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julho 30, 2009
O mundo é nerd
Os gays que me perdoem.
Depois que descobri que até campos de petróleo no litoral brasileiro estão sendo batizados com os nomes de personagens de histórias em quadrinhos -- Panoramix, o veterano druida da aldeia de Asterix, e Vampira, aquela X-Man que roubava os poderes dos outros -- a constatação é inevitável.
Nunca é demais lembrar aqui o nome com o qual o módulo lunar utilizado há 40 anos foi batizado pelos astronautas: Snoopy.
E pensar que uma adaptação para o cinema era uma idéia distante...
Escrito por Rafael | 10:29 AM | Comentários (0)
julho 29, 2009
Orgulho da raça
Mojo autografando posteres da futura série em quadrinhos a ser lançada pela Dark Horse Comics. Yes we can.
Escrito por Rafael | 11:07 AM | Comentários (0)
julho 23, 2009
Mojo na Comic Con
Só para registrar aqui as maiores felicitações pro camarada Daniel Pellizzari, que junto com Rafael Grampá estará domingo agora assinando posteres e cartões de Furry Water no estande da Dark Horse da San Diego ComicCon (a maior convenção de quadrinhos do mundo), e realizando um sonho de infância deles. Pellizzari aloprou nas notinhas, abaixo vai uma versão altamente editada:
Sumi? Sumi. Trabalhando como uma MULA ANABOLIZADA nos últimos dias, sem internet e com credores na minha cola.
Dever pro universo inteiro, não ter telefone, internet ou banheiro em casa, estar a um dia do corte da luz, tudo isso dá pra relevar. Mas também quero brincar. *ahem* Bem:
DARK HORSE COMICS é a editora de FURRY WATER, série em 6 edições por RAFAEL GRAMPÁ & DANIEL PELLIZZARI.
DARK HORSE, esclareço aos não-quadrinheiros, é a editora de (entre outros) Hellboy e Sin City. ORGULHO NERD BOMBANDO AFU NESTE CORPO HIRSUTO.
Cada vez me restam menos sonhos de infância & adolescência a realizar.
Quase começando a última fase da exaustiva JORNADA PRÉ-SAN DIEGO. Acho que vou CHORAR de novo quando entrar na convenção.
Vou pro check-in da Continental. Adeus.
Escrito por Rafael | 02:12 PM | Comentários (0)
julho 22, 2009
Gay Talese tem um bloco de notas
Como é que se faz uma grande reportagem? Pesquisa-se, viaja-se para junto do objeto, entrevista-se um monte de gente relacionada a ele, anotando tudo num caderninho com canetas de cores diferentes. Depois de meses, junta-se esse bolo de anotações num artigo datilografado.
Frank Sinatra tinha um resfriado. Gay Talese tinha um caderninho de anotações. (clique na figura para ver ampliado)

Escrito por Rafael | 06:01 PM | Comentários (0)
Paul Pope
Escrito por Rafael | 05:51 PM | Comentários (0)
julho 21, 2009
Readaptação
Vezenquando alguém ainda me pergunta, seis meses depois do desembarque, se eu já me readaptei ao Brasil. A pergunta pode ser retórica, por educação, mas a resposta não é. A resposta, invariavelmente, é não. Não me readaptei ainda.
A idéia de sair existia desde antes, mas foi a possibilidade real de morar fora do país por um tempo o que me levou a começar a pensar e, na medida do que a minha experiência possibilitava, enxergar o país, ou ao menos a minha cidade, meu bairro, de um ponto de vista externo. Quando finalmente viajei, já devia estar há mais de um ano fazendo esse exercício mental, o que atrapalhou de diversos modos minha vida naquele período.
Entretanto, vim a saber que foi uma das coisas mais úteis que eu fizera ao começar a morar fora, porque me preparou tanto para avaliar o que eu apreendia de novo dum ponto de vista mais imparcial quanto para gozar em toda a extensão o que eu sabia que era bom. Aquilo que eu imaginava que fosse a alta qualidade de vida no primeiro mundo. Era como uma demonstração em laboratório de uma equação física, só que acontecia na base diária, com parte do meu cotidiano. É precisamente desse tipo de coisa que eu sinto falta, e que atrapalha minha readaptação.
Por isso não canso de me assombrar com as extraordinárias expressões de brasilidade de jogadores de futebol que passam às vezes sete, às vezes QUINZE anos morando fora, em países de primeiro mundo, e quando voltam, em dez minutos estão à vontade no bairro em que cresceram, como se nunca tivessem deixado de andar descalços nesse meio tempo, expressando opiniões que denotam total despreocupação sobre a diferença entre o que é público e o privado com a maior naturalidade, provavelmente as mesmas opiniões de seus amigos de bairro, de onde também provavelmente nunca saíram. Para que serviram os anos fora, então?
