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julho 31, 2006
Mais frio
Começo a entender a sutileza que há naquela história de que ingleses não tem sexo, tem bolsa de água quente.
Escrito por Rafael | 11:36 PM | Comentários (0)
Daniel Piza se rende aos blogs
Mas folhetins eram também as seções, em geral no rodapé da primeira página e com corpo tipográfico maior, que misturavam crônicas sobre as artes, notas, aforismos e até receitas e anedotas políticas. Foi nessa época que os jornais, até então muito parecidos com livros ou panfletos, começaram a ganhar páginas de “variedades” e as revistas ilustradas começaram a surgir com o mesmo cardápio, bastante voltado ao público feminino então em expansão.
Foi dessa miscelânea de temas e gêneros, cuja proposta era tirar os debates das academias e trazer para os cafés, que nasceu o jornalismo cultural.
Quanto a mim, o que sempre me fascinou na tríade Millôr Fernandes, Paulo Francis e Ivan Lessa, (...) foi que fizessem isso na mesma coluna, recorrendo à combinação de textos longos e breves (...), em versões modernas do folhetim oitocentista. E por isso gosto cada vez mais desse novo-velho gênero que é o blog, o diário virtual, feito de “posts” ou notas (“Tomar notas é mais difícil que escrever”, dizia Ivan Lessa) organizadas por data, que estou praticando desde o mês passado.
Notável como, ao contrário dele e do Ivan Lessa, que se posicionaram a favor, fica a nítida impressão de que Mario Sergio Conti, Giron e Lucia Guimarães (os que foram contra) não se deram ao trabalho de conhecer nem contextualizar direito os blogs.
Escrito por Rafael | 11:30 PM | Comentários (0)
Cumbica em véspera de feriado
Mais de 10 mulheres no Hip-e club nesse final de semana, nenhuma com menos de 1.80m, nem todas de salto alto.
Lembrei Ed Motta: "Dizem que gordo é gordo porque como qualquer besteira. Não é verdade. Gordo gosta de comer bem -- e muito!"
Escrito por Rafael | 12:40 AM | Comentários (0)
Tony Wheeler tem um blog
Não só Tony Wheeler tem um blog, como ele coleciona placas estranhas (como já foi hábito por aqui), libera o que toca no seu Ipod (gente cool só ouve música em Ipod, gente muito cool ouve no novíssimo walkman de HD da Sony), explica porque os travellers checks estão desaparecendo e ainda arruma tempo para citações eruditas ou não sobre viajar.
Escrito por Rafael | 12:37 AM | Comentários (0)
Saravá, Caramuru, axé
O abismo intelectual entre nós é tão sério que, acredito, nunca ouve um descompasso tão grande entre o colunista e os que o lêem desde a publicação da Clarah Averbuck na Tribuna da Imprensa ou mesmo da Maria Mariana na Capricho.
Lisandro Gaertner ataca de novo. Nem pensar em competir.
Escrito por Rafael | 12:34 AM | Comentários (0)
julho 25, 2006
GBS 150: Dancing is a perpendicular expression of a horizontal desire.
150 anos de nascimento de G. Bernard Shaw: tão relevante que adiantei a comemoração um dia para poder começar logo.

Escrito por Rafael | 02:22 AM | Comentários (3)
julho 24, 2006
Frio
Felicidade é uma roupa de baixo de polipropileno isolante.
Escrito por Rafael | 09:57 PM | Comentários (2)
Rev Film Festival
Encarar uma maratona na mostra internacional de cinema era algo que eu não conseguia há mais de 10 anos, com tudo o que tinha direito: arriscar filme só pelo nome e assistir duas sessões seguidas num mesmo dia. Tudo isso sem precisar pegar filas ou brigar por lugares; mesmo nas mais disputadas era possível arrumar um assento bom. E só não vi mais realmente por falta de curiosidade, e também porque o festival não é a única coisa acontecendo na cidade. A preferência que dei aos documentários deve-se a um gosto pessoal literário pela não-ficção que parece extrapolar perniciosamente para o cinema, a conferir, e também pela grande oferta mundial nesse gênero, que parece estar se expandindo: metade da programação era deles. As resenhas, pela ordem de exibição:
Lipstick and Dynamite
Documentário sobre ex-campeãs de luta-livre femininas, não a modalidade olímpica, mas aquele espetáculo mezzo armado mezzo pra valer que fez sucesso no Basil no final da década de 1960 e início de 1970 com o nome de telecatch. Eu não sabia de uma versão feminina nos EUA, motivo que me levou a conferir o filme, que funciona basicamente em função das personagens sendo entrevistadas. Os melhores momentos vêm de uma velhinha de uns 300 anos cuja vida passou há tempo demais para ela se envergonhar de qualquer coisa, então é quem menos guarda papas na língua. Tem alguma coisa de bizarro em se dar conta de que uma daquelas senhoras que subiam ao ringue de maiô e sapatilhas de boxe poderia ser a senhora sua avó, e mais ainda em saber que há algo de documental na personagem de Love and Rockets Rena Titañon, mas nem por isso o documentário consegue te tirar da cadeira, fundamentando-se em esclarecer o que aconteceu com cada uma das ex-lutadoras a partir do momento em que abandonaram o ringue: levaram vidas essencialmente comuns, uma até foi medalhista olímpica em sua faixa etária -- exceto a Fabulosa Mulah, que continuou se exibindo até os, cáspite!, 80 anos de idade (atitude unanimemente criticada por suas ex-rivais de ringue).
