« setembro 2008 | Principal | novembro 2008 »
outubro 27, 2008
Surfista Prateado
Me espantou que ninguem, ao menos dentro do meu raio de atencao da blogosfera, tenha dado destaque ao NONO campeonato mundial de Kelly Slater:
Ele, Roger Federer, Tiger Woods, Pele, Michael Jordan e, talvez, mais uns 2 ou 3. Ser contemporaneo? Privilegio.
Escrito por Rafael | 09:36 AM | Comentários (0)
outubro 24, 2008
Il Divo
Essa semana tem sido para superar parametros. Depois de Wendi Deng, Giulio Andreotti.
Quem acompanha os descalabros recentes de Silvio Berlusconi na Italia provavelmente nao tem ideia do que foi a trajetoria politica de Giulio Andreotti, primeiro ministro sete vezes, antes de um escandalo envolvendo seu nome com a mafia siciliana durante a Operacao Maos Limpas e o esfacelamento de seu partido politico apos a queda do muro de Berlim encerrarem sua carreira politica. Amigo pessoal de varios papas e presidentes dos EUA, depois de 40 anos de vida politica foi a julgamento acusado de mandar matar um jornalista que publicaria um livro contendo suas ligacoes com o crime. Dizia-se inclusive que ele teria recebido o notorio beijo da honra de um capo. Andreotti foi absolvido varias vezes num processo que durou decadas, na base do nada ficou provado -- a despeito de todos os chefes da mafia, entao aprisionados durante a Operacao Maos Limpas, terem testemunhado consistentemente acerca de suas ligacoes. Andreotti tinhas as caracteristicas do politico habil, que nao assume o primeiro plano e joga com o equilibrio de forcas ao seu redor para se manter no centro do poder. Distribuia presentes no natal, como um Don Corleone (alias, um dos personagens da trilogia O Poderoso Chefao e baseado nele) e era dado tiradas de humor seco e cortante.
Tomei contato extenso com sua figura apos assistir Il Divo, cinebiografia que joga todas as hipoteses no lixo para condensar sua trajetoria: mandou matar a vontade, era do circulo da mafia, deixou Aldo Moro morrer (mesmo que tenha tido crises de consciencia por isso), nunca reconheceu nenhuma de suas atividades criminosas. Tudo em nome da dramaturgia. Se for verdade, Andreotti faz jus a todos os apelidos que recebeu ao longo da vida, entre eles: Papa Negro, Belzebu, corcunda, Divino Giulio, Giulio "Lavazza" (por ter sido suspeito de mandar envenenar o cafe de um politico) e bem mais. Se for meia verdade, Andreotti ja deixa na poeira a trajetoria de todos os coroneis brasileiros que se tornaram politicos apos a redemocratizacao, somados, visto que a carnificina que promoveu fora o preco para manter a estabilidade na Italia. O Sarney deles e muito mais casca-grossa que o nosso.
Escrito por Rafael | 02:39 AM | Comentários (0)
outubro 22, 2008
I have to blow
-- Seus peitos sao fantasticos! Eles sao de verdade?
-- Sim.
-- Como e que voce faz para que eles fiquem suspensos assim?
-- (cochichando) Sutia auto-sustentado.
-- Eles sao perfeitos! Parabens!
Eu achava que certos dialogos so aconteciam em sitcoms ou historias em quadrinhos, ate testemunha-los em tempo real. Talvez Claudio Tognolli esteja certo sobre aquelas pesquisas que indicam uma perda na capacidade de comunicacao por causa do aumento de cliches de linguagem.
Escrito por Rafael | 10:32 PM | Comentários (0)
Temos uma nova vencedora
Em 1996, Wendy Deng era uma esforcada estagiaria em um canal de televisao chines, seu primeiro emprego apos ter concluido uma pos-graduacao em Yale. Em 1999, foi apresentada a rainha da Inglaterra como a esposa de Rupert Murdoch; conhecera o magnata das comunicacoes trabalhando como sua interprete, na viagem que ele fez a China com tres filhos e a senhora que tinha sido sua esposa nos 31 anos anteriores.
