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setembro 28, 2006

Agora dá licença que eu vou ali e já volto

Hoje a cidade amanheceu pintada de azul e amarelo: próximo sábado o West Coast Eagles decide o campeonato nacional de futebol australiano contra o time de Sidney, cujo nome nem me dei ao trabalho de aprender. Além de orgulho para toda a cidade, o jogo não deixa de ter um aspecto simbólico por confrontar costas leste e oeste, sem chegar, entretanto, a ser algo tão rivalizado quanto uma final de NBA entre Los Angeles Lakers e San Antonio Spurs -- ou como Bahia x São Paulo, para pegar um símile nacional. Afinal, a Austrália ainda é um país extremamente novo para ficar chamando a vida na costa leste de tradição ou querer achar que o estilo de vida dos Sidney Siders é muito diferente dos Sandgropers (moradores de Western Australia), ou dos Mexicans (de Victoria, onde fica Melbourne); não é, não venham me dizer que é. Qualquer modo, é uma chance rara de entender como seria uma final do Brasileirão entre São Paulo e Bahia, do ponto de vista dos baianos, no coração de Salvador. No fundo, não é muito diferente do Brasil. Os agentes imobiliários estão mais preocupados em decorar o escritório do que cobrar o aluguel, os ônibus públicos estão decorados com cartazes do time da casa e cachecóis -- a única peça de vestuário que pode ser misturada com as roupas corporativas sem quebrar a formalidade -- abundam nos pescoços locais. Sábado, todo mundo grudado na televisão; segunda-feira tem um providencial feriado. Só que eu não vou acompanhar porque estarei numa dessas:

cangurus na estrada
Essas placas existem mesmo, não é caô nem fotoxope.

Escrito por Rafael | 04:34 AM | Comentários (2)

Duas palhinhas

Para quem está com muuuuuita preguiça de ir ao fotolog, uma palhinha de cada cidade apenas para dar água na boca. Começando por Singapura:


Bar do Hotel Raffles

Esse é o famosíssimo bar do tradicionalíssimo Hotel Raffles, um daqueles lugares que, se os turistas não tivessem trocado os ternos de linho por bermuda e óculos escuros, pareceria ter parado no tempo. Disse famosíssimo porque há mais ou menos uns 80 anos se prepara e bebe lá a batida à base de gin Singapore Sling, inventada por um barman chinês, a mesma que me abstive de beber em nome dos mais de 30 graus à sombra que fazia naquela tarde e que embalou muitos pileques de Sommerset Maugham, Noel Coward, Charles Chaplin, Rudyard Kipling e praticamente tudo que foi escritor ou artista que passou naquelas bandas no começo do século passado.



Templo Hindu

Entidade mística hindu com cara de macaco e pele azul, postada na frente de um templo hindu no qual só se entra descalço (leia a placa). Não entrei nesse, mas cheguei a entrar em outro, infinitamente colorido, dedicado à Kali, a entidade da destruição. A menos de um quilômetro de distância desse tinha uma igreja católica, e do outro, uma mesquita muçulmana. Há quem chame isso de multiculturalismo e tolerância, eu chamo de muvuca braba por falta de espaço para construir.



Conjunto habitacional em Singapura

Conjunto habitacional típico da cidade, diria que 95% dos moradores habitam num poleiro desses. Um dos folhetos turísticos da cidade conta que nas décadas seguintes à II Guerra foi feito um replanejamento urbano para prover habitação ao novo contingente humano, unindo áreas verdes e qualidade de vida. Em suma, é isso aí que eles chamam de qualidade de vida em Singapura. Imensos blocos de apartamento, de fazer corar o paredão de concreto de Copacabana ou os condomínios da Barra da Tijuca. Esse é o preço que eles pagam para ter segurança, muitas áreas verdes dentro da cidade, trânsito razoavelmente organizado e nenhuma favela ou barraco nos limites urbanos. Você se mudaria?



sacada

Sacada de um hotel na entradinha de York, excelente lugar para ficar sentado o dia inteiro numa cadeira de balanço vendo exatamente nada acontecer.



Porta do Motor museum

Porta principal do Motor Museum de York, diante do qual fica uma bomba de posto de gasolina mais ou menos da idade do Raffles Hotel. Estava fechado, não consegui visitar, mas não sinto falta: museus de automóvel são todos iguais.



dingas winkel

Antiguidades Dingas-Winkel. Artigos do arco da velha.



eu quero uma casa no campo

E para terminar, um pouco de bucolismo, mas olhe bem: só há duas rodas, nenhuma bicicleta nessa foto.

Escrito por Rafael | 04:09 AM | Comentários (1)

Fotos e mais fotos

Para quem andava reclamando da ausência, no fotolog um monte de fotos da minha visita a York, uma das cidades mais antigas da costa oeste da Austrália, que se resume a praticamente uma rua: South Terrace.

E também algumas imagens do meio dia que passei em Singapura. Não notar minha implicância com os horríveis conjuntos habitacionais que populam a cidade toda.

