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abril 28, 2006
Pula, pula, macacada
Nesse meio tempo, li também Pula, pula, macacada, que amanhã não tem mais nada, lançado no final do ano no Le Bon Sebon, única livraria onde pode ser encontrado e gentilmente enviado para mim pelos meus pais. Trata-se de uma compilação de memórias dos tempos de colégio de uma específica turma do São Bento -- embora aquelas memórias transcendam a turma e até o próprio colégio, atingindo gente que nunca estudou lá, mas cujo contato com ex-alunos acabou absorvendo-as por osmose, como é o meu caso. Até agora, que eu saiba, apenas o Pedro Doria deu-se ao trabalho de resenhá-lo, focando-se no ponto errado, como de costume.
Ler o livro foi uma experiência marcante pelo quanto me aproximou do pessoal que é hoje sócio no Sebon. Ai caramba, hoje em dia eu moro na Austrália e vivo em inglês, dirijo na mão direita, almoço comida tailandesa e janto vietnamita, vou beber em happy hour com escoceses e ficam esses cornos a 40 mil quilômetros de distância me fazendo sentir saudades!...
Escrito por Rafael | 05:54 AM | Comentários (1)
Baixando a pilha
Terminei de ler 120 Horas e Dedo Negro com Unha. Não estaria exagerando muito se dissesse que, dentro de seus respectivos gêneros (partindo-se do pressuposto que se pode dividir a literatura assim), tratam-se de dois dos melhores livros brasileiros já escritos. Não pretendo, por ora, resenhar nenhum deles, tendo em vista o quanto conheço Pellizzari e, sobretudo, Luís Eduardo Matta. Se é necessário, que essa nota sirva de recomendação a ambos, e a quem precisar de mais, que leia isso aqui.
Terminei de ler também alguns álbuns de quadrinhos: Hard Boiled, de Frank Miller e Geof Darrow; So Beautiful and So Dangerous, de Angus McKie e O Incal Luz e O Incal Negro, de Moebius e Jodorowsky. Desses, deve rolar pelo menos uma nota de cada. Os dois últimos são histórias que foram publicadas em partes na Heavy Metal ao longo das décadas de 1970 e 1980, absolutamente dentro da linha editorial daquela revista, que misturava ficção científica e fantasia. O primeiro é uma mini-série em 3 partes, concluída em 1993, que eu ainda não tinha lido da bibliografia de Frank Miller.
Escrito por Rafael | 05:41 AM | Comentários (1)
abril 26, 2006
Piadas australianas
-- Why did the Mexican guy tie his wife to the rail track?
-- Because he wants tequila.
-- What are the favorite saints of the firemen?
-- José and hose B.
Esse é o tipo de piada que eu ouço em happy hour, e ainda acho graça. O estrago que o politicamente correto fez ao humor de salão é incalculável.
Escrito por Rafael | 09:46 AM | Comentários (0)
Meu primeiro Dim Sum
Terça-feira foi feriado, dia da ANZAC (força expedicionária da Austrália e Nova Zelândia), e os asiáticos -- é melhor chamar de asiáticos, por mais jeito taxionômico que tenha, do que a japonesada -- chamaram para comer um típico Dim Sum de Hong Kong. Eu já tinha deixado passar pelo menos umas 3 chances de comer essa autêntica refeição chinesa em outras ocasiões e não quis deixar a oportunidade passar. Para quem não sabe, Dim Sum é uma espécie de rodízio de comida chinesa onde cada prato é servido em uma porção bem pequena, em geral de 3 unidades: podem ser bolinhos, enroladinhos, empanados, pasteizinhos, que por sua vez podem vir ou cozidos no vapor ou fritos por imenrsão em óleo quente. A maioria é feita à base de carne de porco ou camarão, mas peixe também serve como recheio. Tem um enroladinho de arroz em folha de lótus que me lembrou bastante do charuto de arroz árabe em folha de parreira, com a diferença que os chineses não comem a folha, apenas a desembrulham. Tem um bolinho de peixe cuja consistência, crocante por fora e macio por dentro, lembra demais o insuperável bolinho de bacalhau. Tem o wonton, que é uma espécie de pastelzinho cozido no vapor, bastante fácil de encontrar na feira da Liberdade, assim como um bolinho que parece feito de pão, recheado com carne. Enfim, se estiver num daqueles dias, dá para ficar o dia inteiro experimentando alternativas, até pé de galinha empanado -- mas um aviso: o Dim Sum cobra por prato pedido, não é preço fixo, o que significa que comer mais implica em pagar mais.
