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janeiro 31, 2007

Melhor do ano: candidata no. 1

-- Aquela escocesa que senta no canto, a Linda Hamburger...
-- Você está falando da Lindsay Burgess?

Escrito por Rafael | 09:49 PM | Comentários (0)

Eu também vou falar desse assunto

Paulo levantou a bola recentemente: o problema é que não há como voltar atrás.

Mas quem melhor expôs o dilema foi a Lucia Malla:

A questão, entretanto, que martela em minha cabeça é: não viajar, ao mesmo tempo que é um benefício ao ambiente, é um problema para a melhoria da sociedade como um todo, porque no extremo do raciocínio, estaríamos fadados a conhecer apenas nossos arredores, e não o mundo - experiência que eu garanto, é impagável na formação de uma mentalidade global. Não há internet nem fotos possíveis que tragam o barulho das mobiletes nas ruas de Taipei, os miados dos zilhões de gatos que andam à deriva em Honolulu, ou o cheiro (deliciosamente desagradável, por sinal) das bolhas de sulfa nas crateras de Rotorua, na Nova Zelândia. Essas experiências sensoriais fazem parte do "estar em um local" e elas enriquecem a visão de mundo, nos tornam de certa forma pessoas mais flexíveis, adaptáveis. Elas colaboram para sua visão aberta de horizonte, e te mostram o quanto a diversidade étnica, de idéias e de ecossistemas é um bem de valor inestimável. E isso no final colabora para a existência de cidadãos mais preocupados com questões globais. Uma roda-viva.

Quem está disposto a tomar medidas que efetivamente reduzam sua cota de carbono emitido? Eu, que estou morando na capital metropolitana mais isolada do mundo, na Austrália, ano passado fiz viagens de avião a trabalho para Singapura e Kuala Lumpur e de férias para o Brasil. Todo mundo vai ter que passar a trabalhar e passear só perto de casa?

Escrito por Rafael | 09:41 PM | Comentários (1)

Furo

Zé Carioca pode ter sido inspirado em desenho de J. Carlos.

Aliás é uma vergonha a dificuldade em encontrar referências visuais do J.Carlos na internet. A começar por aqui.

Escrito por Rafael | 09:39 PM | Comentários (2)

janeiro 30, 2007

Bob Kane, ou melhor, Beto da Lapa

Tenho pra mim que se Robert Kahn, aliás Bob Kane, tivesse nascido no Rio de Janeiro ao invés dos Estados Unidos, teria sido artista popular, sim, mas em outro ramo: ao invés de desenhista de quadrinhos, compositor. Ou melhor, comprositor, como chamavam na época os músicos que frequentavam o Café Nice e, por carência de talento e excesso de habilidade financeira, viviam de comprar as canções de outrem -- e alegar autoria sobre elas. Stan Lee teve que dividir, respectivamente, com Steve Ditko e Jack Kirby a tela de créditos dos criadores nos filmes do Homem-Aranha e dos X-Men, mas até hoje ninguém viu o nome de Bill Finger ao lado de Kane num filmes do Batman. Um malandro perfeito.

No final da década de 1940 os jovens criadores do Super-Homem, ao verem a morte iminente da galinha dos ovos de ouro -- tinham assinado um contrato de dez anos -- resolveram processar a editora por direitos autorais, devidamente cedidos junto com os originais, tal como era praxe na época (o hábito só mudaria décadas depois, por conta de gente como Jerry Robinson e Neal Adams), e resolveram contatar outros autores em situação semelhante, para quem sabe abrirem um processo em conjunto. Kane levou a notícia aos editores e fez uma série de exigências: seu nome deveria ser citado como criador do personagem, recebria uma quantia vitalícia a título de direitos.

Calçados pelo contrato leonino, os editores esnobaram-no até que ele tirou a navalha da manga: o contrato não teria valor porque ele era menor de idade quando o assinara. Um blefe, mas impossível de ser refutado porque, filho de judeus refugiados, não havia certidão de nascimento que provasse sua idade real -- por mais improvável que o Batman tivesse sido criado por um adolescente de 17 anos.

Não era a primeira vez que falseara a idade: frequentara a mesma escola de artes de Will Eisner, e costumava se gabar de ser anos mais novo que o futuro criador do Spirit. Eisner admirava-o por sua sociabilidade, sucesso com as moças e pelos bons contratos que conseguia. Kane, que tinha noção de suas limitações artísticas e usou diversos desenhistas fantasmas ao longo da vida -- ganhou muita grana com quadros pintados por outros artistas na década de 60, na esteira do seriado televisivo do Batman --, invejava Eisner pelo talento e profissionalismo. Saíram juntos várias vezes pra pegar mulher, anos antes de trabalharem juntos no estúdio Iger & Eisner. Nunca mais se cruzaram.