American Stag
Foi a pior relação expectativa-resultado, dado o tema absolutamente instigante: os chamados stag movies, filmes amadores em super 8 e 16 mílimetros feitos sobretudo entre as décadas de 1920 e 1960, normalmente de teor pornográfico. Talvez porque os entrevistados tenham posto seriedade demais em seus depoimentos, talvez porque o tom tenha deixado demais o lado pessoal de lado, conseguiram transformar a maior coleção de filmes pornôs de autoria anônima do mundo numa coisa quase chata. A sinopse destacava os nomes de Marylin Monroe e Barbra Streisand entre os famosos que atuaram em stag movies, e satisfaz a curiosidade vê-las assim, mas a imagem que mais chamou a atenção foi a de uma animação no mesmo estilo -- também existiam stag animations, assim como quadrinhos (as Tijuana Bibles) -- com Krazy Kat & Ignatz, o magnífico quadrinho de Herriman.
F**k
O nome original desse filme vai grafado de modo eufemístico por uma questão de pudor, que pode não ser muito por aqui, mas respeita-se o que tem. E também por metalinguística, afinal parte de um ovo de Colombo: estudar a maneira como a opinião pública se relaciona com aquela 4-letter-word a partir das tentativas de suprimi-lo dos meios de comunicação e das mais insistentes ainda tentativas de repeti-lo. O material é rico: Lenny Bruce no palco, Howard Stern entrevistando e sendo entrevistado, Eddie Murphy e Billy Connely, Os Nus e os Mortos sendo censurado, costurados com depoimentos de Hunter Thompson (a quem o filme é dedicado, reafirmando que Nixon seria um liberal em comparação com W Bush), Jeanne Garofallo, Alanis Morissete -- essa eu não entendi bem por que estava ali --, Drew Carey, uma atriz pornô e 3 políticos conservadores cujo nome nem adianta citar, que ninguém vai conhecer. A edição é esperta, divida em blocos temáticos curtos e certeiros, cujo encadeamento vai expandindo um painel e contando uma história, exatamente o que os documentários anteriores não conseguem, auxiliada por vinhetas preciosas de Bill Plimpton e, melhor de tudo, apesar do tom ser francamente liberal, é possível concordar com vários argumentos conservadores e encontrar falhas na defesa da liberdade de expressão, sobretudo quanto ao abuso sem sentido de palavrões em séries de televisão. Sessão bastante disputada.
Shutka Book of Records
Esse é sensacional: o diretor desencavou uma pequena comunidade de ciganos Roma na Macedônia, pequena o suficiente para que todo mundo se conheça na rua e grande o suficiente para fugir de uma caricatura de Dias Gomes, cujo esporte principal é ser o campeão da cidade em alguma coisa; como dizem perto do final, o importante aqui não é competir, é ganhar. Assim, o que se segue na tela é uma sucessão de tipos que mais parecem saídos de um livro do Daniel Pellizzari: um derviche que se auto-proclama o maior exorcista de vampiros da cidade; o dono dos melhores cavalos; o escritor do mais completo e nunca acabado dicionário; os maiores colecionadores de fitas cassetes antigas e raras com melodias ciganas; os amantes mais pródigos da cidade, um casal ímpar formado por um senhor na casa dos seus 70 anos (com uma receita infalível de afrodisíaco à base de óleo de cozinha) e sua jovem esposa, resgatada da prostituição; outro senhor na casa dos 80 anos cuja principal diversão é ir em boates ouvir música eletrônica e dançar ("todos os meus amigos são jovens", gargalha ele, "tenho um coração de leão", diz estapeando uma estátua do felino); o campeão de boxe da cidade, derrotado somente pelo vício em drogas. Todos eles têm suas vidas costuradas e entremeadas como num quadrinho de Daniel Clowes. É o tipo de filme engenhoso, profundamente humano, divertido e de orçamento barato que nenhum cineasta brasileiro se propõe a fazer porque, no Brasil, é mais barato e fácil dar vazão na tela aos seus delírios pessoais às custas do dinheiro público do que retratar com poesia a vida de uma cidade do interior.
