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junho 30, 2006

Jason

Conheci Leonardo Panço nos tempos da finada Panacea, ele era uma espécie de correspondente carioca para assuntos musicais e undergrounds da revista, enquanto minha área de interesse eram quadrinhos. Panço não é só testemunha ocular; participou do que se convenciona chamar a cena underground carioca na década de 1990. Entrevistou em 1994 o Planet Hemp, isso num tempo em que B.Negão e Marcelo D2 tinham a mesma, digamos, opinião política e viu surgir Black Alien, O Rappa, Acabou la Tequila, tudo que aconteceu de importante no Rio naquele período (inclusive sua banda de então, Soutien Xiita) e que foi parar ou não no mainstream. Juntou muita história para contar, inclusive um livro inédito sobre esses bastidores, naquele estilo fluente dele que sempre admirei. Por isso foi com grande surpresa e felicidade que vi a notinha sobre a excursão de sua banda, Jason.

Escrito por Rafael | 02:44 AM | Comentários (0)

junho 28, 2006

O time que a seleção inglesa pode pegar na final

1 - Did are
2 - Car full
3 - Look see you
4 - Who one
5 - When mear son
6 - Who bear to car loss
7 - Add dream an no
8 - car car
9 - Who now do (Few now men no)
10 - Who now dream you gay you show
11 - Zero bear to
12 - Who jerry scene
13 - See seen you
14 - Crisis
15 - Low is on
16 - G you bear to
17 - G you bear to silver
18 - Mean arrow
19 - June in you
20 - Rich are dream you
21 - Fried
22 - July Scissors
23 - Who bean You

Escrito por Rafael | 01:09 AM | Comentários (1)

Quanto é que você me ama?

Não via uma presença feminina na tela tão provocante assim desde, quando?, Zeta-Jones.

Escrito por Rafael | 01:04 AM | Comentários (0)

junho 27, 2006

O humorista tem de ter piada na lápide

Circa 1998, chamaram para uma roda de leitura no CCBB três dos cassetas: Beto Silva, Hubert e Bussunda. Como a totalidade das pessoas ali presentes, fui na certeza de desopilar o fígado que a trinca garantiria -- mas também para comprovar que não era montagem aquela antiga fotografia no centro acadêmico onde o Beto Silva aparecia ao lado de um futuro professor meu.

Tinham acabado de lançar A Volta ao Mundo de Casseta e Planeta, um dos primeiros livros pela Objetiva, e a roda servia tanto para divulgá-lo como, ahn, estimular o gosto geral pela leitura. Depois do Hubert colocar o auditório abaixo com o texto Caxambu, terra de contrastes, passaram às perguntas sérias e, note-se bem, isso aconteceu há 8 anos, alguém questionou quais eram os projetos pessoais de cada um. Beto Silva limitou-se a dizer que queria escrever um livro (não sei se conseguiu até hoje), seguido pelo Hubert, que estava falando daquele jeitão dele, "eu acho que eu sou um cara feliz, porque eu já tive um filho, eu já escrevi um livro, eu já plantei uma árvore, então eu acho que eu já fiz tudo o que tinha para fazer...", quando é cortado secamente pelo Bussunda ao microfone:
-- Então moooooooorre, filho da puta!

Pior que morte, só morte de gente engraçada e pior do que morte de gente engraçada, só morte de gente engraçada em hora inesperada. Felizmente existe Inagaki para escrever o obituário.

O que eu mais respeitava no Bussunda era o fato de ter feito uma carreira completa no Brasil, sem precisar ter aprendido inglês ou copiado símiles estrangeiros (sim, o TV Pirata e o Casseta & Planeta pagam tributo ao Monthy Phyton, mas como influência, nunca como modelo final, influência pequena diante da importância que Ivan Lessa, Veríssimo, Millôr Fernandes e Jaguar têm nos textos deles). Agora tudo o que resta é um autógrafo desbotado, mas como dói. E já que estamos no Drummond, a melhor paráfrase poética também é deles:

Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimunda
seria feia de cara
mas boa de rima

(Sim, a frase que dá título a essa nota é do Bussunda.)

Escrito por Rafael | 03:31 AM | Comentários (0)

Linguazinha miserável

Malaio é uma língua complicada aos ouvidos latinos, mas sobra interesse em vasculhar os resquícios que o português deixou por ali. Não é muito complicado imaginar que bas sekolah seja ônibus escolar (bas = bus), ou que polis seja polícia (police) -- ainda mais quando você vê essas palavras pintadas nos respectivos veículos... Mas eu tenho para mim que não seria muito complicado supor que Tuntutam Bagasi é bagage claim.

Escrito por Rafael | 02:03 AM | Comentários (0)

Mais KL

Além de ter ilustrado a nota abaixo, coloquei algumas fotos de Kuala Lumpur no fotolog, sob a etiqueta Kuala.
Tem também aquela musiquinha para quem não lembra:

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Kuala Lumpur
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Kuala Lumpur
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Kuala Lumpur
Sofrem por seus maridos
Poder e força de Kuala Lumpur
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas, obcenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Kuala Lumpur
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Kuala Lumpur
Quando eles se entopem de vinhos
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Kuala Lumpur
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Kuala Lumpur
Elas não tem gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Kuala Lumpur
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Kuala Lumpur
As jovem viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Kuala Lumpur
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Kuala Lumpur

Escrito por Rafael | 01:58 AM | Comentários (2)

junho 23, 2006

Kuala Lumpur

Para qualquer brasileiro que me perguntasse, eu diria simplesmente: Kuala Lumpur é São Paulo no meio da Amazônia.

O ritmo frenético, a vida girando em torno de shoppings, restaurantes e diversão emparedada, a arquitetura modernosa e arrojada, a diversidade étnica e gastronômica, o arlequinesco tecido urbano (essa eu roubei do Sergio Augusto), os engafarramentos irritantes; a vegetação abundante, a umidade excessiva do ar, o clima permanentemente abafado e as chuvas diárias: está tudo lá.




Aliás, é de se admirar que uma cidade tão moderna tenha se desenvolvido em área tão precária e sujeita a alagamentos durante as monções, além de doenças como malária e febre amarela. Nada que um bocado de teimosia e insistência não resolvam -- mesmo que aquele mar de asfalto não pareça, de forma alguma, o par ideal para tanta chuva.



