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agosto 28, 2009
Rubem Braga e a volta
Tem duas histórias do Rubem Braga em que eu penso o tempo todo.
Na primeira delas, ainda do tempo em que viajar era raro e viajar pro exterior, uma aventura, Vinicius de Morais pergunta a Rubem Braga o que havia de novidade no Brasil, chegando de uma temporada fora. Posso imaginar Rubem Braga rosnando a resposta que deu:
-- Cigarro Hollywood sem filtro.
Depois de três anos morando fora, e antes de voltar, cansava de me pegar imaginando como eu responderia a mesma pergunta, do ponto de vista de quem, ao menos tecnicamente, ficou tanto tempo longe -- Vinicus não tinha acesso a internet, canal a cabo nem VoIP.
Demorei alguns meses para chegar numa conclusão, mas foi irreversível. O que havia de mais novo no Brasil, ou ao menos naquele punhado de quarteirões em bairros próximos que eu entendo por Brasil, era a inversão de trânsito da Voluntários da Pátria no final da tarde. Depois da estabilidade econômica do Plano Real, a inversão foi a mudança mais drástica que eu percebi no Brasil, porque acabou com uma das verdades estabelecidas que me acompanhou por décadas: a Voluntários vai engarrafar na hora do rush.
Pois assim como o Plano Real exterminou a idéia de um país acostumado a vida com hiperinflação, a inversão de trânsito acabou com os engarrafamentos da Voluntários da Pátria. Da praia de Botafogo pra Cobal em 10 minutos? Em 15 minutos, as seis e meia da tarde? Yes, we can. Tão irreal quanto a idéia de uma revista manter o mesmo preço todo mês nas bancas, e ainda assim, acontece. Todo santo dia.
Na outra história do Rubem Braga, eu pensava muito logo que me assentei fora do Brasil. Trabalhando como repórter na cobertura da II guerra, diz-se que um dia, deitado num quarto de hotel, Rubem Braga deu uma baforada e concluiu:
-- O Brasil é um país muito atrasado mesmo. Enquanto na Itália é de tarde, lá no Brasil ainda é de manhã.
A cidade onde eu morava na Austrália ficava ONZE fusos horários à frente do Brasil, ou ao menos daquele punhado de quarteirões etc. Imaginem como o Brasil não me parecia atrasado...
Escrito por Rafael | 02:18 PM | Comentários (0)
agosto 26, 2009
Hakuna matata
Escrito por Rafael | 03:15 PM | Comentários (0)
agosto 23, 2009
Sobre o Humor
Outro dia, em almoço com Lisandro, observamos que um dos problemas do humor atual é ter perdido, em grande parte, a capacidade de crítica: ninguém mais se incomoda com certo tipo de piada, ninguém mais dá recibo para ironia. Insultos não são mais reconhecidos como insultos, porém como descrições precisas de aceitáveis características da personalidade. Essa culpa nem se pode atribuir ao politicamente correto; é a evolução descontrolada do hábito do status quo de assimilar a contra-cultura.
Na década de 50, Harvey Kurtzman estava à frente de seu tempo ao fazer paródias do jornalismo, da publicidade e da televisão, ao mesmo tempo em que Hugh Heffner (por bastante tempo seu patrão) ficava rico fazendo exatamente o contrário, propagandeando as novidades que o jornalismo, a publicidade e a televisão traziam para o comportamento masculino. Kurtzman nem foi tão radical a ponto de morrer de overdose como Lenny Bruce, nem tão adequado a ponto de fazer dinheiro como Heffner, mas sua disposição em sempre enxergar o que havia de torto e criticável teimava em empurrá-lo para fora do panteão pop. Porém, sua obra teve impacto profundo e durador (de Crumb a Monty Phyton, passando por Asterix) na tarefa de incorporar uma visão crítica ao então inatacável.
Nas décadas de 60 e 70 a moda era atacar, fosse como fosse, os pilares da chamada civlização ocidental: a família, as organizações, as instituições, o sistema produtivo, o mercado. Ia-se ao teatro num sábado de noite para refrescar a cuca assistindo a violência verbal de Edward Albee em Quem Tem Medo de Virgínia Wolff, praticamente duas horas seguidas de troca de insultos entre marido e esposa, diante de convidados. A cada geração, absorvia-se as críticas da geração anterior, até o ponto em que o próprio humorista faz humor sobre si mesmo e o pessoal do Pânico é acusado dos mesmos espasmos de estrelismo das vítimas da sandália da humildade. Onde fica a fina linha vermelha da separação?
Você diz que Crepúsculo é um filme para emos virgens, e o público concorda, assentindo que é isso mesmo. Você diz que o Jabor só faz sucesso porque fala para um enorme contingente da classe média frustrada, que gostaria de ser mais ousada mas está enjaulada na própria abulia, e a classe média concorda, nem um pouco insultada. O que era para ser crítica merecedora de reflexão virou mera definição de mais um nicho de mercado.
O humor ter perdido a capacidade de chocar é o ponto onde chegamos. Qual a graça que resta?
Escrito por Rafael | 07:02 PM | Comentários (0)
agosto 22, 2009
Comemorações
De baixo para cima, três entradas com fotos de Bali, que eu deia há um ano. Pra celebrar o aniversário de 7 anos de blog. Em breve, Austrália: Darwin, Melbourne e Sydney.
Escrito por Rafael | 04:17 PM | Comentários (0)
A Ilha da Beleza - arroz e Tirtta Ganga