Animações
Apesar da variedade de estilos e temas, pouca coisa me chamou a atenção. Destaque mesmo só para Carnivore Reflux, feita na técnica que Jorge Furtado andou encaixando em seus filmes, um libelo contra o consumo alimentar de carne muito bem feito, e Tower Bawher, meio Bauhaus, na linha estruturalista. Eu esperava mais do que gracinhas como Richard ou técnicas elaboradas mas sem grandes idéias como Ransis and Alee, visto que uma animação australiana concorreu ao Oscar de melhor curta animado em 2006. Também foi uma sessão bem concorrida.
Midinight Movies
Esse foi matador: entrevistas com os diretores que iniciaram a mania de assistir filmes obscuros em sessões de meia-noite no cinema novaiorquino Elgin, destrichando a história dos filmes em si e as reações do público. Tudo começa com o faroeste zen El Topo, de Alejandro Jodorwsky e continua com Pink Flamingos, de John Waters ("transformei o mau gosto numa coisa respeitável"), The Harder they Come (o "primeiro" filme vindo da Jamaica, revelando Jimmy Cliff como, ora vejam, ator), A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero; Eraserhead, de David Lynch e concluindo com o insuperável em termos de fenomenologia pop Rocky Horror Picture Show. Depois de ver esse filme dá vontade de recontar a história da ressurreição de Hollywood a partir de dois prismas: como o cinema comercial foi salvo pela geração de Paul Schrader, Francis Ford Coppola, Martin Scorcese e Steven Spielberg e, enquanto isso, como cineastas underground expandiram os limites da percepção do público por meio de pequenos orçamentos, temáticas polêmicas, imaginário inventivo e gosto questionável.
Todos os filmes foram precedidos da exibição de um curta-emtragem obrigatório, o que me lembro da década de 1980 no Brasil, inclusive pela (falta de) qualidade dos filminhos, na maioria produtos de estudantes das escolas de cinema de Victoria e New South Wales, nenhum dos quais deixando boa impressão.
Escrito por Rafael | 03:14 AM | Comentários (0)
Melhor colunista da internet brasileira
Calma, calma. Antes que você vá para outro site e continue a fingir que trabalha, espere um pouco.
Lisandro está de volta, dessa vez dissertando sobre democracia.
Final de Novela das Oito – Uma eleição às avessas. Realizada nos salões de cabeleireiro e nas praças públicas, iria, através do volume das fofocas, determinar como ganhador o final menos esperado. O resultado da eleição seria um tanto ambíguo. (...) Seja como for, isso, além de manter donas de casa e noveleiros enrustidos, (...) permitiria a Nelson Rubens e Sônia Abrão descerem um degrau na escala do jornalismo passando de fofoqueiros profissionais a analistas políticos.
Escrito por Rafael | 12:53 AM | Comentários (0)
Esse entende
Blog dos quadrinhos: faz jus ao nome que tem. Foi lá que eu descobri que o Gonçalo Junior está escrevendo uma coluna na internet, com o mesmo nome de seu livro, A Guerra dos Gibis.
Escrito por Rafael | 12:51 AM | Comentários (0)
julho 21, 2006
Perguntinha
Alguém aí consegue responder ao Magiozal?
Outra coisa: por que sempre esse lance de querer escrever manuais de instruções de sexo para mulheres? Não li nenhum dos dois, mas tanto o livro da Bruna Surfistinha quanto da Jenna Jameson tocam nessa tecla…
Escrito por Rafael | 03:35 AM | Comentários (0)
julho 20, 2006
Sutileza down under
A linha encerra o expediente às 6h10. Você entra ano ônibus dez para as seis e o motorista aproveita um sinal vermelho para anunciar, gritando:
-- O serviço está se encerrando. Só vai até a estação central, repetindo, última parada na estação central.
Ai de quem precisa ficar um ou mais pontos depois.
Se o que tem só no Brasil e não é jabuticaba, é besteira, o que só tem na Austrália, o que é? Apesar do rugby ter uma liga forte, o esporte mais acompanhado por aqui é o futebol australiano, uma das inúmeras variações, afinal das contas, do mesmo esporte que no final do século XIX deu origem ao rugby e ao que hoje conhecemos como futebol, ou futebol moderno, e suas derivações, o futebol australiano e o futebol americano. Um australiano foi questionado sobre a diferença entre os dois:
-- Rugby é para mariquinhas.
É comum num único jogo alguns jogadores saírem de campo com ossos quebrados ou sangramento no nariz ou supercílios; o debate anual sobre o excesso de violência que acontece nos campos de futebol a cada 5 anos se dá a cada temporada no futebol australiano. Há poucas semanas, para se livrar de um marcador, um jogador desferiu um murro nas partes baixas dele. Manchete do jornal West Australian, dias depois: Fulano de tal levou um jogo de suspensão por ter socado os testículos de seu adversário. O que ele precisaria ter feito para levar 3 jogos de suspensão? Cortá-los fora?