Mas tem coisas que só KL tem. Por exemplo, antigos proprietários de casas coloniais mantiveram suas moradias bem no centro da cidade, garantindo oásis de vegetação abundante e espaço livre entre o aço e vidro dos arranha-céus -- isso enquanto São Paulo concreta a margem do Tietê...



E quando eu falo em vegetação abundante, é daquele verde que só existe nas folhas das florestas equatoriais, abundante, vivo, que só brota em lugares onde chove todo dia, como a Amazônia -- Kuala Lumpur está alguns paralelos acima do Equador, e a uma hora de vôo de Singapura, mesma distância da ponte-aérea.



Outra diferença marcante há quando se olha para as construções históricas religiosas: ao invés da gótica Catedral da Sé, em KL há mesquitas gigantescas e templos budistas e hindus notáveis. Mesmo em vários prédios de escritório pode-se perceber a importância dos traços islâmicos, mas a profusão de janelas e apartamentos por andar lembra de novo a densidade paulistana.



As torres gêmeas, mais altas do mundo, são infinitamente mais bonitas de noite, quando chegam a brilhar. É uma pena que só possa ser possível subir até a ponte que as une a meio caminho; para chegar nos andares mais altos é preciso ser convidado por alguém que trabalhe nelas -- sim, as torres são prédios de escritório.

Escrito por Rafael | 05:44 AM | Comentários (1)

Menos um -- acabei de saber

Via Bud Plant: Jack Jackson morreu no dia 8 de junho com 65 anos. O desenhista, que assinava como "Jaxon," estava entre os pioneiros do underground, co-fundando a Rip Off press e se notabilizando por narrativas de base histórica como Comanche Moon, Indian Lover e Lost Cause.

"Um historiador -- se faz valer esse nome -- deve ser um contador de histórias. A única diferença que há em trabalhar graficamente é que deve-se apresentar idéias complexas em tão poucas palavras quanto possível. Porém, ter imagens junto de palavras permite a expressão dessas idéias de modo muito mais eficiente do que somente com palavras. É por isso que eu faço tanta pesquisa para minhas 'histórias ilustradas'. A arte estabelece um elo realístico com outros tempos — como se fosse uma máquina do tempo para o leitor."

Escrito por Rafael | 05:33 AM | Comentários (0)

Dando mole

A estatística é a seguinte: de cada duas francesas, uma olha; inglesas, nunca; australianas não olham: todas as italianas olham e malaias de origem chinesas, em geral, olham.

Escrito por Rafael | 05:22 AM | Comentários (0)

junho 22, 2006

Corrida de saco

Sábado passado a turma daqui resolveu organizar uma festa junina em plena Perth e o pior é que deu certo. A variedade dos doces e salgados comprova o sucesso; descolei uma paçoca de Singapura num supermercado oriental que deu o maior ibope -- para quem não sabe, também tem paçoca em Singapura, onde atende pelo nome de peanut cake, exatamente naquele formato cilíndrico que se encontra nas boas bibocas brasileiras do ramo e tem caldo de cana com pastel em Kuala Lumpur (sugar cane juice with pastries). Terceiro mundo é tudo igual.

amendoim torrado, bolo de côco com milho, torta de nozes, paçoca, pão de ló, pipoca colorida e até uma cachacinha rolou

Eu diria que o melhor momento da festa foi a quadrilha, se não tivesse rolado antes corrida com ovo e corrida de saco. Vou poupar os detalhes vexaminosos da primeira, mas a segunda não escapa e já está na maquinha de fazer hype:

Quem me conhece vai me ver levando um cavaco de um participante que voltava enquanto eu ainda ia. Atenção ao cara cruzando a linha de chegada com o saco enfiado na cabeça. Para quem quiser espalhar, o endereço é:
http://www.youtube.com/v/lngPHtKHNco

Escrito por Rafael | 11:30 PM | Comentários (1)

junho 16, 2006

Ásia

Semana que vem o acesso estará comprometido, então é capaz das coisas ficarem meio paradas por aqui. Por outro lado, enfim vou estar numa cidade de um continente onde só coloquei os pés de passagem até agora. Presentão.

Escrito por Rafael | 03:39 AM | Comentários (2)

Justificando o título

Seu Noronha matou no peito com categoria e passou a bola para mim, no que deve ser o meme mais bem, opa!, bolado de 2006: escalar uma seleção para a copa da literatura. Como eu li muuuuuuuito menos ficção do que ele, vou reduzir meu espaço de drible só para o elenco nacional (e ainda assim foi difícil fechar os onze), mas chega de reclamação que a bola está rolando.

Goleiro tem que ser uma referência, alguém em quem o resto do time confie, então escolhi a maior unanimidade dos últimos anos, Machado de Assis. Zagueiro ruim mas eficiente no meu tempo era chamado beque de roça, e ninguém melhor para fechar a zaga brasileira do que Monteiro Lobato e Guimarães Rosa, dois que sabiam tudo de capiau. Para a lateral esquerda, um que entendia tudo de futebol e mais um tanto de escrever sobre futebol: João Saldanha, cujo contraponto pela direita só pode ser Nélson Rodrigues. No ataque, é preciso ofensividade, então vamos de Paulo Francis e Lima Barreto, enquanto a tão falada criatividade no meio de campo fica a cargo de Rubem Braga, capaz de extrair uma crônica do nada, e Otto Maria Carpeaux, esse uma enciclopédia de mandar Nilton Santos pro banco. E para fazer a ligação, dois craques em mais de um gênero literário, capazes de ir do clássico ao popular, da crítica de jazz à piada de botequim, da tradução erudita á gíria de esquina: Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Porto. O técnico, evidentemente, só pode ser Aurélio Buarque de Holanda.

Quem quiser pode entrar na linha de passe, mas eu levanto a bola pro Mozart, pro Renato Parada e pro Rafael Azevedo.