Até uma convenção em 1989, quando Bob requisitou-lhe para um encontro no fim do dia, 5 da tarde. Eisner avisou a um assistente que tinha uma reunião às 5h15 e partiu para o encontro. Exatos quinze minutos depois, o assistente veio diligentemente interromper-lhes, lembrando-o da reunião. Eisner se despediu e, longe do alcance das orelhas de Kane, cochichou, "não aguento mais que 15 minutos com esse cara!!!!"

Escrito por Rafael | 09:35 PM | Comentários (1)

Sem impedimento

1. Encontros marcados com Fernando Sabino: fiquei com olho muito grande para cima desse DVD nas férias.
2. Trecho do livro novo do Norman Mailer: na Esquire desse mês.
3. Jeremias, o Bom em álbum: talvez a melhor coisa que Ziraldo fez em quadrinhos.

Escrito por Rafael | 09:30 PM | Comentários (0)

Como não ser popular

Edu Carvalho enumerou modos de aumentar a popularidade de um blog. Como se sabe, nunca tive nem prestei atenção a contador. Apesar disso, não me furto a contestar pelo menos três itens, mesmo concordando com a maioria:

Seja sincero. Escreva o que – e como – você acha que tem que escrever: diga que aquele filme é uma droga, que aquele Senador é um babaca, etc. Esqueça que você tem leitores.

Ninguém nunca perdeu dinheiro apostando na ignorância do público. Além do que, esse item entra em conflito direto com o seguinte (Lembre-se de que você tem leitores). Acho que a questão toda, se o objetivo é popularidade, está em saber qual é seu público. E como atingi-lo. Sinceridade pode ser só um dos meios.

Seja útil. Indique alguma coisa boa. O mundo é cheio de coisa inútil, feia, chata. Diga o que não é.

Já existem bancos de dados, páginas amarelas e enciclopédias demais nesse mundo. Lembre-se do título da autobiografia de Hugo Pratt, o desejo de ser inútil. Seja significativo, seja belo, que a utilidade virá a reboque.

Seja rápido. Ninguém lê blog com muita calma. Seja enxuto e direto. Escreva um post e corte pela metade.

Re-eduque seu leitor, dando-lhe a calma para leitura que ele não tem. Se você for interessante, diferente e importante o suficiente, vão parar para ler o seu texto, não importa o tamanho. Sobretudo se houver graça e o sabor. A questão aqui não é abrir espaço para argumentar, mas não se furtar a estender o papo quando é bom.

Escrito por Rafael | 09:15 PM | Comentários (2)

janeiro 29, 2007

Coleção Primeiros Passos

arnaldo_cmedia.jpg
Arnaldo Branco explica: o que é classe média apavorada.

Escrito por Rafael | 10:25 PM | Comentários (1)

Chegando

Colocando a casa em ordem na volta de mais uma viagem, a primeira ao sudoeste australiano -- região renomada por seus vinhedos e ondas. Três dias em Dunsborough, de onde parti para as magníficas praias Bunker, Meelup (no entardecer)e Yalingup, onde campeonatos de surfe são sediados, agradáveis programas nos vinhedos de Leeuwin e Wise, mesmo que me seja virtualmente impossível levar à sério isso de fazer desgustação de vinho desde que assisti Sideways, reconhecimento de terreno em Margaret River e até um passeio no cais de Busselton, um dos cartões postais da West Australia. Fotos? Ainda nem coloquei no ar as de outubro, quando viajei para o norte-noroeste...

Escrito por Rafael | 10:12 PM | Comentários (0)

janeiro 28, 2007

Chorei

Pausa na programação para um comunicado que vai deixar muito marmanjo aí suspirando de saudade, ou antes, de nostalgia -- Nostalgia do Terror. De arrancar lágrimas.

Tem a coleção completa das capas da Kripta, tem Flavio Colin, tem Eugenio Colonnese, tem Jaime Cortez, tem Olendino, tem Rodolfo Zalla, tem Julio Shimamoto, tem Watson Portela, tem Ofeliano, tem A Garra Cinzenta, tem A Morte, tem A Fome, tem A Árvore do Paraíso, tem A Noite dos Dementes. Tem Calafrio, Pesadelo, Spektro e A Tumba de Drácula.

E tem a história da Kripta, e em breve espero que tenha a história da Spektro.

Escrito por Rafael | 10:10 PM | Comentários (2)

O dia passa e eu nessa lida

80 anos de Tom Jobim, mais de 10 sem ele.