Viaja-se no primeiro mundo, conquista-se troféus, é apresentado a reis, príncipes e sheiks, anda-se de Ferraris e jet-skis, namora-se modelos, tudo isso com a conveniência de nunca ter saído do Complexo do Alemão...
Escrito por Rafael | 05:53 PM | Comentários (0)
Monolito
Falem o que quiserem sobre o militarismo e patriotadas os críticos, a chegada do homem à Lua, há 40 anos, foi grande evento científico do século XX em termos simbólicos. Pela primeira vez conheceu-se, testando com a ponta do pé, uma daquelas coisas que até então parecia só pder ser acessada através da poesia e da fantasia. O tipo de ganho que se tem numa situação dessas é inestimável, porque é maior do que o ganho que, por exemplo, exploradores europeus tiveram ao conhecer pigmeus: a Lua sempre fora conhecida, reverenciada e até idolatrada, ainda que a distância só contribuísse para alimentar mitos (Alan Moore colecionou quase todo tipo de besteira ficcional para escrever o terceiro tomo de A Liga dos Cavaleiros Extraordinários, de Júlio Verne a Amazonas na Lua). O impacto foi tão grande, e até agora tão difícil de expressar, que não teve substituto à altura. Astronautas passaram por experiência místicas ao ver a Terra de longe. Às vésperas do vôo definitivo, o filho de Michael Collins respondeu sim, quando a imprensa lhe perguntou se achava que seu pai entraria para a história. Depois, perguntou: o que é história?
Ótima desculpa para ler Of a Fire on the Moon, do Norman Mailer, ou Os Eleitos, do Tom Wolfe. Que ainda hoje dá suas opiniões sobre os 40 anos.
Escrito por Rafael | 01:49 PM | Comentários (0)
julho 14, 2009
Festival de lama
Festa da Lama na Coréia do Sul, recentemente realizada. Participantes deram baixa no hospital, infectados com doenças de pele.
Barbara 'Redneck Queen' Bailey mostra pra galera o jeito certo de dar uma barrigada na lama durante o décimo terceiro Jogos de Caipira anuais de verão, nos EUA.
Escrito por Rafael | 01:46 PM | Comentários (0)
julho 09, 2009
Cartum, início da década de 1960

Escrito por Rafael | 02:41 PM | Comentários (0)
Perfeição
A aragem que soprava pela manhã, temperando o ar ainda não completamente aquecido pelo sol nascente, antecipava que aquele seria um dia de inverno com a temperatura mais que perfeita. Que maravilha.
Escrito por Rafael | 02:35 PM | Comentários (0)
As lições de Gay Talese
Fui ver a palestra de Gay Talese ontem, no Instituto Moreira Salles. Acabei vendo no telão, que não cabia aquela malta toda no auditório. Apesar da falta de paciência em responder as mesmas perguntas que estava respondendo há uma semana, ele deu o preciso caminho das pedras de porque se tornou uma lenda do jornalismo:
1. Escolheu como padrão de qualidade literária os contos de ficção que ele lia na juventude, e não as boas reportagens. Pretendia causar os mesmos efeitos de um bom conto de ficção nas suas matérias curtas -- escrevendo não-ficção, baseada em dados, verificável e precisa.
2. Teve mais curiosidade e paciência que seus pares para gastar mais tempo com cada reportagem.
Rolaram também algumas dicas de método excelentes, do tipo usar a internet apenas para buscar referências de dados; saber justificar o seu papel em uma reportagem (afinal, para que o repórter estaria ali, fazendo perguntas?), vestir-se bem e ter boas maneiras (ajuda a conquistar a confiança dos entrevistados: não é uma excentricidade dândi, como a de Tom Wolfe, cujo efeito é exatamente o oposto: distingui-lo do bolo), vivenciar a experiência do que se reporta.

Na saída, por total serendipidade, o Augusto Sales sacou que uma mesinha no meio do nada seria utilizada para os autógrafos e eu acabei sendo o primeiro da fila, o que me permitiu trocar umas breves palavras com ele. Ao ver o tamanho da fila, pediu desculpas e disse que só ia autografar, sem colocar meu nome.
Escrito por Rafael | 02:22 PM | Comentários (0)
julho 07, 2009
Começou San Fermín 2009
E falando em maiores festas do mundo, começa hoje o festival de touros de San Fermín, popularizado por Ernest Hemingway em The Sun Also Rises e nesse exato momento alvo da redução no turismo em função da crise econômica e dos manifestantes ecológicos seminus.