Como Wendy Deng, chinesa por nascimento, aprendeu ingles? Apos conhecer o casal Jake e Joyce Cherry; ele estava construindo uma fabrica na China e toparam bancar um visto de estudante para ela. Dois anos depois de dormir na cama de cima do beliche no quarto da filha do casal, Joyce e Jake se separaram e Wendy se tornaria senhora Cherry.
Essa barrou a Luciana Gimenez, e com folga.
Escrito por Rafael | 10:19 PM | Comentários (0)
outubro 17, 2008
Bali, para principiantes
Bali Kuta e a Porto Seguro dos australianos.
Poderia parar o texto por aqui, mas o pior e que vale desenvolver. Kuta, a area das praias centrais de Bali, e provavelmente o maior caso de estupro turistico do mundo. Fotos ou relatos sobre o bucolio paraiso tropical que Bali era na decada de 1970 soam tanto a ficcao cientifica retro quanto as historias de Antonio Maria sobre a Copacabana da decada de 1950. Tony Wheeler, criador do Lonely Planet, recentemente transformou sua historia em livro, no qual so se da ao trabalho de se defender de duas acusacoes; uma delas, exatamente a que seus guias teriam ajudado a destruir Bali ao mostrar o caminho das pedras. Kuta e o predatismo imobiliario de Copacabana, a prostituicao do Malecon, a massificacao barata das camisetas "No Stress" de Porto Seguro, a sujeira de Arraial do Cabo (ou Laguna), os piores pubs da Australia, a promiscuidade sexual de Arraial d'Ajuda -- sem o futevolei dos posto 6, sem o acolhimento dos pubs rusticos de Western Australia, sem a sofisticacao de beira de praia de Buzios; voce vai ter, no minimo, que caminhar ate Seminyak para ver algo proximo. A praia de Kuta e muito bonita, sim, e os surfistas costurando nas ondas que quebram perfeitas por dezenas de metros durante o por do sol e uma imagem inesquecivel; mas nem em Iguaba, o logradouro de ferias preferido de Agamenon Mendes Pedreira, a avenida principal e tao apertada, caotica, barulhenta, tem calcadas tao estreitas e fica tao longe (quase um quilometro) da praia. E olha que Kuta e o primeiro pouso de 90% dos turistas que primeiro pisam la.
Agora, a boa noticia: Kuta nao define nem resume Bali.
Se Kuta e a Porto Seguro dos australianos, Ubud e a Santa Teresa de Bali. Bicho-grilo, mato, esoterismo mutcho loco, artesanato; onde fica provavelmente o melhor lugar do mundo para relaxar depois de um dia inteiro fazendo turismo a pe: uma cafe chamado... Kafe; onde se ve gente com uma camiseta escrito "Me coma, sou organico"; o unico lugar da ilha inteira onde fui abordado por um pedinte. Como nao podia deixar de ser, onde fica o melhor restaurante frances de Bali -- frances adora um exotismo, um artesanato etnico. Ate ladeira com ladrilhos eu descobri por la.
Antes que assuste a afirmacao do paragrafo anterior sobre o unico pedinte, explico: nao ha mendigos ou assaltantes em Bali porque todo mundo, todo mundo foi cooptado para trabalhar no turismo, que o governo local transformou na principal, para nao dizer unica, fonte de renda & atividade economica. Assim, o pivete que estaria te assaltando em outra cidade de praia, esta te enchendo o saco para que voce pegue a moto-taxi que ele pilota, ou se oferecendo para te dar aulas de surfe na praia (aluguel da prancha, a parte); o mendigo que estaria te pedindo e o motorista do seu taxi, e o pior que ele vai fazer e andar sem taximetro ligado, dobrando o preco da corrida de 3 para 5 dolares e assim por diante. Malandragem, labia e esperteza, mas nunca no exagero, porque eles sabem que nao podem matar a galinha dos ovos de ouro quebrando a confianca do turista -- dai que andar de noite nas areas mais ocupadas ser super seguro. Mas nem por isso deixam de arriscar, passando a lamina ali pertinho do pescoco. Nenhum lugar pode ser mais sintomatico desse comportamento do que Candidasa, onde dinamitaram os corais da praia para fazer cimento e depois nao conseguiram ocupar os hoteis... porque nao havia corais para atrair os turistas para a praia.