Longa é a tarde, longa é a vida

De tristes flores, longa ferida

Longa é a dor do pecador, querida

Breve é o dia, breve é a vida
De breves flores na despedida
Longa é a dor do pecador, querida
Breve é a dor do trovador, querida

Longa é a praia, longa restinga
Da Marambaia à Joatinga
Grande é a fé do pescador, querida
E a longa espera do caçador, perdida

O dia passa e eu nessa lida
Longa é a arte, tão breve a vida
Louco é o desejo do amador, querida, querida
Longo é o beijo do amador, bandida
Belo é o jovem mergulhador, na ida
Vasto é o mar, espelho do céu, querida, querida
Querida

Você tão linda nesse vestido
Você provoca minha libido
Chega mais perto meu amor bandido
Bandida, fingido, fingida, querido, querida

Escrito por Rafael | 10:07 PM | Comentários (1)

janeiro 24, 2007

Orgulho de ser australiano

Uma semana depois de São Sebastião comemora-se o dia da unificação australiana, que tem sabor de 7 de setembro mas é bem mais importante, levando-se em conta que o país é uma federação, ou seja, cada estado ainda mantém suas características peculiares bem preservadas.

(Aos olhos de um australiano, claro. Para um brasileiro, um Sidney-sider é tão parecido com um sandgroper quando um mexican ou um banana bender.)

Se ano passado quem deu a tônica do verão foi o arrastão xenofóbico que pitboys promoveram na praia de Cronulla, criando um trauma ainda não cicatrizado para uma nação que se arvora da sua integração étnico-cultural, dessa vez foram os organizadores do Big Day Out a jogarem álcool na ferida ao proibirem a presença de bandeiras no evento anual, que reúne apenas bandas australianas. O primeiro ministro subiu nas tamancas, os organizadores disseram que não era uma proibição, era somente uma recomendação enfática em nome da segurança -- a desculpa para TUDO depois do 11/9 -- e o melhor, esse bate-boca acontece exatamente na semana que antecedeu o Australia Day, o dia escolhido pelos australianos para exibirem todo seu orgulho patriótico a quem é e quem não é daqui.

Por isso que eu acho graça toda vez que encontro um brasileiro que me diz que curte os australianos mas não suporta os norte-americanos por serem demasiado arrogantes em seu patriotismo...

Explicação para quem não entendeu nada do segundo parágrafo: assim como no Brasil a gente se acostuma a usar apelidos ao invés de gentílicos, como barriga verde ou cabeça chata, na Austrália quem é da costa oeste é conhecido como sandgroper (bicho da areia, em tradução livre), quem vem de Victoria é mexican (do sul, debaixo da linha da fronteira -- eu não digo que australianos são parecidos com americanos?), os do norte levam o magnífico apodo de entortadores de bananas e provavelmente quem inventou esses nomes todos, senão por importância, ao menos por idade, são os naturais de Sidney e adjacências...

Escrito por Rafael | 03:06 AM | Comentários (0)

Morais, português e Coelho

Uma discussão que volta e meia retorna é a da bastardização do português a partir de termos ingleses. Culpa-se a globalização, os EUA, os idos de março e as estrelas; eu mesmo já andei dando minhas puxadas de orelha em gente que insiste em usar expressões em inglês para colorir um texto. Depois de mais de um ano morando em país de língua inglesa, a qual passou a ser minha principal forma de comunicação e cujo domínio tive que comprovar formalmente, minha impressão ainda é a mesma: o que está havendo não é enriquecimento por apropriação de termos -- é um tipo estranho de nivelamento. Apesar de não concordar com o exemplo utilizado, gostei da forma como Fernando Morais defendeu o português nessa entrevista:

...houve uma situação curiosa em Colônia, na Alemanha ... em 1989. Um filósofo angolano dava uma palestra quando um alemão perguntou como se podia ter a ousadia de filosofar numa língua pobre. O angolano dividiu a lousa em duas partes e propôs ao cara que cada um escrevesse os sinônimos em seu idioma para os órgãos sexuais. Ele listou 200, o outro pontuou fotze e gurbe ... É injusto dizer que nossa língua é pobre. Ela permite analogias inúmeras, uma riqueza que está não só na fertilidade de sinônimos como de conceitos. Ao escrever em inglês, por exemplo, não é considerado deselegante repetir palavras num parágrafo. No Brasil, é sinal de pobreza vocabular.

E para deixar bem claro o que ele pensa, vejam a resposta seguinte:

Você quer dizer que o inglês não é tão rico?
Não, mas faz menos exigências. O português é língua mais exigente e trabalhosa.

Para atrair minha atenção mais do que isso, só mesmo o que ele respondeu sobre a biografia do Paulo Coelho, a ser publicada no meio desse ano, imperdível:

Se tipos como Olga e Chatô resumem sua época, o que Paulo Coelho expressa? Ele não é retrato de um período. É um sobrevivente. Um cara que nasceu morto, feio, fraco, que na adolescência tinha asma e espinha, que ninguém queria namorar. Vira filho rebelde, péssimo aluno, que o pai mete num hospício, mas ele foge. Vende um relógio e um violão, vai pro Piauí. O pai volta a jogá-lo num hospício, ele foge outra vez, vai a uma ilha fluminense, volta ao hospício. Experimenta drogas, faz bruxaria da pesada, vive uma experiência brutal, quase um surto, quando uma entidade se materializa para ele. É torturado na ditadura. Faz rock, com o que fica rico. Mas joga tudo pro alto e vira hippie. Faz o caminho de Santiago e pena para ser autor. Lança Diário de um Mago por uma editorazinha que editava até reza de São Cipriano. Vende 25 mil exemplares em dois anos, fruto da panfletagem que fazia com a mulher, a artista plástica Christina Oiticica, em livrarias. Toda semana, ligava para as lojas para saber quantos livros vendia.
E a maior surpresa com ele? Um traço do Paulo é que ele faz muita aposta. "Se você fizer tal coisa, eu lhe dou tal outra. Um dia, descobri que ele tinha um testamento. Lá, menciona uma arca a ser incinerada após sua morte. E só me deu a chave quando descobri quem foi o militar que o prendeu em 69. Achava que era um mero baú, mas era arca de navio, um guarda-roupa, e lá estavam 40 anos de diários. Eles contam tudo, até o que ele não lembrava. Um diário que ele escreveu para não ser lido. Coisa de louco.

Enfim, a entrevista inteira vale muito a pena.

Escrito por Rafael | 02:52 AM | Comentários (1)

janeiro 22, 2007

Sou contra, Carlos Heitor Cony

[Para quem acha que o mundo foi inventado por Diogo Mainardi, um Cony de corar Paulo Francis, safra 61]

Sou contra as reformas de base e contra a erradicação da malária. Contra o fomento da agricultura e contra a conjuntura nacional. Contra a livre determinação dos povos e contra as injunções de ordem político-social. Contra as reivindicações do proletariado e contra os sagrados postulados da nossa civilização cristã. Contra os imperativos de justiça social e contra as inalienáveis prerrogativas da pessoa humana.

Sou contra os simpósios de agricultura e contra a recuperação da nossa lavoura. Contra as objurgatórias indeclináveis e contra as mais legítimas tradições do povo brasileiro. Contra as ofensivas contra o câncer e contra as campanhas de orientação vocacional. Contra os lídimos representantes das classes produtoras e contra os autênticos interesses de nossa soberania.

Sou contra o impostergável dever de consciência e contra a exaa compreensão dos meus deveres de cidadão. Contra os sadios princípios que norteiam as nossas Forças Armadas e contra as pressões de cúpula com que se procura oprimir o proletariado. Contra a voz do dever, contra o fato político, contra o gosto da glória, contra o cheiro da santidade e contra os pagamentos à vista.

Sou contra a ampla pesquisa ao eleitorado e contra o desenvolvimento de nosso parque industrial. Contra o ruidoso sucesso e contra o festejado autor. Contra o lúcido ensaísta e contra o rigoroso crítico teatral. Contra o promissor poeta e contra o fino humorista. Contra o competente historiador e contra o agudo filósofo. Contra o hábil cronista e contra o paciente pesquisador. Sobretudo, contra o vibrante jornalista.

Sou contra a arregimentação das consciências e contra o arbítrio das decisões apressadas. Contra os pontos de estrangulamento da nossa economia e contra as infra-estruturas superadas. Contra a evasão de nossas divisas e contra a inversão de capitais opressores. Contra a livre-tramitação das emendas e contra o esgotamento dos prazos legais. Contra o aumento de nossa dívida externa e contra os males intestinos de nossa política interna. Contra a descentralização administrativa e contra os males da burocracia. Contra a recuperação dos delinquentes e contra as fontes produtoras de riquezas.

Sou contra a integração do vale amazônico e e contra a mecanização da lavoura. Contra a sangria em nossas finanças e contra o imediato socorro às regiões desamparadas. Contra a vacinação em massa e contra os óbices que entravam o nosso progresso. Contra as decisões de cúpula e contra os alicerces de nossa nacionalidade.

Sou contra o mais fino ornamento da sociedade e contra o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Contra o decreto das urnas e contra o quadro de nossas importações. Contra os estudos afro-asiáticos e contra os distúrbios do vago simpático. Contra a subversão das massas e contra o esvaziamento das nossas tradições. Contra a hierarquia de valores e contra a perquirição sociológica. Contra as ideologias insólitas e contra o transplante de idéias alienígenas. Contra a flora intestinal, contra a eclosão de entusiasmo, contra a equipe magiar, contra a preservação de nossas reservas florestais, contra o colóquio de física nuclear, contra o abastardamento de nossas instituições, contra a política cafeeira, contra a etapa de desenvolvimento e, sobretudo, contra as mulheres que fazem os poetas sofrerem, os governantes roubarem, os comerciantes falirem, os filósofos meditarem e os pecadores pecarem.