Muitos guias turísticos alertam para constantes armadilhas de restaurantes orientais que alegam fazer o típico Dim Sum e no final oferecer apenas um punhado de opções (o cardápio do restaurante onde fui tinha duas páginas, uma só com os cozidos, outras com os fritos). De certa forma, eviara até hoje por receio de cair numa armadilha e, em não sendo armadilha, de não saber pedir corretamente. Acompanhado por gente de Singapura e Kuala Lumpur, não teve erro. Lá pelas tantas, levantei a cabeça e só vi orientais no salão grande. Tive uma sensação parecida quando olhei ao meu redor numa certa noite do Pelourinho e além de mim, branco, só vi dois turistas alemães.
Depois rolou esticada a Fremantle, mas as exposições do Foto Freo 2006 estavam todas fechadas.
Escrito por Rafael | 09:28 AM | Comentários (0)
Aforisma
Você sabe que sua vida está boa quando não se importa de repetir no final de semana coisas que costuma fazer durante a semana, porque gosta delas.
Você sabe que está péssima quando não consegue mais diferenciar o que é final de semana do que não é.
Escrito por Rafael | 04:57 AM | Comentários (0)
abril 24, 2006
O estado das coisas
Leia: mundos em colisão.
Escrito por Rafael | 12:18 AM | Comentários (1)
abril 23, 2006
Australianas III
Ainda tem muita coisa para se conhecer nessa cidade.
Foram duas ou três as vezes em que empurrei para depois a chance de ir no Perth Concert Hall. Acredito que foi escrito nas estrelas, porque quando eu enfim pus os pés naquele orgulho e glória da arquitetura australiana, estava em boa companhia e num ótimo dia de outono, nem quente nem frio. Não que eu seja fã de flauta japonesa ou música oriental, mas qualquer um com uma mínima experiência em concertos ou salas de concerto sabe qual o percentual de espectadores está lá menos por causa da música e mais para tirar o sono atrasado.
Eu poderia lista acima, além do sono, motivos como um certo glamour ou elegância que parecem, ainda, transpirar de lugares como aquele, mas como se tratava da Western Australia, decidi evitar. Se bem que é um dos únicos lugares em Perth onde ir arrumado não te coloca imediatamente fora da média local, êta povinho jeca, êta povinho para gostar de uma esculhambação indumentária. E olha que eu não sou dos mais mauricinhos.
O maestro falou bastante à guisa de apresentação das peças de Debussy que foram executadas, não sei se por empolgação, creio que mais didaticamente à título de esclarecimento da platéia. Dura essa tarefa de sofisticar culturalmente um povo, e olha que grana não é muito o problema por aqui.
Depois esticamos no cassino do complexo de Burswood (hotel, cassino, parque, estádio coberto, quadras de tênis...), que eu também não tinha visitado. Um pedacinho de Las Vegas por aqui, afirmação que faço sem nunca ter visitado Las Vegas, haha. Dei pela falta de mais folhetos ou monitores de televisão explicando como se joga; talvez no hotel haja um circuito interno funcionando. Na noite de sexta-feira, a maior parte do público era composta de locais e trabalhadores, não se viam jogadores profissionais ou ao menos gente que entendesse do métier por ali. Também não se via o que costuma caminhar de mãos dadas com jogo: drogas e prostituição. Não chegava à estranheza de ser um cassino família, até por ser vedado a menores de 18 anos, mas pela expectativa que cada apostador colocava em suas apostas, via-se que não eram do primeiro time. A eletricidade no ar é indescritível, só experimentando na pele. No mais, deixo para Hunter Thompson descrever o que acha. Quem sabe a Cecília tiraria uma crônica boa dali; eu não vi muito enredo.
Hoje fui no Perth Motor Show, um salão do automóvel local, no quase ocioso Perth Convention and Exhibition Centre. Sei de inúmeros amigos que adorariam um evento desses, fui mais pela curiosidade. Aqui Chevrolet é Holden, Corsa é Barina e Fiesta é Festiva, se é que estou entendendo direito. Não existe carro econômico nessa terra. Não vi sequer um modelo 1.0, é tudo de 1.6 para cima. Até o Mini Cooper: 1.5. Quem mais me surpreendeu foi o novo Fusca, um inacreditável 2.0, o que explica seu preço mais alto. Os últimos 10 anos de prosperidade e gasolina barata fazem os australianos acharem que baniram a crise de suas vidas, e ainda raciocinam basicamente como os americanos na década de 1960 em termos de carro. O fato da cidade ser planejada para viver em função de carros e das estradas serem bem conservadas vem a calhar. De novo foi Hunter Thompson, em Hell's Angels, quem melhor esquadrinhou o contexto da Califórnia na segunda metade do século XX como berço para as gangues de motociclistas: cidades distantes, paisagens convidativas à viagem. De novo seria ele quem poderia extrair uma crônica do evento, eu não gosto (nem odeio) tanto assim de carro para tal. Curti, por exemplo, ver os modelos novos de Porshe e os antigos de Aston Martins expostos, e fiquei muito satisfeito em saber que o modelo atual do carro que dirijo tem os controle exatamente nos mesmos lugares do meu, mais uma linha arrendodada aqui e outra ali, fiz questão de entrar para conferir.