Escrito por Rafael | 02:58 AM | Comentários (1)

junho 12, 2006

A Copa, do ponto de vista australiano

A revista Four-Four-Two publicou um especial com direito a tabelão, caderno especial analisando time a time (feito com antecedência, ainda inclui Roque Junior na defesa brasileira) e reportagens especiais -- a que rememora 1974 é preciosa, com detalhes sórdidos dos bastidores da equipe vencedora. Também tem uma muito boa, listando motivos que poderiam derrubar o favoritismo brasileiro -- de salto alto a superstição, está tudo lá, com direito a aspas de Juca Kfouri e Falcão. Uma rápida retrospectiva das copas resume o que aconteceu de mais importante e uma escalação dos melhores gols de todos os tempos dá o caneco para o de mão de Maradona contra a Inglaterra -- não fosse a revista inglesa... -- além de citar um de Nelinho em 1978 e o de Éder, contra a USSR, em 1982. O quarto gol do Brasil contra a Itália em 1970 aparece apenas na nona colocação, profunda injustiça, apesar daquela copa ser citada como o Summer of Love do futebol (menor número de cartões vermelhos de todos os tempos) e da descrição dizer que "nunca foi tão fácil jogar futebol".

Na melhor de todas, reuniram um grupo de torcedores: um alemão, um francês, um italiano e um norte-americano, para bater boca sobre futebol. Visivelmente deslocado ali no meio, o americano chega a citar a derrota para o Brasil em 1994, por ser um dia 4 de julho, quando pedem a cada torcedor que lembre um momento marcante; ao menos os outros tinha títulos para comemorar. O ponto alto é quando pergunta qual time cada um ali odeia. Meio à procura de um bode expiatório, o americano cita o México; os demais europeus são quase unânimes em afirmar que odiavam o Brasil. É quando o italiano, rival histórico, perde as estribeiras e solta uma pérola digna de Paulo Francis: "Brasil? O que é o Brasil? Um país de terceiro mundo com café!!!". De rolar de rir.

A propósito das perspectivas, o capitão do escrete inglês, Terry, enumera cinco motivos porque a Inglaterra será campeã. Ler a matéria do ponto de vista atual chega a ser cruel, porque o primeiro motivo é logo Wayne Rooney. O jornalista pergunta o que eles farão se Rooney não puder jogar, e a resposta de Terry é "não quero nem pensar nisso"... O técnico holandês Guddis Hudincke, que conseguiu a proeza de levar a Austrália à copa depois de 32 anos, quando fizeram a pífia campanha de 2 derrotas e 1 empate na Alemanha, fala grosso mais uma vez na entrevista, dizendo que sabe como parar o Brasil -- depois daquela, repetiria o mesmo várias vezes para os jornais locais. Escoceses, franceses, ingleses e asiáticos reconhecem a superioridade da equipe brasileira. Até mesmo argentinos (Riquelme e Messi) e assentem esse favoritismo. Só mesmo um time deu declarações dizendo que ia jogar de igual pra igual com o Brasil: Austrália.

Na televisão, a campanha da Nike -- falar em Copa é sinônimo de falar da campanha da Nike, desde 1998 -- lança mão da auto-ironia: um velhinho caquético aparece dando os parabéns à equipe australiana e logo em seguida começa a enaltecer a habilidade brasileira, citando o slogan Joga Bonito. A peça termina com o velhinho tirando uma com o apelido da equipe australiana: Socceroos?! Soccer whos? Em outra, ele está sozinho na arquibancada de um estádio perturbando o jogador Marco Bresciano ("como você vai derrotar o Ronaldinho?"), que lhe derruba com uma bolada à distância. Ambas concluem com o mesmo texto: History is against us. Stuff History, sobre o símbolo da Nike. Os comerciais passam num único canal, SBS, que está transmitindo todos os jogos, com direito a reportagem local na Alemanha e comentarista dando pitaco. As matérias sobre os torcedores longe de casa se equiparam às da Globo em tolice. Mas ninguém tira o título do comercial mais sem noção da Hyundai, cujo roteiro sobre imagens históricas é assim: em 1966 a Inglaterra venceu. Em 1986, foi a vez da Argentina vencer. Agora, em 2006, é a Austrália quem ganha... a nova promoção da Hyundai veículos.

A impressão é de que alguém anda colocando muita grana para desenvolver o gosto pelo esporte por aqui, tal como nos EUA em 1994 ou no Japão/Coréia em 2002. Na mesma SBS, num intervalo de meia hora entre as notícias e o primeiro do dia, exibem há meses um reality show chamado Nerds F.C. onde um grupo de nerds é submetido ao treinamento técnico e físico profissional para se transformarem "em homens de verdade", num verdadeiro time de futebol. Lamentável. A maior parte da piadinhas decorre da falta de preparação e disposição física dos futuros atletas, embora nenhum se enquadre no arquétipo do nerd obeso. Tudo para acostumar o público ao jogo de futebol. Mas a verdade é que os torcedores estão ali mais pelo patriotismo, ou se preferirem ufanismo, do que por gostar de bola.

Nas lojas de roupas mais descoladas é fácil encontrar agasalhos e camisetas com as cores do Brasil, que por acaso são as mesma da Austrália, e dos assim chamados 4 países fashion: Inglaterra e Itália. Nas últimas semanas não foi difícil encontrar gente na rua com essas roupas, mesmo que o motivo fosse muito mais estar por dentro de uma tendência de moda do que propriamente o futebol. Alguns pubs ficarão abertos durante a noite e madrugada (os jogos serão às 21h, 24h e 3h), aproveitando os telões que tradicionalmente exibem rugby ou futebol australiano para a Copa; resta saber se atrairão público correspondente. Instinto patriotico a ser explorado não falta, mas isto também não basta para criar uma corrente de torcedores. A bola já está rolando.

Escrito por Rafael | 10:58 PM | Comentários (1)

As elite! As elite!

O truque, para Thurow, é jamais trocar elite por oligarquia. Elite, ele ensinou, é aquele punhado de pessoas que se trata pelo apelido de infância, casa-se entre si, ganha bastante dinheiro e manda muito no país”. A oligarquia também não passa à primeira vista de um punhado de pessoas que se trata pelo apelido de infância, casa-se entre si, ganha bastante dinheiro e manda muito no país. Mas, ao contrário da elite, ela não enxerga um palmo adiante de seus interesses imediatos.

Artigo essencial de Marcos Sá Correa para ver se acaba no Brasil isso de elitismo ser xingamento.

Escrito por Rafael | 10:56 PM | Comentários (0)

Fear and Loathing na Cara do Gol

Como ainda estou sob os eflúvios do livro de cartas de Hunter Thompson, resolvi organizar aqui uma seleta dos comentários e mensagens recebidas até hoje e salvos na última organização de emails. Quem não quiser ver seu bom nome exposto a seguir, reclame que eu tiro.

