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fevereiro 26, 2009

Interrompemos nossas atividades para um comunicado

XIV Dia Internacional do Bracarense - O DIB de sempre

É sempre assim. Reza a cartilha de nossos estatutos com a célebre frase de Buñuel: "La tradición és una estatua que anda".

Em nome dessa tradição secular é que dizemos, apesar dos pesares, mais uma vez, de novo: Vem aí mais um, o esperado XIV DIB.

Há alguns anos, este magnífico e tradicionalíssimo evento não ocorre exatamente na data original de 1º de março. A data oficial continua valendo, junto as comemorações do aniversário da cidade do Rio de Janeiro. Então, sem muita enrolação:

A Fundação Para o Dia Internacional do Bracarense tem o prazer de convidá-los para o maior evento anual de todos os tempos:
Dia Internacional do Bracarense - décima-quarta edição - 28 de fevereiro de 2009

Em 28 de fevereiro de 2009, todos devem se dirigir a Rua José Linhares, numero 85B, quase esquina com a Ataulfo de Paiva, no bairro do Leblon, na cidade do Rio de Janeiro (Lat:22° 53' - Long:43°17' - antiga capital do saudoso estado da Guanabara), Brasil. Sem horário definido, mas com a presença de alguns dos fundadores provavelmente ao despencar da tarde. Ou não.

Lá, todos desfrutarão das melhores iguarias e dos nectares servidos neste santuário, em total harmonia, alegria e paz. Agradecemos a atenção dispensada.

Assessoria de Comunicação
Fundação Para O Dia Internacional Do Bracarense - Fevereiro de 2009.

Site oficial do Bracarense - não temos nada a ver com isso, ok?? Mais uma vez é só para informar.

(eu sentia uma saudade enorme dessas coisas quando morava em Perth!)

Escrito por Rafael | 08:53 PM | Comentários (0)

fevereiro 15, 2009

Na terra dos mil sorrisos

Há lugares no mundo em que se pode ver uma luta de boxe tailandês ao vivo num sábado à noite; há outros tantos onde se pode ver um show de travestis à título de entretenimento num dado final de semana. Mas só na Tailândia é possível ver uma luta de boxe tailandês seguida de um show de travestis.


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Depois que descobriram o potencial turístico das tais lutas, ficou fácil achar um ringue perto de onde se alojam europeus e australianos, e ficou mais fácil ainda encontrar lutas que soam irremediavelmente armadas, não importa o quanto os carros de som que percorrem a cidade anunciem o contrário. Acredito que ainda há quem leve à sério aquelas marmeladas claras, e mais ainda quem curta exatamente esse caráter falso. O que mais me chamou a atenção da farra toda foi a sonoplastia usada para chamar a atenção: um sujeito esmurrando duas luvas de boxe no topo do carro de som. Você está tranquilamente tomando a sua cerveja Singha enquanto janta e, lá pelas tantas, invade o espaço acústico aquele som de espancamento vindo de lugar nenhum. Até conhecer o truque, todo mundo olha.

Evidentemente, esse é o único som que não se ouve por mais perto que se sente do ringue, numa das lutas arranjadas.


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Poucos países entraram tão rápido para a lista dos meus locais favoritos como a Tailândia, pelo menos a região insular por onde circulei (talvez Pattaya, Krabi e Bangkok tivessem me causado impressão diferente, mas duvido). Nem é complicado entender porquê. Vistei a Tailândia depois de 3 anos morando na Austrália. Nesse período, depois da minha cidade natal e onde morei a vida quase toda, a região do Brasil de onde mais senti falta foi o sul da Bahia, palco de várias férias. Em muitos aspectos, viajar para as ilhas da Tailândia, ou Bali, ou ilhas da Malásia, tem um sentido similar a quem sai do sul e vai para o Nordeste: a mudança de um clima temperado para tropical, uma enorme sensação de desordem, preços baixos, frutos do mar em abundância, ficar na praia o dia inteiro. A diferença, a raiz de todas as diferenças fundamentais, está no fato -- e essa frase corre o seríssimo risco de ser mal interpretada -- da base cultural do sudeste asiática não ter influência africana, como se dá no nordeste. Se você consegue entender e entrar nesse esquema, vai gostar de lá.