Escrito por Rafael | 03:45 PM | Comentários (0)
A Ilha da Beleza - Ulu Watu e Pura Besakhi










(continua acima...)
Escrito por Rafael | 03:04 PM | Comentários (0)
A Ilha da Beleza - Kuta e Ubud
Bali começou a fazer parte das conversas há mais ou menos 20 anos, quando a primeira leva de surfistas brasileiros que viajava o mundo atrás de ondas perfeitas fez de lá um de seus pousos, como tantos outros mundo a fora. Também a partir dessa época entram na moda as estampas em batik, que são oriundas do sudeste asiático e foram, por certo tempo, um must nas praias cariocas. Os atentados terroristas de fato esvaziaram o turismo local, barateando significativamente uma absurda infra-estrutura que se viu excessiva de uma hora para outra, mas é de se perguntar o impacto disso para o turista brasileiro, para quem Turquia já é longe. Em setembro de 2008, passei uns 10 dias por lá e tirei muitas fotos, o álbum inteiro está aqui e minhas anotações, aqui. Até então, nunca tinha trazido para o blog, na linha que a Lucia Malla faz super bem. A ordem vai ser quase aleatória.

Kuta é a principal praia, concentrando a maior parte de turistas, mochileiros e comercialismo feio, mas a ilha não deve ser tomada só por Kuta, em cuja praia adolescentes aprendem a surfar em escolinhas tipo Rico de Souza, sobre ondas pequenas e perfeitas em sua regularidade.

A orla inteira de Kuta é cercada por um murinho de pedra, com entradas a intervalos regulares, protegidas por figuras como essas (que também se encontram em pontes e portais), que pelo que entendi estão ali para afastar os maus espíritos.

Como em todas as cidades grandes do sudeste asiático, o meio de transporte individual mais popular são as motos, que você pode alugar por preços módicos se tiver peito para encarar os hábitos de trânsito locais. Quando vir garrafas de vodka cheias de um líquido amarelo dentro, à venda em lojas na porta de lojas de artesanato, não pense que é cachaça: é gasolina, revendida em pequenas quantidades para situações de emergência.

Adoro essa foto porque ela dá uma idéia muito boa do que o trânsito num cruzamento asiático: são duas ruas, as duas ruas têm mão dupla e há fluxo constante. Entretanto, não há nem sinal luminoso, nem ao menos uma placa de PARE; tudo flui na base da intuição e da preferência. E ninguém bate e não há nem freadas bruscas.