Também gostei de ver a mini exposição do Fremantle Motor Museum, com um Herbie original (fusca 1968), um Aston Martin do James Bond e duas Harley Davidson das décadas de 50 e 60 -- em cima delas tinha uma tela plana passando Easy Rider. Nenhum desses estava à venda. Mas tinha uma barraca só de miniaturas. Ainda compro um kit para montar meu sedan em casa...
Escrito por Rafael | 09:25 AM | Comentários (0)
Parla! Parla!
Manara desenhando. Dica inestimável do camarada Tavela. Manara nunca, mas o Liberatore eu já vi desenhando, ao vivo, na minha frente.
Escrito por Rafael | 09:21 AM | Comentários (0)
abril 20, 2006
Eu, o pavão e a gaivota

Escrito por Rafael | 10:41 PM | Comentários (2)
Domínio Público
Em boa amostra do que se pode fazer com a internet, o governo -- é, esse mesmo, esse governo aí -- criou uma página que centraliza digitalmente uma coleção de dados ora em domínio público, de estudos técnicos de viablidade comercial a contos de Machado de Assis a Mark Twain. O endereço dessa beleza é www.dominiopublico.gov.br e o que eu mais gostei de encontrar por lá foram vários títulos da editora do Senado, que são baratos e até podem ser encomendados pelo correio, mas são difíceis pra burro de achar, agora ao alcance de um clique: obras como O Rio de Janeiro do meu tempo, de Luis Edmundo ou O Rio como é, de C. Schlichthorst, na série de narrativas de estrangeiros sobre o país no século XIX.
Escrito por Rafael | 10:32 PM | Comentários (0)
Temporada aberta
Outono se instalando, temperatura descendo: botas e cachecóis saem dos armários; fetiches saem de baixo das camas.
Escrito por Rafael | 04:08 AM | Comentários (0)
abril 18, 2006
Lançamentos
Hoje, dia 18 de abril: no RJ, na Livraria Argumento, a partir das 20:00, José Rodrix estará recebendo todos os amigos cariocas para autografar os dois primeiros volumes da TRILOGIA DO TEMPLO, respectivamente JOHABEN: DIARIO DE UM CONSTRUTOR DO TEMPLO e ZOROBABEL: RECONSTRUINDO O TEMPLO.
Terça-feira, dia 25 de abril de 2006, às 19h30 na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country (Av. Túlio de Rose, 80 - loja 302) Daniel Galera arremessa Mãos de Cavalo em Porto Alegre, e no mês seguinte, em São Paulo, numa quarta-feira, dia 3 de maio de 2006, às 19h na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena).
Agora vamos aos confetes: muito bacana ver os amigos lançando assim. Terminei de ler anteontem 120 Horas, de Luis Eduardo Matta e fiquei muito contente em ver como ele evoluiu em relação ao livro anterior. Vou aproveitar o embalo para embicar em Dedo Negro com Unha, do Daniel Pellizzari e, assim que puder, Mãos de Cavalo. Felicidade maior mesmo só quando entrei na página da editora e descobri que a capa tinha sido feita pela Mariana Newlands, cujo portfolio recente nessa área dispensa qualquer tipo de comentário.
Escrito por Rafael | 09:15 PM | Comentários (1)
Felipe Ortiz e o molho de churrasco nazista
Uma das últimas entradas que o Felipe Ortiz fez antes de fechar miseravelmente seu blog enumerava uma quantidade de significados para o símbolo conhecido como a suástica, após o que, lembrava que no século XX ela havia sido despida de todo aquele conteúdo, resumindo-se a um único. Como a maior parte do que o Felipe escrevia, era uma sacada brilhante, quase arqueológica, fruto sempre de uma combinação de pesquisa extensa e wit literário.
Pois bem, não é preciso se enfurnar nos livros para fazer descobertas serendipitosas; um simples supermercado asiático também serve. Lembrei de cara do finado Alexandrinas quando vi esse molho de churrasco vegetariano: ao menos nesse cantinho do planeta a suástica não foi despida de todos os seus significados e ainda pode ornar uma prosaica lata. Que fique aqui, então, de presente para o Felipe Ortiz, como estímulo para que ele caia em si e volte a escrever o blog. Volta, Felipe!

Escrito por Rafael | 10:45 AM | Comentários (3)
Notícias do Planalto
Terminei de ler Notícias do Planalto, tanto quanto sei, um livro obrigatório nas faculdades de jornalismo hoje em dia. Não, isso não quer dizer muito. Quem sabe lembrar que se trata de um catatau de 600 páginas detalhando os bastidores da relação entre a imprensa e o governo nos tempos de Fernando Collor, escrito pelo então chefe de redação da Veja, Mario Sergio Conti, ajude um pouco. É um livro essencial para se entender como se dão as relações dos políticos com a mídia e vice-versa, para conhecer a história dos principais nomes da imprensa brasileira na segunda metade do século XX e compreender os mecanismos que fazem ou impedem de funcionar um governo -- matéria que muito surpreendeu Lula no primeiro ano de mandato no Planalto...