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Australianos, americanos e europeus viajam para a Tailândia atrás de praia, sol, excelentes pontos de mergulho -- na ilha Ko Tao são emitidos mais certificados de mergulho do que em toda a Grande Barreira de Corais australiana --, transsexuais, preços módicos, turismo sexual, esotérico e ecológico. É particularmente curiosa a harmonia que se dá entre os "evoluídos" escandinavos, sempre andando com aquela cara de quem já viu de tudo e os "prevertidos" locais, exibindo seus lábios de silicone como se fossem troféus.


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E o que mais a Tailândia tem, além de transsexuais e boxe? Tsunami: foi um dos países mais afetados pela onda gigante que varreu o sudeste asiático em 2004 e destroçou duas das mais importantes fontes de renda turísticas, as infraestruturas das ilhas de Phuket e Ko Phi Phi. Hoje, apesar do trauma, a tsunami foi incorporada ao meio de vida local, seja pela adição de placas sinalizando rotas de fuga onde antes nada havia, seja pela venda de DVDs piratas com imagens das vilas mais destroçadas pelo maremoto. De desastre a souvenir. A natureza pode ser implacável, mas só a classe média violenta irremediavelmente e não deixa crescer grama por onde passa.

É isso o que faz crer que seria preciso mais do que uma onda gigante para limpar Patong, um desses lugares cuja reputação atingiu um ponto tão baixo que seu nome passou a ser sussurrado como sinônimo de depravação, amoralidade, vício -- como Kings Cross, como Pattaya, como Kuta, dezenas deles refúgios de soldados norte-americanos pós guerra do Vietnã, mas que fizeram dessa reputação e dos negócios, escusos ou não, um meio de vida: prostituição. Strip tease. Bebida. Drogas. Pornografia. Tudo aquilo que se enquadra na categoria das práticas sexuais não-ortodoxas. Patong, ou mais precisamente umas 10 quadras de Bangla Road, somente mais uma das muitas ruas sujas de Phuket, infestadas por bares vagabundos, lojas de lembranças baratas, conveniências, barracas de frutas se não fosse fechada ao trânsito durante a noite, transformando-se no maior trotoir a céu aberto de travestis, transsexuais, famílias escandinavas empurrando seus carrinhos de bebê, jovens alemães registrando tudo disciplinadamente com suas câmeras digitais, velhos ingleses com jovens asiáticas a tiracolo, néon e estroboscópio que se tem notícia -- tudo devida & orgulhosamente sinalizado por um letreiro que assume ares irônicos com os dizeres Bem Vindo a Phuket.

Patong é a Pigalle de La Bohéme, a Copacabana de Fausto Fawcett, o antro de depravação para os turistas que os locais enxergam somente como uma chance a mais se ganhar o almoço, talvez uma passagem para fora dali; certamente um centro de oportunidades.

Ir a Phuket sem visitar Patong é como não ir a Phuket; ir a Patong e não se chocar não é ir a Patong.


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Phuket, apesar dos restaurantes com vista para o mar, dos resorts fechados, da praia de Surin -- agora você já sabe onde as celebridades tiram idéias para batizar seus rebentos -- não pode ser comparada com Bali em opções de sofisticação, com aquela zona de espreguiçadeiras e jet skis para alugar que não deixa a dever ao pior de Laguna ou Cabo Frio, mas te garante um bocado de sossego se você tiver a pachorra de ficar longe de Patong e aproveitar a companhia dos casais de meia-idade europeus em Hat Karon, onde vão praticar o topless, ou em Hat Kata, onde o pôr do sol na época da Regata do Rei, com os veleiros preenchendo a baía com seus mastros brancos, é uma daquelas imagens que vai direto para a memória permanente; um motivo a mais para empurrar o país para a lista dos seus lugares preferidos.