De hoje até 14, uma corrida de touros por dia.
Escrito por Rafael | 06:04 PM | Comentários (0)
Mementos from the playa
[Em 2000, iniciei sem saber uma série de visitas às maiores festas do mundo com uma viagem à Califórnia para participar do Burning Man. Mais do que planejar a viagem, o complicado foi planejar a ia ao Burning Man, pois não havia "pacotes turísticos" que levassem até o deserto de Black Rock, onde o evento acontecia, muito menos acomodações no local. O jeito era descolar uma vaga em um dos acampamentos temáticos que faziam a fama da festa, levando o essencial e rachando água e comida em troca de serviço comunitário. A salvação acabou sendo uma empresa de bichos-grilos chamada Green Tortoise, que organizou um ônibus, dentro do qual passei 5 noites dormindo, além de providenciar estoque praticamente infinito de água potável e alimentação mais do que suficiente. A estrutura foi boa, mas eu me pergunto o que teria acontecido se eu tivesse ficado em um dos acampamentos. Em certo momento, disparei mensagens para vários organizadores, expondo meu drama. O que se segue é um arrazoad das respostas, que na época me impressionaram o suficiente para que eu tivesse copiado num caderno, em sua forma original, para evitar perdas da tradução. Sobressai o notável espírito de comunidade.]
You will not regret it. It is an experience that has absolutely changed my life! I would recommend it to anyone with an open mind.
Feel free to email me as the event approaches and my friends and I will try to take care of you!
Don't worry so much about "stuff". Speaking as a starving artist, I can assure you that Black Rock City is quite affluent, in fact Utopia for starving artists. If anything, bring groovy stuff from Rio to trade, persuade for the desires you wish.
Then, finding a group at Burning Man to share good times with should be easy, if you just walk around and keep your eyes and hearts open.
The language of the sands is pretty universal.
I suspect many other people you mailed are making similar offers as; the more. the merrier and we would hate for you not to be able to go this way.
I guess we'd like to know more about you guys -- ages, marital status, sexual orientation, attitude towards freaks; many of us are quite fond of Brazilians in general and many of us have travelled in Brazil. We are not likely to be a quiet camp. Photos would be nice.
[Essa veio de um acampamento majoriatariamente gay, o único que incluiu informações pessoais na negociação da estrutura da viagem. Depois, reclamam de discriminação.]
Be prepared to take everything out with you -- leave no trace.
I am not able to provide transportation for you. However, I do have a theme camp and you could sleep in the shade structure. And if you could bring a couple of bottles of caipirinhas, that would be wonderful!
We're a pitch-in-an-help community.
Burning Man will not even let you into the festival if you do not bring extra water with you.
Burning Man is a state of min, if you can't bring a theme camp, bring spirit and you'll fit right in.
It's truly a frontier society. We all know exactly how fast things can go VERY wrong. if we were all of the 'every-man-for-himself' mentality. Cutthroat just ain't in our vocabulary.
You need a winter coat in case it gets cold and you need a sarong for the daytime. Clothing is optional at Burning Man. [grifo meu, minha citação predileta]
You can't find a more friendly, felpful, decent group of people anywhere in the US. It's a big part of why I call Black Rock City home.
We'll have some glow toys for you when you arrive [Uma então novidade para mim, enfeites fosforescentes]
As we know, redundancy on the playa is the key to survival. If you see something in the above list and you have it, don't leave at home! Bring it, specially if it is better!
Escrito por Rafael | 11:59 AM | Comentários (0)
julho 06, 2009
Recordar é viver
Era 2004 e a pauta, essa inexorável abstração, pedia que se trouxesse de volta ao debate, aliás outra abstração, oa aniversário de 40 anos do golpe militar de 1964. O editor sugeriu a pauta a seus então colunistas, na expectativa de análises ponderadas e originais; o Lisandro tirou um dos pés da mesa ao colocar o temível cabeça de melão na jogada (com tintas autobiográficas, dizem as más línguas).
Armandinho, o subversivo, versus o Cabeça de Melão -- leia.
Ele é mais um que sente saudades do presidente Figueredo.
Escrito por Rafael | 05:51 PM | Comentários (0)
Humor involuntário no chat
fala meu filho
acabo de cair na gargalhada por causa do Julio Daio
Ele anunciou um especial Michael Jackson
tendo como prêmio
o livro chamado
PRETO NO BRANCO
morri
Escrito por Rafael | 01:15 PM | Comentários (0)
julho 03, 2009
Instrua-se, cidadão!