Na primeira parada de um dos passeios guiados pela antiga penitenciária de Fremantle, a guia estaciona os visitantes na sala onde originalmente eram recolhidos os pertences de cada condenado, que recebia seu uniforme e um saco plástico com artigos de toucador. Ela explica que, antes de serem admitidos, os prisioneiros eram despidos, banhados e... inspecionados. Para explicar como, pede a um dos visitantes que se posicione com os pés separados segundo a distância dos ombros e incline o tronco para a frente, 90 graus -- enquanto dá essas instruções, veste uma luva cirúrgica na mão direita. O turista fica meio ressabiado, mas como bom australiano, obedece. Já na proverbial posição em que Napoleão perdeu a guerra, ouve a mesma pergunta que era feita anos e anos ali, "você está escondendo algo?".
-- Nããããããããooo, responde com a voz bem fininha, numa demonstração de presença de espírito.
-- Okay, pode levantar e continuar o passeio, diz a guia, retirando a luva da mão.
Os demais turistas riem, aliviados. É isso que chamam de humor.
Tem mais um milhão de exemplos assemelhados.
Escrito por Rafael | 04:37 AM | Comentários (1)
Espanhóis
A dica é do Télio Navega:
Em comemoração aos 15 anos do Instituto Cervantes tem início nesta sexta-feira no Museu Nacional de Belas Artes a exposição "Quadrinhos da democracia espanhola". De 14 de julho a 30 de agosto o público poderá conhecer no MNBA (Av. Rio Branco, 199 - Centro - Rio de Janeiro, tel.: 2240 0068) o trabalho de 84 ilustradores espanhóis em 98 painéis.
São artistas como Luis Bermejo, Alfonso Font, Kim, Álvaro Ortiz e Alfredo Pons. A maioria deles teve o seu apogeu na década de 80 - período de efervescência criativa nos quadrinhos espanhóis e de todo o mundo - inclusive Pons, conhecido através das páginas da revista "El Vibora" e morto precocemente em 2001, aos 43 anos.
Os quadrinhos são uma forma de expressão artística tão importante que, através deles, pode-se aprender bastante a respeito da história recente de um país. A Espanha, assim como o Brasil, viveu uma longa ditadura e a democracia, para nós, hermanos, ainda é uma criança. Revistas publicadas ainda no período franquista como "Star" e "El Papus" contam um pouco desta história e também estarão presentes na exposição que poderá ser vista de terça à sexta, de 10h às 18h. E o mais importante: a entrada é franca.
Pela descrição, vi uma mostra bem semelhante a essa no mesmo lugar em 1993, por conta da 2a. Bienal Internacional Hq. A contribuição da El Vibora é inestimável em termos de arejamento artístico; foi para a Espanha o que a Chiclete com Banana e a Animal foram para o Brasil, quadrinhos de crítica social no esquema metralhadora giratória. As edições de mais de 20 anos atrás são de arrepiar cabelinho de suvaco. Aparentemente a mostra não se resume a isso, trazendo trabalhos de Luis Bermejo, muito conhecido no Brasil pela produção de terror para a revista Kripta.
Escrito por Rafael | 04:30 AM | Comentários (0)
julho 19, 2006
Love Parade 2006

Escrito por Rafael | 12:06 AM | Comentários (2)
julho 18, 2006
Dois Daniéis.
Quase duas semanas depois do encerramento da copa, só encontrei duas vozes discordantes. O resto todo fez côro com a idéia de "honra", "humanidade", "revolta", "personalismo" e assim por diante. Será que é tão difícil entender que não adianta usar a violência para demonstrar que se é um grande ser humano, honrado, com personalidade e que se revolta com as injustiças? Será que ninguém mais lembra o que é sutileza, elegância, delicadeza, que pernada se responde com gol? Zico, onde está você? Obrigado aos dois daniéis.
Escrito por Rafael | 11:59 PM | Comentários (0)
5 anos de Burburir
Comemorando os 5 anos de Burburinho, artigo meu sobre o homem que queria ser Kubrick, a melhor história que ouvi nos últimos tempos.
Escrito por Rafael | 06:36 AM | Comentários (0)
julho 17, 2006
Aniversário
Aqui na terra, meu caro amigo, não posso sequer falar como Chico Buarque, pois nem futebol os caras estão jogando.
Depois de mais de meio ano fora, o Brasil começa a soar cada vez mais abstrato e inintelegível (não que fosse muito fácil de entender, antes). As notícias que os amigos não ajudam muito do ponto de vista descritivo.