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Se você dispensar um pouco da conveniência de cidade grande -- caixas eletrônicos 24horas com instruções em inglês, táxis em abundância, restaurantes variados e bares sem hora para fechar -- ou, simplesmente, se curtir dormir sem o som de veículos motorizados ou em meio às árvores, o lance é nem perder tempo em Phuket e pular no primeiro barco que te deixe em Ko Phi Phi -- onde há caixas eletrônicos, restaurantes e bares em quantidade suficiente para alimentar a neurose de qualquer urbanóide, mas não há carros ou qualquer tipo de transporte motorizado, o pôr-do-sol é de quem olha, o Vôlei de praia é sagrado e os caiaques estão ali somente para que você tenha uma chance de conferir mais de perto que aquele deslumbre todo é verdade. Ko Phi PHi Don é uma das ilhas mais bonitas do mundo e, apesar de destroçada pela tsunami e infestada pelas agências de mergulho, ainda mantém aquele ar meio bicho grilo com sotaque mochileiro, Morro de São Paulo circa 2000, onde se pode andar descalço mas também se pode encontrar bons lugares para beber e comer. E quando o sol se põe, não vão faltar caixas de som a cuspir música eletrônica para anglo-saxões sacudirem e espanarem de seus corpos massacrados pelo sol e pelos mosquitos a poeira de uma civilização embrutecedora & enrijecedora. Nem o espetinho de lula assada, ou uma das muitas iguarias locais a saciar a fome da madrugada. Ko Phi Phi é como uma mulher bonita que coloca maquiagem demais. Mas não perdeu seu charme, sua graça.


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Qualquer um que já tenha procurado por tráfego na Ásia no YouTube já se deparou com os caóticas fotogramas de motocicletas, carros e caminhões fazendo vasto uso da buzina para decidir de quem é a tal da preferência. Uma experiência na Tailândia não estará completa sem um trajeto em tuk-tuk, o tradicional táxi local: uma pequena van cuja parte traseira foi reconvertida em bancos e a carroceria, removida parcial (nos lados, substituída por cortinas de lona por causa dos dias de chuva) ou completamente, na parte de trás. É exatamente essa abertura para o exterior que causa a graça extra do passeio de tuk-tuk, mais do que as arrancadas do motorista ou o trânsito impensável. Porque através dela que você, passageiro, vê as inúmeras motos se aproximando celeremente do seu carro, mesmo em subidas, encimadas por locais cuja expressão facial explica o apelido daquela terra -- mas não serve para te acalmar nem um pouco.


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Um dos motivos por que a Tailândia foi parar tão rápido na lista dos lugares preferidos é o senso de familiaridade que eu senti, especialmente em Ko Samui, sorrisos hospitaleiros à parte. Foi lá que identificaram minha camisa rubro-negra, numa caminhada ao crespúsculo, na praia. Também foi lá que uma amizade de infância foi iniciada instantaneamente com um maitre de Burma, assim que eu lhe contei que conhecera uma descendente de alemães e burmeses em Perth. Teve a ver com o estado de espírito dos expatriados, a identificação espontânea que acontece entre compatriotas em terra estrangeira, disparada por um evento mesmo que mínimo. Ele acabou me apresentando os outros garçons, todos brumeses. Eu já vira isso antes -- mas esse tipo de reação não acontece na Austrália. Finalmente, foi de Ko Samui que eu peguei o barco que me levou para participar de uma das maiores festas do mundo, a Full Moon Party, a quinta de uma série iniciada em 2000. Metade de dez, mas a impressão é de ter feito mais da metade, porque as de logística mais complicada já foram: Full Moon Party e Burning Man.


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Um dos grandes baratos de viajar pelos Tigres Asiáticos é tomar contato ao vivo e em cores com a magnífica indústria da falsificação -- ou réplica, como versa o dialeto politicamente correto dos camelôs cariocas. Na Europa, encontram-se com facilidade réplicas de grifes à venda em mercados ou nas ruas das capitais. Nas ruas de Chaweng, nos mercados de Kuala Lumpur, Singapura, fabricados com os mesmos critérios de qualidade porém sem o escudinho, ou com um escudinho falsificado, bolsas, roupas, sapatos, o que você quiser -- a um terço do preço australiano. Isso para você que é turista. É a abundância babilônica de tudo para todo mundo, ao preço que cada um pode pagar.


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Se ainda faltava um elogio exagerado a esse relato, exagerado porém francamente defensível, foi só descuido até agora. Na Tailândia, não contente com algumas ilhas, ficam os istmos mais bonitos do mundo. Incomparáveis. Do Houaiss:

estreita faixa de terra que liga duas áreas de terra maiores (p.ex., unindo uma península a um continente ou separando dois mares); parte estreita que une duas partes maiores

Ou seja:

Ko Phi Phi Don
istmo de Phi Phi



Ko Nang Yuan
istmo de Ko Nang Yuan

Conforme queríamos demonstrar.
Podia, acho até que devia terminar por aqui. Mas vale observar que, na maré cheia, os istmos de Ko Nang Yuan se reduzem a faixas de areia de não mais que meio metro de largura (isso quando não ficam totalmente submersas), uma caminhada sobre as quais é das experiências mais divinas pelas quais passei. Nem precisa de pôr do sol. Nem de sol, para falar a verdade.