Pode ser surpreendente tomar contato com a trajetória de Roberto Marinho -- esse livro, somado a A Guerra dos Gibis, começa a dar uma idéia quase completa de sua importância -- ou de Adolpho Bloch, mas o que fica mesmo na memória é a biografia impressionante de jornalistas como Elio Gaspari, que conheceu de malandros da Lapa até os grã-finos das colunas de Ibrahim Sued; aliás, um dado comum parece fazer parte da vida de TODOS os jornalistas brasileiros com mais de 50 anos: a militância em algum órgão de orientação socialista. Olavo de Carvalho não estava brincando quando escreveu em O Imbecil Coletivo que a imprensa era dominada pela esquerda, é difícil refutar baseado no que se encontra nesse livro. Talvez também seja surpresa para alguns a maneira aberta como empresários da comunicação e poderosos estabelecem suas relações, os primeiros abertamente bajulando os últimos em seus órgãos de imprensa, em troca de patrocínio federal sob forma de anúncios ou empréstimos. Nada disso abala a tese defendida por Mario Sergio Conti de que Collor foi um produto dos jornalistas, em seu afã de descobrir o novo e furar o concorrente, mais do que dos empresários, que só teriam embarcado abertamente na campanha depois do segundo turno.
Por esse e por outros motivos, o livro cristalizou atenções e recebeu algumas críticas quando de seu lançamento: o autor pintara uma imagem por demais favorável dos empresários, seus futuros empregadores; o autor jogara no mesmo balaio do oba-oba desde veículos que apoiaram Collor desde a primeira hora, como a Rede Globo, até os que nunca se furtaram a enfrentá-lo de frente, como a Folha de SP; o autor não fizera jus ao que realmente acontecera na fatídica edição do debate final, transferindo de Roberto Marinho para Alberico Souza Cruz a responsabilidade pela edição que foi ao ar no Jornal Nacional; o autor não destacara a importância de IstoÉ na descoberta da peça final que conectava o presidente a seu tesoureiro, PC Farias. Entraram na grita os de sempre: Mino Carta e Alberto Dines. Tudo é bastante relativo para quem lê o livro, que prima pela isenção.
O mais notável retrato de Brasil que se extrai do livro, entretanto, não vem de nenhum dos poderosos, políticos ou mesmo jornalistas capazes de alterar o destino da nação em suas labutas diárias. Está no epílogo, quando atualizam-se as informações sobre os principais personagens. É ainda mais impressionante do que a maldição que parece ter se abatido sobre a família Collor, duas mortes de câncer. O destino de Eriberto, o motorista da família do presidente, que forneceu à CPI a informação que faltava para a conexão com PC Farias. Eriberto foi demitido e, conforme prometido pelos repórteres, admitido como motorista da IstoÉ em seguida -- onde não se adaptou, pedindo para ser demitido alguns meses depois. Escreveu para Itamar Franco pedindo reintegração no cargo, mas não foi aceito (qual político empregaria um funcionário... honesto daqueles?). Acabou sendo contratado como contínuo por um ministro, em emprego que lhe rendia 300 dólares mensais na época do lançamento do livro. Onde deve estar até hoje.
Escrito por Rafael | 12:50 AM | Comentários (1)
abril 16, 2006
Rottnest Island
Rottnest Island é um dos lugares que eu queria conhecer desde que pus os pés neste continente. Tem um quê de Paquetá no bucolismo das bicicletas nas ruas, um quê de ilha Grande pelo passado como colônia penal, um quê de Arraial do Cabo e Angra dos Reis pela quantidade de iates e veleiros ancorados e pelos excepcionais pontos de mergulho. E tem fotos no fotolog, sob a tag de Rottnest.
Se eu sumir, já sabem para onde fugi.
Escrito por Rafael | 09:27 AM | Comentários (1)
abril 13, 2006
A França e o multiculturalismo
Os jogadores de origem árabe e africana da seleção francesa, maioria, aproveitaram a vitória na copa do mundo de 1998 para vender a idéia da França multicultural: se havia funcionado dentro daquele time, levando-os ao caneco, porque o país não poderia seguir o exemplo? Nada mais afastado da verdade: se um time de futebol servisse de metonímia para um país, o Brasil seria de primeiro mundo.
Foi mais ou menos com esse espírito que fui assistir Camping at the Farm, uma comédia rasgada, aos 40 do segundo tempo do Festival de Cinema Francês. O roteiro parte de uma premissa tão simples quanto explosiva: 5 jovens delinquentes de origem árabe ou africana são levados a passar um mês prestando serviço comunitário em comutação de pena numa cidadezinha no campo, no coração da França profunda. É o atrito do urbano contra o rural, do marginal contra o oficial, do imigrante contra o nativo. Ao ouvir uma piadinha no bar da cidade, o assistente social retruca com razão: "qual foi a última vez em que vocês viram sarracenos por aqui? Em 1200, por certo?"