Para começar, uma notinha de um cara que aparecia muito por aqui nos idos de 2002 e 2003 e se assinava Guaco Bey. Era frequente nos comentários da Patricia e do Mario AV, escrevia com um jeitão de conspirador cibernético e sempre terminava dizendo algo tipo "afastem o medo, vistam a luz":

OK, num nos conhecemos, mas arrisco um e-mail com dois links ai pra tua caixa de msgs...

divirta-se, ou não.

abs,
g.
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The world's financial and political elite are to hold a closed meeting in France on Thursday where delegates are expected to be focusing their attention on post war Iraq.
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/europe/3031717.stm

THE ROVING EYE
The masters of the universe
By Pepe Escobar
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/EE22Ak03.html


Ainda nos primeiros tempos eu era dado a brincadeiras de estilo que infelizmente abandonei, a que mais me divertiu foi apresentar variações rimadas do verso Se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio (Se alguém quer matar-me de bobeira, que me mate em Madureira etc). Rodolfo Padovan gostou e mandou sugestões:


> >"Se quer matar-me com fuzil, que me mate no Rio."
> >
> >"Se quer matar-me de calor, que me mate na linha do
> >Equador."
> >
> >"Se quer matar-me a qualquer hora, que me mate agora."


Enio Martins mantinha o Patos & Fotos, co-pilotou o Blog'n'Roll e depois foi para a Radio Agência. Durante certo período, também era bastante assíduo na pequena área. Foi um dos que primeiro cobrou uma janela para comentários:


E aí, Rafael?

Cadê a janela, cara? A gente tem vontade de meter o bedelho nas suas coisas
e não consegue.Vc fica ali fazendo cêra com a bola e a gente impedido na
banheira.

Baita abraço,


Entendia um bocado de música pop e mandou essa dica sobre um plágio do John Lennon:


Mais uma de Come togheter: Lennon plagiou "You can't catche me" do Chuck
Berry para fazê-la. Não jogue pedras em quem ama os Beatles: o próprio
Lennon assumiu. Pagou uma graninha aos autores e editores da música e foi
"obrigado" a gravá-la no contábilmente atrapalhado álbum "rock an roll".

Noves fora, informação, números, códigos binários e que tais, dançam nos
cerebelos globais. Hehehe.


Almirante Nelson, também há longa data jogando na banheira, mandou uma pérola por ocasião da morte do cartunista Al Hirschfeld:


É, o velho Al inverteu o dito: sumiu mas deixou traço. E que traço.


Felipe Ortiz fazia parte do escrete fundador dos Wunderblogs e começamos a nos corresponder por causa de teatro grego. Formado em economia, erudição era mato nas mensagens dele:


P.S.: Você conhece um livro chamado "Ensaios Analíticos", de Mário Henrique Simonsen? Era principalmente neste livro que eu estava pensando quando o citei. Eu tenho, mas ainda não estou à altura dele. Você, engenheiro como
Simonsen, certamente conhece Matemática e Física o suficiente para aproveitar já a leitura. É um curso de Metodologia da Economia que ele deu na FGV daí do Rio. Mas ele se inspira nos métodos de outras ciências, o que
a torna uma obra de interesse universal. E o estilo de Simonsen é muito bom. Um grande livro - se tivesse sido escrito em inglês, já gozaria de traduções em várias línguas.


Depois ele veio a detalhar melhor o assunto:


Rafael,

Obrigado por divulgar a obra do Sampaio. Volta e meia descubrimos um grande brasileiro desconhecido que é preciso estudar e reabilitar. Vou ler os livros disponíveis do Sampaio assim que estiver à altura deles. Senti que
vale a pena tentarmos discuti-lo, escrevermos e publicarmos uns ensaios, projetarmos o nome dele a um número maior de leitores.

Ontem eu estava lendo o "Syntopicon", uma espécie de "índice remissivo de idéias" que acompanha os "Great Books of the Western World", da Britannica. Esse Syntopicon referencia as idéias contidas em todos os 443 livros
disponíveis na coleção, mais os 77 livros da Bíblia, e ainda oferece referências bibliográficas de outros 2.603 livros sugeridos para o estudo de assuntos específicos. Ao todo são 3.126 livros que, segundo o educador Mortimer J. Adler, constituem o patrimônio cultural essencial do Ocidente, a biblioteca fundamental de nossa civilização.

Até agora não encontrei referência a nenhuma obra de língua portuguesa, o que se deve em parte à barreira lingüística, e em parte também ao esquecimento em que os grandes intelectuais de nossa língua tendem a cair
aqui mesmo, no Brasil. Mas ontem eu notei que Adler incluiu pelo menos um brasileiro no Syntopicon. É o filósofo e teólogo Maurílio Teixeira Leite Penido, que foi indexado graças à sua obra escrita em francês "Le Rôle de
l'Analogie en Théologie Dogmatique" ("O Papel da Analogia na Teologia Dogmática"). Ele foi colocado ao lado de seus contemporâneos Whitehead, Bergson e Maritain como um dos nomes máximos da Teologia filosófica no
século XX...

Mas diz aí: você já havia ouvido falar em Maurílio Penido? Pois é, nem eu. Para ser exato, eu já havia visto sim uma brevíssima nota biográfica na "Enciclopédia Mirador" e umas poucas referências elogiosas, ditas de passagem, nalguns dos ensaios que Olavo de Carvalho reuniu no "Imbecil Coletivo". Mas mesmo Olavo parece considerá-lo um pensador menor, embora interessante. Entretanto, as referências de Adler fazem desconfiar de que se
trata, na verdade, de um pensador de primeira grandeza.

E totalmente desconhecido, tal como Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Luiz Sérgio Coelho de Sampaio e o próprio Olavo de Carvalho, que nem é tão notório assim, como você e eu sabemos. Além daqueles que gozam de um prestígio puramente paroquial: Newton da Costa, que é reconhecido entre matemáticos mas é praticamente ignorado pelos filósofos; Miguel Reale e Pontes de Miranda, prestigiados entre juristas, mas
pouquíssimo lidos entre filósofos; Eugênio Gudin e Mário Henrique Simonsen, economistas cujas obras teóricas mais densas são virtualmente desconhecidas; e por aí vai...