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Talvez depois das imagens acima, não reste muita tese a defender sobre a Tailândia. Resta lembrar que essas são vistas aéreas; há todo um universo a se explorar debaixo d'água. Em Phi Phi, visibilidade de 12 metros não é exagero; no litoral de Ko Tao emitem-se mais certificados de mergulho do que em toda a grande barreira de corais australiana. Vida marinha, e mais cavernas, naufrágios, numa temperatura e profundidades quase incomparáveis. É o grande dilema tailandês: invadir mais e mais paraísos que possam ser convertidos em pontos de turismo ecológico sem deixar que o predatismo acompanhe. Equilíbrio raríssimamente atingido.


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Hemingway criou coquetéis, celebrizou alguns bares e inspirou um concurso de sósias, Somerset Maugham mapeou países ainda tido como exóticos para os ingleses e americanos, Beckett é nome de um pub em Berkeley mas que mais batizou restaurantes, bares e hotéis pelo mundo afora não é um autor: é um personagem fictício, e para completa irritação dos literados, não saído das nobres páginas da literatura, mas das histórias em quadrinhos. Corto Maltese, o marinheiro criado por Hugo Pratt e provavelmente o maior personagem de histórias de aventura, encantou tanta gente com sua participação na luta de independência da Irlanda, na guerra Sino-Russa, na primeira guerra mundial, no cangaço; dançando tango em Buenos Aires, conversando com moais na Ilha de Páscoa, tirando um cochilo em Stonehenge ou fugindo da maçonaria em Veneza, que seu rosto e nome se espalharam até por lugares onde ele nunca pisou.

Veneza, local de nascimento de Pratt, evidentemente tem seu restaurante (ao menos tinha até 2004) e outro dia me contaram que existe em Búzios um bar chamado Corto Maltese, motivo suficiente para uma excursão até o balneário. Por tudo isso, simplesmente não houve alternativa quando descobri que existia um Corto Maltese Resort em Ko Samui: hospedar-se num lugar que separa os quartos segundo nomes dos personagens coadjuvantes da série, decorado com posteres feitos em cima da arte original de Pratt era algo que compensaria em muito a oportunidade perdida de ter um autógrafo do desenhista, falecido na época de uma convenção para a qual fora convidado. Compensou, e mais surpreendente do que aquilo, só descobrir que fazia parte do repertório de uma banda local, contratada para animar uma festa de empresa num dos resorts vizinhos do Corto Maltese, nada menos que Mas Que Nada.

Cantada em legítimo português da Tailândia.

Escrito por Rafael | 05:11 PM | Comentários (1)

O Rio é assim

É legal a dose diária de mulher bonita que a Globo continua proporcionando:Tânia Khalil, Cleo Pires, Juliana Paes, Eliane Giardini, Letícia Sabatella, mas isso não consegue ultrapassar duas trágicas seleções de elenco, Vera Fischer e Débora Bloch. Vera Fischer, a melhor amiga, de onde viriam bons conselhos? Débora Bloch, a melhor escolha para a esposa traída? Sei.

Claro que eu não estaria prestando atenção em nada disso se o personagem interpretado (?) pelo Márcio Garcia não tivesse sido baseado, em parte, num amigo meu. Mas isso é outra história.

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Prepare-se para enfrentar muita muvuca e um trânsito que não anda, me avisaram caso eu viesse a ficar no Rio durante o carnaval. 2008 foi o primeiro ano em que o carnaval de rua carioca juntou mais gente do que em Salvador, sintoma da explosão dos blocos de rua. O fenômeno é mais recente do que parece. Há vinte anos, a maior parte dos maiores blocos já existia, mas só não viajava durante o carnaval quem estava preso por algum compromisso. Nesse meio tempo, a estabilidade econômica aumentou o poder de consumo da classe média, a ponto de um feriado abalar uma eleição, como se observou ano passado com Gabeira. Se há tanta muvuca, porque o movimento se inverteu, no sentido de manter ao invés de expulsar os moradores no carnaval? Quem souber essa resposta tem uma chave de ouro nas mãos. Eu apenas arrisco um motivo: hype. Carnaval de rua na zona sul virou algo descolado, nos últimos 5 anos.