Bali Kuta te joga na cara aquela frase do Millor Fernandes, turismo e prostituicao. A impressao e que os moradores estao poupando toda a riqueza local para vender, com exclusividade, aos turistas, e nao parece coincidencia que os templos reformados ainda estejam esperando entalhadores para dar forma as pedras novas enquanto ha vilas inteiras so de lojas de enfeites de madeira entalhada; outrora, aqueles escultores todos provavelmente estariam trabalhando nos templos. Ainda assim, com excecao dos grandes resorts instalados em Nusa Dua (a moda do que o Sheraton fez em Sao Conrado, RJ), o acesso as praias e franqueado ao publico -- senao para mais nada, ao menos para propiciar um ambiente democratico onde os cafetoes locais tem chance de assediar entediadas turistas europeias ou australianas, no fundo apenas mais uma fonte de renda. Turismo e prostituicao: a inacreditavel abundancia de ofertas de massagem -- massagem aqui subentendendo as inumeras variacaoes da quiropatia tanto quanto o popular eufemismo asiatico para prostituicao -- e um excelente exemplo de como o povo balines converteu sua cultura & tradicoes em atracoes turisticas, novamente quase ao ponto de matar a galinha dos ovos de ouro, pois a quantidade de camisetas, artesanato, falsificacoes e prostitutas acabou por forcosamente baixar o preco medio, e olha que nem estamos falando da descaracterizacao feita na China; do produto local, mesmo.
Um dos comentarios que recebi sobre o album de fotos foi que as imagens acabavam com o conceito de sustentabilidade. E fato, sobretudo em Ubud, que plantacoes de arroz estariam cedendo espaco para spas e hospedagens, reduzindo a area disponivel para plantacoes. Estaria porque os terracos de arroz mais bonitos, hoje, tambem sao atracoes turisticas e deve se questionar se eles ainda estao ali por conta de suas colheitas ou do excelente ponto de venda em que os mirantes se converteram. Isso nao seria tambem uma forma de sustentabilidade? Com o dinheiro, os moradores podem comprar todo o arroz que quiserem, alem de outros alimentos antes inacessiveis; mas o discurso mais vagabundo da sustentabilidade da a impressao nao se deve alterar o curso de vida tradicional, para que a cultura tradicional nao seja perdida, ao custo da manutencao da miseria e das mas condicoes de vida tradicionais, ao passo que o discurso do desenvolvimentismo mais vagabundo parece ignorar solenemente qualquer tipo de ameaca ecologica. Bali tem leis que protegem contra a retirada de madeira da area com Mata Atlantica e ativistas locais zelando pela preservacao, mas e dificil, mesmo com uma olhada mais cuidadosa, encontrar algo que nao tenha sofrido mudanca pelo contato com uma cultura externa, ao menos nas maiores vilas. Tudo isso poderia ser resumido em uma imagem: uma das criancas que passou por mim no caminho da vila de , disse exatamente duas palavras em ingles: Hello! Money! Money!