Muito da graça do filme se concentra nas patetices dos 5 rapazes em seus afazeres, como a resistência de um muçulmano a trabalhar na reforma da igreja local. Se ficasse apenas nisso, seria somente um filme divertido, mas ao poucos vai-se endereçando, sem perder o tom, o tema principal, qual seja o problema da integração dos imigrantes na tradicional sociedade francesa. Dubiedades de comportamente adicionam complexidade ao painel; aos poucos se descobre que o trabalho comunitário na fazendo não tinha sido um projeto social dos donos da fazenda, mas a contrapartida cobrada pela prefeita para liberar o alvará de uma pousada; que a prefeita tinha interesse em usar o projeto como catapulta para sua imagem política, usando, para tal, dois rapazes na capinagem e marcação de um campo de futebol que nunca seria usado -- a cidade não tinha times -- mas ficaria muito bem na televisão, e assim por diante. Talvez uma mea culpa tardia, motivada por correção política, mas a maior parte das piadas concentra-se no estereótipo do imigrante preguiçoso, namorador, folgado, e que se recusa a sair do gueto cultural/religioso/racial em que se encontra. A mera imagem dos delinquentes, vestidos como cantores de hip hop, andando por uma das ruelas medievais diz mais do que cem teses sociológicas.
A maneira escolhida para terminar o filme, com os adolescentes acolhendo o irmão retardado da personagem feminina principal, deixa uma pulga atrás da orelha. Seriam os imigrantes, assim como os mineiros, solidários apenas no câncer? Ou o diretor quis mostrar paternalisticamente que os excluídos contam apenas com a solidariedade que há entre si? Um certo gosto de correção política fica no ar na saída da sala; apesar das risadas largas ao longo da película, o comentário final arrisca um tom mais sério. Recomendo.
Escrito por Rafael | 02:42 AM | Comentários (1)
abril 12, 2006
Boletim médico
A equipe do SoBReCarGa manda avisar que minha coluna não morreu; encontra-se em estado terminal mas dá vagos sinais de vida desde o começo do ano. O último é essa crônica sobre o filme Casanova. Para passar a régua, antes teve uma resenha do livro de memórias de Stan Lee e outra da última graphic novel de Will Eisner, The Plot.

Escrito por Rafael | 02:32 AM | Comentários (1)
abril 11, 2006
Aí eu falei...
Papo cabeça com Renato Parada.
Escrito por Rafael | 04:45 AM | Comentários (0)
abril 10, 2006
Multiculturalismo, parte II
É uma questão muito mais complexa do que parece.
Poderíamos começar estabelecendo a diferença entre o melting pot e o salad bowl. No cadinho de fusão, jogam-se vários metais diferentes fundindo-os de maneira irreversível numa nova e diferente liga. Já numa cumbuca de salada, por menores que sejam os croutons, pedacinhos de verdura, queijo ou frutas e por mais que estejam embebidos num mesmo molho, você pode identificar visualmente cada item da receita sem maiores dramas.
O Rio de Janeiro, e em maior escala o Brasil, é um melting pot: a junção de imigrantes europeus, africanos e índios numa mesma área postos sob pressão ao longo de séculos desenvolveu uma identidade nova e original que parece converter qualquer novo elemente adicionado à mistura. Mineiros no Rio viram cariocas, baianos viram cariocas, alemães de passagem pela cidade viram cariocas e até paulistas e ingleses não resistem a um dia de praia, umas caipirinhas, uma noite de samba -- e viram cariocas: passam a se vestir, falar e viver como cariocas.
San Francisco na California é um salad bowl. Apesar de ter abrigado chineses, judeus, italianos e negros vindo de diversas partes do Brasil e do mundo nos últimos 150 anos, ainda é muito fácil localizar o que é a comunidade chinesa (Chinatown), a japonesa, onde ficam os italianos -- e continuam falando e comendo e vivendo como italianos -- e assim por diante. Todos falam inglês entre si e usam o dólar para fazer comércio, mas por mais que se encontre descendentes de europeus jogando capoeira ou fazendo meditação zen, as comunidades estão isoladas. O melhor exemplo de melting pot dentro dos EUA é Nova Iorque, onde não importa de onde você venha, se mora lá vai ser mais um apressado, estressado e cosmopolita novaiorquino.
É curioso, porque apesar do Rio ter fama de ser uma cidade cosmopolita, não se encontra espaço ou interesse na cidade para manifestações culturais de qualquer parte do globo. Tem apenas um restaurante tailandês e nem meia dúzia de indianos na cidade. Show de algum conjunto musical africano, se tiver um por ano é muito. O carioca se basta a si mesmo, e agrega ao seu estilo de vida o que lhe interessa dos hábitos estrangeiros, depois de devidamente tropicalizá-los. Querendo diversidade, vá para São Paulo.
