é lixo. Eu ia dizer que, enquanto isso, os verdadeiros donos do poder acumulam História e informação em seus megaHDs para, um dia, dominar o mundo dos convenientes — hordas cheias de atitude e sem conteúdo. Eu ia dizer que, no futuro, cérebros vazios serão escravos dos barões do saber. Mas não vou dizer nada disso, tenho muitos amigos partidários do “menos”. Eu mesmo já andei adotando umas tolices assim. Digo apenas: neste Natal, seja “mais”. “Mais” é dez. “Menos” é zero. (Putzgrila, que lugar-comum...).
Escrito por Rafael | 12:34 AM | Comentários (4)
dezembro 29, 2005
Historinha para meditação
Sábados atrás fui visitar o Perth Mint, prédio histórico onde se funde ouro e cunham-se moedas desde os tempos da corrida do ouro da costa oeste australiana.
O guia explicou que a mulher do cara que construiu o prédio mandou colocar duas portas na entrada, apesar de
darem para o mesmo salão, porque a da esquerda seria usada por ingleses, nobres e convidados da família e a da direita por mineradores, trabalhadores, prisioneiros libertos, em suma, aquilo que os franceses costumavam chamar de canaille.
Depois falou mais um pouco sobre a estátua que orna os jardins onde outrora aconteciam os piqueniques da madame, sobre a origem das pedras com que se ergueu o edifício e convidou a turistada toda, composta praticamente de locais (acho que o único não australiano era eu), para entrar e continuar o passeio do lado de dentro, da seguinte maneira: ingleses e nobres são convidados a entrar pela porta da esquerda, enquanto australianos por nascimento, trabalhadores, operários, neozelandeses, mochileiros, aborígenes podem entrar pela da direita.
Toda a turma de turistas achou graça, riu --- e entrou pela da direita, sem pestanejar.
Tanto quanto na América do Norte, aqui houve essa idéia da fundação de uma sociedade sem classes, que é abraçada tranquilamente até hoje. A palavra é cidadania, não comunismo.
Não é preciso ser muito esperto para imaginar a reação a essa mesma pergunta no Brasil, para uma amostra similar de turistas. Todo mundo ia entrar pela da esquerda.
Escrito por Rafael | 09:02 PM | Comentários (1)
Febeapá
Como de costume, O Globo fez uma seleção das melhores frases do ano. Como de costume, um festival de barbaridades proferidas pelas nossas pessoas públicas. Duro encontrar com uma que entre para a história pela força expressiva ou qualidade literária ao invés de pela desapropriação, estupidez ou hipocrisia. Como de costume, algumas dispensam qualquer tipo de comentário:
“Tanta mulher bonita aqui dentro e a única que eu vi nua foi a Preta Gil” (segurança num camarote do Sambódromo)
Escrito por Rafael | 03:52 AM | Comentários (0)
dezembro 28, 2005
Os sem origem
Uma ferida australiana onde se deve colocar o dedo é a questão dos aborígenes, o povo que neste território se encontrava quando há 200 anos aportaram os ingleses. E se encontrava há muito tempo, segundo consta, há uns 40 mil anos, ou seja, mais tempo do que as civlizações grega e egípcia -- somadas.
Ao ocuparem a terra que seria conhecida como Austrália, de austral, sul, os ingleses partiram do princípio conhecido como terra nullis, ou seja, de que não é proibido tomar uma terra desconhecida onde não haja um sistema de ocupação organizado. O problema começa aí, em não se reconhecer a civlização aborígene como organizada ou ocupante do território (na verdade, eles eram semi-nômades). Claro que a invasão se deu nos termos em que se deu qualquer invasão com objetivo colonial, não importa se a Austrália seria a única colônia fundada no mundo com fins estrittamente penais, ou seja, na base da pólvora e dos germes.
Se fosse só isso, até que não seria muito complicado interromper e até reverter o processo. Mesmo que não tenha havido uma miscigenação a auxiliar o processo integracional, como houve no Brasil (onde o bígamo Caramuru é exemplo), seria apenas questão de interromper a matança e devolver as terras, o que aconteceria assim que os invasores se estabelecessem nas melhores localidades. Na verdade, um pouco mais complicado do que isso, porque foi preciso se aliar aos aborígenes nos primeiros anos de exploração para conhecer o território; havia a noção clara de que eles conheciam melhor aquela terra -- noção que se converteria em ressentimento com o passar do tempo, porque nos primeiros anos de colônia, depois que a coroa britânica cortou a ajuda, houve sérios períodos de fome e privação: os ingleses não sabiam cultivar a terra como os locais, e são muitos os relatos de gente morrendo ao lado de saudáveis tribos de nativos. Peter Carey nota que não há Dia de Ação de Graças na cultura australiana; não havia o peru a ser dividido. E ainda hoje persiste a idéia: o Lonely Planet cita como norma de etiqueta oferecer-se para levar uma salada ou porção de carne ao ser convidado para um BBQ, o churrasco local.