Uma das tarefas básicas dos intelectuais da nossa geração é desenterrar esses alicerces esquecidos da nossa cultura. Se não formos bem-sucedidos nisso, vamos nos perder de novo, como quase todas as gerações precedentes, na inútil tarefa de reinventar a roda.

Abração
Felipe Ortiz


Bruno Garschagen era companheiro de fé nas colunas terças-feiras nos tempos de Digestivo Cultural e depois veio morar no Rio, onde andou entrevistando uns figurões. Sergio Augusto foi um deles, acho que por conta do lançamento do livro Lado B. Critiquei algumas respostas e a repercussão foi inesperada (grifos meus):


Rafael, meu velho, boas notícias.
Há alguns dias sugeri ao Sérgio Augusto que visitasse seu blog pelo comentário da entrevista.
Ele ontem me mandou uma mensagem dizendo que concordava com o que você disse (...)
Grande abraço.
Bruno


Ruy Goiaba, outra presença ilustre que sempre merece tapete vermelho, reduziu a pó uma notinha em que eu lamentava que os ícones por onde o Brasil era identificado hoje no exterior fossem sandálias Havaianas, o filme Cidade de Deus ou a depilação conhecida como Brazilian wax (teve um cara aqui na Austrália para quem Brasil era sinônimo de duas coisas: Brazilian wax e Gracie Jiu-Jitsu. É sério!) ao invés do que seriam exemplos mais elevados, como a arquitetura de Niemeyer ou os filmes de Gláuber Rocha. Não precisou nem começar a frase com um diplomático "se você for ver bem"...


A arquitetura do Niemeyer e os filmes do Glauber estão no mesmo nível de chinelos, traficantes juvenis e penteados pubianos, Lima. Nada mudou tanto assim.


Alexandre Soares Silva também esteve por aqui desde o começo, quase sempre quieto, como é do feitio dele. Nunca dava pra saber o que o faria quebrar seu silêncio. Podia ser uma observação absolutamente prosaica sobre o fato de pobres colocarem o feijão por baixo do arroz, ao contrário de ricos, ou melhor, classe média (rico come feijão?):

Ah, como você come arroz e feijão? Eu me surpreendi ao saber que como como pobre carioca. Será que a sua observação é válida para o país todo? Ou varia de estado para estado?


Outro que estava por aqui nos primeiros anos era Danilo Amaral, que depois daquela entrevista no Blog'n'Roll ganhou o título definitivo de blogueiro mais bonito do Brasil. Nos tempos em que Larry Rother era tão somente um repórter e não inimigo público do governo, Danilo mandou essa bela dica:


Saiu na primeira capa do NYT de ontem. Depois de ler sobre seu artigo sobre os blocos, achei que se interessaria.
Abracos,
Amarar

Carnival in Rio Is Dancing to More Commercial Beat

February 25, 2003
By LARRY ROHTER

RIO DE JANEIRO, Feb. 24 - Picking the King of Carnival here used to be easy: find the city's fattest, jolliest man and stick a crown on his head. But after being reproached for weighing in at nearly 500 pounds, the current Rei Momo as succumbed to critics, begun exercising, changed his diet and lost 175 pounds over the last four years.

To connoisseurs of Carnival, the heretical emergence of a "Rei Momo light" is one of the many indignities recently inflicted on the spectacle that natives of Rio once regarded as an expression of the character and creativity of their city. As they see it, the annual bacchanalia, which begins this weekend, is becoming less a people's festival than a tightly controlled industry.

"It's natural for any form of folk culture to evolve and change, but the official Carnival parade is turning into a pasteurized product, confined to a cold environment in which the creators of the samba no longer make the rules," said Fernando Pamplona, a renowned choreographer and judge of the Carnival competition. "We live in a capitalist society, so even something like folklore is subject to massification and commercialization."

As always, the focal point of the five-day celebration this year will be the Carnival parade, with its scantily clad dancers, pounding drums and elaborate floats. Over two nights, 14 associations, known as "samba schools," will compete in hopes of putting on the most dazzling show and winning the championship that will give them bragging rights for the next year.

But in place of knowledgeable samba fans, the stands along the parade route are increasingly filled with tourists, celebrities and high rollers, many of whom are guests of corporations that have spent huge sums on luxury boxes. And instead of choosing parade themes developed by their members and based on folk or mythological subjects, many samba schools now are paid by large companies to choose topics that are thinly disguised commercials. Outsiders are even infiltrating the parade, to the point that a majority of those parading with sections of some samba schools are not even members. Tourists as far away as Japan or Scandinavia can now buy package tours that include the right to parade with a samba school, wearing a tailored costume at a cost of an additional $300 or so.

"Those people can't sing, they can't dance, and they don't even bother to learn the lyrics to the theme song of the samba school they are parading with," said Dulce Tupi, a scholar who has written on the history of Carnival and served on the official parade jury. "All they do is detract from the beauty of the show and damage the performance of the samba school."

Traditionally, the lavish Carnival costumes and floats were put together by seamstresses and carpenters from the neighborhoods around a samba school. But those functions are largely subcontracted to professional companies now: last year, one school had points deducted because its costumes arrived so late that dancers were unable to start their procession on time.

"In the old days, the samba school supporters lived close to where they worked and had time to participate in the life of the school," said Joãosinho Trinta, an acclaimed samba school director. "Now they get up at four in the morning for a three-hour commute to work, and by the time they finally get back home, tired and hungry, all they want to do is sit in the living room and watch television."

Criminal gangs are now in control of most hillside slums where the samba schools were born, and that has also had an effect. Though the schools have been largely successful in keeping drugs out of their popular weekly rehearsals, waves of killings and robberies have forced several to move those performances into middle-class areas. The relocations attract tourists but make it more difficult and costly for their traditional supporters to take part.

Unable to attend the parade, whose tickets are increasingly priced out of their reach and quickly bought by travel agencies, many samba fans are reduced to watching on television. But what they are seeing is a shift away from the samba, which has been sped up to meet the time requirements imposed by networks, to a spectacle that emphasizes the visual over the musical.

A decade ago, the record containing that year's theme sambas of the 14 competing clubs could be expected to sell as many as two million copies. Now the same record is lucky to reach one-tenth that number.

In addition, television has encouraged scores of models and actresses to use the Carnival parade to promote their careers. Many of those B-level or would-be stars are affiliated with the network broadcasting the show or have undergone plastic surgery or breast implants specifically to parade naked in front of 70,000 people at the Sambadrome here and the millions watching in Brazil and abroad.