Se você quiser o pacote completo da experiência em Bali, vai se hospedar num bangalô perto da praia; vários hotéis oferecem esse serviço; além do bangalô privativo, você pode aproveitar a sopa de um desses gazebos para curtir a rara brisa na praia de Legian.

Não sei se eu já falei, mas o KuDeTa é simplesmente um dos melhores bares do mundo, um daqueles lugares em que você fica procurando, procurando, mas custa para encontrar algo fora do lugar. Tomar um drink no KuDeTa no pôr do sol é mais ou menos como estar parado no meio da praça do Campidoglio, em Roma: a música é suave e contagiante, a temperatura é agradável, as cadeiras são confortáveis -- e aquela moça ali do lado, na mesa dos ricaços de Mônaco, em breve vai ser a modelo mais famosa do mundo. Esse espelho d'água é a primeira coisa que se vê, depois de cruzar o restaurante, adentrando o bar.

KuDeTa inclui um pôr do sol de corar impressionista no serviço discreto e eficiente; esteja pronto para pagar o preço por isso, até porque, a lembrança não vai ter.

À medida que o sol cai, a atmosfera do KuDeTa fica mais e mais irreal.

Perama (diga: purama) é a principal empresa de ônibus que cobrem os vilarejos que constituem Bali. Uma ótima e barata opção para ir até Ubud, que é uma espécie de bairro de Santa Teresa de Bali. Esse aí é o escritório principal da empresa, de onde se parte em Kuta. Se essa é a maior e mais confiável empresa, imagine as outras...

Aviso na entrada do santuário & floresta dos macacos, em Ubud. Os macacos são sagrados, na mitologia hindu Saruman, o macaco branco, tem importante papel. Você pode alimentar os macacos dentro da floresta, mas o mais provável é que eles venham roubar suas bananas, garrafa d'água, óculos ou qualquer outro acessório colorido que ande pendurado no corpo. É basicamente o que o aviso diz.

Macaco também tem direito a estátua, o que há?

Panorâmica de quem entra na floresta dos macacos. Sim, é uma floresta de verdade.

Nem só de macacos vive a floresta; como bom santuário, tem um par de templos lá dentro para rituais, que podem ser visitados contato que se traje de acordo, ou seja, com o sarong hindu. Há sarongs disponíveis na entrada desse templo, para turistas despreparados, mediante doação. Claro que eu não vou liberar foto minha usando sarong por aqui.

A decoração dos templos é feita em pedra vulcânica, moída e fundida, depois esculpida com formão e martelo. Dá um trabalhão fazer isso tudo no braço, mas fica uma beleza depois. Hoje em dia, entretanto, a maior parte dos artesãos de Bali está ocupada fazendo objetos de madeira para turistas ao invés de trabalhando na reforma ou construção de novos templos.

Estátuas assim guardam a entrada dos templos. Você se sentiria convidado a entrar ou não num lugar que tem uma estátua dessas na porta?

E essa?

Se as estátuas podem te assustar, definitivamente a floresta tem trilhas convidativas à exploração.

Eu coço suas costas, você coça as minhas; depois, a gente reparte os piolhos no lanche. Tem macacos na floresta dos macacos, sim.

Seguindo uma das trilhas dentro da floresta, encontrei esse dragão de Komodo entalhado na pedra. Komodo é uma das ilhas que fazem parte da Indonésia, assim como Bali.

Eu disse que Ubud era a Santa Teresa de Bali.

Essa é a entrada de um dos templos mais decorados de Ubud, apesar de não ser o principal. Acabei não ficando muito porque estava cheio de vira-latas irritadiços, que frequentam esses lugares em busca das oferendas, normalmente comida, deixadas ali diariamente.

Esses templos de fato são utilizados em cerimônias, mas a menos que você esteja procurando especificamente por isso, vai ser difícil esbarrar em uma por acaso.

Acho que, ali no meio, é Shiva.