Escrito por Rafael | 03:25 AM | Comentários (0)
Radamancia
Perder tempo contra-argumentando é das coisas que não faço. Teria que usar lógica, sujando assim minhas mãozinhas. Encerro logo o expediente, deixando claro a que vim no mundo.
Digo que tenho vergonha de ser brasileiro e as pessoas se chocam. É ininteligível. Neguinho vem me falar bem do Brasil, fazer graça. Vem sambando então, filha da puta!
Veja bem, não é que tudo aqui seja ruim. Ainda há Coca-cola-litro em garrafa de vidro nos arredores de Rio Preto.
Faço parte daqueles que acreditam que ontem é passado, amanhã é futuro e hoje é uma dádiva, por isso chamado presente.
A National Geographic nunca mandou equipes de repórteres para documentar a vida das minhas empregadas, um desserviço ao jornalismo. A primeira era macumbeira, a segunda teve um filho recém-nascido raptado, a terceira perdeu todos os bens numa enxurrada, a quarta abandonou o emprego para abortar, a quinta tentou envenenar o marido enchendo o feijão de raticida (“e o desgraçado só teve uma dor-de-barriga” – contou-me às gargalhadas). Dá pra ver que não peço referências a quem trabalha para mim, mas ando pensando em reconsiderar minha atitude liberal.
O calor insuportável tem me feito pensar em suicídio 5 vezes ao dia. Meu único alívio é chegar em casa e vestir a cueca que deixo na geladeira. Amigo meu, mais radical, costuma também deixar o papel higiênico no refrigerador.
- Você gosta de literatura?
- Quê?
- Você gosta de literatura?
- É aquelas coisa que a gente lê?
- É.
- Gosto, gosto muito de ler. Não consigo tomar café da manhã sem ler, fico lendo os rótulos todos. 30g de Corn Flakes + 120ml de leite, por exemplo, têm 6% das necessidades diárias de amido com base em uma dieta de 2.500 calorias de acordo com a Res. N. 40 da ANVS.
- Isso é literatura?
- Tarzã.
- Tarzã é literatura?
- Nonada.
- O que é 'nonada'?
- Literatura.
Uma vez tive vontade de escrever um panfleto, defender uma causa, plantar um filho.
Queria lutar contra tudo isso que aí está, queria fazer graça depois do almoço.
Sair cantando "japonês tem cinco filhos", hastear com orgulho a bandeira da APAE, pregar para o povo segurando bolinhas tailandesas.
Aí mamãe passou Vick-vaporub em mim. :o)
Desculpa de brasileiro é encosto.
Confiança é trocar três cartas no pôquer esperando fazer um flush. Em toda mão.
Fofocas dizem que a brincadeira preferida de Che quando criança chamava-se paredón.
Dividiam-se as crianças em dois grupos: um grupo apoiava as mãos no muro, que era justamente o paredón, enquanto o outro grupo endurecia.
Daí quando alguém que estava empurrando o paredón perdia a ternura, trocava de lugar com o coleguinha.
- Eu vi! Eu vi! Você perdeu a ternura! Minha vez de ir pro paredón!
- Perdi nada! Perdi nada! Pode continuar aí!
Um dia o mundo ainda há de se curvar ao talento de Radamento. Aí vai aparecer um negão e...
(piada interna, para entender qual é a graça, só lendo os arquivos a partir de 2003)
Escrito por Rafael | 03:20 AM | Comentários (0)
julho 14, 2006
Videogame que virou mania na França ultimamente
Clique o mouse para derrubar os adversários.
Escrito por Rafael | 12:12 AM | Comentários (0)
Perth ferve
Quarta-feira passada fui assistir a montagem local de Amadeus, a peça que deu o Oscar de roteiro a Peter Shaffer pelo filme de Milos Forman. Comemora-se em 2006 o 250º aniversário de Mozart, para quem não sabe. Nos próximos meses terá Pinter's People (coletânea de peças curtas do ganhador do Nobel), Kiss me Kate, Porgy and Bess e hoje começa o Festival de Cinema Internacional daqui.
Atualização: opa opa, descobri que tinha visto errado: não perdi o Ladysmith Black Mambazo, cujo show é no final de julho.
Escrito por Rafael | 12:06 AM | Comentários (0)
julho 12, 2006
Super-Homem no SoBReCarGa
Minhas impressões sobre o filme Superman Returns já estão no ar na minha coluna no SoBReCarGa.