Uma das coisas de que a Austrália se orgulha é de seu multiculturalismo, da grande diversidade de culturas e etnias que abriga em seu território. A Austrália também é um salad bowl; há pontos de convergência, mas só se encontram asiáticos nos supermercados asiáticos. É ainda mais curioso, porque apesar da imensa oferta de restaurantes e produtos dos mais diferentes países, os australianos parecem se contentar ou se ater ainda aos hábitos dos ingleses: curtir futebol ou cricket, fazer piquenique e usar a grama (grama não é para ser vista ou respeitada), ir a pub nas sextas-feiras, tomar chá com leite de tarde. A impressão que dá é que 200 anos de império onde o sol nunca se pôs só ensinou os ingleses comer com palitinho, o resto não interferiu em nada nas tradições. Não tem mistura, não tem tanta troca, não dá para perceber uma nova cultura em ponto de fusão como se vê ao vivo no Rio de Janeiro -- e no entanto é muito mais fácil encontrar diversidade aqui do que lá.
Mais complicado ainda é tentar encontrar os motivos. Asiáticos são muito receptivos e amistosos, mas quase sempre andam apenas entre asiáticos e mesmo os ocidentalizados (de Singapura, Malásia, Hong Kong, ex-colônias britânicas, enfim) têm dificuldades em se abrir para elementos da cultura européia: não querem saber do cinema francês, não aparecem numa feira medieval. Já os australianos são mais distantes apesar da descontração, demonstram problemas em perder os hábitos ingleses. Mas se interessam pelo budismo, aprendem a jogar capoeira e dança do ventre árabe, mal e porcamente, vá lá, e sabem que no Brasil se fala português.
Outra diferença importante é que fogos de artifício no meio da noite em Perth são parte da comemoração do aniversário do Buda e no Rio de Janeiro é bagulho novo chegando no morro.
Escrito por Rafael | 05:36 AM | Comentários (5)
Ainversário do Buda
No último final de semana, o gramado do Supreme Court Gardens (que sete dias antes abrigara a feira medieval) foi palco de dois dias de celebração pelo aniversário do Buda, evento patrocinado pela prefeitura, prestigiado em peso pela comunidade oriental e, como quase tudo nessa terra, celebrando o tal do multiculturalismo. Que significa, no caso específico, o seguinte: alternar apresentações de danças típicas ou ao menos imitações bem esforçadas da Escócia, China, Havaí e quem mais se dispusesse.
Aberto ao público, o evento consistia de um palco principal onde essas apresentações transcorriam, um grande altar onde o público podia fazer orações e deixar oferendas, uma fonte aquática e um pequeno altar onde podiam ser depositados pedidos, uma bela estátua branca de um Buda bem gordo, além de inúmeras barraquinhas de comida asiática e do oriente médio. Uma das tendas trazia cartazes contando de maneira bem simplificada a vida de Siddartha Gautama (se você não sabe quem é, melhor parar de ler por aqui); outra tinha mostras de algumas manifestações culturais chinesas das quais a mais interessante era a caligrafia -- você podia ter o seu nome escrito em ideogramas chineses. Esse papo de ideogramas lembra a piada que Millôr Fernandes contava que Marimbondos de Fogo de José Sarney não poderia ser traduzido para o chinês porque a escrita era ideogramática e o livro não tinha nenhuma idéia e não tinha nenhuma gramática...
Não fiquei muito tempo por lá nem tirei fotos, apanhei alguns folhetos e vim me embora. Se tivesse insistido, quem sabe poderia ter aproveitado uma rodinha de tai chi chuan ou provado um dos pratos à base de curry. Mas à parte acompanhar o que rolava no palco, não tinha muito o que se fazer.
Algo que muito me chamou a atenção foi o fato de, na semana anterior, não vi um só asiático na Feira Medieval. Já na festa de aniversário de Buda compareceu um pequeno mas bem perceptível contingente de ocidentais. O que anotei como mais um pé de página no que se entende aqui por multiculturalismo.
Escrito por Rafael | 05:04 AM | Comentários (0)
abril 07, 2006
Quanto você me ama?
Camarada ganha na loto e oferece a uma prostituta, ao invés dos 150 euros por um programa, 100.000 euros por mês para que ela MORE com ele até que o dinheiro ACABE. Ela se transforma na dona de casa dos sonhos de qualquer homem, uma mulher de, digamos, cama e cozinha. Até que o gangster cafetão entra em cena.
Monica Bellucci faz a prostituta. Gerard Depardieu faz o cafetão. Esse filme eu não perco de jeito nenhum!!!
Atualização: a menos que todos os ingressos da única sessão tenham sido vendidos com antecedência... Tem erro não, em junho tá em cartaz.