Meu guia reservou um quadradinho so para avisar que, se voce estivesse achando a abundancia de dancas de kecak (diz-se ke-xak), legong ou barong muito padronizada, poderia ter um sabor da autentica Bali testemunhando uma tipica cerimonia de cremacao; como as mortes e as cerimonias nao podem ser previstas -- nao, ainda nao comecaram a matar gente para alimentar o turismo -- o guia avisava para ficar de olho nos anuncios locais. Sem muito esforco, eu encontrei um par de folhetos oferecendo, para minha surpresa, o programa completo: por-do-sol no templo de Tanah Lot, cerimonia de cremacao e encerramento da noite num jantar a base de peixe na vila de Jimbaran. Para quem quisesse, havia a alternativa mais em conta de somente por-do-sol e jantar. Antes que se diga que ate a religiao fora transformada em camiseta de cerveja Bintang (a versao local do "No Stress"), deve se reconhecer que, se existe algo a resistir contra o comercialismo ultimo, e exatamente a religiao hindu, com suas oferendas diarias a sujar as calcadas e seus rituais a baguncar o mercado, ainda que nao interfiram muito com o horario comercial; um dos locais me contou que dormia em media menos de 6 horas por dia, por conta das cerimonias se darem tarde da noite ou muito cedo, no final de semana. Se o turismo da oportunidade a um membro das castas inferiores a ter um emprego (& salario) melhor, a religiao e que restaura nos moradores a certeza que, apesar da grana, no fundo, no fundo, aqueles homi branco sao um bando de ignorantes.
Bali e uma ilha unica, um enclave hindu no meio da mais populosa nacao muculmana do planeta: Indonesia. Quando da expansao do imperio islamico do Oriente Medio, varios reinos medievais foram varridos da Asia; alguns, para nao desaparecer, se refugiaram numa ilha vulcanica e fertil onde poderiam manter suas tradicoes. E assim seria ate hoje, se meia duzia de turistas ingleses nao tivesse passado por la para dar uma olhada. Trinta anos depois, a religiao hindu se curvou a forca do turismo, transformando rituais tipicos em atracoes especiais (e criando alguns outros so para isso), a ponto de merecer o titulo de maior caso de estupro turistico do mundo: prostituicao, venda de drogas, comercialismo crasso, sujeira, promiscuidade; a decadencia da civilizacao ocidental. Tudo que o islamismo radical mais despreza. Agora voce ja sabe porque mataram 200 pessoas naquele atentado terrorista. Pudessem, detonavam a ilha toda.
Uma ou duas cenas ilustram no que Bali se transformou. Moca me para na rua, duas da tarde, perguntando se eu nao queria fazer massagem -- a essa altura, nao da para saber ainda se e literal ou eufemismo. Eu digo que estou indo a praia. Ela, biotipo local completo, resmunga: "praia? Esta muito calor e sua pele vai ficar queimada, feia". Quase que eu perguntei se ela tinha espelho em casa; entre isso e soltar uma gargalhada, me despedi e retomei rumo ao mar. Ja em Legian, mulher de meia-idade loira arranca comentarios das recpecionistas, tambem locais, ao passar na rua equilibrando perfeitamente uma garrafa de um litro de agua na cabeca, da exata maneira como todas as mulheres o fazem no interior da ilha (ou qualquer favelada fazia, motivando a musica Lata D'agua na Cabeca). Diante da reacao, tirava sua onda: "Eu tambem sei! Eu tambem sei!", o eterno pendulo entre periferia e metropole; a necessidade de se recriar sem mudar e de atribuir valor ao que e seu, somente porque seu. Cultura.
(O que faz a fama de um bar? Coqueteis originais, servico atencioso e que te faca se sentir em casa, um equilibrio entre privacidade e sociabilidade, petiscos irreproduziveis? Simplesmente um lugar onde voce gosta de ir? E preciso inventar novos coqueteis ou basta reproduzir formulas conhecidas? Ate que ponto o lugar tem que ser limpo? Tem que ficar aberto ate o ultimo cliente, como Bar Esperanca? A localizacao, o quanto importa?)