"People who really love Carnival want to hear the samba sung, see how the dancers are dancing and get a really good look at the floats and decorations," said Antônio Carlos Seiblitz, a 49-year-old lawyer here. "Instead, what we get are endless interviews with celebrities who have no genuine connection with Carnival, punctuated by occasional glimpses of the real thing."

But Carnival consists of much more than the official parade, and as the populace grows more alienated from that event, other forms of celebration are benefiting. Masked balls are proliferating and are more popular than ever, and the informal neighborhood associations known as blocos or bandas, considered moribund just a couple of decades ago, are making a remarkable comeback.

All around the city, local groups with whimsical or irreverent names like Christ's Armpit, Leopard's Breath, Meeting Without a Parade, Affinity Is Almost Love, and Hang On So You Don't Fall Down have already taken to the streets, encouraging residents to dress up and join them. According to a recent study, the number of such groups has doubled in less than a decade, and popular participation in them is zooming.

"With the parade having become an event just for the elite and tickets so expensive, my energy now goes into the neighborhood celebrations," said Isabel Cristina Lopes, 34, a marketing executive who used to parade with the Beija-Flor samba school. "You need to be an important person to get into the parade, but with the blocos, everyone can participate."

Others in search of the true Carnival spirit are abandoning Rio altogether in favor of cities like Recife and Salvador. There, traditional musical forms associated with Carnival, like the frevo and maracatu in Recife and the ear-splitting electric trios that play atop trucks cruising the streets of Salvador, have largely pushed aside Rio's commercialized samba as favorites.

"There is a tendency to try to centralize and domesticate Carnival, but it seems not to be working completely," said Roberto da Matta, a Brazilian anthropologist who has written extensively on the festival and teaches at the University of Notre Dame. "Carnival refuses to be dominated by one form or style, by one parade or event, and is coming to life again outside those ordained centers as old forms reappear and are reconstructed."


Gabriel Bá e Fabio Moon, a dupla de gêmeos quadrinhistas, comentou com conhecimento de causa minha sugestão de que escritores deveriam ter groupies:


Quadrinhista tem groupie, mas a maioria é homem, aqueles peludos que ficam babando na sua frente.
Mas as raras exceções compensam.


Em 2004 visitei a Itália, onde tomei contato com um livrinho sobre lendas e fantasmas de Veneza, em cujo autor esbarrei quando visitava aquela cidade. Meses depois citei o livro por aqui. Para minha completa alegria, ele entrou em contato:


Ciao Rafael,
I think we will speak in english; by the way, I'm not so strong in portugues...
I want to thank you for have wrote about my book on your web site; are you able to read in italian? because I wrote a new book, this year (veneziaenigma) who will be translated in english and french only in few months, and I would lke to send you a copy: so, tell me if we have to wait for the translations; moreover, in april I'll present my new book, about the mysteries of the lagoon. At the right time, I'll let you know.
Thank once again to have linked my website to your, I really appreciate it.


Para me deixar mais orgulhoso que isso, só essa revelação da Daniela Sandler, outra da velha guarda do Digestivo Cultural e hoje tentando se recuperar de uma contusão no Apostos:


rafael! eu vim aqui foi para pegar a sua URL e colocar na minha sidebar. dai quis ler o post sobre a veja, e foi no meio do caminho que vi meu nome! pois eu ia mesmo dizer pra voce que foi gracas aa sua sugestao para eu me soltar e parar com essa coisa de querer um blog tematico que eu criei o passaosal. nem preciso dizer que estou me divertindo e nunca mais tive blogger's block. obrigada pela mencao tao honrosa! beijos, dani


Pelos meus registros, João Aldeia foi o único visitante d'além mar que deu sinal de vida entre as quatro linhas:


Olá Rafael

Estive a ver o seu "Na cara do gol" - muito bom.
Contudo, não querendo deixar ao Brasil o exclusivo da iliteracia, devo salientar que as fotos de Placas incluídas na sua edição de Outubro de 2003, são de Portugal. De duas tenho a certeza: a "Marisqueira O Principal" e o "Vende este terreno e outros melhores que este" (esta empresa tem a mesmissima placa colocada em todos os seus terrenos para venda, o que coloca um interessante problema de lógica). Não tenho a certeza quanto às outras fotos, mas parece "português de Portugal".

Um abraço
Joao Aldeia


Não tinha a menor idéia; minha antropologia gastronômica começou e terminou ali.
Recebo correspondência esquisita em certa quantidade, nada muito notável, mas suficiente para que passem na peneira dos concorrentes ao prêmio em originalidade sujeitos como o
Reginaldo Yeoman:


o Na Cara do Gol é gostoso de ler que nem pênalti no sogro. Se acerta é gol. Se erra, é gol na moral do sogrão.

Vejo que você gosta da sétima arte, ou as HQ´s que também podem ser chamadas da drag queen da arte.

Carolina Vigna-Maru bateu de pronto quando eu perguntei, numa época em que só a Clarah Averbuck podia ostentar o rótulo de escritora vindo da internet, se ninguém iria começar um blog só para falar mal dela:

http://odeioclarah.blogspot.com/

De nada! :)


Falando nisso, taí uma boa chance dela reativar o blog...

Bom, isso tudo ou quase dentro das caixas de comentários. Claro que a melhor parte rolou na correspondência privada com alguns desses e diversos outros comentadores. Mas essa vão precisar esperar eu morrer para poder ver a cor...

Escrito por Rafael | 12:23 AM | Comentários (2)

Mais copa

Bundesuba (não sei como se coloca trema nesse teclado): cobertura gonzo da Copa.
Provando que a realidade imita a ficção, ou como eu já disse, que o futebol deixa o mundo mais parecido com o Brasil.