[publicado originalmente no jornal Correio da Manhã, 1961]

Escrito por Rafael | 08:41 AM | Comentários (2)

janeiro 21, 2007

Valentina a preço de banana

Essa eu pesquei lá no Kazi:

Hoje, sábado dia 20, o Corrieri della Sera começa a publicar todas as histórias da Valentina, de Crepax, em dezoito volumes. O preço? Um mísero Euro, mais o preço do jornal. Dezoito. Tudo. Em italiano!

Alô alô DGR, hora de escrever de novo para aquele seu amigo milanês... Eu só me mexo quando fizerem o mesmo com Milo Manara, ou melhor ainda, Liberatore.

Escrito por Rafael | 09:27 PM | Comentários (0)

janeiro 18, 2007

Terceiro mundo

Demorou, mas eu descobri onde a burocracia australiana é mais ineficiente, custosa e labiríntica do que a brasileira: para tirar certidão de antecedentes criminais. O formulário a ser preenchido tem o dobro do tamanho, pediram 30 dias contra os 15 úteis para entregar e ainda cobraram uma taxa considerável, que no Brasil saiu de graça. Fazer pelo correio talvez seja uma forma de compensação. Eles não gostam de ser chamados de criminosos, mas país que começou como colônia penal tem disso...

Escrito por Rafael | 01:14 AM | Comentários (0)

janeiro 17, 2007

Velhos e novos-ricos

(Enquanto não me livro do vício de roubar textos alheios, vou copiar e colar esse daqui, já que o assunto me interessa e ando sem tempo para comentá-lo direito no momento.)

Ontem conversei muito com um amigo (que não tem blog nem nada) sobre um dos fenômenos que mais me chamam a atenção no Rio de Janeiro: a extrema diferença cultural entre os velhos e os novos-ricos.

Se você vai – quase digo ia, porque eles estão literalmente morrendo – à casa de um velho-rico, morador de qualquer bairro do Rio, chamaria a sua atenção o amor pelas coisas do Brasil. Ele se orgulharia de te oferecer um biscoito delicioso produzido por uma obscura senhora numa cidade de algum interior. Mostraria os móveis e explicaria a sofisticada técnica com que são produzidos por algum excelente artesão de sei lá onde, mas no Brasil. Falaria, com os olhos brilhando, sem a menor afetação, com admiração verdadeira, de como as pessoas em tal lugar do Brasil encontraram um jeito fantástico de se adaptar às suas circunstâncias, e riria até com algum orgulho da engenhosidade delas. E lembraria coisas que seus pais, avós e tios fizeram, e as pessoas que conheceram, transmitindo a sensação de uma grande comunidade, que começava invariavelmente na família. Tudo isto em pleno português, em português que hoje seria considerado literário, com a rara intromissão de uma palavra estrangeira, que viria sempre acompanhada de alguma explicação – “como falam os italianos, isso é…”

Se você vai à casa de um novo-rico, ou mesmo de um rico novo, a primeira coisa que você nota é que a cada cinco palavras portuguesas vem uma inglesa, freqüentemente adaptada, e não estou falando dos termos informáticos: até hoje, minhas favoritas foram bypassar (to bypass, mas com o sentido português de “passar por cima”: “ele vai me bypassar” significa ele vai armar alguma coisa sem o meu conhecimento) e bullshitagem, que eu não preciso explicar. Pais, avós, tios nunca são mencionados, mas sim os médicos com tratamentos modernos, os psicólogos, os personal trainers e, naturalmente, as coisas sempre adquiridas em exagero. Chama a atenção como um velho-rico tem a noção perfeita da sua necessidade ou desejo e então procura o que melhor lhe atende, e um novo-rico tem um pressentimento de um desejo e já quer comprar o melhor e maior objeto da sua categoria. A impressão que você tem é que, se ele pudesse comprar um foguete para levar as crianças à escola que fica no mesmo bairro onde ele mora, ele compraria.

Isso não significa, é claro, que estes novos-ricos não sejam boa gente, não sejam simpáticos, legais etc. Mas é nítido que eles, que enviam seus filhos a escolas bilíngües, não sentem a menor relação com o Brasil. É até fácil de entender que, num país que só demonstra ojeriza a um empresário que trabalha, e deposita esperanças em burocratas que só parasitam, eles, até por prudência, prefiram lembrar-se constantemente de que só estão aqui porque estão ganhando dinheiro e porque, acredite, até para muitos deles morar numa metrópole americana ou européia com o mesmo padrão de vida sairia caro demais.

Porém, a ruína de qualquer lugar com toda certeza começa pela elite. Eu não sei o que sucedeu com a geração dos meus avós que não soube replicar-se, mas sei que a geração dos meus pais já se acredita um novo começo, já se sente desligada da tradição, descompromissada com todo o passado, e que a geração imediatamente posterior a essa não só tem um descompromisso idêntico como é composta de pessoas que acreditam que, por ter ganhado dinheiro, são, como dizem os americanos, os “mestres do universo”, os novos jesuítas que com seus gráficos e planilhas vão “modernizar” o Brasil – desde que, é claro (e nisso eles têm razão) o Brasil não encha muito o saco.