Quando se poe os pes no KuDeTa, um bar de frente para a praia de Seminyak, a impressao e a de estar no Campidoglio de Michelangelo: dificil encontrar algo que soe fora de lugar ali. A arquitetura e acolhedora e, ao mesmo tempo, arejada. A decoracao e estilosa, o por do sol se da no mar, no angulo correto. A musica e lounge. Tem ate umas espreguicadeiras estrategicamente de frente para o mar que eu acredito serem motivo de briga. Ou seja, tudo parece ter sido arrumado para te fazer sentir o maximo. Ate o publico frequentador, na maioria gente com bronzeados impossiveis, vestido daquele jeito que os manequins dos shoppings ficam em epoca de ano novo, sorrisos e tacas de vinho branco para todo lado, da a impressao que voce esta num nivel espiritual superior. A sofisticacao europeia e emprestada apenas o suficiente para equilibrar com a informalidade australiana. Nem o nome (motivo de chacota, no Brasil) consegue baguncar o quadro.
O KuDeTa tem ma fama entre os frequentadores dos foruns de discussao do Lonely Planet por ter coqueteis caros; caros ate para os padroes de Sydney. E para a turma do Lonely Planet, nao importa se voce esta diante de uma praia espetacular, vendo o por-do-sol mais bonito do mundo: ninguem tem direito de cobrar mais caro por um coquetel. Os coqueteis do KuDeTa sao caros, em qualquer padrao, mas so um idiota nao perceberia de cara que, naquele preco, estao embutidos todo o ambiente necessario para fazer do KuDeTa uma experiencia inesquecivel. Quando voce pede o seu martini no bar, e se encaminha para o balcao, desviando de alguns turistas japoneses (que imediatamente desaparecem), trocando olhares com um herdeiro milionario ou girando o pescoco para uma espiada naquela modelo recem-revelada nas passarelas, esta imediatamente entrando no jogo a que todos que vivem de turismo participam e que o KuDeTa joga a perfeicao: a suspensao da realidade, a mais forte impressao de felicidade -- mesmo que seja tao artificial que tenha que isolar quase todo o resto da tua vida. O KuDeTa e um dos melhores bares do mundo.
Sem sair de Kuta, a impressao de Bali pode ser tao ruim quanto a de quem nao sai de Sydney. Felizmente, e ate por uma questao de ganhar com a diversificacao, Bali anda tentando desenvolver uma area mais, digamos, sofisticada ao norte de Kuta: Seminyak. Ao inves dos bones e camisetas, lojas de designers vendendo objetos de decoracao, bijouterias, sandalias, artes plasticas e roupas; restaurantes e bares. Nao e preciso ir mais longe do que Jalan Oberoi para ter opcoes de jantar para uma semana, e Jalan Dhyana Pura para o programa depois do jantar. Ha as inevitais noites de salsa -- a salsa esta para a danca assim como o hip hop, para a musica: e aquele ritmo que predatoriamente tomou conta dos espacos e aprecia-lo virou codigo que, apesar de europeu branco/asiatico, tem uma conexao qualquer com o gueto, ou seja, mais coisa de que branco gosta, impossivel -- mas tambem ha bandas de rock cover, noites de karaoke (mais uma coisa de que branco gosta)... so que eu acabei indo, na maioria das noites, para um lugar chamado Obsession, a maior bola dentro que o Lonely Planet deu nessa viagem: "um dos poucos lugares onde a musica que toca faz juz ao rotulo world music".
Na primeira vez em que eu entrei no Obsesion, a banda (cinco sujeitos com cara de indonesios, duas backing vocals bonitinhas e um band-leader com jeitao de italiano de praia) tocava uma versao envenenada de Volare, ainda mais sinistra que a do Gipsy Kings, e dali emendou uma cancao grega na linha Nunca aos Domingos e um cha-cha-cha, so parando para pegar folego depois de Besame Mucho ensandecido. Foi no Obsesion que o barman se ofereceu para trocar de camisa comigo, quando viu que na minha estava escrito "Caipirinha". Tambem foi no Obsession que um russa caiu de bebada na pista de danca, infelizmente sem reproduzir a classica imagem do boliche. Porem, o que me fez voltar obsessivamente ao Obsession foi a banda Saharadja e sua fusao de ritmos de tirar pica-pau do oco. Ou isso ou eu simplesmente fiquei hipnotizado pela Mariana Nasman e Sally Jo, brigando para ver qual era mais bonita no palco do Obsesion. O KuDeTa e um dos melhores bares do mundo, mas o Obsesion e mais divertido.