Se não passaram fome, os aborígenes sofreram uma desgraça pior, que a ONU já definiu como genocídio: a prática de separar à força pais e filhos, isolando-os em partes distantes do país, com o objetivo de desmontar uma etnia, uma cultura. A rigor, até a década de 1970, era prática na Austrália a separação forçada de pais e filhos de aborígenes, o que se chama apropriadamente hoje de Stolen Generation. Os poucos mestiços eram também separados (provavelmente renegados) e criados em orfanatos; os filhos de aborígenes eram postos a trabalhar desde crianças em troca da comida, até conquistarem uma espécie de alforria aos 18 anos. Hoje em dia esses fatos não são mascarados nem distorcidos, mas encarados de frente, com direito a exposição detalhada no WA Museum, cheia de fotos e relatos. Qualquer australiano reconhece a barbaridade que se cometeu com os aborígenes, mas persiste o sentimento dos aborígenes serem tidos como preguiçosos, apesar de se reconhecer o sucesso deles em diversas áreas, particularmente esportivas. Entre os esforços de reintegração, o mais notório foi o estabelecimento nacional de um feriado, o Dia do Perdão (Sorry day) onde a nação pede desculpas pelos últimos duzentos anos. Distribuem-se livros de assinaturas onde qualquer cidadão deixa seu recado na forma de um pedido de desculpas, como forma de expiação pública pelos males exercidos.
Mas o Sorry day não é o único esforço de reintegração, pelo contrário. Diversos termos aborígenes são incorporados a sinalização pública. No Jardim Botânico, ao lado dos nomes em latim de cada árvore, aparece o nome usado pelos nativos e o uso que davam àquela espécie. Nas placas públicas da Western Australia é comum ver-se chamado de Nyoongar, que é como os aborígenes nomeavam os habitantes daquela região. Mais ou menos como se, nas placas brasileiras, você lesse "tupiniquim" no lugar de "cidadão". E isso é visto de maneira séria, sem o menor tom depreciativo por aqui. Talvez a maior demonstração de valorização da cultura aborígene seja através dos altíssimos preços que quadros e artefatos típicos alcançam no mercado de arte. Não é preciso ser um colecionador para ter noção de onde se está pisando: numa loja como Creative Native um pequeno bumerangue autêntico, pintado à mão por um aborígene idem, de reserva, pode custar mais de 50 dólares australianos, e um didjeridoo, passa de 200 -- enquanto o bumerangue chinês feito a metro, evidentemente imitando os padrões estéticos aborígenes, sai por menos de 5 dólares.
Ainda que supervalorizada, a cultura aborígene parece sem futuro. Primeiro, porque manipulada pelas mãos estrangeiras como está sendo, tende a se tornar ou objeto de estudo, perdendo valor prático (usar cocar não te transforma em índio), ou agregar novas formas, miscigenar, evoluir, mudar enfim. Segundo, porque se forem mantidas as condições atuais, dependerá da sobrevivência em cativeiro, ou seja, nas reservas quase isoladas onde os aborígenes permanecem hoje; não há chance de evolução sem troca com outras culturas -- como foi durante 400 séculos, e por isso mesmo é de se desconfiar se ela resistiria a uma exposição franca e aberta. Talvez isso explique o abandono que as novas gerações têm dado à sua cultura, assim como as dificuldades de adaptação -- nos centros urbanos os aborígenes são marginalizados e violentos, ainda que em mínima quantidade. Terceiro, porque a sobrevivência deles continuará sendo posta em questão toda vez que se descobrir um veio mineral próximo de uma reserva. A exploração de ouro e minerais enriqueceu e deu sustento a esse lado do país, é de se duvidar que abram mão da riqueza material em nome da terra dos Nyoongar.
Escrito por Rafael | 09:00 PM | Comentários (2)
dezembro 23, 2005
Ve de vergonha na cara
Vi o trailer do V de Vingança na televisão, num programa sobre Hollywood. Inspira desconfiança. Como tudo no cinema atual, investe mais no visual espetaculoso e rocambolesco do que num clima de mistério e suspense essencial para dar o tom do personagem. As cenas do aparato do governo totalitário lembram mais videoclipe do que 1984 e, nas cenas de ação, V parece mais uma atração de vaudeville atirando facas que saem de suas mangas do que o terrorista sofisticado que é. Sei não, as adaptações de Alan Moore para as telas não primam exatamente pela fidelidade (From Hell, A Liga Extraordinária); o negócio agora é torcer para não virar muita farofa.