Escrito por Rafael | 11:56 PM | Comentários (0)
Utilidade Pública: financier
Hoje, na coluna lateral do Bricabraque, apareceu a receita do Financier, cuja menção me rende visitantes até hoje. Em nome da utilidade pública, reproduzo a seguir a receita, nunca testada por mim:
200 gramas de glaçúcar; 75 gramas de farinha de amêndoas; 9 claras; 250 gramas de manteiga; 90 gramas de farinha de trigo; 2 pitadas de baunilha em pó.Derreta a manteiga numa panela. Numa vasilha, misture bem o glaçúcar, as farinhas de trigo e de amêndoas e as claras com a manteiga, que ainda deve estar quente.
Deixe a massa descansar por uma hora.
Ponha a massa em forminhas de empada untadas e asse por aproximadamente dez minutos em forno pré-aquecido a 180 graus. Espere esfriar e desenforme.
Sirva com o café. E reze.
Escrito por Rafael | 11:53 PM | Comentários (0)
Sério candidato
No começo da década de 90, um homem chamado Alan Conway apareceu em Londres se fazendo passar por Stanley Kubrick. Estranhamente, mesmo sendo inglês, não tendo barba e visto aparentemente apenas alguns dos filmes de Kubrick, Conway convenceu várias figuras influentes que ele era mesmo o diretor americano semi-mítico e hirsuto que se exilou em Hertfordshire.
Conway foi descoberto pelo The Guardian na época da finalização de Eyes Wide Shut. Quase 10 anos depois, dois ex-colaboradores de Kubrick fizeram um filme sobre ele, interpretado por John Malkovitch, o qual, por sua vez, também uns 10 anos antes, havia sido a figura central de outra comédia, na qual o personagem principal também tentava se transformar nele, ao descobrir um atalho secreto para entrar em sua cabeça: Quero ser John Malkovitch.
A história toda é boa demais, eu vi o filme. Fardão no panteão pra ele.
Escrito por Rafael | 12:28 AM | Comentários (0)
julho 10, 2006
Para quem acha que eu estava exagerando na nota anterior
Escrito por Rafael | 11:56 PM | Comentários (0)
Objetividade anglo-saxônica
1) Escândalo e notícia nos telejornais por 3 dias seguidos: dois participantes da edição 2006 do Big Brother australiano haviam sido expulsos da casa sob acusação de conduta imprópria, a impropriedade em questão sendo identificada como sexual assault. Ocorreu que, numa das madrugadas anteriores, dois moradores da casa chamaram uma das garotas para "dar um pulo aqui na minha cama", não estavam bêbados nem nada. Ela foi, todo mundo permaneceu rigorosamente vestidinho, mão boba daqui, mão boba acolá, risadaria, lá pelas tantas ela pede para pararem e volta para sua cama. No dia seguinte, o Big Brother em pessoa, que aqui não tem a entonação do Pedro Bial -- é um sistema de voz impessoal e opressivo (embora não tanto quanto uma locução do Sargentelli ou do Paulo Cesar Pereio) e atende mesmo por Big Brother, qual no romance do Orwell -- chama os dois homens ao confessionário e expulsa-os da casa, com direito a sermão sobre comportamento. Em seguida, os remanescentes são convidados ao confessionário e postos a par da notícia. A menina chora ao saber da expulsão. O canal de televisão leva tudo ao horário nobre. A irmã da protagonista desdenha, dizendo que faziam aquilo em festas; o público, nas ruas, acha a decisão meio exagerada; advogados defendem a decisão, dizendo que "não houve consentimento expresso" por parte da moça, o que configuraria, juridicamente, a acusação de assédio sexual e justificaria a ação da rede televisiva sob risco de dar mau exemplo para as crianças -- já havia sido tirada do ar, pelo mesmo motivo, a edição semanal com as cenas picantes do programa. Até o primeiro ministro John Howard, numa entrevista para a rádio, dá seu pitaco. Até agora o canal não voltou atrás.
2) Fomos à prefeitura ver que tipo de providências precisavam ser tomadas para fazer a festa junina no Victoria Gardens: volume de música, bebidas, aglomeração, esse tipo de coisa. Descobrimos que, naquele parque, qualquer ajuntamento de mais de 12 pessoas precisava ser requerido legalmente em uma junta local, que iria considerar e julgar. Do requerimento deveriam constar informações como o número de pessoas esperado, presença ou não de aparelhagem de som, rotas de fuga em caso de incêndio e consumo de bebida alcoólica: sobrevive dos tempos de colônia a lei que proíbe street drinking, literalmente, beber na rua: por isso aqueles sacos de papel pardo onde enfiam as garrafas. Até hoje, só a vi sendo aplicada no bairro boêmio de Northbridge, embora ela valha para a cidade toda -- incluindo praias e parques. Os funcionários nos explicaram que, sem a autorização, os vizinhos poderiam chamar a qualquer hora a polícia, que estaria em seu direito de multar um a um cada pessoa que estivesse com sua garrafa ou lata de cerveja na mão. Na prática, nos avisaram, a polícia tem mais com que se preocupar e costuma fazer vista grossa para com bebedores, contanto que não estejam perturbando o próximo. Por conta disso, nos recomendaram que a festa fosse transferida para Kings Park, muito maior e mais distante de qualquer área residencial, portanto sem o risco de um vizinho mais mal criado reclamar. Só faltaram dizer literalmente: quer tocar zoeira, vão para o Kings Park. Era tarde demais e acabamos deixando tudo em Victoria Gardens mesmo. Nenhum vizinho chamou a polícia. Nenhum ranger apareceu.