Everything I know, I learned reading comic books -- Art Spiegelman
1) A caverna de Platão, apud Piteco.
2) Culture jamming em cima de Persépolis.
3) Era assim que Herriman se definia.
4) Jules Feiffer é um liberal tão ridicularizável quanto os personagens de seus cartuns.
5) Quem é o maior pegador do universo Marvel? X-Men não passa de um novelão, mesmo.
Escrito por Rafael | 03:19 PM | Comentários (0)
julho 02, 2009
saída
Crise? Recessão? Fique loira.
Escrito por Rafael | 05:53 PM | Comentários (0)
A versão dos afogados
Um viés interessante seria contra a história dos quadrinhos norte-americanos através dos artistas fracassados, cujo contingente é bem numeroso. Jerry Siegel, criador do Super-Homem, que só não morreu esquecido e empobrecido por causa de uma campanha na época do filme com o Christopher Reeves, é um eixo óbvio -- mas poderia ser também Will Eisner, que no topo do seu período experimental fazendo The Spirit teve que ouvir de um de seus ídolos, o cartunista Rube Goldberg, que quadrinhos era vaudeville, puro entretenimento sem pretensão artística. O mais engraçado é que, quase 40 anos depois, Eisner ouviria a mesma opinião de Milton Caniff, aliás um dos poucos que não caberia naquele viés, posto que fez sucesso a vida inteira e chegou até a ser citado no Congresso pela motivação que suas tiras passavam no esforço da II guerra. Jack Kirby, se valeu de sua habilidade em desenhar para sair do gueto e tentou a vida inteira superar a condição do trabalho a metro (como de seu pai, alfaiate) seria outro grande candidato a eixo, porque argumenta-se que ele nunca conseguiu, mesmo tendo sendo fundamental para a criação das revistas de romance e dos super-heróis da Marvel. Diz-se que Stan Lee teria dado apenas uma simples instrução para uma história do Quarteto Fantástico: "faça-os enfrentarem um deus", e Kirby teria criado Galactus e o Surfista Prateado... Mas tem muita gente marcante, com uma história triste por trás. George Herriman, que disfarçou a vida inteira sua ascendência étnica, mesmo que incluísse gírias creole, sotaques sulistas e mitos indígenas nas páginas do Krazy Kat. Wally Wood, provavelmente o desenhista mais talentoso de sua geração, cotado para substituir Hal Foster no Príncipe Valente, pivô das histórias de ficção científica, colocou The Spirit na lua e antecipou o mercado de independentes em 10 anos -- somente para se suicidar quando o talento fraquejou. Jack Cole, inventor do Homem de Borracha, despendindo-se do mundo quando tinha uma tira sendo bem distribuída pelos jornais e a reputação assegurada como cartunista de humor. Harvey Kurtzman, outro que nunca conseguiu capitalizar financeiramente o valor de suas criações revolucionárias, dividindo seu talento entre roteirista e autor, arriscando nunca atingir o zênite. O bartleby de Art Spiegelman que, depois de Maus, nunca mais conseguiu fazer uma história longa com narrativa linear.
Há muitos casos de talentos não explorados, frustrações e injustos esquecimentos, isso num mercado flexível que teve altos e baixos ao longo de décadas.
Escrito por Rafael | 11:19 AM | Comentários (0)
julho 01, 2009
Com os cumprimentos
A melhor coisa que li até agora sobre a morte do Michael Jackson:
Morreu Michael Jordan? Aids feladaputa.
Acabei de cumprimentar o autor por telefone, porque pessoalmente não deu. Outras dele (se não conhece as referências, nem tente entender; se conhece, não pense que vai ser mais fácil):
Apesar do nome, que me assustava quando criança, gostava de Pina Bausch e gosto de todo mundo que bota a mulherada para mostrar as pernas.
Como resposta ao racismo das histórias antigas, Chaykin deu dois filhos chineses para o Sombra. Pura diversão.
Se elogiam políticos, logo queimam pessoas.
Falam tão bem do Obama, que não me provocou nenhuma ereção até agora.
Com o botox nenhum marido e nenhum filho terão de dar satisfação. A mulher rindo, chorando ou gritando, a mesma expressão serena.
Marjane Satrapi, maconheira
Algo meio doutor Manhattan no meu pai, sempre se perguntando se as coisas já aconteceram, vão acontecer ou estão acontecendo.
Paro por aqui para não viciar; por menos que isso elegem uns caboclos aí para a cadeira de gênio.
Escrito por Rafael | 12:11 PM | Comentários (0)