Locais confundiram-me com um nativo da ilha de Java varias vezes. Na Australia, em geral acham que sou frances ou italiano. bom. Mais um lugar para me esconder se eu me tornar procurado pela policia.
Escrito por Rafael | 05:05 AM | Comentários (0)
outubro 09, 2008
Banksy, agora em 3D
Banksy ataca novamente, agora em 3D. Arte. Arte.
Quem tiver em NY, visita.
Escrito por Rafael | 06:43 AM | Comentários (0)
outubro 06, 2008
Goodman Beaver, de Will Elder
Depois do desentendimento que fe-lo sair da editoria da revista Mad, Harvey Kurtzman tentou repetir o sucesso da revista com as maiores estrelas do time original -- Wally Wood, Jack Davis e seu colega de infancia Will Elder -- um par de vezes, primeiro bancado por Hugh Hefner, entao tentando expandir o nascente imperio de Playboy, com Trump; depois, em esquema de sociedade com os outros cartunistas, com Humbug; e, finalmente, com Help!, a mais modesta das tres, onde acabou revelando os maiores nomes da geracao seguinte e publicando todas as historias de Goodman Beaver, uma de suas mais marcantes criacoes.
Goodman Beaver, como a maioria das criacoes de sucesso do mundo pop, nao passava de uma releitura facil de um classico, no caso Candide, de Voltaire, porem sob o manto ingenuo do puritanismo. Beaver foi, mais do que qualquer coisa, um tripe onde Kurtzman apoiou sua metralhadora giratoria, a mesma que usara extensivamente, antes, nos primeiros numeros da revista Mad. Se antes Kurtzman fizera troca de Mickey Mouse, Superman, A Ilha do Tesouro, Sherlock Holmes, King Kong, da publicidade, agora era a vez de Tarzan, Dalton Trumbo e do proprio Hefner. O mote seria, novamente, a turma de Archie.
A historia e simples como convem: depois de anos de ausencia, Goodman Beaver retorna ao seu velho grupo de escola, nada menos do que uma parodia dos personagens de Archie, apenas para descobri-los transformados: consumistas, integrados, sofisticados, hedonistas: o arquetipo do leitor de Playboy, tal como definido na filosofia escrita por Hefner, anos antes. Hefner, justica seja feita, sempre deu franca liberdade para seus cartunistas e Kurtzman nao seria o unico a criticar abertamente a filosofia; Jules Feiffer faria a historia The Lonely Machine (republicada recentemente no livro Passionela and Other Stories). O que se segue e um classico exemplo do melhor humor Kurtzman, juntando duas intituicoes americanas (Archie e Playboy) sem deixar pedra sobre pedra em nenhuma delas, magnificamente ilustrado por Will Elder, que nao satisfeito ainda enchia os quadrinhos com pequenas piadas visuais, que ele apelidava chicken fat.
Quem nao gostou nada foram os editores de Archie, que processaram Kurtzman & Elder, forcando-os a publicar uma carta de desculpas e proibindo a republicacao da historia inteira -- o album Goodman Beaver contem apenas trechos de algumas paginas. A historia terminaria aqui, se QUARENTA ANOS depois alguem nao tivesse descoberto que esqueceram de renovar os direitos e a historia tinha caido em dominio publico, permitindo que o PDF tenha sido feito disponivel, e a historia inteira seja colocada no ar. O melhor tributo que Will Elder poderia ter, no ano de sua morte.