Claro, e no vácuo, enterrar os planos do filme de Watchmen por mais uma década.
Escrito por Rafael | 12:11 AM | Comentários (0)
dezembro 22, 2005
Perguntinha capciosa
Se aqui eles dirigem na mão inglesa, por que, nas escadas rolantes, sempre que cedem espaço para você ultrapassar pela esquerda?
Escrito por Rafael | 04:01 AM | Comentários (1)
Melhor aviso de fui ao banheiro
Sorry Nature callsBe back inna minute.
Escrito por Rafael | 03:59 AM | Comentários (0)
dezembro 20, 2005
Mundinho
Surpresa mesmo é descobrir que o dono da loja de mapas morou, há mais de 20 anos, não só na sua cidade e no seu bairro, como na sua rua, há meras Quadras De VOCÊ!
As ruas são largas para se atravessar, os bairros nunca acabam, mas o mundo, ah o mundo é muito, muito pequeno.
Escrito por Rafael | 08:53 PM | Comentários (1)
Você sabe que está no primeiro mundo quando...
... recebe, no meio da documentação da empresa, um Formulário para Denúncia de Ameaça de Bomba, contendo itens que você circula onde apropriado para caracterizar o tom de voz que fez a ameaça pelo telefone: nervoso, ríspido, idoso etc.
... nota que, alinhado a se queimar, operação de esmerilhadeiras, queda de escadas aqui eles alinham entre os riscos ocupacionais de trabalho stress, situações de pressão psicológica e mal estar.
... praticamente em todo lugar público que se vai você encontra uma placa avisando que aquele lugar está sendo monitorado remotamente por câmeras.
Escrito por Rafael | 08:46 PM | Comentários (1)
Piza pega no Machado
Daniel Piza manda avisar: hoje tem arremesso do livro Machado de Assis -- Um Gênio Brasileiro na Casa das Rosas, av. Paulista, 37 a partir das 19h. É o tão prometido livro de Piza sobre o Machadão.
Escrito por Rafael | 08:43 PM | Comentários (0)
dezembro 12, 2005
Last but not least
Ia falar uma ou duas linhas sobre a beleza da praia de Cottesloe, quando me toquei de uma coisinha singela.
Foi a primeira vez que me encontrei com o Oceano Indico.
Escrito por Rafael | 06:25 AM | Comentários (1)
Dullsville
O que dizer de uma cidade que assume a alcunha de dullsville, literalmente: chatopolis?
Por poucas semana, perdi no Instituto de Artes Contemporaneas uma serie de pecas curtas que celebrariam "o nosso peculiar estilo de vida", sob o titulo de Welcome to Dullsville.
Nao e preciso procurar muito para encontrar os motivos de piada. Burocracia enlouquecedora, obrigando restaurantes e pubs a exporem, em letras garrafais do lado de fora, suas licensas. Ora, quem vai num restaurante procura boa comida, nao uma licensa. Alertas para tudo que e lado: cuidado com o degrau; aguarde atras da linha; isso aqui e um clube de gays -- nao aprova, nao entre; se estiver cheio, nao adianta que nao deixamos entrar; vista-se apropriadamente depois das 7... TUDO tem que estar bem sinalizado para nao criar a minima sensacao de inseguranca e garantir que voce esta num lugar seguro, safe -- como tinham me explicado. Depois de meia-noite so falta sair tapa na disputa dos ultimos taxis rodando. As vezes, sai; ai e capa no jornal (num pais de primeiro mundo, quemvai querer ficar trabalhando de madrugada quando as horas normais ja garantem o padrao superior de vida?). Domingo e proibida a venda de bebidas alcoolicas em supermercados. Durante a semana, quase todo o comercio fecha impreterivelmente as 5, e assim por diante. Sem duvida que fica mais facil para manter o padrao de vida. Se no alfabeto subi apenas uma letra, de B(rasil) para Australia), no IDH foram nada menos do quem 60, SESSENTA, posicoes. Nem na Alemanha eu vi coisas assim. Alias, apesar da maioria esmagadora ser catolica, esse negocio de nao vender bebida tem todo jeito de coisa de protestante.
Se voce quer conhecer uma cidade, conheca seu humor. Durante a tal mostra que eu perdi, foi feito um questionario entre os visitantes sobre a ma fama da cidade. Alguns resultados: nomes de bairros mais ridiculos, uma disputa complicada entre Daglish, Joondalup e Dogswamp, com vitoria merecida para Innaloo. Melhor lugar para um encontro romantico (alguem sugere traducao melhor para date?): a sala de concertos da cidade. Atracao turistica mais empolgante, deu caminhar no bungee jump local -- seguida de perta de ir embora. Melhor lugar para ver a queima de fogos de artificio do Rio Swan no ano novo, sem ser agredido pelas hordas de adolescentes? De dentro do rio, seguido de perto de pela teve, na sua casa.