Escrito por Rafael | 12:15 AM | Comentários (0)

junho 11, 2006

Galvão filma nóis

Entrada no blog do DJ Patife, dia 6 de junho:

Olha eu aqui novamente!!!!! Aqui em Perth (Austrália), são 2:11 da manhã de terça, 06 de junho e antes de eu voltar para a cama, faço questão de deixar um pequeno blog aqui. Fizemos o set aqui em Perth no domingo a noite e foi incrível!!!! O que mais chocou foi a presença dos brasileiros lá no Heat Nightclub, a galera dominou o pico, cantando as músicas e deixando todos loucos!! Eram umas vinte pessoas mais ou menos e a grande maioria mulheres!!! RS RS!!! Inclusive, o club tinha mais elas do que eles!! Como diz Stamina MC: DJ Patife “the ladies choice” O Cleveland não ficou quase nenhum momento no palco, ele fez da pista de dança seu própio palco e a galera amou!! Dessa vez tocamos apenas uma hora e meia mas deu pra deixar o recado. Big up Matt e toda a crew Traffik Intl, Greg Packer e todos os residentes!! Respect, grande abraço a todos os brazucas lá tbm, beijão!!!! Nosso próximo destino é Hobart na Tasmânia e em breve volto aqui para dar as novas!!!! AHHH!! Acompanhe em Multimidia/Videos, alguns trechos das viagens, sets e etc e também fotos na galeria de fotos.

Quem se registrar no site tem uma oportunidade a mais para me gozar...

Escrito por Rafael | 11:23 AM | Comentários (0)

junho 08, 2006

Medá um dinheiraí

Maurício Valadares levanta uma lebre das boas:

passando a bola pro nosso lado... será que alguém da mídia tupiniquim não foi para alemanha? está todo mundo lá? caramba, é alemanha, europa... euro! não é uma copa logo aqui na guatemala. e a tal crise de recursos que é chorada diariamente pelos veículos de comunicação? de onde está saindo tanto dinheiro para manter esse monte de panariços no velho continente?

Para fins de registro: na coluna de ontem Renato Maurício Prado observava que Cora Rónai ainda se perguntava quando a copa ia começar e se o Brasil jogava logo. Como dizia um amigo meu, no Brasil quem tem uma bengala branca é rei.

Escrito por Rafael | 12:46 AM | Comentários (1)

junho 07, 2006

F. de casa nova

Arnaldo Branco, Allan Sieber e Leonardo mandam avisar:

Vamos lançar a F. -- agora editada pela Conrad, isso aviso eu -- quinta-feira (8 de junho) no Rio de Janeiro na La Cucaracha (Teixeira de Melo 31-H - Ipanema) a partir das 19h.

Acho que vai ser o primeiro lançamento da F. ao qual não comparecerei.

Escrito por Rafael | 03:03 AM | Comentários (1)

Gente em celas

Algumas das antigas celas de ursos do zoológico da cidade foram mantidas para que os visitantes tomassem ciência de um tempo "quando o importante era colecionar e exibir os animais para o público". Sem dúvida; hoje em dia, é possível caminhar no meio de cangurus ou emas, mas na maioria dos casos o que se vê é um mamífero bem miúdo a uns 30m de distância, em geral fazendo a siesta -- carnívoros tipo leão, na parte da tarde, é tiro e queda. Por isso é que os souvernirs dos macacos são campeões (?) de venda na lojinha: orangotango, gorila e macaco-prego sempre estão dando expediente e batendo ponto entre uma balançada e outra. Não era só o macaco Tião.

Já a prisão de Fremantle é o maior estabelecimento de correção penal que lembro de ter visitado, aqueles pátios acimentados e alas mal iluminadas típicas de filme de Hollywood. Passeio menos lúgubre do que o esperado e particularmente instrutivo para quem já leu e gostou de qualquer livro de Edward Bunker. Reabilitação não devia ser um dos objetivos principais se considerarmos as condições de vida básicas mantidas ali: celas sem banheiros, providas de um prosaico balde com tampa para coleta e despejo de excrementos; camas só introduzidas a partir de começo do século XX (antes o sono dos injustos era em redes de lona) e a certeza, confirmada pela guia, de que os melhores empregos eram na cozinha: conta-se que um esfaqueador teria ido trabalhar lá provavelmente por experiência anterior... Há uma reprodução do pelourinho usado para castigos corporais (chicotadas) até a década de 1940, e a forca original usada nas execuções; algumas celas e solitárias foram decoradas mostrando a evolução do interior em períodos históricos distintos -- a partir dos anos 70 a lata de cocô passa a ser de plástico, por exemplo, e no começo as celas eram tão pequenas que tiveram que derrubar paredes para que os detentos ao menos pudessem circular dentro delas. As pinturas na parde feitas pelo prisioneiro A24 foram mantidas, e hoje adornam até cartões postais, assim como as paisagens num dos muros de um pátio interno: concessões feitas às vésperas da aposentadoria do imóvel, em 1991.

Se você ainda tem dívida de que mais do que ciosos, australianos são orgulhosos de seu passado criminoso, basta entrar em qualquer livraria e conferir o tamanho das seções Crime-Ficção e Crime-Não Ficção, onde podem-se encontrar os relatos de Frank Abagnale, as crônicas do submundo de Herbert Asbury, a reportagem best-seller Helter Skelter e muito, muito mais.

Escrito por Rafael | 02:28 AM | Comentários (0)

junho 06, 2006

Sobrecarga de Omaha

Está no ar minha coluna nova no SoBReCarGa, relembrando Omaha the Cat Dancer, quadrinho independente de valor subestimado.

Escrito por Rafael | 01:10 AM | Comentários (1)

Entrevista com Ruy Castro - Carmen Miranda

Paulo Polzonoff resenha Carmen e entrevista Ruy Castro, o autor.

Gostei muito, mas discordo essencialmente de Ruy Castro quando ele afirma que "nos últimos 40 anos, em todos os países do mundo, a música tradicional e de boa qualidade também foi substituída pelo lixo" e respondendo que "para sorte dela (e dos que gostamos de música), ela morreu antes" ao ser questionado "se (Carmen) vivesse no Rio de Janeiro de hoje, estaria cantando funk".

Escrito por Rafael | 01:04 AM | Comentários (1)

Uma boa editora

Seguinte: ataque de spammers utilizando-se endereços falsos, baseados no correio virtual gratuito que a editora Dark Horse distribuía sobrecarregaram de tal sorte o servidor que, para evitar a vaca de ir pro brejo e interromper o serviço via internet da loja Things from Another World, eles cancelaram o email grátis.

Isso significa que eu perdi de uma tacada só os dois endereços: rafael@ghostmail.net e rafael@darkhorsemail.net

Não é motivo para criticar a Dark Horse; seu negócio continua sendo publicar quadrinhos, o que ela faz muito bem e os emaisl gratuitos eram mais um brinde para fidelizar leitores do que qualquer outra coisa. Continua sendo uma grande editora (pelo menos enquanto Diana Schulz estiver por lá) cuja imagem não deve ser abalda por esse cancelamento.