Escrito por Rafael | 09:39 AM | Comentários (0)
outubro 03, 2008
Premio e mais premio
A premiacao dos gemeos Gabriel Ba e Fabio Moon e do xara no Eisner Awards me fez lembrar do nariz torcido de Fernanda Montenegro para o Oscar, uns 10 anos atras. Parece que o Brasil aprendeu a apreciar melhor o significado de uma premiacao norte-americana, unanimidade que nem as indicacoes de Cidade de Deus tinham conseguido -- europeia, sempre soube, haja vista a quantidade de gente que defende os incentivos fiscais por causa dos premios de Berlim ou Veneza. Bacana. So que eu tenho contato diario com franceses ha 3 anos e ainda nao encontrei unzinho que associasse premio em Cannes a qualidade; a primeira ideia e ou a de um filme chato ou experimental demais. Mesmo que ninguem de muita bola para uma historia em quadrinhos, fica o exemplo da dedicacao (faz mais de 10 anos que Moon e Ba pisaram pela primeira vez naquela convencao, atras de dicas e chances) e da abertura de um mercado, uma oportunidade a mais para os profissionais. Dentro de trinta ou quarenta anos, algumas duzias de indicacoes, quem sabe o Brasil ate supera o sinonimo de samba-bunda-futebol.
Escrito por Rafael | 02:11 AM | Comentários (0)
Peter Costello
Por aqui, Peter Costello lancou seu livro de memorias, no qual culpa John Howard por nao ter lhe passado o bastao e, consequentemente, entregue o governo de bandeija para os adversarios. Costello e uma especie de Pedro Malan australiano, foi o responsavel pelo extraordinario crescimento economico e solidez da economia nos ultimos 11 anos, quando todo pais que voce pensar passou por pelo menos uma crise. Australia, nao. Costello deu chance ao surgimento de uma extraordinaria geracao de jovens profundamente confiantes no futuro e teve toda razao quando disse que deixou o pais em melhor situacao do que o encontrou. Esperava que o primeiro ministro compreendesse o desgaste pelo qual tinha passado ao longo de 10 anos de mandato e lhe passasse a bola de lider do Liberal Party, o que nunca ocorreu porque, em politica, ninguem se desvencilha tao magnanimanente assim do poder, licao que Costello aprendeu tarde demais, para sua decepcao pessoal e de todo o partido, que levou uma surra nas urnas: nem a reeleicao para o legislativo Howard conseguiu. Costello e tratado como um sujeito amargo, ressentido e fraco. Mas como Malan, seu papel na historica economica de seu pais ja esta escrito.
Escrito por Rafael | 12:53 AM | Comentários (0)
Enquanto o Nobel nao vem...
Brasileiros levam o prêmio Ig Nobel por estudo com tatus
Astolfo Gomes de Mello Araújo e José Carlos Marcelino foram premiados por sua pesquisa sobre a contribuição que os tatus podem dar às escavações arqueológicas. Os brasileiros descobriram que os tatus podem movimentar artefatos para cima, para baixo, e mesmo lateralmente, por vários metros à medida que cavam dentro de sítios arqueológicos. (...) Araújo, professor de Arqueologia da USP, comemorou o prêmio. "Não existe prêmio Nobel para arqueologia, então o Ig Nobel é uma coisa boa", afirmou, por e-mail.
Depois o David Foster Wallace se suicida e ninguem sabe porque. Ele avisou: a ironia nao funciona mais, se voce tem que explicar que e uma ironia. Apesar do que, ainda acho que meus preferidos, Medicina (Dan Ariely demonstrou que a medicina cara e falsa é mais eficaz que a medicina barata e falsa) e Física (Dorian Raymer e Douglas Smith provaram que uma grande quantidade de cordas, ou cabelo, vai inevitavelmente se embaraçar) superaram os brasileiros
Escrito por Rafael | 12:49 AM | Comentários (0)