A essa altura, não seria mais preciso provar que Ubud é Santa Teresa, mas se você não se convenceu até aqui, a vista do portal interno da casa transformada em museu do pintor basco Antonio Blanco há de fazer o serviço. Blanco é um artista excêntrico, na linha de Dali, que sabe-se lá por que cargas d'água se estabeleceu em Bali, onde criou sua obra e família.

Palácio das águas de Ubud ou Palácio dos Lírios de Ubud ou Palácio Real de Ubud, esse sim o principal templo, onde diariamente juntam-se turistas para ver uma das supostamente típicas danças locais. É uma das localidades mais conhecidas de Bali.

Portal de entrada que separa o pátio do altar; daqui pra frente, só de sarong.

Detalhe do altar do templo principal do Palácio das Águas de Ubud. Os restos de decoração foram da cerimônia do dia anterior.

Vista de quem olha do pátio principal do Palácio de Ubud; no canto direito, um aprazível café para reidratar os sedentos.

E o que mais tem um Ubud? Algumas paisagens bucólicas com plantações de arroz; essa tinha direito até a espantalho.

Tem gente que vai da Europa pra lá só para ver isso. Acredite.
(continua acima...)
Escrito por Rafael | 12:27 PM | Comentários (0)
agosto 20, 2009
Tecnologia
Quando a gente era pequeno e ouvia falar em ano 2000, pensava logo que a vida cotidiana seria alguma coisa como o cenário da história O Longo Amanhã, ilustrada pelo Moebius. O século virou com terroristas barbudos jogando aviões em prédios, mas uma coisinha ou outra incorporada ao meu dia a dia ainda me faz pensar que o futuro chegou, e eu curto:
1. Leitor de código de barra: deixo para pagar algumas contas no caixa eletrônico só para ver aquele raio laser transformar um monte de tiras verticais num valor monetário. Também vale para caixas de supermercado. Magia pura.
2. Reconhecedor óptico: poderia digitar um código numérico, mas prefiro colocar a mão no leitor óptico para que minha palma seja reconhecida e libere a roleta de entrada no clube onde eu nado.
3. Telefone celular: sobretudo com acesso a internet, acho sensacional a possibilidade de fazer consultas. Melhor de tudo é aquele aparelhinho que pendura em cima da orelha (quando vi, pela primeira vez, todo mundo usando em Cingapura, achei genial). Não, o melhor mesmo é não ter que usar.
4. Célula fotoelétrica: abre portas de elevador, aciona escadas rolantes, liga canhões de luz e ainda comprova a dualidade onda-partícula da natureza da luz!
5. Internet: a realização dos sonhos e dos pesadelos de qualquer um que levou à sério demais 1984, Neuromancer ou similares.
Escrito por Rafael | 03:31 PM | Comentários (0)
agosto 17, 2009
7 anos esta noite
Sete anos de blog, hoje. Primeiro retorno de Saturno. Para comemorar, e também para espantar a relativa modorra das últimas semanas, programação especial nos próximos trinta dias. E novidades drásticas para breve.
Escrito por Rafael | 05:19 PM | Comentários (0)
agosto 06, 2009
Esperma
Abandonar seu roteiro na mão do diretor é como fazer depósito em banco de esperma. Nunca se sabe como a criança vai sair. -- Lisandro
Escrito por Rafael | 11:35 AM | Comentários (0)
Me engula todo
Swallow me whole, publicada pela estimada Top Shelf, editora original do Chinês Americano, ganhou o Eisner de melhor graphic novel de 2009, além de ter sido indicada para o LA Times Book Prize. Excertos aqui e aqui.
Escrito por Rafael | 11:21 AM | Comentários (0)
agosto 03, 2009
Cesão
O chamado efeito Cielo: desde março nandando com regularidade, somente ontem tive que dividir raia para o exercício semanal. Não vai durar dois meses, evidentemente.
Escrito por Rafael | 10:29 AM | Comentários (0)