Eu, aos 29 anos, sou apenas um sujeito perplexo, procurando uma saída particular, pessoal, e os mais novos já parecem estar completamente integrados naquilo que julgam ser uma grande cultura internacional anglo-falante.

Se eu fosse um romancista, escreveria sobre isso.

Escrito por Rafael | 08:07 PM | Comentários (2)

Não

Parada, você não acha que tem pessimismo demais na nova literatura inglesa?

Escrito por Rafael | 07:40 PM | Comentários (0)

janeiro 09, 2007

De volta á vaca fria

Eis me de volta à capital mais isolada do mundo, onde usa-se jeans e preto em pleno verão. No Rio, eu sentia falta do jeito esguio e esbelto das loiras de Perth, em Perth sinto falta das curvas e da habilidade inata para dançar das brasileiras. Ao menos me livrei do trânsito inviável, dos sustos dos traficantes e da sujeira. Em compensação, troquei a irreverência e a afabilidade cariocas pela truculência da objetividade anglo-saxã, que nem a excelente qualidade de vida consegue amaciar. Não sei se alguém já falou, não existe lugar perfeito.

Consegui rever praticamente todo mundo que precisava ("Na teoria, não existe diferença entre teoria e prática, mas na prática, sim"-- Yogi Berra), sobretudo quem mais me queria; voltei aos lugares que me cativam e em menos de dois dias tinha me reconciliado com a cidade. Nada que um passeio pelos arredores do Arco do Telles não cure. De presente, ainda consegui bater papo com a Lucia Malla, que ainda vai abrir comigo o fã clube da Kathmandu. De novo, muito pouca coisa: o metrô, os quiosques na praia (ambos em construção), o shopping Leblon e uma série de lojas em Ipanema: continua-se apostando na concentração de renda no Brasil, ao invés de usar o mercado como distribuidor de bens. Não me esqueço da pergunto que um malaio me fez quando mencionei a população brasileira: "quer dizer que, se eu vender alguma coisa a um real para cada um deles, eu viro milionário?". Mas na loja da Nike do Rio Sul os preços em valores absolutos são até mais caros do que no outlet em frente ao meu escritório, isso para não comparar as médias salariais e impostos... Não me espanta que 90% das notícias sobre o RJ da coluna do Ancelmo Góes sejam focadas em 3 quarteirões de Ipanema, só que a cidade é mais do que isso. Bem mais.

Não que a população esteja incomodada de fato. A impressão é que, enquanto houver cerveja gelada e franquias de botequins, tudo continua como está. O melhor lugar do mundo se você está minimamente livre das ações terroristas dos traficantes, de folga -- virtualmente, todo mundo está sempre de folga no Rio -- e com algum dinheiro para gastar (não muito). Mas longe de ser atrativa se sua ambição é criar um filho, ganhar algum dinheiro trabalhando, adquirir bens, desenvolver um negócio, conhecer coisas diferentes, ter uma idéia.

Atualização: neste período de férias, aproveitei para tentar inutilmente ficar em dia com o que foi publicado no Brasil entre final de 2005 e 2006. Impossível; somente as biografias de Machado de Assis, Orestes Barbosa e José de Alencar seriam suficientes para colocar o plano por água abaixo. Ao menos consegui ler Na Toca dos Leões, que foi muito badalado quando do lançamento por ter exposto os conflitos internos entres os nomes de ouro da propaganda brasileira. Fofoca. Besteira. O melhor do livro é expôr como funciona uma agência de publicidade, dando um registro histórico de como essa indústria cresceu e influenciou a percepção pública a partir de 1970, os salários astronômicos e a reputação que conquistou. Nesse contexto, Washington Olivetto é um dos empresários mais bem sucedidos do Brasil -- coerente que o livro termine com seu sequestro. Li a edição revista e ampliada do perfil de Antonio Maria, Um Homem Chamado Maria, agora com capítulos dedicados exclusivamente à suas letras e Danuza Leão, excelente contraponto para Quase Tudo. Li Dr. Roni e Mr. Quito, indispensável para quem se atreva a entender o que foi a Ipanema do começo da década de 1960, onde o grande conflito era saber se o melhor sorvete era o do Bob´s ou o do Moraes. Li o Almanaque do Pasquim, grande decepção, que só não é maior por causa das introduções e da sabedoria em terem incluído várias páginas de visual, restauradas. A impressão foi que selecionaram conteúdo que fosse, ao mesmo tempo, de qualidade, representativo da época e resistente ao tempo. Resultado: se você procurar nos livros de antologias dos colaboradores (Millôr no Pasquim, A Volta do Fradim, Certezas da Dúvida, Negócio Seguinte, etc.) não vai achar quase nenhum dos textos presentes no almanaque, o que é no mínimo estranho pra burro. Salva-lhe o fato de que o escrete era tão bom que até na terceira seleção tinha craques. E as entrevistas de Natal da Portela e Madame Satã, essas sim as mais importantes do hebdomadário, Leila Diniz que me desculpe. Em quadrinhos, li As Aventuras do Capitão Presença, sobre o qual me abstenho de comentar dada a quantidade de menções que o talento do Arnaldo Branco já teve neste espaço (e no SoBReCarGa) e o terceiro volume de Persépolis (achava que era o último. Paciência.), onde está o segredo de muito de seu sucesso na França: depois de uma boa dose de exotismo, conflito religião/laicismo, feminismo, intelectualismo é a vez da batida história do artista em formação dormindo na sarjeta. Trouxe comigo Santô, Gip Gip Nheco Nheco, Assim Rasteja a Humanidade, e Carmen. Mas no momento estou lendo Da Arte de Falar Mal, que já estava aqui na Austrália.