Escrito por Rafael | 01:23 AM | Comentários (0)

setembro 26, 2006

Roniquito

O que atrai numa figura tão grotesca quanto Roniquito? No documentário The Filthy and the Fury Johnny Lydon diz ter se inspirado nas figuras de Ricardo III e Quasímodo, ambos corcundas, gente que fez da deformidade física um meio de transcendência. Fisicamente, sobreviventes atestam que era feio. Mas o que mais impressionava nele era a personalidade, não a franzinez.

Campeão de citações em qualquer livro sobre o Rio de Janeiro das décadas de 1960/1970, Roniquito ganhou biografia própria, escrita pela sua irmã. Uma difícil tentativa de amarrar todo o folclore que ronda sua figura: sabe-se que ele fora atropelado por um fusca, mas seria verdade mesmo que após ter sido catapultado voltou-se para a cara de horror dos transeuntes e disse "que foi, nunca viram o super-homem?"

Talvez seja o desnudar das hipocrisias, o franco derrubar das convenções sociais, o espelho que mostra que o rei está nu -- e o verdadeiro tamanho de nós, ou antes, de cada um de seus amigos. Não me admira que tenha apanhado tanto; talvez fosse o único meio de fazê-lo calar. Nem assim. Após um espacamento, pé do algoz em sua garganta, gritava: "Cansou?"

O mais interessante era o aspecto final, suicida até, de seu caráter -- o que o separava definitivamente dos outros, sobreviventes ou não. Não fazia o que fazia por arte, provocação ou inconformismo; não se podia conter. Foi o que foi até o fim, sem se render, sem redenção, sem culpa. Lugar reservado no panteão.

Escrito por Rafael | 06:26 AM | Comentários (0)

setembro 25, 2006

Filmando o infilmável

Winterbottom acertou, mais uma vez (e olha que eu conto até 9 songs como um acerto). Arriscando, o que é mais louvável: como adaptar para as telas o considerado primeiro romance pós-moderno da literatura?

Metalinguagem. Tristram Shandy. Delirantemente engraçado. Só a cena do útero gigante é de rolar na poltrona.

Winterbottom, unlike Kaufman and Jonze, doesn't fetishize creativity; he lets it ride him like a Harley on a rough stretch of road, and if he emerges a little bruised and battered, at least he comes up laughing.

Nem a mudança de ritmo comprometeu o resultado. Pellizzari, vai correndo baixar!

Escrito por Rafael | 05:05 AM | Comentários (0)

Singapura

They say Singapore is a fine city because there's a fine for almost everything you can do.

"Disneylândia com pena de morte", soprou um tio. Vero: no cartão de imigração, em corpo grande: tráfico de drogas é punido com pena de morte. Reunião com mais de 5 pessoas? Proibido, uma colega de trabalho natural de lá tinha dito.

Julio Daio Borges, antes de ser o editor do Digestivo Cultural, foi, viu e gostou. Para um paulista, pode ser o paraíso. Rotulei imediatamente na categoria daquelas cidades de negócios onde há muitas oportunidades de trabalho, muita eficiência, competitividade trazendo boas mercadorias a preços baixos, diversidade étnica, gastronômica e cultural, prédios modernos de arquitetura arrojada, carrões nas ruas geralmente engarrafadas, gente neurótica & ansiosa & apressada (alguém aí falou em São Paulo?) -- mas viver, que é bom, só nas beiradas. Tou fora.

Fotos? Caaaaaalma.

Escrito por Rafael | 04:46 AM | Comentários (1)

setembro 19, 2006

Conformismo

O polones Milosz explicou que a pronuncia correta de seu nome era "miwash", mas que se contentava em ser chamado pela maioria de "milus".

Escrito por Rafael | 10:30 AM | Comentários (0)

setembro 18, 2006

Eu adorava essas briguinhas

-- Esse pessoal nao aparece, como eu faco para chama-los?
-- Manda chamas OS ALEMAES que eles veem.
-- Por favor, ninguem mencione a guerra...

[...]

-- Mas voce fuma? Nao existem leis proibindo fumo na Alemanha? Nos EUA praticamente nao e possivel fumar em lugar nenhum...
-- E verdade, mas nos EUA e mais facil comprar um revolver do que uma revista Playboy, enquanto na Alemanha e mais facil comprar a Playboy do que uma arma!!!

Escrito por Rafael | 02:07 AM | Comentários (0)

setembro 17, 2006

M.I.A.

Quando comecam a te procurar, e porque esta na hora de voltar a cena.

No fundo, Nelson Rodrgues estava errada. Companhias paulistas podem ser muito boas. Solidao e estar numa mesma sala, trabalhando de noite, junto com um sueco. Ai o sueco pega o telefone, liga para casa e comeca a falar com a mae.

Em sueco.

Escrito por Rafael | 03:00 AM | Comentários (1)

setembro 14, 2006

If I had a hammer

if I had a hammer

Escrito por Rafael | 07:35 AM | Comentários (0)