Nesse afã, corri para salvar as mensagens arquivadas, apagar o que não prestava, enfim, esvaziar as gavetas para a mudança. Mais uma chance de realizar o belo exercício do desapego, sobretudo quando o objeto da limpeza são somente lembranças, uma vez que emails não guardam a caligrafia, o bolor ou a gramatura de papéis de carta ou bilhetes. Estar concluindo a leitura de um enorme volume de cartas de Hunter S. Thompson ajudou muito nesse sentido. Afinal, foram resquícios dos últimos 4 anos em balanço. E também me diverti muito com coisas quase esquecidas.

A melhor sensação extraída olhando tudo de cima, sem dúvida, é da figura completa: enxergar um caminho sendo traçado e percorrido, ver uma direção por trás de tudo. Se soa clichê, ainda mais deve soar a constatação das quantas cabeçadas que se dá ao longo do caminho, da energia investida a fundo perdido (mas como saber, de antemão?), comprovando aquela tese de que chegar lá é uma questão de persistência, os proverbiais 90% de transpiração -- e aqui é impossível não relembrar aquele comercial da Nike em que Michael Jordan listava os arremessos e passes decisivos perdidos e concluía, that's why... I succeed. Construir uma vida é insistir, trabalhar, um pouquinho todo dia. A natureza pode ter atalhos, mas não dá saltos. As recompensas chegam quando você menos percebe. No final, o saldo é positivo.

Ao longo dessa semana, vou avisar os correspondentes e atualizar dados em fichas de cadastro -- de quebra, me livrando de uma penca de spammers, que no final das contas, foram quem ocasionou essa mudança toda.

Escrito por Rafael | 12:32 AM | Comentários (0)

junho 01, 2006

A posteridade me dará razão!

Sim, eu tive coragem de escrever mais um texto sobre a nova geração de autores para um especial organizado pelo Digestivo Cultural. Mas valeu a pena. Escrevi sobre o que precisava ser dito e ninguém disse, provavelmente a única certeza e unanimidade nesse assunto. Hão de concordar comigo.

Também no Digesto, peça curtinha estilo teatro corisco do Lisandro Gaertner, E Viva a Abolição. Todos os outros textos dele são recomendados para quem não conhece.

Escrito por Rafael | 10:03 PM | Comentários (1)

Em ritmo de Copa

O jantar de confraternização foi marcado para um sábado, já durante a Copa do Mundo. Não deu muito, um dos convidados veio resmungar:

-- Notam-se certamente as raízes escocesas no planejamento desse jantar, já que ele coincide exatamente com a hora de estréia da Inglaterra na Copa do Mundo!

Pra quê. Começaram as respostinhas.

-- Não sabia que tinha um evento esportivo em junho esse ano...
-- Ah mas tem sim. Eu ia dizer que diminui a dor de cabeça reconhecer 3 certezas dessa vida:
1. Nós morremos 2. Sempre haverá aumento de impostos 3. Inglaterra perde a copa do mundo.

O futebol deixa o resto do mundo um pouco mais brasileiro.

Escrito por Rafael | 09:39 PM | Comentários (0)

Fondue de baleia

Um amigo meu ora residente no interior da Noruega e em vias de ser pai mandou a seguinte mensagem:

Só a Noruega e o Japão (acho que a Coréia andou retornando também) matam baleias em escala comercial após o resto do mundo ter banido a atividade baleeira. Nesta época do ano, qualquer supermercado norueguês vende carne de Minkes por aqui.

Esse ano serão mortas mais de 1000 baleias minke no ártico, segundo a quota recém aumentada pelo governo norueguês. Seu destino serão restaurantes e prateleiras de supermercados. Ano passado foram mais de 700, pela quota. Ironicamente a temporada da liberação para a matança começa em 1º de Abril.

Você pode ficar quieto se lamentando ou pode ao menos mostrar seu repúdio a uma das empresas que explora comercialmente o assassinato de um dos mais belos animais, que em diversos países geram empregos sendo observados por turistas e que encantam quem navega pelos oceanos quando os encontra.

Vamos ao “barraco” – o site deles é http://www.ellingsen.no/. Lá você acha uma versão em inglês clicando na bandeira da Grã-Bretanha, que exibe um menu à esquerda. Se for em produtos, não tem baleia! Mas.... se clicar na versão “Norsk” (clique na bandeira da Noruega) e clicar em “Produkter”, vai ver um desenho de um “peixe” meio grande, que eles chamam de “Hval” (baleia). No texto, tem um link chamado oppskrifter, que é a chave pra o lado “oculto” do site. Aí, abre-se um baita menu à esquerda com várias receitas de como comer baleia de todas as formas imagináveis. Tem grelhada na churrasqueira, cozida e até fondue!

Engraçado – será que esqueceram de traduzir essa parte do site? Ou será que os donos da empresa têm a plena consciência de que a maioria do mundo e a quase totalidade dos governos apóiam o fim definitivo da atividade baleeira e não ficaria boa essa propaganda de assassinos?

Com as facilidades de transporte de alimentos atual e com a enorme riqueza desse país, não há nenhuma justificativa para apoiar matança de cetáceos. Em tempo, 1kg de “hvalkjøtt” (carne de baleia) custa o mesmo que 1kg de carne bovina brasileira nos supermercados noruegueses, algo em torno de 30 dólares. Com mais de 100 milhões de cabeças de gado, o Brasil é visto internacionalmente como um exportador de produto de qualidade.

Se a coisa correr solta, qual será a quota do ano que vem? Faça sua parte – visite o site da ellingsen e preencha o formulário em inglês, repudiando a matança de cetáceos. Se essa mensagem for encaminhada para sua lista (em Bcc, CCo – evite divulgação de endereços para spammers!!), uma pirâmide passará fácil dos milhares de e-mails e ao menos poderá causar um belo transtorno e derrubar o servidor da empresa, o que pode atrapalhar na logística e quiçá atrapalhar a venda do produto.

EU QUERO QUE MEU FILHO TENHA O DIREITO DE VER AO VIVO O QUE É UMA BALEIA E NÃO APENAS EM LIVROS ANTIGOS.

Escrito por Rafael | 09:36 PM | Comentários (1)