Onde eu fui amarrar meu burro...
Escrito por Rafael | 06:05 AM | Comentários (1)
Strange days indeed
Escapei da modorra da programacao muscial das companhias aereas gracas ao aniversario de 25 anos da morte de John Lennon, que gerou belas retrospectivas. Sempre fui mais John Lennon do que Paul McCartney, sempre achei que foram as provocacoes dele que levaram os The Beatles onde eles chegaram, muito mais do que o talento melodico e harmonico de Paul. O radical que empurra os limites para adiante. Bussunda uma vez escreveu, quando os Rolling Stones estiveram no Brasil, muito badalados por estarem em forma apesar do abuso das drogas, que para ele droga pesada mesmo tinha tomado John Lennon, ao casar com Yoko Onno. Por ai, por ai. O fato e que, num momento de transicao em que se muda de cidade, de pais, de hemisferio e de trabalho, um verso como Nobody told me there'd be days like these soa muito mais apropriado, para nao dizer real, do que as baladas romanticas do velho Macca, gauchas de olhos verdes que sentam do seu lado no aviao a parte, hehehe. Starting over, na-na-na.
Escrito por Rafael | 06:05 AM | Comentários (0)
Melhor nome de loja ate agora
Joynt venture: artigos especializados em fumo e tabacaria.
Escrito por Rafael | 06:04 AM | Comentários (0)
Estranho padrao
Estranho padrao na minha vida faz sentar do meu lado uma gaucha de olhos verdes quando eu pego um aviao. Estranho e bastante agradavel, alias.
Dessa vez o padrao variou um pouco e fez sentar do lado direito uma curitibana que lembrava um bocado a Diana Bouth (apresentadora do SporTV). \
Nao que isso seja uma queixa, evidentemente.
Escrito por Rafael | 05:53 AM | Comentários (3)
Etnias
Aqui tem tanto oriental, mas tanto oriental, que ate na lojinha de sanduiche grego (na verdade, turco) quem atende e chines.
Pra quem curte uma etnia, nao vejo lugar melhor. Alem de ser possivel identificar uns 6 tipos de oriental na rua (coreano, chines, japones, tailandes, da Indonesia e Singapura), tem os indianos, os indianos falsificados (do Sri Lanka), alguns africanos (da Africa do Sul), os australianos brancos descendentes dos ingleses -- para nao falar nos aborigenes, que sao escuros como os negros brasileiros mas tem o rosto diferente, assim como se fosse meio inchado.
Nada porem se compara a rara experiencia de cruzar na rua com um sujeito com a cara toda tatuada, como um maori das aventuras de Corto Maltese.
Escrito por Rafael | 05:47 AM | Comentários (0)
Cidade mais isolada do mundo
Daqui pra frente a bola esta rolando a partir das coordenadas 31°58′ S e 115°49′ E.
Onde eu fui me meter.
Escrito por Rafael | 05:44 AM | Comentários (1)
dezembro 02, 2005
Só mais uma coisa
Sempre tive a intuição que os mais desconectados do mundo, os mais alheios ao que está acontecendo, os mais alienados do mundo estariam sintonizados a algo maior, o que os permitiria, nos seus delírios, enxergar o futuro. Millôr Fernandes, não exatamente alguém desligado da re-a-li-da-de, costuma se vangloriar de duas antevisões em sua carreira: ter incluído um par de terroristas barbudos numa peça da década de 1950, pouquinhos anos antes de guerrilheiros barbudos tomarem Cuba; ter vaticinado, citando Shakespeare, "os idos de março" a Tancredo -- exatamente quando o presidente viria a falecer.
Alexandre Soares Silva encheu muito a paciência com aquelas histórias de cavalheiros disputarem duelos e dândis distribuírem bengaladas em quem os incomodasse; criou até um personagem que fazia isso. Muita gente gostou desse negócio de bengaladas e copiou, como o Fabio e o Bruno. Eis que, na véspera do julgamento do ex-membro mais importante do governo, vejo pela televisão um escritor dando bengaladas em José Dirceu e xingando-o de maneira erudita, tal como num romance do Alexandre. Eu não duvido mais de nada.
Escrito por Rafael | 07:43 AM | Comentários (2)
dezembro 01, 2005
Algumas Leis de Murphy
1. Aquele mês de assinatura grátis do jornal que você estava recebendo vai acabar exatamente na véspera do dia em que o Dirceu é cassado.
2. A chance de você encontrar na rua uma mulher bonita te dando mole é inversamente proporcional à beleza do penteado e capricho das suas roupas.
Escrito por Rafael | 03:15 PM | Comentários (2)