Atualização 2, o livro das sombras: também tive a pachorra de conferir os dois mais badalados lançamentos do final do ano, não, não me refiro ao Almanaque dos anos 80, estou falando das revistas Piauí e Rolling Stone brasileira. O sucesso da primeira demonstra apenas o que reclamei acima sobre a dificuldade que o brasileiro experimenta ao tentar mudar. Na primeira edição há reportagens sobre um costureiro guei de sucesso, uma jornalista que foi tentar a vida como garçonete nos EUA e um curso de formação de técnicos em tele-vendas. Por todas elas atravessa uma mistura de deslumbre e horror que deve ser o sentimento comum do leitor alvo da publicação, deslumbre com a ousadia, com as situações extremas narradas e horror por querer ver-se o mais longe possível daquela realidade. Nada contra, entretanto, as autoras de cada matéria; gostei particularmente dos textos da Danuza Leão e da Cecília Giannetti. Mas quanto às pautas, tou fora desse tipo de masoquismo. O melhor da revista é mesmo a menor seção, Esquinas. A edição também deveria parar o quanto antes de misturar autores estrangeiros e brasileiros, ou pelo menos enquanto os segundos estiverem levando banho dos primeiros, até que se alcance o nível de uma Animal ou Circo, igual para igual. Se o Brasil fosse moderno, estaria lendo a Rolling Stone Brasil, que abriu espaço pra valer para reportagens de campo, aquelas que antes só encontravam espaço, onde?, na Playboy. Sem abrirem mão de truques simples como fazer capas atraentes (Gisele Bundchen, Ivete Sangalo) mas entregar o que se ler no miolo: é imensa a quantidade de críticas, resenhas, matérias. Não lerei porque não me interessam os assuntos abordados, mas sei que corro o risco de perder a estréia de um novo Cláudio Tognolli ou um novo Fernando Morais.

Escrito por Rafael | 08:46 PM | Comentários (2)

janeiro 08, 2007

Receita de viver

(uma crônica de José Carlos Oliveira, dedicada aqui a Bruno Garschagen)

Para viver bem é preciso chegar aos 30 anos com a satisfação de se ter permitido todas as loucuras imagináveis na juventude. Principalmente no capítulo das mulheres. E só freqüentar os amigos que suportam os nossos defeitos.

Recomenda-se também uma boa gargalhada, à sós, no momento de se erguer da cama: "Quanta bobagem tenho feito neste mundo! Quá, quá, quá!" A serenidade imperturbável conduz ao fanatismo, e este dá câncer.

Nenhuma preocupação burguesa ou pequeno-burguesa, como por exemplo o medo de perder o emprego ou os bens; nenhuma ambição material, fora as indispensáveis (casa, comida, roupa lavada), ou então que seja gratuita: juntar dinheiro para algum dia comprar um iate ou passar dois anos zanzando pela Europa.

Nunca ferir uma mulhe a ponto de fazer-se odiado por ela. O homem inteligente é o que sabe transformar antigos amores em sólidas amizades.

Estar sempre em condições morais de perder tudo e começar tudo outra vez. Interessar-se por tudo, principalmente por aquilo que não nos diz respeito. Amar apenas uma mulher de cada vez. Dizer sempre a verdade, seja qual for e doa a quem doer. Conhecer um por um os nossos defeitos, curar-se dos que não são naturais e cultivar aqueles que mais nos agradam.

Evitar ao máximo o paletó e a gravata, os chatos que falam no ouvido, as mulheres que resolvem tudo pelo telefone, os bêbados que mudam de personalidade quando lúcidos, os vizinhos muito prestativos e todo papo do qual participem mais de três pessoas.

Longa caminhada solitária pelo menos uma vez por semana. Não discutir preços -- é melhor ir embora sem comprar. Não guardar ódios a ninguém. Dormir oito horas e, acordando, continuar na cama enquanto puder. Recusar-se terminantemente a beber uísque que não seja escocês legítimo, preferindo a cachaça como alternativa. (Isto vale apenas para quem gosta de beber e bebe freqüentemente, como é o caso do autor dessa receita. Neste caso, a aceitação de qualquer bebida é moralmente inquietante, pois atravessa a fronteira que separa o prazer do vício.)