Todo mundo quer começar o seu bloco. Compor um samba-enredo. Desenhar uma camiseta. Inventar um novo tipo de desfile: ao redor da pracinha, uma quadra na praia, somente atravessando duas faixas e retornando, até o paroxismo de concentrar mas não sair -- hábito que acabou batizando um bloco. Nesse afã de ser campeão no carioquíssimo esporte de inventar a última moda, não faltam candidatos, nem gente que se contenta em se dizer amigo de quem inventou, ou deu a idéia. Segue, assim, a idéia de renovação do carnaval que traz as pessoas de volta às ruas para um social, vende cerveja, inventa bossas -- e até curte carnaval, nos intervalos. Esse movimento não é novo. O que hoje é a indústria milionária que mexe com a imaginação de turistas no mundo inteiro, a parada do Sambódromo, há 80 anos não passava de uma estratégia para criar notícias e vender mais jornais. O baile do Copacabana Palace, que há 50 anos atraía os maiores astros de Hollywood, hoje em dia não teria a presença do casal Brangelina.

O que há de interessante na explosão dos blocos no Rio de Janeiro é a clássica questão dos repórteres, siga o dinheiro: a quem isso beneficia? Porque, ao contrário dos trios elétricos baianos, negócio extraordinariamente rendoso & organizado nos seus abadás e axés, ainda não dá para perceber patrocínios de peso nem nos blocos de maior aglomeração nem sombra da presença das cordinhas de isolamento. Seria o carnaval carioca algo de fato alheio ao canto da sereia comercial? Duvido. Enquanto isso, vai se recriando o costume de festejar na rua (só lamento que se limite ao carnaval), se atravancando o trânsito, sujando a cidade -- criticar o mictório em que a cidade se transforma é como criticar as pixações em prédios públicos: pedir para ser chamado de fascista e acusado de reprimir as manifestações populares -- e até curtindo o carnaval.

Escrito por Rafael | 03:56 PM | Comentários (0)

fevereiro 09, 2009

Sinopse (à maneira de FDR)

Fui ver O Curioso Caso de Benjamin Botão e não achei nada demais. Eu mesmo tenho uns dois amigos que já nasceram com 70 anos de idade.

Escrito por Rafael | 01:46 PM | Comentários (1)

fevereiro 04, 2009

Delirantes

Segundo Zé Rodrix, aquela flautinha de Os Alquimistas. Jorge Ben tirou de Kung Fu Fighting (quem viu Kung Fu Panda, sabe). Ainda segundo Zé Rodrix, Jorge Ben é o maior dos delirantes da música brasileira, à frente de Luiz Melodia e Zé Ramalho, categoria na qual não devem ser enquadrados os falsos delirantes Djavan ou Carlinhos Brown. Acho que ele só esqueceu de incluir Fausto Fawcett, entre os delirantes.

Sobre Djavan, eu só me lembro de uma australiana que morou um ano em São Paulo, aprendeu a falar português, gostar de música brasileira, e um dia me contou que não entendia direito as letras do Djavan, se eu podia esclarecer um pouco...

Escrito por Rafael | 07:08 PM | Comentários (0)

Talk show é isso, cambada

Isso aqui é muito bom. Lembrou-me de um comentário dum amigo meu (desblogado), acerca de uma das rodas de discussão que costumavam se formar nas festas de aniversário na minha casa: às vezes, você vê aquele negócio meio morno na tevê, aquela conversa que não sai do lugar... os papos que rolavam na sua casa são muito melhores!

Vamos ver se esse ano eu consigo reeditar algumas daquelas rodinhas, até porque um dos participantes do vídeo acima já esteve lá em casa. Vamos ver se, dessa vez, aquele remanescente amigo esquerdista comparece, fica até o final e se predispõe a falar, ao invés de sair mais cedo sob desculpa de estar indo pra Lapa. Só lamento que as diferenças nunca tenham descambado para a violência física, embora temesse secretamente pelos cristais da casa.

Escrito por Rafael | 06:33 PM | Comentários (1)

Delícias cariocas

Dentre as experiências únicas que o Rio de Janeiro te proporciona, destaco o desenvolvimento de alta tecnologia ao som dos berros do camelô que sobem da rua, quatro andares abaixo: éumreal! éumreal!

Escrito por Rafael | 06:30 PM | Comentários (0)