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fevereiro 28, 2008
Don't marry her
Outro dia o Lisandro disse que lembrou de mim lendo uma piada. Eu lembrei dele quando fui apresentado a essa musica, recentemente, sobretudo a versao original. A banda se chama Beautiful South.
Escrito por Rafael | 01:43 PM | Comentários (1)
Gaping void forever

Escrito por Rafael | 01:13 PM | Comentários (0)
Desculpas
Kevin Rudd, primeiro ministro australiano, escolheu a vespera do dia dos namorados para pedir desculpas -- aos aborigenes, originais habitantes do territorio australiano quando da chegada dos europeus. Foi o mais abrangente, relevante e universal pedido de desculpas feito por um chefe de estado australiano, superando tentativas anteriores de seu partido e colocando por terra completamente a insistencia de seu antecessor, John Howard, em reconhecer os aborigenes como cidadaos: num esforco final de uma campanha entao perdida, prometera dar-lhes a cidadania se reeleito, mas era fogo de palha.
Ha duas consideracoes principais sobre o ato de Rudd. Ambas dizem respeito a rendencao de crimes do passado. Ate o comeco da decada de 1970 a pratica comum era separar filhos e pais aborigenes, levando os primeiros a serem criados em orfanatos, onde trabalhavam para aprender um oficio, ate os 17 anos, quando eram devolvidos a sociedade. Colocar orfaos para trabalhar em orfanatos era algo comum, no seculo XIX, na Inglaterra, tal como atesta a novela Oliver Twist, escrita por Charles Dickens para denunciar esse tratamento. O que nao era comum era o planejado exterminio de uma etnia, quase levado a cabo, nao fossem protestos que comecaram a acontecer a partir dos anos 1960. Da-se a esta geracao separada o nome de Stolen Generation, provavelmente o maior trauma australiano e assunto do filme Rabbit Proof Fence. O pedido de desculpas de Rudd vai em nome dos crimes cometidos contra aborigenes e especificamente da Stolen Generation. Essa e a primeira consideracao.
A segunda diz respeito a reparacao dos danos, tocando na espinhosa questao: como corrigir, no presente, injusticas cometidas no passado? Politicas de todo o jeito foram tentadas por conservadores e trabalhistas sem resultados reais, quais sejam ou a insercao de aborigenes na sociedade australiana ou ao menos o nivelamento, ja que os indicadores sociais quando tomados somente entre aborigenes revelam qualidade de vida de terceiro mundo. Rudd tem um duro caminho pela frente, se quiser conjugar a tarefa de preservar o povo aborigene e ao mesmo tempo nivela-los ao australiano medio, tarefa provavelmente impossivel, ja que os aborigenes que se enquadram acabaram por abrir completamente mao de sua heranca etnica. E os que nao se enquadraram tiveram destino ainda pior, tornando-se alcoolatras, subalternos ou mendigos.
O pedido de desculpas e extraordinario e poderia ser copiado por todas as nacoes com uma historia de escravagismo ou genocidio planejado em seu passado -- mesmo que os povos escravizados ou exterminados tambem fossem adeptos da escravatura ou do genocidio. A melhor maneira de assegurar a reparacao, entretanto, vai exatamente pelo caminho contrario: esquecendo-se que ha diferenca entre etnias dentro de um pais e oferecendo as mesmas oportunidades a todos.
Escrito por Rafael | 12:46 PM | Comentários (0)
fevereiro 26, 2008
Coisas de que gente branca gosta
Atualizacao: voce acha que e brincadeira, mas nao e.