Escrito por Rafael | 06:06 AM | Comentários (1)
Chopnics, de Jaguar e Ivan Lessa
Agora que editaram uma coletânea do Pasquim, talvez alguém se volte a lembrar de uma das melhores tiras em quadrinhos nacionais, veiculada durante a maior parte do tempo naquele jornaleco: Chopnics, de Jaguar e Ivan Lessa. Engraçado que o Ivan Lessa tinha vergonha de contar que escrevera alguns roteiros bolara piadas para a tira, mas outro dia andou falando bastante sobre na coluna da BBC. Nessa entrevista, Jaguar conta os bastidores da criação e como ela vei a se transformar no que foi. Para mim, está entre as melhores tiras brasileiras de humor de todos os tempos, junto com Mil e uma Noites de Paulo Caruso e Ed Mort, de Veríssimo e Paiva.
Até há pouco Chopnicks, com k no final, parodiando beatnik, era um perfeito google whack: apontava somente para este blog. Hoje nem sei mais como está.
Escrito por Rafael | 04:22 AM | Comentários (1)
Em busca de uma definição
Australiano é o mais próximo da descontração que um anglo-saxão consegue chegar.
Escrito por Rafael | 04:20 AM | Comentários (0)
abril 06, 2006
Tradições inglesas
O que seria dos ingleses sem suas seculares tradições? Dica do Freddy.
Escrito por Rafael | 10:29 PM | Comentários (1)
Truman Capote
Pode parecer franco espírito de porco da minha parte, mas só fiquei interessado pela biografia de Truman Capote que terminei de ler no embalo do filme (que me lembrou muito bem porque eu tinha me prometido não ler mais nenhum livro de 500 páginas...), depois que ele entra em decadência. Antes, a impressão é a de que tudo o que ele fez entre 46 e 66 deu certo, à parte a infância de ausências afetivas, mas nem por isso dickensiana ou de privações como, por exemplo, a de Nelson Rodrigues. Depois, perdeu o controle de si mesmo e trocou de lado com a pintura de Dorian Gray.
Talvez a impressão tenha sido essa porque a maior parte dos eventos da vida dele eu já conhecia -- a maneira como ele enrolou Marlon Brando e os assassinos da família Clutter para escrever suas reportagens, a frequência ao Studio 54 no fim da vida, a foto de contracapa de Other Voices, Other Rooms que chocou uma geração, o baile de máscaras branco e preto, a amizade com Harper Lee na infância -- e a biografia não aprofunda tanto, num formato bastante rígido que, se dedica praticamente um capítulo para cada ano de vida do escritor, não se permite relaxar e abrir mais espaço para acontecimentos marcantes, como o baile de máscaras, por si só objeto de um livro inteiro de George Plimpton. Onde eu não conhecia, não me interessou: na extensa lista dos romances homossexuais, por exemplo. Sobraram uma ou duas histórias realmente interessantes, como quando ele ganha várias quedas de braço seguidas de Humphrey Bogart durante as filmagens de Beat the Devil, ou quando clama ter levado para a cama o escritor existencialista Camus, notório mulherengo, mas a impressão é de que foi pouco para as 400 páginas. Ah sim, e o piti que ele dá quando Norman Mailer arrecada todos os prêmios literários com Armies of the Night, num estilo misturando ficção e reportagem aparentado ao de In Cold Blood, que vendeu pra caramba, elevou-o ao status de escritor mais importante do país e sumidade em criminalística -- mas não teve o devido reconhecimento da crítica, leia-se prêmios.
Claro, essa foi a impressão porque eu já tinha uma idéia bastante boa do que fora a vida dele (e lido dois de seus textos fundamentais); deve agradar bem mais quem conheceu-o apenas por causa do filme. Voltando ao raciocínio anterior, parece que depois de In Cold Blood a consequência de todos os comportamentos duvidosos que ele teve em vida caíram na cabeça dele, toda a fofocagem, prevaricação, promiscuidade, as traições, tudo que era meio tolerado ou deixado pra lá na conta da excentricidade passou a ser o centro dos assuntos. Curioso que ele também tenha vítima da cegueira do escritor, que impede o autor de notar certas nuances de seu trabalho que podem ter consequências terríveis: Truman não imaginava que o capítulo de Answered Prayers teria uma repercussão tão violenta, banindo-o dos meios sociais. Seu fim é tão auto-destrutivo quanto o de qualquer um que tenha passado a vida inteira em desarmonia com a própria identidade, ao mesmo tempo orgulhando-se de ter vencido apesar de caipira, afeminado e esquisitão e desejando envergonhadamente ser apenas mais um sujeito comum.
Agora chega, vou ler alguma coisa em português para desbaratinar.