3) Sessão de quarta-feira de noite no Luna, Colour me Kubrick: dirigido por antigo colaborador do cineasta de 2001, o filme traça o perfil de um embusteiro que se fazia passar por Stanley Kubrick em bairros de Londres no começo da década de 1990. O mais curioso é que ele nem mesmo se parecia fisicamente com o hirsuto diretor. O filme se sustenta na atuação ultrajante de John Malkovitch, interpretanto de forma asquerosa, enervante, incrivelmente incômoda o personagem, ainda por cima, gay. Se passasse no Rio, numa das salas do Estação Botafogo, arrancaria gargalhadas da platéia a cada pequeno golpe aplicado em membros de uma banda punk, a cada pintor miserável iludido, a cada artista decadente enganado -- apesar do claro tom dramático: ali não havia vencidos ou vencedores, ricos ou remediados, somente marginais deseperados em busca de uma brecha para mostrar seus parcos talentos. Além disso é possível identificar várias referências a filmes de Kubrick, de quem a trilha sonora foi toda importada e é utilizada de forma irônica. Mal ouvi uma risadinha durante todo o rolo. Malkovitch interpretava, no final das contas, um enganador, um estelionatário que tomou dinheiro de muita gente pobre, e como tal, merece ser punido. Gargalhadas, o público de Perth as guarda para Cars.
Conclusão: brasileiros vão entender tão pouco o motivo que reúne essas três histórias numa só nota quanto o título da nota; antes disso, vão culpar o puritanismo, o capitalismo ou um desses bodes expiatórios da vez. São tão incapazes de separar o público do privado quanto o criminoso do inocente ou, para ficar bem claro, o certo do errado, essa essencialmente a base da lógica que estendeu o império britânico aos quatro cantos da terra e mudou a face de era moderna a tal sorte de, hoje, expulsar o dúbio e imprevisível comportamento humano de seus domínios.
Escrito por Rafael | 05:16 AM | Comentários (3)
julho 06, 2006
Ripada no Bendis
Perdi a conta de há quanto tempo ouço falarem bem de Brian Michael Bendis. Há pouco tempo, encontrei um álbum dele e resolvi arriscar: muito fraco. Também perdi a conta de há quanto tempo eu tinha uma decepção daquele tamanho, em vista da expectativa criada. O relato do embuste de Bendis está no SoBReCarGa dessa semana.
Em breve, resenha do novo filme do Super-Homem. Mas desse eu gostei.
Escrito por Rafael | 11:53 PM | Comentários (1)
Pirsig no Mario AV
Perfil rápido de Robert Pirsig no Mario AV, tocando a bola pra cá. Engraçado que eu respeitava tanto aquele blog nos idos de 2002 que comemoraria um link com rojões. Existe tradução dos dois livros citados em português, Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas saiu pela Paz e Terra; Lila saiu pela Rocco, é só fuçar nos sebos. A intenção do post era apenas apresentar e não discutir o pensador, mas mesmo assim eu fiquei chateado do Mario não mencionar o erro que Pirsig cometeu: fazer em Lila exatamente o que ele tinha dito que não se devia fazer no final de Zen&AMM.
Atualização: aproveita que tá lá e dá um confere na Fernanda Lima.
Escrito por Rafael | 11:46 PM | Comentários (1)
julho 05, 2006
Tecidos inteligentes que deixam a umidade sair
Promoção com descontos de 50% na Kathmandu, de novo -- agora é que a Lúcia surta de vez...
Escrito por Rafael | 06:02 AM | Comentários (1)
julho 04, 2006
Dá-lhe Spacey!
Sim, eu vi ontem. Podem ficar descansados, o filme não ultrapassa o original de Christopher Reeve -- como um todo. Mas vence em vários detalhes. Brian Singer repete a fórmula de peneirar o que houve de bom em quase 70 anos de cronologia e encaixar num só roteiro, como havia feito com X-Men. Então tem Fortaleza da Solidão, tem Marlon Brando como Jor-El, tem cena de vôo com Lois Lane sobre os céus de Nova Iorque (do filme de Reeve), tem agulha entortanto, tem Super-Homem dando saltos gigantescos, tem Super-Homem parando balas no peito e levantando carro sobre os ombros, como na capa de Action Comics 1 (quem nem nos quadrinhos). E mais: tem Frank Langella como Perry White. Tem Kevin Spacey, disposto a ser para Lex Luthor o que Jack Nicholson foi para o Curinga -- com a vantagem que Spacey acredita no personagem. E quem prestar bastante atenção, vai ver que agora não é mais truth, justice and american way of life: é só truth and justice.