Escrito por Rafael | 08:42 AM | Comentários (1)
fevereiro 16, 2008
Krystal knows, Krystal says
Krystal Forscutt participou do Big Brother Australia 2007, de onde decolou para a esfera das baixas celebridades. Assisti no dia em que ela foi eliminada. Pouco depois, virou capa de um monte de lad magazines, alem de emprestar suas formas para uma coluna na revista Zoo. Claro que sem o substantivo a frase dela fica bem mais engracada, mas isso so para brasileiros: para quem fala ingles, Brazilian ja e abreviacao de Brazilian wax (depilcao a maneira brasileira)
Boa escolha: Megan Gale vai ser a Mulher Maravilha no filme da Liga da Justica. Quem nao sabe nada sobre ela pode descobrir alguma coisa vendo essa entrevista no Rove, o Jo Soares australiano. A piada sobre a alface com uma vela de aniversario e boa, e preste atencao no modo como ela fala "no", "true" e "right" (quase "royt"): isto e o sotaque australiano. Nao, preste atencao no tamanho dela quando esta cumprimentando o apresentador, bem no comecinho.
Escrito por Rafael | 10:00 AM | Comentários (1)
fevereiro 10, 2008
Armas, Maoris e aco
Dessa vez vim parar longe, mar do Timor.
Enquanto o mar nao sossega, vou aproveitando para aprender um pouco sobre os povos locais -- e o primeiro da fila sao os maoris, indigenas da Nova Zelandia. O grande barato do avanco da ciencia, particularmente genetica, e que uma serie de informacoes ficou disponivel. O chato e ter que jogar no lixo praticamente tudo o que se aprendeu no colegio.
Por exemplo, a ideia muito difundida que os exploradores europeus vieram para desmatar e destruir a fauna e flora locais, com as quais os nativos viviam em harmonia. Balela. Quando os europeus se puseram em contatos com nativos nas Americas, Australia ou ilhas da Polinesia, ja estavam extintas ha muito varias especies de mamiferos grandes que poderiam ser domesticadas, entao nao houve alteracao da fauna nesse sentido. Quanto a flora, na verdade varias civilizacoes nativas ja haviam se encarregado de destruir porcoes consideraveis do territorio antes da chegada deles -- os maoris derrubaram 40% das florestas da Nova Zelandia, sozinhos, sem ninguem mandar.
Progresso? O que consta apenas foi que eles conseguiram dominar antes as artes da agricultura, o que os permitiu producao de alimentos em excesso. Como havia comida para todos, sua civilizacao pode originar e comportar artesaos e artifices; especialistas que tiveram chance de se dedicar a suas areas ja que nao precisavam se preocupar o tempo inteiro com a procura de comida, como as tribos nomades de colhedores e cacadores que nao haviam dominado a agricultura. Alem de permitir o surgimento de especialistas, o crescimento populacional e o assentamento sedentario, o excesso de alimentos permitiu que outras posicoes sociais emergessem: os sacerdotes, os caciques, a policia, a escrita e a burocracia, cuja mais fina invencao foi o exercito. Esta tudo num unico livro, tintim por tintim: Armas, Germes e Aco, de Jared Diamond.
Portanto a ideia que nativos eram mais integrados a natureza e pacificos cai completamente por terra; o que havia, de fato, eram tribos, ainda que notavelmente desenvolvidas tecnologicamente como os astecas, que nao dominavam plenamente a agricultura a ponto de poderem organizar sua burocracia em complexidade. Toda vez que ultrapassavam essa linha, tornavam-se tao conquistadores como os europeus, como atestam as ilhas da Polinesia conquistadas pelos maoris -- e o baita trabalho que eles deram aos ingleses.
Ao contrario dos aborigenes australianos, rapidamente dizimados pelas doencas e pela enorme fraqueza belica, os maoris tinham um exercito organizado que enfrentou e causou severas baixas aos ingleses no comeco do seculo XIX. Foram derrotados pela forca dos canhoe; nao dominavam o aco. Mas e notavel descobri que ainda no seculo XIX havia a preocupacao de assinar um tratado com os caciques, na qual eles cediam a soberania da terra neozelandesa para a rainha Vitoria (historia mal contada, ja que o tratado foi vertido para a lingua maori, na qual o conceito de soberania nao existia) e em troca se tornavam cidadaos do imperio ingles. Nunca ouvi falar de nada nem remotamente parecido envolvendo os indios da America do Norte.
Escrito por Rafael | 11:48 AM | Comentários (0)