Escrito por Rafael | 02:51 AM | Comentários (0)
abril 04, 2006
Pasquim e os blogs
Já deve estar nas bancas por aí essa Bravo! com a Marisa Monte na capa, onde rola matéria sobre essa edição especial coletando os primeiros anos do Pasquim. Fabio Danesi Rossi escreve sobre a herança do Pasquim nos blogs e, segundo me conta, cita este modesto espaço, o que me envaideve um quanto. Obrigado, Fabio; espero que corra tudo perfeitamente. Ainda nessa linha "a imprensa presta reverência aos escritores de blog", há dois domingos Daniel Piza citou Alexandre Soares Silva na coluna Sinopse do Estadão, Diogo Mainardi também já citou algumas vezes. Conheci os textos do Alexandre em 2002, e atesto que desde essa época ele não precisava do aval de nenhum medalhão para ter sua qualidade reconhecida, mas sempre é legal ver esse tipo de notícia.
Escrito por Rafael | 11:16 PM | Comentários (0)
Casanova, V de Vingança
Casanova foi mais uma desculpa para conferir o resultado das filmagens que estavam fazendo enquanto eu visitava a cidade e, claro, ir de novo no Burswood outdoor -- cinema ao ar livre é bom até com chuva. Lembro que a piada corrente entre os locais, na época, era que o notório sedutor estava virando personagem de um filme dos estúdios Disney (só faltava a chamada, casanova para crianças...). Nunca é demais rever Veneza, ainda mais debaixo das lentes da compania de Mickey Mouse, que fazem Veneza aparecer com todo o esplendor do tempo dos doges -- mesmo que você desconfie que metade de tudo ali seja computação gráfica --, e não aquele museu ao ar livre meio decadente que é hoje, mesmo que para isso seja preciso aturar os ovos que o ex-caubói gay e ex-irmão Grimm mais bobo Heath Ledger colocou na boca antes de encarnar o conquistador veneziano. E não tirou mais.
Eu deveria ter me espantado mais com o peso em que a platéia compareceu, não soubesse que Ledger é conterrâneo de Perth e que australiano adooooooora um programa ao ar livre (cinema nem tanto, mas piquenique é com eles mesmo) e, pelo que tenho notado, também acha se diverte bastante com aquelas piadinhas tolas de filme americano que, dizem, agradam sobremaneira os ianques, mas que soam indescuplavelmente ingênuas aos olhos de qualquer latino.
Na mesma época estavam fotografando também outro filme na cidade, Theft Lord.

Já V de Vingança melhorou a má impressão que o trailer tinha deixado, mas não saí satisfeito. A crítica profissional andou escrevendo que o mérito do filme foi não ter diluído a mensagem subversiva de Alan Moore. O que é questionável até porque o barbudo hirsuto agora coloca como cláusula de contrato que seu nome não apareça nos créditos... Eu não ponho muita fé em nenhum filmão hollywoodiano que venha com essa de vender rebeldia contra o sistema, de Clube da Luta a Matrix. A adaptação, as mudanças que se fizeram para levar a história para as telas, entretanto, foi bem feita; é razoável supor que V e Evey Hammond tenham tido tantos diálogos na Galeria Sombria quanto o filme mostra. Mas poderiam nos ter poupado de colocar V de avental fritando um ovo e daquele monte de gente de máscara e capa no final. De resto, paternalista a maneira como mostram a reação do público às declarações públicas de V na televisão, e também não gostei de como reduziram o potencial da história ao traçarem paralelos com o presidente dos EUA. Sim, a história original foi feita a partir de uma crítica aos governos Tatcher e Reagan, mas transcende completamente essa referência histórica ao se transformar num libelo pela liberdade. Já o filme parece ter sido feito com o propósito exclusivo de cutucar os EUA, a discussão política maior sobre totalitarismo ficando para o detalhe.
Escrito por Rafael | 10:59 PM | Comentários (0)
abril 03, 2006
Feira medieval e de comida
Mencionei que tinha ido a uma feira de comida e outra medieval. As fotos já estão no fotolog. Para facilitar a consulta, basta seguir as etiquetas "food" e "medieval", respectivamente.
Palhinha: flagra do momento exato em que uma tribo de bárbaros parte para batalha.

Escrito por Rafael | 11:54 AM | Comentários (1)
Resumo de março
Fui a um festival de cerveja, um de música de dança celebrando o multiculturalismo e uma feira de produtos naturais (onde 90% das barracas era de azeite de oliva, e das restantes, metade era de vinho). Coloquei no ar o fotolog, redescobri o prazer de chegar em Fremantle desembarcando pelo mar, comprei um carro. Assisti a uma manifestação contra a guerra no Iraque, assisti 2 filmes (A History of Violence e Casanova), uma peça (Dealer's Choice) e a cerimônia do Oscar. Li as memórias de Stan Lee. Descobri um ou dois segredos da cidade.
Bem menos animado do que fevereiro, mas mesmo assim um dos mais inesquecíveis verões.
Escrito por Rafael | 04:17 AM | Comentários (0)