Mas afinal, eu gostei ou não? Gostei essencialmente por conta de uma ousadia enorme do roteiro que assume uma possibilidade tão remota que nunca foi considerada à sério em quase 70 anos de quadrinhos, provavelmente porque nenhum roteirista se arriscaria até aquele ponto. Ela vale o filme.
Escrito por Rafael | 11:19 PM | Comentários (2)
Balanço de junho
Junho foi um mês que correu meio atravessado por conta da copa do mundo, que dominou todos os assuntos e me permitiu a incomum diversão de acompanhar um jogo da Inglaterra num autêntico pub inglês, e da viagem a Kuala Lumpur, onde acabei passando meu aniversário. Ainda assim houve tempo para curtir uma legítima festa junina em plena Austrália, assistir a apresentação do DJ Patife cá nesses lados, ver o magnífico balé Midsummer Night's Dream no teatro mais tradicional da cidade, e ir ao cinema somente duas vezes (Cars e How much do you love me?). Chato apenas que o Bussunda tenha morrido.
Nesse meio tempo, descubro somente agora que o Brasil 1 chegou em terceiro na Volvo Ocean race, regata completamente dominada pelo ABN Amro 1. Para quem não lembra, no primeiros trimestre o mastro rompeu na escala australiana da viagem e o barco esteve ancorado num estaleiro aqui perto para desmonte.
Escrito por Rafael | 12:01 AM | Comentários (0)
julho 03, 2006
Chatos
Nesse meio tempo, acabei me decepcionando com um livro e um filme.
The Bogey Man é o relato de George Plimpton sobre a temporada em que passou jogando golfe profissionalmente. Ao longo da década de 1960 a revista Sports Illustrated bancou uma série de reportagens na linha jornalismo de imersão, na qual o repórter era convidado a exercer um esporte ao longo de uma temporada e transformar aquela vivência em artigos, posteriormente revistos e condensados em livro. Jogar golfe até nem foi das tarefas mais difíceis, para quem encarou um ringue de boxe ou teve o passado jornalístico de Plimpton, que foi objeto de um perfil de Gay Talese em Fama e Obscuridade. Plimpton comenta que uma das belezas do golfe é ser um esporte que pode ser praticado por qualquer um, e comete uns quantos textos primorosos, como quando traça o perfil dos caddies ou enumera as superstições dos jogadores, mas a verdade é que nem a elegância nem o bom humor de seu estilo conseguem emprestar graça a um jogo, essencialmente, chato -- de se ver e, pela descrição, de se jogar.
Cars foi a última produção do estúdio Pixar antes de ser vendido para a Disney. Traz aquela bagagem já conhecida de computação gráfica que faz perguntar se os neons e a cachoeria foram mesmo desenhados por mão humana ou se há algo de sobrenatural nos softwares utilizados. Os personagens são carismáticos, interessantes, divertidos, bem desenvolvidos. Mas não há força nesse mundo que me faça achar algo natural a relação afetiva entre seres humanos e carros, a achar normal a dedicação a essas maquininhas sobre 4 rodas a ponto de emprestá-las calor humano -- premissa básica do filme, tão básica que você nem percebe isso. Engana-se quem acha que os carros estão ali somente como uma metáfora para os valores humanos, solidariedade, experiência de vida mencionados no roteiro. Não estão: o maior valor do filme são os próprios carros. Depois disso e de dois filmes seguidos enaltecendo os valores da família (Finding Nemo e Os Incríveis), e ainda tem gente que chama a Pixar de revolucionária.
Escrito por Rafael | 03:37 AM | Comentários (0)
Cabou a farra
Depois de 3 copas indo à final, duas delas com jogos em horários à feição para matar o expediente, está na hora do Brasil voltar a trabalhar.
Em 2002 um amigo meu confessou por escrito que ia torcer para a seleção não ganhar a copa. Pirrônico, revoltado com os rumos do segundo mandato de FhC, temia que uma vitória desse apoio eleitoral à situação. Ronaldo fez dois gols no Japão e, contrariando os prognósticos dele, Lula se elegeu. No dia da posse, seu sentimento ao ver o ex-operário reunir a massa em Brasília foi: é nós na fita, mano. A periferia no poder.
Nunca mais conversei sobre política com ele desde então. Gostaria de saber como ele vê a derrota para a França e a iminente reeleição do PT.
Escrito por Rafael | 03:26 AM | Comentários (0)