Ser condescendente com o comportamento sexual dos outros. Tentar compreender cada pessoa, evitando julgá-la. Saber exatamente o momento em que os amigos gostariam de estar sós. Ter caráter bastante para reconhecer as qualidades positivas de um eventual inimigo. Treinar, como quem faz ginástica, para ser sinceramente modesto. Saber contar com irreverência histórias em que faz papel de bobo, e que tenham acontecido realmente.

Viver tão intensamente que possa dizer à morte, quando vier: "Já veio tarde."

(fonte: revista Manchete, 29 de outubro de 1966)

Escrito por Rafael | 05:40 PM | Comentários (1)

Pergunta & Resposta

Em comemoração aos 6 anos de Digestivo Cultural, Julio Daio Borges mandou uma série de perguntas a antigos colaboradores, à qual respondi linearmente, no total espírito de pressa e vontade que o fim de ano chegue logo. Polzonoff achou impublicável; Julio teve a cara de pau de mandar para o ar, dentro do blog, não como coluna. Espero não ter sido injusto com ninguém ou em nada. Correção única a um substantivo perdido -- a citação ao Douglas Adams diz respeito ao "barulhinho que os prazos fazem quando estão se esgotando".

Escrito por Rafael | 04:26 AM | Comentários (1)

Banalização no vídeo dos outros é refresco.

A união do YouTube com a obessão pelos famosos foi o casamento mais bombástico do ano: uma explosão amplificou a outra. Meu grande desejo para 2007 é que os dois se separem (...) para que o site cumpra seu papel na democratização das imagens, em vez de virar mais uma ferramenta para sua banalização. --Ricardo Calil em NoMínimo, grifos meus.

Será que dá para explicar agora a diferença entre uma e outra, seu Calil? Ou você é mais um desses democratas que não suportam a democracia dos outros?

Escrito por Rafael | 04:09 AM | Comentários (0)

janeiro 03, 2007

Muito atrasado mas imperdível

Mesma coisa do ano passado: pule nas cabeças deles e sugue os cérebos; ninguém vai dar pela falta
Cartão de natal bolado e desenhado por Alan Moore. Ho ho ho

Escrito por Rafael | 08:42 PM | Comentários (2)

janeiro 02, 2007

Corrida ao Queijo de Gloucester, 2006

Interesso-me suficientemente pelo assunto a pono de ter estado presente em quatro das maiores festas do mundo: o carnaval brasileiro, o Burning Man, a Tecno Parade e a Oktoberfest. Duas das que mais me intrigam, entretanto, são La Tomatina (em Valencia) e essa aí em cima, a Corrida ao Queijo de Gloucester. Grande destaque para a gordinha de camiseta preta que vence a bateria feminina. Na próxima vez em que um anglo-saxão qualquer vir tirar onda de civilizado para cima de mim, vou pedir para ele me explicar o significado cultural por trás do cheese rolling.

Escrito por Rafael | 01:25 PM | Comentários (2)

Meio dia e meia e nada acontece

Dessa vez não foi tsunami, foi traficante mesmo quem atacou entre natal e ano novo. Claro que se você está abaixo do paralelo que passa por Copacabana, a chance de ser atingido é muito pequena, mas não tem a mínima graça estar numa cidade onde o esporte predileto da classe média é colecionar terrores, o mais recente o trote-resgate. Considerando-se que copa do mundo e eleições são assuntos periódicos, posso dizer que a única notícia do ano vinda do Brasil a atingir os órgãos estrangeiros, Le Monde, BBC etc., foi o ataque do PCC em São Paulo, o que deu muito trabalho para explicar aos colegas de trabalho estrangeiros -- mas não esqueço da pergunta que um escocês fez imediatamente após conceber o problema: e por que não colocam o exército para tomar as favelas?

Enquanto isso, no Rio de Janeiro há gente de sobra lamentando a tomada das favelas por milícias, afinal ao menos o tráfico era menos autoritário com os favelados... Na quase impossibilidade de se criar coisas novas, na ridícula variedade de restaurantes (moro numa cidade de apenas 150 anos com um milhão de habitantes que tem bem o quádruplo da variedade do Rio), na sanha de parasitar qualquer coisa que soe a novo e tenha patrocínio cultural, na preferência pela segurança do salário-desemprego sobre o risco do mercado, na crença de que a única maneira legítima de fazer dinheiro é sendo funcionário público (ou então você será um explorador desalmado), em tudo que se olha há uma inércia absurda em mudar, em experimentar o novo, em abrir.
Não admira que Lula tenha sido reeleito com dois terços dos votos válidos.

Escrito por Rafael | 10:14 AM | Comentários (1)